Eles falam falam falam

Assim mesmo, sem vírgulas, sem razão

Falam de coisas que não entendem

Falam porque... Por que não?

Mas é melhor deixar pra lá

Não queremos perder a razão

A razão que rasga a reza

Mas isso é só aliteração

Poemas não transmitem poder

E eles falam e falam e falaram e falarão

Poemas são fracos e sentimentais

Mas a raiva é um sentimento, não?

Então é hora de rasgar a razão

Não acha?

Rezem pela sanguinolência

Ou não.

Rezem por suas almas perdidas e sanidade insana

Já basta.

Ou faça pipoca e curta a experiência

Ka-boom

Poemas de raiva deviam ser quentes

O calor do inferno ardente

O sangue morno escorrendo por gargantas

Gargantas, óbvio, de inocentes

E o próprio Deus-fogo surge

E tudo vira o maior caos

Voltamos ao pó, reduzidos a cinzas

Apenas isso, "tchau tchau".

A raiva avassaladora e vingativa

A raiva venenosa e impaciente

A raiva demolidora e destrutiva

A raiva que todo mundo (?) sente

Mas e as outras variáveis?

E a discussão?

A ó-tão-cruel incerteza

A linha tênue entre a geleira

E o vulcão

Porque o fogo queima

—Oh, como queima—

Os gritos e a carbonização

O envenenamento por fumaça tóxica

O brilho cegante

A explosão

Mas o gelo

—Ah, o gelo—

A fina camada de proteção

A camada que racha sob seus pés sem aviso

E a superfície tão segura

Se reduz a cacos no chão

A imponente geleira se espatifa

Os fragmentos derretem e se vão

O que foi grande agora nem existe

Já existiu ou foi só ilusão?

Mas, ei, poemas não passam poder

Não são imponentes, não tem salvação

Jamais terão o respeito dos Lordes

Ou dos guerreiros a mínima atenção

Porque algumas pessoas são fogo

Pura energia, fácil destruição

A fagulha de um segundo que brilha

E seu brilho imponente, respeitarão

Mas o fogo se extingue, se acaba

Se auto consome, um canibal

Fúria sem foco, sem autocontrole

Rastros de destruição como um animal

Já o gelo

—Ó, derretimento—

Passa anos e anos sem sair do lugar

Uma superfície frágil, mas forte

Só pensando em quando vai rachar

Esconde, protege, congela, se vai

Cada quebra com o tempo se alargando

Até que uma hora, bye bye

O fogo arranca sua vida num segundo

Seu ímpeto, fugaz

O gelo lentamente rui seu mundo

E nas ruínas se satisfaz

Talvez poemas não transmitam força

Talvez palavras nem tenham poder

Mas num mundo de gelo e fogo

Um poeta não tem nada a perder

Se gostou

—Ou achou abominável—

Se se sentiu inspirado

—Ou enojado—

Se me acha um tolo

—Ou respeitável—

Se acha minhas rimas fracas

—Estaria certo—

Se, se, se, se ,se... Não importa!

Como dizem, é tudo natural

Se vai morrer pelas chamas ou congelado

No fim, é tudo igual

Mesmo com a incerteza

—Da vida—

Palavras tendo ou não poder

Fiz o que todo poeta faz

Felizmente, sei escrever.

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