Poemas de Amor e Angústia
3 Sobre aquilo que se deteriorou
I [a montanha]
Gélidas as lentas horas, Co’ os brancos lábios, e o veneno A dissolver a carne viva; E o meu ser, indiferente, Abandona a própria alma, pois Morta estava, e putrefeita; Da quieta e estéril terra Emerge o verme rastejante Para nutrir-se lentamente Dos desejos e dos sonhos Depredados, da perversidade A destilar do corpo nú; E as harpias infernais Que nas montanhas erguem ninhos Grasnam, como se me lembrassem Implacavelmente cada Pecado meu. Sopra então Borrasca E espalha-me aos quatro ventos.II [o trovão][...]III [o lago][...]IV [o vento][...]
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