Notas iniciais
Minha beta sumiu :T ... Mas espero que o capítulo esteja agradável, fiz com muito amor e carinho ;3

Fiz minhas malas novamente, mas não era para voltar para minha casa como eu pensei, Nomura disse que é muito perigoso agora que o tal Ouishi Usagi sabe meu nome... Segundo ele, saber o meu nome já é suficiente para que ele descubra várias coisas... Meu Deus, no que eu fui me meter?!

Não conseguia evitar o transe. Estava sentado no sofá na sala, encarando o chão fixamente eu me sentia tenso e preocupado, uma sensação de angústia incomparável crescia na minha barriga.

– Eu conheço esse olhar... – Nomura estava ao lado do móvel, me encarando com seus olhos tempestuosos, como sempre, mas que eu nunca seria capaz de me acostumar. – Isso é aflição.

– Não! – eu neguei desviando-me do olhar crítico e severo, que talvez nunca tenha tomado uma forma gentil e convidativa. – Eu estou bem, nós vamos conseguir sair dessa... Eu tenho cer...

Teria terminado a frase se o Nomura não tivesse me derrubado no sofá e sentado por cima de mim. Tentei afastá-lo com os braços, mas ele os imobilizou, sentia as partes onde o corpo dele encostava pulsando sob a minha pele, ao mesmo tempo que eu queria me livrar daquilo... Eu não queria.

– Nomura-kun... Nós não temos tempo pra... – Eu tentei me pronunciar novamente, mas, mais uma vez ele me impediu.

– Você não precisa ter medo Sakamoto. – ele juntou ainda mais o corpo ao meu, como se quisesse que eu o sentisse. Inevitavelmente meu rosto enrubesceu. – Eu disse que vou te proteger... Nada, vai acontecer com você.

Ele repetiu a mesma frase de ontem, mas agora com um tom mais áspero e mais severo, quase como se estivesse brigando comigo, mas eu não temia por mim.

– Mas... – eu o surpreendi, falando de súbito. – Mas e você... Pode garantir que nada vai acontecer a você?

Senti seus dedos se afrouxarem em volta dos meus punhos, mas não consegui ver seu rosto, apenas um leve suspiro próximo a minha orelha, a brisa que vinha do quarto dele passava por nós e saia pela janela da sala, trazendo aquele cheiro forte, mas não enjoativo, parecia madeira, ao mesmo tempo canela, era bom, era inebriante... Era o cheiro do Nomura, quase sem perceber soltei meus braços de suas mãos e o envolvi em um abraço e isso definitivamente o deixou surpreso, meu rosto estava escondido agora em seu peito e eu sentia seu queixo roçar em meu cabelo.

– Nomura-kun... – eu falei baixo, quase que só para mim, mas na distância em que estávamos, era impossível que ele não escutasse. – Eu não seria capaz de suportar se algo acontecesse com você.

Senti um breve sobressalto por parte dele e aos poucos ele se afastou de mim segurando meu rosto.

– Sakamoto... Eu – ele disse e pude ver suas bochechas levemente coradas, mas logo ouvimos um barulho de tranca e a porta da sala se abriu, fazendo com que ele se levantasse imediatamente.

– Tomo-chan! – do ângulo que eu estava não consegui ver quem era, mas a voz com certeza não era a do tal “Usagi” de ontem de manhã. – Está tudo pronto!

– Que bom... – ouvi a voz do Nomura, naturalmente sem muito entusiasmo. – Vamos nos esconder na sua casa então, Hori?

– Claro que sim! – a voz era notoriamente mais animada que a do Nomura. Esforcei-me para levantar a cabeça e finalmente enxergar quem era, mas ele praticamente se atirou na direção do moreno. – Tomo-chan, eu estava com saudades!

Ele praticamente me ignorou, abraçando o Nomura pelo pescoço, mas previsivelmente o mais alto não retribuiu, o que me deixou um pouco aliviado... Deus, o que é que eu estou dizendo?!

– Como você é cruel, Tomo-chan... – ele disse irônico, sem parecer muito chateado. – Foi só esse pirralho entrar na sua vida que você se esquece de mim...

Ele então finalmente virou o olhar para mim, mas não parecia muito amistoso, quase conseguia ver veneno escorrer de seus lábios rosados, tinha um cabelo branco que quase parecia ser natural, seus olhos eram cor de mel, bonitos demais para que qualquer lente fizesse isso, sua pele era quase tão branca quanto a do Nomura, e era levemente mais alto que eu.

– Ao menos ele é bonitinho... – ele se aproximou de mim alisando meu rosto e eu corei instantaneamente, me afastando do toque. – Realmente... Muito bonitinho.

– Hori, já chega... – a voz do Nomura soou seria e grave, e consegui vê-lo segurar firme a mão do tal Hori. – Vamos embora...

– Ora, ora Tomo-chan, deixe de ser estraga prazeres... – ele voltou o sorriso sádico para mim novamente. – Sou Hori Haruo... Mas você pode me chamar de Haru.

Ele piscou de leve pra mim, enquanto fazia uma breve reverência apenas com a cabeça.

– Eu sou...

– Eu sei quem você é... – ele me interrompeu e eu vi o Nomura se dirigir para o quarto, como se tivesse se esquecido de algo. – Sakamoto Yoshihiro... You-chan

Ele sorriu. Eu já estava sentado a essa altura e deveria ter me levantado se soubesse o que estava prestes a acontecer. Ele se ajoelhou por cima de mim e empurrou meu corpo contra o encosto do sofá, aproximando os lábios da minha orelha.

– You-chan, vou te explicar uma coisa... – ele fez uma pausa, talvez para abrir outro sorriso. – Nomura Tomoko... É meu.

Meu coração apertou ao ouvir aquela frase e eu por dentro estava desesperado... O que eu deveria fazer? Eu não quero o Nomura com outra pessoa, será que ele e o Hori estavam juntos? Por que parecia que quanto mais próximo o Tomoko estava, mais longe ele parecia estar? Eu estou cansado disso... O Nomura é meu.

Notas finais
Caso não tenham entendido o título do capítulo: Haru significa primavera. Até o próximo capítulo, pessoal. Não esqueçam de deixar o seu review :3