Plus Que Ma Propre Vie
34 Conclusões :: Fase 2
Notas iniciais
Conclusões
Edward’s POV
Eu não estava acreditando no que acabara de ouvir. Como assim não seremos mais humanos? Que tipo de reação seria essa? Mas se é um efeito colateral à fórmula, por que a Bella também vem tendo sintomas parecidos com o de minha família?
Minha mente estava confusa e sentia que não só eu estava assim.
_Como é que é? – Rosalie perguntou incrédula, surpresa.
_Nós estamos deixando nossa humanidade pouco a pouco, filha. – respondeu Carlisle, compreensivo.
_Eu... Eu não quero voltar a ser vampira! – continuou minha irmã. – Eu quero ter uma vida normal! Quero ter filhos... Poder viver como todos os outros...
Olhei em volta e percebi que todos presentes na sala desejavam o mesmo que Rose.
_Pai... – comecei, fitando-o. – Explique isso direito.
_Não precisam ficar aflitos – tranquilizou.
_Como não, Carlisle? – Rose o interrompeu. – Estávamos vivendo felizes, nos acostumando a sermos humanos e agora... Tudo o que enfrentamos até o momento foi em vão.
_Chega Rosalie! – Esme a repreendeu. – Confie no que seu pai diz.
_Desculpe – pediu, meio envergonhada. – Não foi isso que eu quis demonstrar. É só que... Eu não quero voltar a ser o que era.
_Eu entendo, filha. Todos nós estamos da mesma forma que você, querida – Carlisle disse. – Mas deixe-me explicar tudo a vocês, ok?
Assentimos, apreensivos demais pra conseguirmos dizer algo.
Encarei o anjo ao meu lado. Nossos olhares se cruzaram e pude sentir o medo e a confusão expressados nos orbes chocolates que tanto me hipnotizavam. Entrelacei nossos dedos, como se estivesse passando toda a paz e calmaria – inexistente em mim – para Bella, mostrando-a que estaríamos juntos, independente do que viria a seguir.
_Bom – Carlisle se pronunciou –, segundo os exames, o DNA de vocês está alterado. Os nossos pares de cromossomos, ao em vez de 23, são agora 24. Eu e meu amigo, que é vampiro, conversamos e estudamos esse caso. – Ele deu um longo suspiro e prosseguiu. – Chegamos à conclusão de que nossos genes estão divididos, como metade humano metade vampiro.
Tudo estava tremendamente confuso. As peças não se encaixavam. Aquilo não fazia sentido.
_Mas... Os lobisomens têm 24 cromossomos – lembrou Jazz.
_E os mestiços também – Carlisle disse.
_Hmm... O que são esses mestiços? – Bella perguntou, totalmente confusa, assim como eu e minha família.
_Há algum tempo, um amigo meu fez uma viagem ao Brasil em busca de pesquisas, e acabou descobrindo que existem seres meio humanos meio vampiros, denominados mestiços ou híbridos. – explicou calmamente, nos fitando. – Eles possuem 24 pares de cromossomos – ressaltou novamente – e também algumas habilidades vampirescas e outras humanas.
_Mas... Como eles são meio vampiros meio humanos, pai? Por quê? – perguntou Alice, totalmente sem entender.
_Esse meu amigo me explicou que os vampiros, homens, podem ter filhos.
_O quê? – Todos exclamamos, absolutamente surpresos.
_Os vampiros têm seu sistema reprodutor inalterado, ao contrário das vampiras – disse destacando as letras O e A, diferenciando os sexos.
_Pelo amor de Deus, nos explique isso direito Carlisle! – Rose pediu, desesperada.
_Como sabem, o corpo dos vampiros não mudam após a transformação – Assentimos. – Por isso os vampiros podem ter filhos, pois seus corpos não precisam mudar pra isso, enquanto as vampiras, não, porque como elas poderão levar uma gravidez adiante sendo que a barriga delas não irá crescer?!
Ficamos estáticos. Parecíamos estátuas.
Isso significa que... Eu me separei da Bella por nada?! Meu Deus! Eu fui embora para que ela pudesse ter filhos, ter uma vida normal... E agora descubro que eu sempre pude proporcionar isso a ela. Quanto sofrimento causado, quanta dor infligida em vão.
_Eu também fiquei muito surpreso ao saber disso – meu pai admitiu. – Jamais passou pela minha cabeça algo desse tipo.
Precisamos de mais alguns minutos para absorver tudo aquilo. Era demais por um dia. Entretanto, assim que voltamos à nossa consciência, Carlisle continuou sua explicação.
_Então... As relações físicas entre vampiros e humanas geram os mestiços, ou seja, seres meio humanos meio vampiros.
_Então eu me separei da Bella, causei dor a todos nós, por nada?
_Não meu filho – Meu pai respondeu de uma forma... como seu tivesse dito algum palavrão ou algo totalmente absurdo.
_Como não? – perguntei descrente.
_Acontece que essas humanas, que geram os mestiços, não conseguem sobreviver à gestação... Se tiverem muita resistência, elas chegam à hora do parto.
_Como assim? – Bella perguntou.
_Esses mestiços, como não têm o organismo compatível com o da mãe, a torna extremamente frágil e doente, consequentemente, causando a morte dela.
Arfei.
Graças a Deus! Se eu tivesse me envolvido assim com a Bella, no passado, ela... Poderia não estar entre nós nesse momento. Pelo menos um lado bom em tudo o que causei.
_Você está querendo dizer, pai... Que estamos nos tornando meio humanos meio vampiros? – Emmett perguntou.
Espere... Emmett disse isso? Aleluia! Deus está operando hoje! Finalmente meu irmão falou algo coerente.
Olhamos assustados para ele.
É... Milagres acontecem!
_O quê? – perguntou, desentendido.
_Nada – respondemos em coro, ainda perplexos com seu alto desempenho.
_É isso mesmo, meu filho! – Carlisle disse, orgulhoso.
_E... Como... São esses mestiços? Quais são suas características? – Rose perguntou, um pouco na defensiva, provavelmente com medo da resposta. Ela devia estar pensando se híbridos podem reproduzir.
_Não se preocupe, minha querida – Carlisle falou sorridente, feliz. – Os mestiços podem sim ter filhos, os quais serão da mesma espécie.
De repente o clima ficou mais esperançoso, harmonioso... Quebrando toda a tensão e medo de antes.
_Que bom! – suspirou Rose, abrindo um radiante sorriso.
_Mas nos fale um pouco mais sobre o que seremos, Carlisle! – disse Jasper, empolgado.
_Bom – meu pai começou –, nossa força e velocidade será um pouco menor que a dos vampiros, contudo, teremos uma audição, visão e olfato apuradíssimos.
_Mas e a alimentação? – perguntei cauteloso.
_Os mestiços se alimentam tanto de sangue, quanto de comida humana. – explicou meu pai. – Entretanto, a sede por sangue será menor... Fazendo com que fique bem mais fácil nossa convivência com humanos. E fisicamente não mudaremos nada.
_Quer dizer que eu vou continuar com meus lindos olhos azuis? – Adivinhem quem fez essa pergunta! Emmett, é claro.
_Sim, Emmett – respondeu rindo, acompanhado de todos. – Você continuará com seus lindos olhos azuis.
_Eu realmente não queria fazer essa pergunta, porém ela não sai da minha mente – falei.
_Pergunte, filho – Carlisle me incentivou.
_E os Volturi? – Senti todos tremerem levemente com essa pergunta. – Eles sabem da existência dos mestiços?
_Não, Edward... Eles não sabem – Ao ver nossas expressões confusas, prosseguiu – Eles não sabem, porque simplesmente não tem como, pois se apenas olharem, pensarão que os mestiços serão humanos, pela aparência idêntica e por sentirem o cheiro do sangue que correm nas veias.
_Então não temos com o que nos preocupar? – Esme perguntou.
_Não, meu amor – tranquilizou. – Está tudo sob controle. Se os Volturi nos vissem, pensariam que ainda somos humanos.
_E os outros vampiros que tomaram a fórmula, Carlisle? – Alice perguntou. – Eles também estão se tornando híbridos?
_Não, não – ele disse. – Somos apenas nós, porque fomos os primeiros a tomarmos e transformarmos em humanos. E conforme o tempo foi passando, a fórmula foi sendo alterada.
Estávamos agora muito mais tranquilos. Todas as nossas dúvidas foram, finalmente, esclarecidas. Quer dizer... Quase todas.
_E quanto a Bella, pai? – perguntei – Como ela está tendo as mesmas reações que nós sendo que ela não tomou a fórmula?
Parece que de uma hora pra outra todos pensaram no mesmo que eu.
Sentia-a tensa ao meu lado. Ela estava com medo.
_Também discuti isso com meu amigo – disse Carlisle –, e chegamos a duas conclusões.
_E quais seriam? – ela perguntou. Pude sentir o temor em seu tom de voz.
_A primeira é que pode ser pelo fato de você ter relações bem íntimas com Edward, se é que me entende. – Ah não! Até o Carlisle?! Ele não precisava ter dito aquilo com um sorriso tão malicioso nos lábios.
Olhei pro Emmett e vi o pervertido com o mesmo sorriso. Já Bella estava tão corada quanto eu.
_E a segunda? – perguntei, tentando amenizar o ambiente.
_Bom, a segunda, e a que acho mais viável, diz que é porque você, querida, teve contágio com o sangue do Edward no dia da briga, há um tempo. Foi você quem cuidou dos ferimentos dele, então...
_Entendi – ela disse.
_Mas isso não será perigoso pra ela, Carlisle? – Esme perguntou, preocupada.
_Não – respondeu com um gentil sorriso brincando nos lábios. – Não causará nenhum dano mais sério, nem no organismo dela nem nos nossos. Não se preocupem. – suspirou e acrescentou: – Mas vocês continuarão sentindo alguns sintomas como dores de cabeça, enjoos... E, daqui pra frente, terão alguns a mais, como um pouco mais de força em certos momentos, velocidade...
_Ah! A Bella arrasou hoje no vôlei! – Emmett falou – Será que os genes de vampiros já estão fazendo efeito?
_Com certeza!
_E teve uma hora em que o Edward sacou a bola bem forte. – continuou – Se a Bella não tivesse se esquivado, teria a acertado.
_Vejo que vocês estão, ao menos, se entendendo com seus poderes de volta. – Meu pai disse sorrindo, abraçando Esme pelos ombros.
_Sim, sim. – falei – É meio que involuntário. Só devemos tomar um pouco de cuidado pra não usar nossa força ou velocidade em momentos inapropriados, para que ninguém desconfie de algo.
_É, Edward tem razão. – Jasper disse – Mas logo, logo nos acostumamos.
_Ai, eu nem acredito... – Alice gritou pulando em cima do sofá, sorrindo enormemente. – Eu vou poder ter visões outra vez... Ahhh!
Começamos a rir da empolgação da baixinha.
_Significa que eu vou voltar a ler mentes? – perguntei. Eu realmente queria ter esse poder de volta.
_Provavelmente, filho.
_Isso seria ótimo!
Todos nos animamos. Seria ótimo virarmos mestiços. Poderíamos viver normalmente.
_Mas, Carlisle, nós ainda brilharemos na luz do sol? – Rose perguntou.
_Não, minha filha. – sorriu – Poderemos sair num belo dia ensolarado sem nenhum receio.
_E, meu amor, seremos mortais ou imortais? – dessa vez foi Esme que perguntou.
Fitamos Carlisle curiosos.
_Seremos imortais, porém somente daqui um ano.
_O que quer dizer com isso? – Emmett perguntou.
_Quero dizer que envelheceremos normalmente até ano que vem, e pararemos quando completarmos um ano que tomamos a fórmula. Exceto Bella – acrescentou –, ela, consideravelmente, é imortal desde a primeira vez dela com Edward ou após seu contato com o sangue dele... Depende de qual conclusão analisar.
_É isso aí, então... Posso passar a eternidade ao lado da minha pequena – disse Jasper, sorrindo e a abraçando, enquanto a mesma sentava novamente no sofá.
_Já que está tudo esclarecido, vou subir. – falou Carlisle – Tive um longo dia e preciso de um banho e uma boa noite de sono. E antes que perguntem... Mestiços dormem sim! – Só aí percebi que já estava escurecendo.
Ele subiu as escadas, com Esme o acompanhando, enquanto eu, meus irmãos e minha Bella continuamos na sala.
_Isso, com certeza, foi uma grande surpresa! – falei.
_Coloca surpresa nisso! – falou o anjo ao meu lado, pondo a cabeça em meu colo, aconchegando as pernas no braço do sofá.
_Está feliz? – perguntei, acariciando seus cabelos, enquanto Alice e Jasper iam à cozinha e Emm e Rose andavam em direção ao jardim.
_Muito – sorriu de orelha a orelha. – Mas e você? Não está?
_Estou sim, anjo – sorri – Só um pouco confuso ainda. Foi informação demais por um único dia.
_Também acho. Mas não se importante... Estaremos unidos...
_Aconteça o que acontecer... – completei sorrindo.
_Sempre e pra sempre! – sussurramos juntos.
Sorrimos cúmplices. Ela sentou em meu colo, com as delicadas mãos em meus cabelos, e as minhas em sua cintura. Aproximamos-nos, selando nossos lábios num apaixonado, carinhoso e terno beijo, demonstrando toda devoção que sentíamos um pelo outro.
Desgrudamos nossos lábios e colamos nossas testas uma na outra, ainda de olhos fechados. Eu podia sentir sua respiração ofegante, por conta do beijo, assim como a minha.
_Eu te amo – sussurrei.
_Eu te amo mais – sorriu marota.
_Impossível. – retruquei. – Vamos ver o crepúsculo?
_Vamos – respondeu prontamente – Sinto que hoje o pôr do sol será deslumbrante!
Estávamos sentados na areia da praia em frente ao apartamento de Bella. Fitávamos o mar com fortes cores por conta do sol que se escondia atrás dele. O oceano estava tão pacífico como dizia seu nome. Pequenas ondas quebravam nos corais à frente. Minha mão entrelaçada à do meu anjo, sentada ao meu lado, encarando o mesmo ponto que eu.
_É tão lindo – sussurrou maravilhada – Encantador!
_Realmente... – Em mais de cem anos jamais havia visto um crepúsculo tão lindo quanto àquele.
Continuamos olhando até que o dia virou noite e a primeira estrela do céu apareceu.
_Faça um pedido – Bella disse.
_O quê?
_Faça um pedido – repetiu, impaciente. – Você viu a primeira estrela da noite e tem o direito de fazer um pedido a ela.
_Qualquer um?
_Faça um desejo e veja se torna realidade ou não. – sorriu.
Sorri torto pra ela.
_Ok.
Fechei os olhos.
“Desejo ser feliz pelo resto da eternidade ao lado da minha Bella!”.
Abri os olhos e a encarei.
_O que você pediu? – perguntou. Curiosa!
_Se eu disser o desejo não se realiza. – respondi sorrindo.
_Ah, Edward! – resmungou – Diz aí, vai! Só pra mim não faz mal algum.
_Não, Bella – ri de sua curiosidade.
_Por favor... Por favor, Edward!
Ela fez isso de propósito, pois sabe que não há como resistir a ela quando me pede algo desta forma. Repeti minha fala de alguns anos atrás:
_Você é o ser mais perigoso que conheço! – ela riu – Mas eu conto... Eu pedi que eu fosse feliz ao seu lado por toda eternidade.
Seus olhos marejaram e, instantaneamente, uniu seus quentes e macios lábios aos meus. Correspondi seu beijo com muita boa vontade.
Enquanto entrávamos no elevador, em direção ao prédio que Bella morava, minha mente deu um giro e veio como um estalo a união dos fatos. Se Bella teve o contágio pelo meu sangue, Lucas também deixaria de ser humano, pois também teve. E se assim fosse, que riscos isso apresentaria?
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