A dias ela vem me visitar a noite,

que passa a receber recados meus durante o dia.

Vem, bate na porta, não encosta, se instala.

Fletarmo-nos durante o dia; tempestuosa é

seu ciúme.

Traz-me lembranças de um passado glorioso

longe de flertes.

Moribundo é seu aspecto, longe daquilo que imagino;

meu peito infla desproporcional; segura minha mão

e me apóia.

Não há beijos, nem caricias nem nada;

apenas sua presença é sentida quando

não há mais nada a sentir.

Em todas as casas, em todas as ruas;

ela está sempre a flertar.

A dias ela não me procura a noite;

dando lugar a visita desagradável e ciumenta

da solidão.