O ranger da porta ainda caçoa na escuridão

A velha e acabada casa

Tão velha quanto minha idade

Tão velha quanto essa cidade.

Sua historia não tem sido das boas

Casais com o casamento conturbado

Crianças que brincavam com o sobrenatural

E no final descubro que essa casa foi criada por minha família.

Quadros antigos

“Será que eles estão olhando para mim?”

A doce sinfonia do medo bate em meu peito ao dormir

Ao ouvir durante a noite o estralar das portas

E a madeira do chão ranger com tanta força como se alguém pisasse.

A cada manha acordo com o barulho da chuva

Dias nublados, que estranho

A casa parece atrair temores e desgostos

Tão distante da cidade

Tão isolada...

Tomo as dores dessas paredes mofadas

Desse chão quebradiço

Tanta historia, tantas vidas

Seria interessante saber

Porem não sinto a mesma dor da casa por piedade

E sim semelhança

Casa triste e só

Só...

Isso que eu sou

Só...

Me isolo aqui pois não tenho por quem lutar

Por quem dizer coisas bonitas ou apenas brindar

Não tenho para que lutar

Não tenho necessidade de sofrer mediante a sociedade.

Bom...

Eu apenas abraço a solidão

E fico entre abraços e beijos

Com essa velha e enrugada casa

Que apesar de material

Consegue atingir até o mais profundo nível sentimental que tenho.