Please, like me!
6 Capítulo 05
Depois do incidente no corredor, não tive coragem de aparecer, me escondi pelo resto do dia no meu quarto. Isso foi bom, pois aproveitei esse momento de ócio para fazer a lição de casa e estudar um pouco. Pode até não parecer, mas eu gosto de estudar, sou uma nerd as avessas.
Meu quarto é um cômodo amplo e arejado, tem uma cama de solteiro cheia de almofadas, uma escrivaninha com meu notebook, uma estante com alguns livros e um guarda-roupa embutido na parede, tudo nos tons de rosa e branco. Só para deixar bem claro: Foi a tia Mikoto e a tia Kushina que decoraram meu quarto, eu odeio coisas cor-de-rosa, meu cabelo é dessa cor por pura falta de sorte.
–Sakurinha, não vai descer para jantar? –Pergunta Itachi, batendo na minha porta.
–Não estou com fome. –Respondo, abrindo uma brecha na porta.
–Eu sei que você está envergonhada. –Diz Itachi, escorando no batente da porta. –Eu já esculachei o Sasuke pelo que fez, não precisa se preocupar mais com isso. Então, deixa de besteira e venha comer.
–De verdade, Ita-kun. Não estou com fome. –É claro que eu estava mentindo. Podia sentir as minhas lombrigas se revirando no meu estômago, mas não iria descer hoje por nada nesse mundo.
–Sei. –Diz Itachi, olhando para os lados como se conferisse se havia alguém passando, logo em seguida tirando um pacote colorido do bolso. –Não é muito, mas pelo menos vai servir para forrar o estômago até amanhã.
Era um pacote de M&M’s. Peguei com cuidado e me senti extremamente agradecida pelo pequeno gesto de preocupação dele comigo.
–Obrigada.
–Dorme bem, baixinha. –Diz Itachi, bagunçando meus cabelos e saindo, indo em direção ao seu próprio quarto.
Fecho a porta e aperto o pequeno pacote contra meu peito, sorrindo. Itachi Uchiha era o mais perto de um irmão que eu poderia ter. Desde que me mudei, ele me mimava de todas as formas possíveis: me dava presentes, me acobertava quando fazia alguma besteira, me protegia das crianças maiores e sempre tentava me fazer sorrir.
–Bem, Serafina. Hora do lanche. –Digo, abrindo o pacote e enchendo a boca com as bolinhas de chocolate.
Foi um jantar realmente doce, me aqueceu por dentro.
x.o.x.o.x.
Mamãe era a mulher mais linda do mundo. Tinha os cabelos curtos e dourados, olhos grandes e verdes, um sorriso brilhante e reconfortante. Mas, o que ela tinha de melhor era os seus abraços, estes eram capazes de curar qualquer dor e sempre me deixavam em um completo estado de paz.
–Mamãe. –Digo, me encolhendo entre seus braços e apertando o meu rosto contra seu ombro. –Sinto tanta sua falta.
–Meu anjinho. –Diz Mebuki, minha mãe, me apertando ainda mais. –Vai ficar tudo bem, eu te prometo.
Sinto ela virar a cabeça e acompanho o seu olhar. Lá estava ele, meu pai. O homem mais incrível do planeta.
–Hizashi, ela precisa da gente. –Diz minha mãe, com um olhar triste no rosto.
–Eu sei, querida. –Diz meu pai, Hizashi Haruno, nos abraçando. –Mas, já é tarde demais.
–Oh não. –Diz mamãe, escondendo seu rosto entre meus cabelos róseos. Ela sempre escondia o rosto quando começava a chorar. –Eu não posso deixa-la assim.
–Mamãe, eu vou ficar bem, eu prometo. –Digo, tentando fazê-la parar de se preocupar. Não era justo eu fazer isso com eles. –Vê, todos cuidam muito bem de mim.
–Mikoto e Kushina? –Pergunta minha mãe, erguendo o rosto e me encarando com os olhos molhados.
–Sim. –Respondo, secando suas lágrimas. –E também tem o tio Fugaku, tio Minato, Itachi, Sasuke e Naruto. Todos se importam comigo.
–Que bom, meu bem. –Diz papai, sorrindo para mim.
Deus, como eu senti falta desse sorriso. Papai tinha os cabelos ruivos e um sorriso arrasador de corações, mamãe sempre brincou com isso, dizendo que papai a ganhou com um sorriso.
–Temos que ir, querida. –Diz mamãe, me soltando. –Seja boazinha com todos.
De repente eles estão se afastando, me deixando sozinha outra vez. Começo a correr para alcança-los, mas minhas pernas estão presas numa poça de lama. Consigo ver o exato momento em que um caminhão em alta velocidade vai em direção a eles, ia acertá-los em cheio, sem dar-lhes uma chance de tentarem fugir.
Tento gritar, mas a minha voz está presa na minha garganta. Fecho meus olhos para não ver a cena que está prestes a acontecer, mas ainda consigo ouvir os sons de seus gritos e do ferro batendo contra ferro. Acho que jamais serei capaz de esquecer.
Uma voz distante está me chamando, fazendo tudo a minha volta ruir, me impedindo de ver o que aconteceu com os meus pais.
–Pare, por favor. –Grito, estendendo minha mão na direção deles. –Eu preciso saber, eu preciso saber.
Mas, já era tarde demais. Tudo havia desaparecido, me deixando na completa escuridão.
x.o.x.o.x
–Inferno, Sakura! –Diz uma voz rouca, me sacudindo para fora do meu sonho.
Sinto as mãos sobre os meus ombros me chacoalharem mais uma vez, abro meus olhos e encaro o olhar preocupado de Sasuke sobre mim.
–O que houve? –Pergunto, sentindo a minha boca seca.
–Você estava gritando e se contorcendo na cama. -Diz Sasuke, se sentando na cama e suspirando. –São aqueles pesadelos de novo?
Não consigo responder, apenas balanço a cabeça e me encolho na cama, abraçando meus joelhos.
–Eu não... Eu não podia fazer nada, só conseguia ficar olhando. –Digo, sentindo as lágrimas picarem os meus olhos. –Droga, não gosto de ficar toda sentimental com isso, não adianta nada.
Ele não diz nada, continua ali parado, apenas me deixando desabafar. Sasuke é o único que nunca tentou me consolar sobre a morte dos meus pais, nunca disse uma palavra sobre o assunto para mim, jamais disse: “Isso vai passar” ou “Estou do seu lado”. Ele me ofereceu uma coisa melhor que isso: Empatia.
–Acho que foi a tensão do primeiro dia que me deixou assim. –Digo, secando meu rosto. –Me desculpe ter te acordado, pode ir dormir agora, eu estou bem.
–Humph. –Bufa Sasuke, puxando o edredom e se deitando ao meu lado.
–O que...
Antes que eu conseguisse terminar minha pergunta, Sasuke me puxa para seus braços, fazendo com que a minha cabeça ficasse sobre o seu peito. Cadê o pijama dele?
–O que você pensa que está fazendo, Uchiha? –Pergunto, tentando me levantar, mas os seus braços me apertam mais forte ainda.
–Calada. –Diz Sasuke, batendo os dedos contra a minha testa. –Apenas durma.
–Você tá pelado? –Pergunto indignada, sentindo as suas pernas nuas contra as minhas.
–Não, você está sem sorte hoje. –Responde Sasuke, rindo. –Coloquei uma cueca antes de vim.
–Seu porco. –Resmungo, me aconchegando em seus braços.
Não queria admitir, mas os abraços do Sasuke também eram muito bons, não que eu tenha sentido isso muitas vezes.
–Eu ainda te odeio pelo que me fez hoje. –Digo, sentindo os meus olhos pesarem.
–Eu sei. –Diz Sasuke, esfregando os meus braços. –Mas, você bem que mereceu. Pequena princesa Sofia? Eu devia te mostrar a pequena.
–Desculpa princesa, deixei minha lupa na gaveta. –Respondo, me sentindo extremamente sonolenta.
–Durma de uma vez, amanhã temos aula. –Diz Sasuke, nos aconchegando melhor debaixo do edredom.
Bem, que seja, ele nem precisa dizer isso duas vezes. Estava entrando no mundo dos sonhos novamente, quando senti um leve toque na minha testa e sua voz dizer suavemente:
–Eu sinto muito...
Sasuke Uchiha jamais se desculpa, eu só poderia estar sonhando.
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