Yami acordou ao sentir câimbra em seu braço. Ele gemeu irritado e soltou um palavrão antes de tentar mover-se e perceber que algo prendia seu braço problemático onde estava.

Com o cenho franzido, ele abriu os olhos direito e quase pulou de susto ao ver Charlote deitada ali.

Afastando-se um pouco, O Capitão olhou atordoado para o quarto em volta. Não era o seu, com certeza. E também não era aquele o qual Yami invadira na outra noite para checar Charlote. Esse era maior e, ao invés de uma cama de solteiro, havia outra bem larga e uma decoração que anunciava a Rainha dos Espinhos.

Como um soco no cérebro, as memórias atingiram Yami e ele se lembrou de como chegara ali. Começando pela sala de reuniões... o corredor... as escadas... porra, ele nunca vai esquecer das escadas, e definitivamente ele não vai esquecer do quarto.

Fitando a Capitã adormecida, Yami esfregou os olhos para ter certeza que aquilo era real. Quando ela não desapareceu em uma nuvem de fumaça, Yami sorriu mais do que ele imaginava ser possível e passou o polegar na bochecha da loira, observando a expressão relaxada que ninguém podia imaginar naquele rosto sempre tão sério.

Charlote remexeu-se um pouco, afundando o rosto no braço ainda dolorido do Capitão. Ele retirou seu braço, alongando-o um pouco para afastar o desconforto enquanto a Rosa Azul despertava lentamente.

— Não, nem sequer pense nisso – Yami proibiu quando Charlote arregalou os olhos ao vê-lo em sua cama – Nada de me expulsar, brigar, discutir, mentir ou fingir que nada disso aconteceu – Ele pontuou reclinando-se sobre ela, abrindo espaço com o joelho entre suas pernas e beijando sua clavícula a cada verbo, trilhando um caminho até sua boca. – Você mesma disse que queria isso tanto quanto eu. E, porra, eu ainda quero – ele rosnou mordiscando o lóbulo de sua orelha – Então, antes de você soltar seu lado tsundere em mim de novo, fique sabendo que eu não vou deixar você escapar fácil assim.

Qualquer resistência abandonou Charlote no segundo em que Yami a tocou.

— E como pretende fazer isso? – Charlote retrucou já bem desperta, movendo os quadris para provocá-lo.

— Fodendo você até desmaiar todos os dias até o fim da minha vida.

— E o que você está esperando para começar?

....

Mesmo tendo a morte iminente de algum de seus subordinados batendo à sua porta, Yami sentia-se confiante. Nada de mal podia acontecer nesse dia, não depois de tudo o que aconteceu. Ele tinha certeza que Asta e Gauche estariam seguros. Ninguém pode morrer hoje. E ninguém vai.

Apesar de sua calmaria e confiança, Yami ainda precisava da confirmação dos jurados. Agora pela manhã havia sido o último dia do julgamento. Os inquisidores estavam reunidos para decidir o resultado da acusação.

Yami teve que confessar seu nervosismo inicial ao entrar no salão. Por alguns minutos ele temeu ter ferrado com tudo depois de ter passado a noite com Charlote. O Touro Negro evitou ao máximo o maldito do Kira. Aquele desgraçado parecia farejar suas provas e Yami temeu revelar a mácula testemunhal que ele deixou na cama da Rainha dos Espinhos.

E que mácula.

Porra, ele temia que Kira pudesse ter ouvido os gritos de Charlote de lá do palácio real.

Ele sabia que era apenas uma paranoia. Mas tantas coisas absurdas ocorreram nos últimos dias que ele já não se surpreenderia se lhe dissessem que o mar é feito de fogo e que o Asta tem tanta mana quanto o Rei de Clover.

Quando Charlote foi novamente convocada para testemunhar, Yami ficou nervoso. A loira evitou qualquer contato visual com ele. Totalmente compreensível. Afinal, ele sempre soube da facilidade com que ela corava, e, considerando as façanhas mirabolantes que ambos executaram com maestria na noite anterior, até mesmo ele sentia um pouco de calor ao simples comentário do nome dela.

Quem diria que a Espinhosa teria tanta desenvoltura nesse departamento. Para alguém que diz odiar homens, ela demonstrou uma hábil experiência e um vasto conhecimento no assunto.

E Yami estava muito curioso para estudar a amplitude dessas habilidades.

Agora FOCO.

Damnatio Kira estava retornando ao salão seguido de outros 4 homens, todos nobres, os portadores das decisões. O Touro Negro quis se estapear por ter acabado todos os seus cigarros durante as sessões mais cedo. Com certeza esse era o momento mais tenso do julgamento e ele não tinha nenhum cigarro para se acalmar.

O discurso cheio de considerações, ressalvas e aqueles malditos argumentos mesquinhos, arrogantes e deploráveis só serviu para irritar e aumentar o suspense.

Quando Kira finalmente deu a decisão, muito a contragosto, todo o esquadrão dos Touros Negros comemorou a inocência dos cavaleiros sagrados e de Asta.

Finral aproximou-se de Yami e pretendia abraçá-lo, porém foi afastado pela mão enorme do Capitão. Depois de se recuperar do impacto, o mago espacial sorriu, sabendo que seu capitão não tinha jeito.

— Bem, tudo isso foi graças a você, capitão.

— Eu só sentei minha bunda aqui.

— Nós dois sabemos que não é verdade – Finral sussurrou com um sorriso conspiratório – O senhor não voltou para base e não o deixariam passar a noite nas Rosas Azuis. Como conseguiu convencê-los? O que o senhor fez, capitão? – ele indagou com um sorriso orgulhoso.

— Nada. Passei a noite nas Rosas Azuis.

Firnal soltou uma risadinha incrédula. Porém, antes de contrariar seu chefe, foi interrompido por Lady Roselei, que se aproximou dos dois com o rosto tenso e ruborizado, a postura empertigada e fazendo um enorme esforço para manter os olhos em um só lugar.

— Yami, precisamos conversar um minuto – Ela pediu com tom de ordem – Eu vou esperar lá fora.

Tão rápida quanto veio, Charlote se foi. Finral não deixou passar o olhar de cobiça de seu superior em direção à Capitã das Rosas Azuis enquanto esta caminhava para longe.

Gaguejando as palavras, o vice-capitão olhou entre os dois capitães com o rosto pasmo.

— Por favor, diga que não subornou a testemunha – Ele finalmente conseguiu formular uma frase coerente.

— Garoto, não tem nada que eu possa oferecer que a Espinhosa já não tenha – Yami contrariou, partindo atrás de Charlote.

— Exceto você mesmo, pelo que estou vendo – Finral constatou ainda embasbacado.

Ah... mas ela já tinha. Aquela maldita já o tinha tomado há anos. Felizmente parece que agora ela está interessada em usá-lo.

E ele não ia deixá-la esperando.

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