Please, kill me.
9 Tão quente quanto o Nomura
Notas iniciais
Era o segundo dia que estávamos na casa do Haru, e mesmo que fosse o segundo, eu ainda não tinha me acostumado com o tamanho absurdo que aquele lugar tinha, parecia que o Haru é filho de algum mafioso bem sucedido ou coisa do tipo, mas o Tomoko disse pra eu não me preocupar, pra os serviçais era como se eu nunca estivesse lá, os aposentos eram confortáveis e nunca faltava algo pra comer, no mais, os lanches eram gostosos e as poucas pessoas que resolviam me cumprimentar eram agradáveis, mas, como eu pude esperar, não colocaram o Nomura no mesmo quarto que o meu, pra falar a verdade, era um quarto enorme para um quarto de visita, e mais ainda para uma pessoa só, e para a minha mais completa infelicidade, Nomura e Hori estavam dividindo o mesmo aposento, segundo o próprio moreno, isso era uma espécie de “tradição” que eles tinham... Dane-se a tradição, não quero dividir o Nomura com ninguém.
Suspirei me jogando naquela cama enorme e pondo as mãos sobre o rosto. Será que eu nunca vou parar de pensar nele?!
– Yoshihiro-sama – ouvi uma voz pigarrear na direção da porta do quarto, parecia ser uma espécie de mordomo ou coisa do tipo. – O senhor deve lavar as mãos, é quase hora de jantar.
Eu levantei da cama e me dirigi ao lavabo.
– Com licença... – disse um pouco tímido. – Você viu o Nomura, em algum lugar?
– Nomura...- Ele parecia estar tentando lembrar de alguém com esse nome. – Ah... Tomo-sama, sim, ele e o Hori-sama estão se banhando. Se o senhor quiser juntar-se a eles, será bem vindo, creio eu.
Ao ouvir aquilo eu congelei... Tudo bem, é normal dois homens tomarem banho juntos, mas... Aquilo não me agradava nem um pouco, e se o Haru tentasse...
Fechei os olhos com força para afastar qualquer ideia do que poderia estar acontecendo... Está tudo bem, eles não estão fazendo nada.
– Na verdade, já faz um bom tempo que aqueles dois estão no banho...
O mordomo disse pensativo.
– Tudo bem, pode me levar até eles?
– Será um prazer.
O homem me guiou até o banheiro, parecia um daqueles banheiros públicos onde todos podem tomar banho, porque como todo resto da casa, era enorme, lá eu vi as roupas do Nomura penduradas de qualquer jeito próxima aos armários. Comecei a tirar a roupa, nunca tinha tomado banho em publico, porque normalmente os pais levam os filhos aos banhos, mas meu pai se foi quando eu era muito jovem, então nunca tive coragem pra ir sozinho.
– O que está fazendo? – ouvi aquela voz inexpressiva. – Não dá mais tempo pra tomar banho, é quase hora do jantar.
– É-é-é... – Eu gaguejei porque não tinha motivo pra eu estar lá, a não ser, para ver se o Hori estava fazendo alguma coisa com o Nomura. – Eu estou muito sujo, não, tem como eu jantar com esse fedor.
Ouvi o Nomura bufar com raiva.
– Hori... – ele olhou para dentro do banheiro. – Eu vou ajudar o Sakamoto a tomar banho, assim ele pode terminar rápido.
Haru saiu do banheiro um tanto confuso, até me ver. Ele me fitou com desdém por alguns breves segundos.
– Está bem Tomo-chan... Só não demore.
O de fios brancos envolveu o pescoço do mais alto beijando-o, não só uma, mas três vezes, percebi que seus olhos estavam virados para mim, Hori estava me fitando, como se marcasse o território ou algo do tipo. Esperei que o Nomura ficasse indiferente, mas para minha terrível surpresa, ele estava corado e aparentemente, muito constrangido.
– Vamos, Sakamoto...
Eu não podia acreditar no que os meus olhos viam... Nomura, você gostou do beijo do Haru?! Estava atônito, bem, isso até perceber que o moreno só estava coberto com uma toalha na altura da cintura. Entramos na parte de banho e eu estava com muita vergonha de tirar a toalha.
– Vamos... – ele disse em tom grosseiro. – Entre na água.
– E-eu... Não consigo Nomura-kun... – abaixei a cabeça e segurei firme a toalha que me envolvia. – Estou com vergonha.
– Do que você está falando? Nunca foi em banheiros públicos?
Assenti ainda de cabeça baixa e logo pude ouvir um riso abafado. Levantei para encará-lo e lá estava o Nomura, com o olhos cheio de lágrimas tentando se conter para não rir.
– Qual é a graça?
Consegui dizer confuso, mas chateado.
– Você...
Ele respondeu aos risos.
A risada dele era tão... Tão linda, seu olho parecia ter ficado mais claro, quase que um prateado bem brilhante e suas bochechas e boca estavam de um vermelho bem profundo, não conseguia parar de encarar seus lábios, imaginava eles tocando os meus.
Percebi que ele tinha parado de rir já fazia algum tempo e isso me deixou muito sem graça, ele também estava me olhando e a distância entre nós era muito perigosa. Virei o rosto.
– Eu vi como você olhou para mim e para o Hori quando ele me beijou... – ele procurava meus olhos e o olhar dele passeava sobre mim da mesma forma que um lobo observa sua presa... Mas ao contrário da presa, eu queria ser devorado. – Você queria fazer aquilo comigo, Sakamoto?
Senti sua mão quente sobre o nó da toalha em minha cintura. Hesitei ainda constrangido... Eu queria, mas éramos dois homens, aquilo não estava certo.
– Ou será que você queria que eu fizesse isso com você?
Sua voz era calma e quente e se aproximava de mim aos poucos, eu não queria me render aquilo, mas, nem sempre querer é poder e talvez, o meu corpo não quisesse tanto quanto a minha mente. Seu lábio tocou meu pescoço delicadamente e eu senti um arrepio percorrer toda a minha coluna, sua mão direita, a que estava livre, envolveu meu corpo tocando minhas costas nuas e me trouxe para perto do seu, mais uma vez eu sentia sua pele pulsando sobre a minha, quase como se fossemos um.
– Nomura-kun... – gemi. – Não faça isso.
– Se não quer... – ele lambeu minha orelha de leve. – Me faça parar.
Eu não ia conseguir pará-lo dessa vez, eu sabia disso.
Num movimento rápido e talvez um pouco bruto ele arrancou a toalha de mim, me afastei por um instante.
– Está tudo bem... – ele tirou aos poucos a toalha que o envolvia também. – Tudo bem...
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