Podre até o âmago
1 Prólogo
Notas iniciais
"Inglaterra, 25 de Abril de 1486,
A luz dos recentes eventos ocorridos durante aquilo chamado de A Desolação, cujo os responsáveis estão sendo caçados e punidos, para garantir a segurança e harmonia da Inglaterra, a partir deste abençoado documento o Rei Mikael V, representação de Deus na Terra, e sua esposa, a Rainha Esther, escolhidos únicos e inquestionáveis do Senhor, iniciam O Expurgo. Estão doravante proibidas toda e qualquer forma de magia, sendo o uso desta traição das mais graves. Tal prática deve ser relegada e extinta, sem exceções. Qualquer um que acreditar, apoiar e/ou encobrir qualquer forma de magia será igualmente punido. Está autorizado o uso de tortura em interrogatórios de possíveis traidores e nas punições dos culpados, das quais o povo poderá participar se desejar. É criada a partir deste a Unidade da Purificação e Conversão da Inglaterra, que funcionará durante O Expurgo sob o comando dos escolhidos do Rei, Isaquiel Young e John Pierce. Todos que estiverem na Inglaterra durante O Expurgo deverão submeter-se à Unidade, ajuda-la e respeita-la, tendo sua figura como a mais importante após apenas a da família real. A Unidade reunirá fiéis que se dedicarão a tarefa de caçar e punir qualquer um que pratique e/ou seja conivente com a pratica de bruxaria. Todos os suspeitos devem ser trazidos à cidadela para que sejam julgados e se descobertos culpados de tais crimes punidos da maneira que o Rei acreditar adequada. A religião católica passa a ser a única aceita no reino e deve ser praticada e respeitada por todos. Qualquer um que se opor a qualquer palavra deste documento será considerado traidor e queimado na fogueira em praça pública. Que seja feita Sua vontade, amém."
O vento uivava na praça, cortando as faces dos desprotegidos. Era o início da manhã, mas o céu estava escuro como estivera há semanas. Havia uma junção de espectros na praça que era na verdade o agrupamento dos sobreviventes daquilo que ficara conhecido como A Desolação. Ao seu redor havia principalmente destruição, antigas construções feias reduzidas a entulhos sujos. Ao longe encontrava-se o imponente castelo, a única coisa que permanecia inteira além da grande catedral da cidade. Mesmo as casas mais bonitas e fortes não estavam em boas condições. Foram 31 dias. 7 dias de vento incessante, furacões que destruíram as casas dos pobres levando os moradores juntos. 7 dias de seca e calor tão fortes que os velhos e as plantações pereceram. 7 dias de tempestade, que inundaram as vilas e por fim 7 dias de fogo inextinguível que veio para destruir o que ainda restava. No último dia o chão se abriu e engoliu parte do entulho e dos desavisados. Além das doenças que se alastraram nas pessoas matando-as antes que pudessem perceber. Quase toda a população tinha morrido e mesmo aqueles que viviam pareciam mortos. O reino ia lentamente sendo reconstruído e os culpados sendo punidos. Não se sabia com exatidão quem era responsável por tudo aquilo, mas o Rei apressara-se a culpar as 12 bruxas que formavam aquilo conhecido como Circulo e o povo, desesperado por vingança e cego pelo ódio, aceitou essa explicação. A única coisa que os tirava da sofreguidão e do trabalho eram as execuções e hoje, prometera o Rei, seria a última. A última e principal culpada seria queimada em praça pública quando o Sol nascesse. Embora fosse difícil dizer com a escuridão o povo sabia que a qualquer momento a bruxa estaria a sua frente. Aquele era o dia em que O Expurgo começava oficialmente e nada mais apropriado para comemora-lo do que matar a grande culpada pela Desolação. A partir daquele dia todo e cada bruxo, bruxa e simpatizante seria capturado e punido. Não demorou muito e a corte começou a chegar. Pareciam os mesmos de sempre, belos, sorridentes e elegantes, alheios ao sofrimento do povo. Após todos estarem confortavelmente arrumados ao redor da pira, dentro de carruagens, em cima de seus cavalos ou de seus servos, a família real chegou montados em cavalos sendo presididos pela recém formada Unidade de Conversão e Purificação da Inglaterra. O Rei Mikael vinha a frente seguido por Elijah, Klaus e por fim a pequena Rebekah. Apenas a Rainha Esther tinha ficado no castelo. Diziam as más línguas que A Desolação enlouquecera a mulher. O fato era que, havia semanas que ninguém ouvia falar da Rainha, antes tão presente. Por último vinha uma jaula carregada por servos que continha uma mulher negra, amarrada, suja e machucada conhecida e até pouco tempo atrás respeitada por quase todos os presentes. A mulher foi retirada da jaula e agressivamente amarrada contra o poste de madeira. A lenha foi amontoada ao seu redor. A bruxa Ayanna, como era chamada, lançou aos presentes um olhar do mais puro ódio e repulsa. Os empregados do Rei acederam uma tocha, mas antes que pudessem atear fogo na mulher ela berrou:
-Eu amaldiçoo todos vocês! Amaldiçoo suas família, seus animais, suas plantações! — os presentes encolheram-se com medo. Alguns poucos vaiaram a mulher, mas a maioria se afastou. Ela sorriu e continuou. -Que A Desolação seja só o começo do sofrimento desse reino hipócrita e corrupto. Que a purificação ocorra, mas que ela puna aqueles cuja a alma escura governa esse reino. Que a escuridão caia e não sobre nada deste chiqueiro que vocês chamam de lar! E quanto a você... — ela se virou para o Rei, cerrando os dentes e lançando um sorriso doentio para ele — Que você se sufoque com suas mentiras. Sua ambição resultará na sua morte Mikael e a podridão presente no antro da tua família destruirá esse reino. Você selou o seu destino agora carregue esse fardo!
-MATEM-NA! — ordenou Mikael. Os servos atearam fogo na pira e mesmo enquanto as chamas a engoliam Ayanna ria, uma risada vitoriosa e louca.
-É tarde de mais para os Mikaelson. Você condenou a você e sua família, Mikael e não importa quantas bruxas queime e quantas guerras trave, nada poderá salva-los!
A mulher riu até que as chamas a engoliram completamente e só restou o silêncio na praça.
Notas finais
Bjs,
Carol.
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