Plus Que Ma Propre Vie
49 Perdão :: Fase 3
Notas iniciais
Perdão
Bella’s POV
_Onde estou? – voltou a soar aquela voz que eu tão bem conhecia.
Ficamos estáticos por alguns segundos, sem saber como reagir àquela situação. Supostamente, Lucas e Hillary deveriam acordar dentre um tempo maior, principalmente ele, que parecia estar inquieto no outro cômodo.
_Eu vou até lá – pronunciou Carlisle – Alguém mais se dispõe?
_Eu vou – Edward respondeu, sendo seguido pela mesma frase vinda de Jasper e Jacob.
Instantes após eles terem rumado ao segundo andar da grande casa – Edward despedindo-se de mim com um casto beijo na testa – pudemos ouvi-los acalmarem Lucas e explicarem a ele o ocorrido.
_O que aconteceu com a minha irmã? – perguntava ele de forma desesperada – Onde ela está?
_Ela está bem – meu sogro dizia em seu tom paternal de sempre – Hillary passou por grandes transtornos e está desacordada. Em breve irá despertar; não se preocupe.
_Mas... Por que me trouxeram até aqui? Por que não optaram por me matar? – Lucas perguntava sequencialmente – Eu não entendo...
Ouvindo a conversa deles, resolvi ir até lá.
_Bella, pode ser perigoso – Taylor sussurrou enquanto eu andava pelos degraus de vidro.
_Não se preocupe, Tay; tenho minhas defesas – sorri, dando uma piscadela ao lembrar do escudo físico e mental que era meu dom.
Sem mais contestar, terminei de subir a sinuosa e transparente escadaria, adentrando o quarto onde os homens da família discutiam pacientemente.
_Eu fiz muito mal a vocês e... – Lucas interrompeu a si próprio a me ver no ambiente.
Ele me olhou com os mesmo olhos que meu namorado de anos atrás reverenciava a mim. A íris incrivelmente azul sustentou meu olhar, embevecido. Eu não vi ali o recém-criado que, hipnotizado, queria minha morte, mas sim o amigo e parceiro que um dia desejei amar.
_Bella... – sussurrou ele e sua expressão apaixonada me tocou intensamente.
_Hey, Luke – saudei em um sussurro, sorrindo levemente, do mesmo jeito que o saudava quando ainda nem éramos um casal, somente dois amigos universitários – Como vai?
_Me perdoe, Bell – ouvi-lo me chamar pelo antigo apelido trouxe a mim nossas sutis recordações.
_Eu já te perdoei... Algo que nem era preciso – esclareci – Tudo o que você fez de mal a nós foi sob hipnose de um ser frio.
_Mesmo assim – insistiu, aproximando-se de mim, causando a inquietação de meus familiares que observavam toda a cena, inclusive Edward – Eu tinha consciência de tudo o que fazia, mas... Eu não conseguia parar...
_Era a hipnose que agia em você – Carlisle interveio – Damon o controlava muito bem.
_Ele me usava para descobrir as fraquezas de vocês – Lucas disse, fitando a todos nós enquanto andava até a varanda, encostando-se nas portas de vidro – Principalmente as suas, Bell.
_Nós sabemos... – falei, indo até ele e tocando suas mãos quentes, outra vez humanas – E precisamos esclarecer algumas coisas – pausei, suspirando – Para não restar mal entendidos.
_Você tem toda razão – também suspirou – Tenho muito a resolver, ainda mais com você – sorriu, referindo-se a mim – E também a você, Edward – encarou-o – Principalmente a você; me desculpe.
Edward abaixou a cabeça com um olhar amistoso, ação de que concordava respeitosamente.
Afastei-me de Luke, andando vagarosamente até meu noivo que enlaçou minha cintura protetoramente. Sentamo-nos na beirada da confortável cama, ao mesmo passo em que Lucas puxava uma das cadeiras da pequena mesa ali existente, sentando-se nela em seguida. Carlisle sentou-se na outra cadeira e Jazz ficou em pé, próximo à varanda. Jacob optou por voltar para a sala, ciente de que daquele assunto ele não precisava lidar.
_Bom, eu não me lembro de muita coisa – iniciou Lucas, franzindo o cenho – Mas lembro-me de quando vi Damon pela primeira vez.
“Eu estava fazendo caminhada na calçada da praia durante o amanhecer, como eu costumava fazer sempre que ia à academia, e ouvi uma mulher gritando. Era por volta das cinco da manhã e estava meio escuro... a rua deserta...”.
Flashback ON
Corri em direção à voz daquela mulher que gritava, deparando-me com uma cena que, naquela época, me enojava. Damon, até então um desconhecido, sugava o sangue daquela jovem garota – ela não devia passar dos quinze anos de idade.
Eu não sabia o que fazer, então, como um covarde, fugi, entretanto... era tarde demais; minha sentença já estava assinada.
Não me recordo claramente do que veio a seguir, somente que se aproximou de mim e falou que me conhecia.
_Até que enfim encontrei alguém de utilidade – falou sério e cínico – Você é o namorado da idolatrada Bella, não é mesmo?
_Sim, sou eu – respondi nervoso – O que quer com ela?
_Você não gostaria de saber o que quero fazer com a sua namoradinha... Mas irá me ajudar.
E então senti apenas uma forte dor de cabeça.
Flashback OFF
_E a partir daí minha vida passa como um borrão – falou, fechando os olhos enquanto passava as mãos no local, numa atitude cansada.
_Isso foi quanto tempo antes de virmos pra cá? – Edward perguntou intrigado.
_Não sei bem... Mas creio que uns três meses.
_E você não se lembra de mais nada? – perguntou Carlisle.
_Mais ou menos – respondeu, fitando-o – Eu lembro de minhas atitudes, de algumas vezes que me encontrava com Damon quando ele me chamava...
_E como eram esses chamados? – perguntei.
_Eu sentia vontade de vê-lo, como se ele me chamasse mentalmente – falou – E eu, estranhamente, sempre sabia onde ele estava – respirou fundo – O confuso de tudo isso era que, ao mesmo tempo em que eu sabia que estava em hipnose, eu não sabia... É complicado.
_Entendo – Carlisle disse em tom de compreensão.
_Eu seguia uma vida normal, além da hipnose – continuou – Só não percebia que todas as informações que conseguia com o convívio, como as vontades e ações de Bella, eram para Damon conhecê-la um pouco mais... Era como se ele tivesse controle da minha mente e vivesse dentro dela 24 horas por dia – ele falou, percebendo meu olhar confuso e assustado – É difícil de explicar.
_Eu vejo isso através de seus pensamentos, Lucas – Edward disse – Compreendo o que sentia.
_E por que você bateu em Edward aquele dia, na universidade? – perguntei – Você se lembra? Você estava transtornado!
_Eu não me lembro desse dia – falou franzindo ainda mais o cenho – Lembro somente da vez em que... traí você, Bella – sua pele adquiriu um tom de vermelho enquanto olhava para suas mãos, envergonhado – Perdão.
_Você deveria estar completamente sob os efeitos de Damon... – Carlisle dizia, sendo interrompido por mim:
_E por que você me traiu? – perguntei irritadiça, fazendo uma careta.
_Eu... eu não sei, Bella... – murmurou desesperado – Apenas me recordo de acordar com aquela vadia na minha cama.
_Poupe-me, Lucas – falei raivosa – Você está mentindo!
_Não... Acredite em mim, Bell, por favor – implorou, seu olhar suplicante – Eu jamais faria algo assim com você!
_Desculpa, Bella... – Edward sussurrou em meu ouvido – Mas ele está dizendo a verdade; não há nada em sua mente que comprove o contrário.
_Mas... Como? – perguntei descrente, cruzando os braços.
_Eu não sei...
_Damon provavelmente queria testar seus domínios sob Lucas – Carlisle o interrompeu – E, assim, deve ter tomado conta do corpo dele e... Você sabe o resto.
_Isso é... – comecei.
_Nojento – Jasper completou.
_Repulsivo – Edward adicionou.
_Eu que o diga – Lucas falou, com uma expressão de incredulidade mesclada com ódio.
_Mas e a partir daí? – Carlisle disse, tentando amenizar o clima – Do que você se lembra?
_Nada – disse simplesmente – Lembro-me somente de sentir uma dor horrível, como se todo o meu corpo estivesse sendo queimado...
_A transformação – disseram Edward e Jasper juntos.
_Sim – Luke afirmou – E então tenho apenas flashes de minha vida vampira até a luta.
_Você sabe o motivo de não termos ouvido quando vocês sequestraram a Bella? – Jazz perguntou – Porque não ouvimos nada quando estávamos no salão de festas.
_Bom, Damon planejou tudo muito detalhadamente... E ele sabia que o salão onde ocorreu a colação de grau de Bella havia sido arquitetado por vampiros, durante o século XX – narrou ele – Ou seja, como vampiros haviam sido os arquitetos daquele lugar, ele foi construído à prova de sons, inclusive aos ouvidos sensíveis como os de sua espécie.
_Muito interessante! – Carlisle exclamou em meio a seus pensamentos.
_Sim... – concordou Lucas – Damon era muito esperto... e ágil quando queria. Assim, provavelmente vocês não conseguiram rastrear também o cheiro de Bella, não é mesmo?
_Exato... – respondeu Edward.
_Como eu tinha o poder de voar quando era um vampiro, consegui levar e trazê-los pelo ar, dificultando o nosso cheiro de perecer no local.
_E onde você e as irmãs Denali estavam quando chegamos à sua casa? Apenas Damon e Hillary estavam lá – Carlisle perguntou.
_Estávamos caçando nas redondezas... Não me lembro muito bem – Lucas falou – Mas, mesmo sabendo que as coisas que fiz não foi bem culpa minha, gostaria de pedir desculpa a vocês, a toda sua família.
_Nós o perdoamos, Lucas – Carlisle disse, sorrindo amigavelmente, com Jasper assentindo.
_Perdoo você – Edward sorriu levemente – Mesmo você quase quebrando meu nariz quando lutou comigo em Stanford naquela vez – rimos levemente.
_Perdão, cara – Luke sorriu um pouco, mais aliviado, apertando a mão estendida de meu futuro marido.
Ele se levantou, assim como eu, dizendo:
_Me perdoou mesmo?
_É claro que sim! – sorri, abraçando-o com força – Senti sua falta... – sussurrei em seu ouvido, ainda sem soltá-lo.
_Eu também...
_Doutor, a Sra. Cullen está te chamando e... – Leah entrou no quarto chamando por meu sogro, parando, tanto sua frase como o andar, ao olhar para Lucas.
Eles sustentaram o olhar por alguns segundos, ambos encantados um com o outro. Leah sorriu timidamente, assim como Luke, que se aproximou dela enquanto estendia a mão.
_Prazer, me chamo Lucas – sorriu sensualmente pra ela, sendo retribuído rapidamente.
_Leah – respondeu, também se apresentando.
_Er... Sinto atrapalhar, mas... O que dizia, Leah? – Carlisle perguntou, levemente constrangido por interromper aquele momento.
Ela olhou pra ele, como se lembrasse de que havia outras pessoas no ambiente, o que a fez corar levemente.
Olhei para Jasper, percebendo que, dos presentes, ele era o que mais sabia o que acontecia ali: um impriting. Sorri, ainda o fitando, sendo retribuída.
_Desculpe, Dr. Cullen – ela disse – É que sua esposa está te chamando; parece que ligaram do hospital.
_Oh, sim! Obrigada, Leah! – agradeceu sorrindo – Vou ver o que me aguarda. Boa noite!
_Boa noite – respondemos, com Jasper em seu encalço.
_Vamos também, amor? – Edward me chamou sorrindo, sabendo que havíamos sobrado ali – Já está tarde.
_Vamos – sorri novamente – Foi bom rever você, Luke.
_Também, Bell – ele respondeu, sorrindo e dando-me outro abraço – Nos veremos em breve, certo?
_Se depender de mim, com certeza – correspondi seu gesto.
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Despedimo-nos de todos e logo estávamos no Volvo de Edward, a caminho de nossa casa.
_Amor – choraminguei, pondo minha mão esquerda em sua coxa – Eu tô com fome.
_Já estamos chegando em casa, minha grávida – sorrimos com o termo – Tenha um pouquinho de paciência.
_Mas eu não quero comida de casa – resmunguei.
_O que deseja então? – olhou pra mim, claramente se divertindo com a situação.
_Quero carne, salada, bacon e muuuuita batata e queijo – ele fez uma careta, demonstrando não ter compreendido – Quero um hambúrguer gigante!
Ele riu ao ver meus olhos brilharem apenas com a menção daquele delicioso jantar.
_Mas não há lojas de fast food por aqui.
_Sorte que você dirige bem rápido – pisquei, ouvindo sua gargalhada, no mesmo instante em que o velocímetro aumentava para 205 km/h.
Poucos minutos depois, paramos em frente a uma janela Drive Thru, de onde saía uma voz da caixinha que, cá entre nós, era muito estranha.
_Pode fazer seu pedido – a voz medonha e robótica disse.
Inclinei-me sobre Edward até alcançar a janela a seu lado – ele não reclamou e acredito que tenha sido pelo fato de que a pose que eu estava fazendo era meio que imprópria para menores de 16 anos.
_Eu quero um Big Mac completo, um milkshake de caramelo e bastante batata frita, por favor – falei – Mas o Big Mac tem que ser tamanho big, hein? (N/A: “Big”, para quem não sabe, em inglês significa “grande”; foi só pra fazer um trocadilho).
Edward riu ainda mais.
_Mais alguma coisa? – a vozinha perguntou.
_Não, obrigado – meu noivo respondeu enquanto eu voltava a me sentar no banco do passageiro.
_Podem seguir para a próxima janela.
Edward dirigiu até a próxima, onde pegou meu pedido, pagando em seguida.
_Tem certeza que você não quer? – perguntei de boca cheia.
_Não – ele riu enquanto dirigia – É todo seu.
O hambúrguer estava delicioso e em questão de segundos ele não existia mais, dando-me a chance de devorar as batatas fritas.
_Pare de roubar minhas batatas, Edward – briguei, rindo, entretanto, quando ele roubou uma das últimas – É feio pegar comida de grávida!
_Mas não foi você mesma quem me ofereceu seu Big Mac agora há pouco? – perguntou, rindo alto, roubando a última batata.
_É, mas mudei de ideia – mostrei a língua, pegando de volta a batata de sua mão, comendo-a rapidamente em seguida.
_Sua gulosa! – brincou ele, pegando meu milkshake, tomando uma parte generosa.
_Me dá, Edward, seu chato! – briguei outra vez, pegando, com dificuldade, minha bebida, fazendo-o gargalhar.
Notas finais
Ah... votem na enquete na comu do orkut - Qual deve ser o final de Hillary na fic >> http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104260500
E próximo cap: CASAMENTO!
Mas só posto se eu receber mais de 20 REVIEWS nesse, hein? ;)
Um forte abraço... E feliz dia das crianças :DD
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