Plus Que Ma Propre Vie
18 Dupla Personalidade :: Fase 1
Notas iniciais
Dupla Personalidade
Bella’s POV
Aqui estou eu, paralisada no meio da minha sala. Há alguns minutos, pensei que eu e Edward iríamos além. E não é só isso o que me preocupa, estou tremendamente assustada porque eu queria que rolasse algo mais. Apenas de me lembrar daquele curto instante em que estávamos à beira da insanidade, em meu sofá, começo a sentir um calor imenso vindo de meu baixo ventre. Aquele homem mexe muito comigo!
Estou estática porque ele parou tudo de repente, sem mais nem menos. Naquele momento percebi que Edward é a pessoa mais generosa e menos egoísta que possa existir. Pelo o que entendi, nos poucos segundos que falou, ele abriu mão do amor que sente por mim só para que eu seja feliz com outro homem?! Ele é incrível! E é por isso que eu o amo. Eu vi também que naquela hora ele foi sincero e verdadeiro; notei o quanto foi duro dizer aquelas palavras. Ele me ama tanto que está disposto a viver infeliz só para que eu seja feliz. Ele só não sabe que sem ele em minha vida, jamais terei a felicidade plena.
Edward acreditou no que estava tentando esclarecer – que eu amava unicamente o Luke –, porém nada passou de uma encenação barata – a mais pura mentira.
Tive medo de que o sentimento do Edward por mim não fosse verdadeiramente real. Tive medo de me iludir, de sofrer novamente. Eu o amo demais pra tentar esquecê-lo!
Eu quero Edward de volta em minha vida. Quero dizer que nunca amei ninguém, a não ser ele. Quero que Edward saiba que ele foi, é e sempre será o único que fez meu coração bater alucinadamente. Quero que ele me chame de minha Bella outra vez; quero que todos saibam do nosso amor.
Pensei inúmeras vezes em abrir aquela porta e ir atrás do meu Edward, mas antes de me resolver com ele, havia uma pessoa que merecia desculpas e explicações: Lucas.
Eu não sabia em que momento iria, mas tinha que ser logo. Não sabia o que diria a ele – se lhe contaria toda a verdade ou simplesmente o óbvio: acabou. Achei melhor dizer tudo ao Luke, afinal foi ele quem sempre me apoiou e ofereceu a mão pra me levantar.
Peguei minha bolsa e a chave do carro, mas parei diante da porta. Eu estava um bagaço! Cansada! Repensei e decidi falar com ele no dia seguinte, bem cedo, assim não correria o risco de não encontrá-lo em casa. Hillary havia me dito que ela passaria a noite na casa da Gisele, então eu e o Luke teríamos privacidade o suficiente pra conversarmos e esclarecermos tudo.
Já do Edward eu cuidaria depois.
Mal preguei os olhos durante a noite. Estava ansiosa e nervosa demais pra o dia que chegava. Acordei assim que os primeiros raios de sol atravessaram a janela do meu quarto – a manhã estava linda e perfeita! Torci para que meu dia fosse da mesma forma.
Telefonei para o Lucas, entretanto seu celular estava desligado. Resolvi ir ao seu apartamento mesmo assim, até porque não havia dúvidas de que ele estaria lá. – provavelmente se arrumando pra ir à faculdade.
O prédio em que ele e Hillary moravam ficava a apenas 10 minutos, de carro. Chegando lá, toquei a campainha, porém ninguém atendeu. Toquei mais algumas vezes e... nada. Será que ele não estava em casa? Impossível!
Eu me arrisquei a abrir a porta e inexplicavelmente a mesma estava destrancada. Atrevi-me a entrar, pois como Edward disse uma vez: “Já que está no inferno, abrace o capeta.”
Lá dentro estava tudo arrumado e organizado, como sempre, dando claros sinais de que realmente a casa estava vazia, a não ser... que Luke ainda estivesse dormindo. Andei pelo corredor, parando em frente a seu quarto. Dei três leves batidinhas e como não houve resposta, abri-a.
Nesse instante a fúria tomou conta de todo o meu ser. Não era possível! LUCAS ESTAVA ME TRAINDO! Aquele cafajeste, mentiroso de uma figa estava deitado na cama, nu, com uma biscate, loira aguada, ao seu lado na mesma situação, com apenas um finíssimo lençol os cobrindo.
_CAFAJESTE! – Gritei olhando pra ele, que na hora acordou assustado.
_MENTIROSO! – Xinguei-o mais uma vez.
Ao encontrar meu olhar, a expressão de Lucas tornou-se preocupada, confusa e amedrontada.
_IDIOTA! GALINHA! – Continuei com meu barraco particular. – SEU DESGRAÇADO!
Como eu estava berrando, a amante piriguete acordou também, logo me fitando com uma expressão surpresa em seu rosto.
_Espera, amor! Não é nada disso que você está pensando! – Lucas disse tentando me amansar, mas essa típica frase já havia o entregado.
_Amor? – Perguntou a loira aguada, confusa e enraivecida.
_É mesmo, explique a ela querido! – Falei pra ele com um tom doce e delicado, repleto de ironia.
_Eu... Eu... Eu... – começou a gaguejar.
_Já chega! Poupe-me! – Murmurei saindo do quarto.
Como eu pude acreditar nele esse tempo todo? Aliás, desde quando ele vem me traindo? Tá, tá, eu não o amo, mas ser chifrada já é demais! Agi como uma idiota durante quase dois anos?!
Saí rapidamente do apartamento e quando estava entrando no elevador, Lucas também entrou – trajando apenas uma bermuda.
Não acredito! Só falta dizer que ele foi a vítima e que ela se aproveitou dele.
_Bell, amor, me desculpe! – Ele disse assim que o elevador começou a descer.
_Desculpe? Tá me achando com cara de otária, ou o quê? – Perguntei com a raiva explícita em minha voz. – E não me chame de amor.
Nesse momento ele apertou um botão, fazendo o elevador parar, com a porta ainda fechada.
_Ah, pelo amor de Deus, Lucas! A quem você está enganando?
_Não estou enganando ninguém. Acredite em mim. – Ele disse se aproximando um passo de mim.
Automaticamente, recuei.
_Pode ir parando com essa história pra boi dormir. Não posso acreditar em você; eu vi! E o que vi já deixou bem claro! – Continuei gritando, com o ódio me tomando.
_Então, quer saber? – Ele perguntou com uma voz dura e indiferente. – Eu te traí, sim! E não me arrependo nem um pouco.
_Oh, vejo que o canalha existente em você está saindo da toca! – Falei com sarcasmo.
_Boto fé, patricinha! Cansei de ser o bom samaritano, Bella. É chato demais! – Continuou ele com a voz alterada.
_E desde quando você vem fazendo isso?
_Não te importa.
_E posso saber o por quê? – Perguntei indiferente, cruzando os braços.
_Simples. Você não me deu o que eu queria. – respondeu, imitando o meu gesto.
_O quê? – Perguntei desentendida. Eu não estava na mesma página que o Lucas.
_Você não quis transar comigo noite passada. – Respondeu fazendo pouco caso.
_Você está dizendo que me traiu só porque eu me recusei transar com você? – Perguntei incrédula.
_Exatamente.
_Você é muito baixo mesmo. – Cuspi as palavras.
_E você é uma mocinha virgem que vive chorando pelos cantos por causa de um amor passado que, aliás, te largou duas vezes. Estou certo? – Ele disse sendo cruel, sabendo que estava tocando na minha ferida, meu ponto fraco.
_É sim. Eu nunca te amei mesmo. – Gritei com ele.
Eu estava pasma, esse Lucas era totalmente diferente do que eu conheci. Ele era outra pessoa – alguém frio e desumano.
_Está vendo o quanto você é boba? Ama alguém que não te ama.
_Errado – Murmurei, sorrindo maliciosamente – Ele me ama, sim! Ele é uma pessoa muito melhor que você! É bom e gentil, educado e muito generoso. E sabe quem ele é? – Perguntei com minha voz normalizada.
_Quem? – Perguntou com uma pontada de curiosidade.
_Edward Cullen. – Falei lentamente.
_Como é que é? – Perguntou surpreso; sua voz atingindo alguns oitavos acima do normal.
_É isso mesmo que você ouviu: Edward Cullen. Ele e a família vieram pra cá somente para se desculparem e pedirem pra eu voltar a fazer parte da vida deles.
_E a idiota aceitou? – Ele perguntou sorrindo ironicamente, se referindo a mim.
_De idiota aqui, só tem você. – Retruquei seca. – Mas pra falar a verdade, eu o rejeitei de início. Rejeitei o homem que amo só porque pensei que você me merecesse, mas pelo o que acabei de ver, me enganei.
_Que peninha! – Murmurou com falsidade em sua voz.
_Não se preocupe. Eu vim aqui pra terminar com você, de qualquer forma. Agora meu objetivo é ir atrás da única pessoa que realmente é leal e que me ama verdadeiramente.
_Nossa! Deveria virar escritora desse jeito. Toda apaixonada e inspirada, suspirando e se iludindo como uma adolescente inexperiente. – Ele disse sendo falso e intrigante.
_Eu posso, né baby?! Ao contrário de certas pessoas. – Falei me referindo a ele, com o mesmo tom da sua voz.
_Boa sorte! Espero que não consiga!
Ele me desejou o quê? Que eu seja infeliz?
_Não se preocupe. Aprendi com meus erros e sei em quem devo confiar agora. Enquanto você... Pode aproveitar aquela piranha que está na sua cama. – Falei saindo do elevador. – Ah! – lembrei – Fique com isso. Quem sabe você não possa dar pra alguém igual a você – Disse arrancando do meu dedo o anel de noivado e o jogando na cara do Lucas, literalmente.
Dizendo isso, peguei meu carro e segui pra casa dos Cullen, a fim de dizer tudo o que sinto para o homem da minha vida.
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