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44 Pior Que A Morte :: Fase 2
Notas iniciais
Pior Que A Morte
Bella’s POV
Minha cabeça doía – latejava incessantemente –, fazendo o simples ato de abrir os olhos parecer impossível. Resistindo à dor, fitei com um pouco de receio o local onde estava: era um cômodo grande de aparência rústica e rudimentar, porém muito bem feito. Era parcialmente escuro, iluminado apenas pela lua cheia que brilhava fortemente no céu pouco estrelado, o qual percebi pela minúscula e única janela de grades do ambiente.
Uma brisa gelada adentrava o lugar de poucos móveis, sendo estes apenas uma poltrona velha e gasta próxima a um tapete acinzentado, cor que predominava as paredes e o piso ladrilhado, porém em tons mais claros. Aquele quarto – ou sala, não sei dizer – parecia um calabouço, daqueles de filmes sombrios e apavorantes.
Tentei me mexer, mas uma dor aguda e latente me fez recuar. Olhei em direção ao que impedia minha locomoção e notei grandes correntes prendendo meus braços acima da minha cabeça. A dor vinha de meus pulsos que haviam sido cortados no momento em que tentei me mover; meu sangue escorria rumo aos meus cotovelos, pingando no chão em seguida.
Fitei meu corpo e notei que meus tornozelos também estavam presos por correntes apertadas, por isso não me movi outra vez, evitando me machucar ainda mais. Eu estava sentada no empoeirado chão enquanto percebia que meu vestido havia rasgado alguns palmos acima de meus joelhos.
_Ora, ora, a Bella Adormecida acabou de despertar?! – Uma voz aguda adentrou meus ouvidos.
_Não vamos assustá-la, irmã – Outra voz disse –, pelo menos ainda não.
Ambas riram no mesmo tempo em que uma porta, metros à frente, se abria, revelando duas mulheres – uma loira e uma morena. Elas desceram pelos poucos degraus que vieram em seguida, andando lentamente até mim – um sorriso vitorioso nunca saindo de seus lábios.
_Quem são vocês? – sussurrei e assustei-me com o medo audível em minha voz.
_Oh, quanta hostilidade de nossa parte! – a loira disse com um tom de voz tanto quanto doce, porém assustador.
_Você tem razão, querida irmã. – a morena continuou – Somos as Denali! – sorriu abertamente, olhando-me de forma invejosa e superior.
As Denali? As irmãs Denali? Oh meu Deus! Isso não é possível! Elas são, ou eram, tão amigas dos Cullen! Isso só pode ser brincadeira...
_Olha só o que você fez, Kate! – a provável Irina, a loira, murmurou em um falso tom de reprovação – Você assustou a pobrezinha.
_Relaxe, irmã. Não vamos fazer muito mais do que os outros farão com ela. – Kate se referiu a mim.
_Por que estão fazendo isso? – perguntei desesperadamente – E quem são esses outros? O que está acontecendo?
_Sempre posando de boa moça, não é Bella? – Kate perguntou me fuzilando com os olhos.
_Claro, irmã... – Irina concordou com sua voz sarcástica e áspera – Todos fazem de tudo para protegê-la.
A mulher morena abaixou, fitando-me de forma puramente cruel, enquanto minha respiração se acelerava, tornando meu medo ainda mais visível.
_Será que sua família virá atrás de você? – ela falou e a doçura em sua voz era amedrontadora – Eu acho que não! – rosnou, dando um forte tapa em meu rosto, o que me fez ofegar e gemer enquanto fechava fortemente os olhos.
_Pare, por favor... – implorei enquanto sentia o lado esquerdo de minha face arder violentamente.
De repente, a porta de madeira foi aberta novamente, dando passagem à Tanya – o sorriso diabólico contido em seu rosto fazia-me tremer internamente.
_Não temos pressa, querida – falou enquanto aproximava-se de mim, acariciando meu rosto – Isso é apenas o começo... Você ainda vai me pagar por ter me batido aquela vez em Londres, na boate, você se lembra? – sussurrou delicadamente – E ainda vai sofrer muito por ter roubado Edward de mim, SUA VADIA! – e gritando as duas últimas palavras, ela esbofeteou meu rosto com tanta raiva e ódio que me fez gritar pela dor triplicada do tapa de Kate.
Parecia que meu sofrimento as divertia, pois as sonoras risadas do trio eram tão verdadeiras que faziam todo o meu corpo se arrepiar.
_Pelo amor de Deus... Parem... – sussurrei outra vez, fitando-as com toda a misericórdia possível.
_Você não está tão confiante quanto da última vez que nos vimos, querida Bella – Tanya murmurou com sua voz docemente cruel – O que foi? Não consegue se defender sem o Edward? Hein?
_Não ouse tocar no nome de Edward, sua vagabunda! – gritei com raiva, enquanto sentia o medo se esvair sem hesitação.
_Olha só... A cobra tem veneno, meninas! – Irina riu, sendo seguida pelas malditas irmãs.
_Você é ridícula, garota! – Tanya falou descrente, abaixando-se outra vez.
_Você é ridícula, Tanya. – cuspi todo o ódio em minhas poucas palavras, sentindo a conseqüência logo após: um aperto nas correntes de meus pés, fazendo-os sangrar, no mesmo passo em que eu tentava conter meu grito agoniado.
_Cuidado com as palavras, vadia – alertou em um sussurro, afrouxando as correntes.
_Tem medo da verdade, sua puta? – ri sem vontade, encarando seus olhos azuis com nojo e rebeldia – Pois é isso o que você é, Tanya: uma puta! – gargalhei, sentindo-a apertar mais uma vez meus tornozelos – E olha só, combina tanto com você que até se encaixa em seu nome: PuTanya! – gritei pela raiva e pela dor de meus pés sendo praticamente esmagados pelo ferro.
_Você vai sofrer como nunca antes, sua vagabunda! – ela gritou, grudando suas mãos em meu pescoço, me sufocando – Você vai morrer, sua desgraçada... Mas vai morrer len.ta.men.te. – falou a última palavra de forma pausada, dessa vez passando suas afiadas unhas em minha garganta, arranhando-a enquanto eu gritava de agonia.
_Pare com isso! – uma voz masculina e desconhecida soou no ambiente, fazendo a vadia loira arruivada se estremecer e parar minha tortura imediatamente. – Nós precisamos dela... viva. Pelo menos por enquanto.
Segui o dono da altiva voz, deparando-me com um belo rosto pálido e, metaforicamente, duro e frio. Seus olhos possuíam uma íris de um vermelho escarlate – ele, com certeza, era um vampiro.
Evitando a dor em meu pescoço e no restante do meu corpo, perguntei:
_Quem é você?
_Damon Biers – falou, encarando-me pela primeira vez, deixando escapar em seu olhar um sentimento de dor.
_Biers – sussurrei o sobrenome involuntariamente... Eu já ouvira aquilo antes...
_Você deveria se lembrar – murmurou com a raiva explícita em seu tom – Já que por sua causa meu irmão foi morto.
_Riley... Riley Biers era seu irmão? – sussurrei surpresa, enquanto lembrava-me do vampiro recém-criado que havia tentando matar a mim e Edward.
_Pelo jeito você é mesmo a culpada – falou, sua voz alguns oitavos acima do normal – Por sua culpa ele morreu! Seu namorado vampiro o matou para proteger você!
Dizendo isso, as irmãs Denali começaram a rir da tortura que, possivelmente, me esperava a seguir.
_As três, fora! – Damon falou, apontando para as mulheres, ainda me fitando – Agora! – completou, gritando, quando elas não se moveram.
Assim que estávamos apenas nós dois na escura sala, me defendi:
_Não! Não foi Edward quem o matou! – Eu me lembrava muito bem de Seth acabando com Riley enquanto Edward estava bastante ocupado cuidando de Victoria.
_Cale a boca! – gritou Damon, vindo em minha direção – Foi por sua causa que perdi meu único irmão, foi por sua causa que fui transformado no monstro que sou hoje!
Engoli em seco; disso ele tinha razão – por culpa minha todos correram risco, Riley morreu, mas...
_Por que é minha culpa você ser vampiro? – perguntei intrigada, tentando disfarçar as dores que sentia.
_Eu fazia parte do exército de Victoria – falou calmamente, mas o ódio ainda presente em sua voz – Eu e meu irmão fomos transformados.
_Mas por que seus pais armaram uma busca somente para seu irmão? Isso não faz sentido...
_Eu cursava Ciências Políticas na Universidade de Chicago, ou seja, morava em Illinois há dois anos – suspirou, fechando os olhos fortemente – Riley, assim que terminasse o colegial, iria pra lá também. – abriu os olhos, me encarando – Assim que recebi a ligação dele de que havia se formado e recebido a admissão na mesma universidade que eu, decidi passar o final de semana em Seattle antes de voltarmos juntos.
Damon franziu o cenho, andando lentamente até a poltrona adiante, sentando-se nela enquanto encarava suas mãos.
_Ele optou por fazer uma surpresa aos nossos pais sobre sua admissão, então também não lhes contei sobre a minha ida. – ele fez uma leve pausa, prosseguindo logo – Ficamos de nos encontrar em nossa lanchonete preferida da cidade, então assim que o avião pousou em Washington, peguei um táxi, seguindo até lá.
“Mas assim que entrei no local, percebi que Riley não estava, como combinado. Voltei pra fora, ignorando a chuva que caía, resignado a pegar outro taxi e ir pra casa de meus pais ver se meu irmão estava por lá – Damon se calou, afundando o rosto em ambas as mãos –, porém quando atravessei a rua, vi uma pasta preta jogada no asfalto. Peguei-a e a abri, vendo a carta de admissão que meu irmão havia recebido da Universidade de Chicago.”
“Fiquei apavorado, pensando que Riley pudesse ter sido roubado e os ladrões tivessem largado os pertences dele na rua, deste modo, antes mesmo que eu começasse a procurá-lo, ouvi um grito – Damon voltou a me fitar – Corri em direção ao som... E vi meu irmão se contorcendo de dor no asfalto frio e molhado.”
“Assim que o alcancei, pronto para pegá-lo no colo e levá-lo em algum lugar seguro da tempestade... – Damon fechou os olhos outra vez e quando os abriram eles demonstravam fúria e terror – Senti a pior dor de todas existentes. Dias depois aquela dor insuportável cessou... E no dia da batalha, eu fugi. – ele levantou, andando rapidamente até a parede dos fundos, socando-a com tanta força que o lugar onde sua mão havia estado ficou completamente destruído.
“Eu tentei convencer Riley a fugir comigo... – Agora ele gritava, andando de um lado para o outro –, mas ele estava enfeitiçado pela vampira ruiva. E meus pais até hoje acham que somente meu irmão está desaparecido... E que eu não me conformei com isso e me escondi deles – ele parou de repente e me encarou, gritando estridente: – E tudo por sua culpa! Se não fosse por você eu estaria com meu irmão ao meu lado nesse instante, em algum lugar de Chicago!”
_Me perdoe! – chorei, implorando – Eu nunca quis, eu... Eu jamais imaginei isso! Por favor, perdão.
_Perdão é algo que você jamais terá de mim. – rosnou, vindo em minha direção, puxando meus braços e pernas das correntes presas à parede.
Aquele movimento fez meus pulsos e tornozelos arderem com a dor – Damon havia retirado as correntes à força, o que provocou cortes profundos nas áreas que antes estavam acorrentadas. Eu gritei. A dor era demais! Parecia que minha pele estava na carne viva!
Aquilo era pior que a morte!
_Agora eu quero que sua família e, principalmente, seu noivo venham até mim. – ele sussurrou em meu ouvido, com uma de suas mãos apertando forte minha mandíbula – Eu vou acabar com todos eles! – rosnou.
_Era isso o que você queria, sanguessuga? – aquela voz... Era Jake! – Bom, estamos aqui!
Damon saiu de perto de mim, voltando a ficar em pé em minha frente. Abri um pouco os meus olhos, ainda gemendo e respirando rapidamente por conta da dor alucinante que me tomava. E foi quando eu vi Jake e os Cullen parados na grande porta.
O que veio a seguir foi muito rápido. Jake se transformou no grande lobo marron-avermelhado, chocando-se com Damon em um barulho alto, como de duas rochas sendo batidas uma na outra. E antes que os Cullen pudessem agir, as irmãs Denali, híbridas como nós, avançaram em Alice, Esme e Carlisle.
Eu não conseguia mais me mover, pedir ajuda, gritar... Nada! Era algo agonizante... Mas a dor física que eu sentia era ainda mais insuportável.
No mesmo instante, o teto da parte direita da sala caiu, mostrando Lucas se levantar dos escombros como se ele tivesse... voado e caído no telhado... Seria isso? Um vampiro ter o dom de... voar sem asas? Mas antes que eu pudesse cogitar qualquer idéia, ele seguiu em direção ao Emmett e Jasper.
Antes que eu tentasse mais uma vez gritar – não sei se de dor ou medo por onde Edward poderia estar –, o senti atrás de mim, tocando delicadamente meus cabelos, enquanto me colocava em seu colo.
_Eu sinto muito, meu amor... – ele sussurrou, a culpa evidente em sua voz.
_Edward... – sussurrei também, encarando seus olhos verdes.
De repente, senti Edward ser lançado ao longe, fazendo com que meu corpo fosse de encontro ao chão mais uma vez. E então deixei a escuridão me tomar, ouvindo apenas os sons de todos que amo lutando por mim. Novamente. Mas dessa vez era diferente: eles não estavam ganhando.
Notas finais
E eu sinto muito dizer isso, mas se os reviews não aumentarem, não terá mais posts. Sinto muito!
E o número de reviews desse cap é o que vai "dizer" se eu posto o prox cap na semana que vem ou se eu paro de postar PQMPV...
Então eu espero muitos REVIEWS nesse cap... É sempre uma honra lê-los!
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