Please, like me!
15 Capítulo 14
Notas iniciais
SASUKE UCHIHA ME BEIJOU.
EU FUI BEIJADA POR SASUKE UCHIHA.
SAKURA HARUNO E SASUKE UCHIHA SE BEIJARAM.
Ok, estou começando a ficar paranoica com isso. Já é domingo, ou seja, já se passaram dois dias, e eu ainda fico repetindo essas frases na minha cabeça, incessantemente. Não que algo tenha mudado depois disso, na verdade, tudo continuou na mesma.
A chuva parou e voltamos para casa, só isso. Ele não mudou nada, continuou como sempre foi, como se o beijo nunca tivesse acontecido.
–Ah, merda! Por que eu sou a única perdendo a cabeça aqui? –Resmungo, socando uma almofada e jogando ela contra a porta.
–Minha nossa! –Grita tia Mikoto, desviando da almofada, que quase lhe acertou em cheio no rosto.
–Desculpa tia, eu não vi você entrando. –Digo, me ajeitando na cama.
–Está tudo bem? Parece que você anda meio agitada nesses últimos dias.
Oh, ela não tem ideia do quanto.
–Não é nada, acho que estou ansiosa para voltar para escola. –Respondo, tentando desviar do assunto.
–Amanhã, tudo voltará ao normal, querida. Eu prometo. –Diz ela, sorrindo e colocando uma bandeja de lanche na minha cômoda. –A propósito, você tem visita.
–Visita? Quem é?
–Eu não conheço. É uma garota da sua escola, ela já tinha vindo aqui antes, mas, por algum motivo, o Sasuke-kun não deixava ela subir. –Fala tia Mikoto, com um olhar especulativo. –Qual será o motivo disso?
Estranho, não consigo imaginar quem poderia ser.
–Por favor, peça para entrar. –Digo, me levantando da cama. –Se o Sasuke tentar impedir, dê um chute nele.
x.o.x.o.x
– Ino...
Eu realmente não esperava ver ela no batente da porta do meu quarto. Estava de cabeça baixa e batia levemente na minha porta, fazendo de seus cabelos loiros uma cortina que cobria seu rosto.
–O que faz aqui? –Pergunto, não conseguindo deixar o rancor de lado.
–Eu vim ver como você estava. –Murmurou, ainda sem olhar para o meu rosto.
–Veio conferir o resultado da sua armadilha? –Eu não queria ser assim, mas a minha voz estava mesmo carregada de ódio e ironia.
Escuto um gemido baixo, muito baixo, deve ter sido impressão minha. Ela se escora no portal, mantendo seu rosto coberto pela franja e as mãos segurando firmemente a pequena bolsa colorida.
–Eu... Eu...
–Pare de enrolar, o que você quer dizer? –Pergunto, me levantando. –E o que for, diga olhando na porra dos meus olhos. Ao menos seja mulher para isso.
Ela balançou a cabeça em um gesto silencioso e lentamente ergueu o rosto. Nunca imaginei vê-la daquele jeito, com o rosto vermelho e os olhos inchados pelas lágrimas que ainda escorriam. Sua boca trêmula não conseguiu segurar seus soluços.
Abri a minha gaveta, peguei uma caixa de lenços e estendi para ela, que aceitou prontamente.
–Eu sei que não tenho direito nenhum de estar aqui. –Fala Ino, secando o rosto e assoando o nariz ruidosamente. –Mas, eu vim mesmo assim. Eu não consigo comer, não consigo dormir, tudo o que eu vejo é você naquela poça de sangue. E eu sabia que precisava estar aqui, mesmo que fosse para levar uma surra.
–Como você sabia que eu tinha descoberto sobre o seu plano? –Pergunto, estendendo mais alguns lenços para ela.
–Eu tentei vir antes, desde sábado, na verdade. –Fungou mais um pouco e removeu o resto borrado de sua maquiagem. –Mas, Sasuke não deixou. Ele deixou bem claro que eu não era bem-vinda, então, eu deduzi que você já sabia de tudo. Mas, eu não tinha nenhuma notícia e... eu precisava saber como você estava.
Suspirei. Desde que Sasuke me contou a verdade, eu havia imaginado o confronto com Ino diversas vezes. Na minha cabeça ela era tão má quanto Karin, afinal, ela havia concordado com o plano da ruiva, mas, essa garota diante de mim não se parece em nada com a imagem que eu criei.
–Por favor... Você está bem? –Ela perguntou, voltando a chorar. –Me desculpa, eu não queria estar assim, mas, eu não consigo parar. Eu não consigo.
–Eu estou bem, Ino. –Respondo, falando pausadamente. –Olha, não precisa vim chorar para mim, ok? Já foi, não adianta chorar sobre o leite derramado.
–Eu sei, eu sei disso. –Diz Ino, balançando a cabeça nervosamente. –Mas, eu quero mesmo me desculpar. Eu não sei o que tava na minha cabeça, por favor. A Karin veio com um papo de que “queria te derrubar do salto”, fazer você “baixar sua bola”, eu não entendi o que ela quis dizer com isso, mas, resumindo, ela queria que você levasse um susto e passasse vergonha na frente da turma. Era só para balançar a pirâmide, o que eu não contava era com sua total falta de equilíbrio.
O que? Que diabos!
–Ei, você não está tentando conseguir meu perdão? Seja mais respeitosa, loira. –Retruco, cruzando os braços e sentindo uma veia pulsar na minha testa.
–Desculpa. Enfim, eu nunca quis que você se machucasse, era para ser só uma piada. –Diz Ino, suspirando. –Eu vou entender se você não quiser mais falar comigo, eu também não falaria.
Encaro a figura loira, ainda parada na porta do quarto, e percebo que ela estava realmente arrependida de tudo o que tinha acontecido.
–Olha... –Começo a falar, bufando, me sentindo um pouco exausta com esse assunto. –Eu ainda não consigo esquecer tudo o que aconteceu, acho que isso vai levar algum tempo. Eu não te culpo mais, você só foi usada pela Karin, ela é a verdadeira mente maligna por trás disso. Não sei se a gente vai conseguir ser amiga, mas, acredito que podemos ter um relacionamento respeitoso de colegas de classe.
–Isso quer dizer?
Ok, esqueci que estou lidando com uma loira.
–Quer dizer que você vai ter que ralar muito para conquistar a minha confiança. –Digo, revirando os olhos. –Agora, sai. Nos vemos na escola.
Ino não conseguiu disfarçar o sorriso quando saiu pelo corredor, pelo menos parou com a choradeira.
Deito na minha cama, me sentindo exausta depois dessa visita. Quando coloco a cabeça no travesseiro, retorno para a minha aflição anterior.
FUI BEIJADA POR SASUKE UCHIHA.
A MINHA BOCA TOCOU A BOCA DE SASUKE UCHIHA.
O.M.G!
x.o.x.o.x
Segunda-feira. Visto o uniforme tranquilamente, olhando para o espelho. Devo admitir, foi bastante complicado vestir a camisa de botões, ainda não tinha recuperado completamente os movimentos do braço direito.
–Pode entrar. –Digo, quando escuto uma leve batida na porta.
Sasuke entra, já está com o uniforme, o que é uma novidade. Ele sempre se arruma as pressas.
–Desde quando você bate na porta? –Pergunto, desviando o olhar ao sentir as minhas bochechas esquentarem.
–Foi no mesmo dia que você se tornou mal-educada. –Responde, entrando no quarto e fechando a porta atrás dele. –Vim ver como o chiclete mascado tava, parece que mais duro que o normal.
É, era o Sasuke mesmo. O mesmo babaca de sempre.
–Vá caçar outro para atormentar, hoje não estou afim de brincar com você. –Respondo mal-humorada, pegando o blazer do cabide.
Olho pensativa para aquela peça e olho para a tipoia, como diabos eu usaria os dois? Se eu colocasse o blazer e a tipoia depois, não conseguiria tirá-lo se caso esquentasse. E se colocasse a tipoia primeiro, também não conseguiria colocar o blazer.
–Tsck, nem sabe pedir ajuda... –Resmunga Sasuke, pegando a tipoia. –Vem cá.
–Vem cá? Tô com cara de carrinho de picolé? -Resmungo.
Me viro para ele. Calmamente, Sasuke coloca meu braço dentro dela e depois passa a alça pelo meu pescoço, gentilmente. Não percebo imediatamente, mas, logo em seguida, ele pega a peça que faltava do uniforme e o coloca sobre os meus ombros, passando o meu braço esquerdo pela manga e puxando as lapelas dele. Abotoou o primeiro botão, assim ele não cairia dos meus ombros.
–Falta pouco. –Sussura, me virando e tirando meu cabelo de dentro do casaco. –Pronto.
Achei que, nem se eu vivesse mil anos, eu iria ver um Sasuke gentil. Sinto as minhas bochechas esquentarem de novo, podia sentir tão claramente a sua respiração contra a minha nuca. Levanto a minha cabeça e consigo nos ver no espelho. Procuro o olhar dele, mas acho que não percebeu o espelho diante de nós. Está olhando seriamente para mim.
Sasuke está segurando meu cabelo, coloca-os sobre os meus ombros e deposita um simples beijo no meu pescoço.
–Sasuke... –Sussurro, sentindo os pelos do meu corpo se eriçarem.
–EI, SAKURA-CHAN! VOCÊ VAI PERDER O CAFÉ DA MANHÃ! –Grita Itachi, batendo na porta.
Saio do meu estado de torpor e percebo que Sasuke se afastou de mim, como se tivesse sido pego no flagra fazendo algo errado.
–Vamos, antes que a gente se atrase. –Diz Sasuke, pegando a minha mochila e saindo do meu quarto.
Fico parada encarando a porta. MAS O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?!
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