Please, don't be dead
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Notas iniciais
Olhos bem fechados. Coração acelerado. Respiração ofegante. Corpo trêmulo.
Tudo isso por causa de uma montanha ou um penhasco, não importava. O que importava era que ela estava ali, finalmente ali, frente a frente com o local da morte daquele que havia mudado completamente a sua vida. Tornando-a uma vida que valia a pena viver.
Queria poder subir naquele maldito lugar e encostar os pés no local de onde Oliver havia caído. Nyssa havia deixado claro como tudo ocorrera e isso deixava Felicity ainda pior. Havia um pânico em sua alma, um pânico que ela precisava se desfazer.
Pensou em escrever.
Pensou em conversar com o traje do arqueiro.
Pensou em declarar tudo a uma imagem.
Pensou em gritar para o carro, onde ele se mostrou como o arqueiro.
Pensou em sentar na cadeira onde o conheceu e aproveitar a tristeza que a proporcionava.
Pensou em berrar na caverna.
Pensou em todas as outras possibilidades.
Mas, querendo ou não, ela era judia, e o lugar onde ela se sentiria próxima o suficiente para poder desabafar e desabar, era perto de onde ele havia morrido. Não que ela acreditasse em espíritos, ela não acreditava em fantasmas. Contudo, acreditava que aquele lugar carregava uma carga muito grande dele ainda.
Puxou o papelzinho do bolso do casaco e abriu os olhos.
Com o corpo ainda mais trêmulo e os olhos ensopados pelas lágrimas que ainda não haviam caído.
- Oliver Queen... – sussurrou ao vento, lendo o que havia no papel. – Tenho tanto para te contar. Faz exatos três meses, duas semanas e quatro dias que você desapareceu. – sua voz já estava embargada pelo choro que estava começando a escorrer pelo seu rosto e tomar posse de seu corpo. – E eu sinto sua falta, eu sinto sua falta com tanta necessidade que parece que fui colocada em meio a lugar nenhum.
"Sinto-me como neve em meio ao deserto, como águas tranquilas em meio ao inferno, como paz em meio à guerra, completamente perdida e quase sem esperanças de me encontrar novamente.
A sua voz foi interrompida por um soluço alto.
Amassou o papel e o jogou em direção a montanha, o que queria dizer, merecia ser espontâneo e não uma coisa pré-calculada. Aquilo não era um velório onde todos precisavam ouvir o que ela falava, só haviam duas pessoas que estariam a escutando.
Ela e Deus.
Oliver estava morto.
"Eu passei três dias para escrever tudo o que eu queria falar e só agora vim perceber que não adianta! Então, que se dane tudo isso!
"EU TE AMO!
Gritou com toda a força que ainda restava de seu corpo, deixando que seus joelhos começassem a ceder ao peso de seu corpo e ir desfalecendo aos poucos sobre o chão gelado que ficava a beira daquela grande montanha.
"Hoje sinto o peso das palavras que não disse em meus ombros, elas queimam em minha garganta como fogo que nunca deixa de arder. A sua falta queima em todo o meu corpo, misturado com a culpa e a pequena esperança que ainda me resta. Pois ainda me resta uma pequena e frágil possibilidade de que tudo isso seja um grande plano, ou piada. Ou que você tenha simplesmente sobrevivido.
Cada segundo, seu choro ficava ainda mais desesperado e sua voz mais difícil de sair, porém, ela sabia que precisava desabafar, precisava sentir tudo aquilo, ou ela ficaria presa para sempre aquilo, as palavras não ditas, ao medo e acabaria por perder as esperanças.
Ela não entendia porque se sentia tão próxima dele naquele momento, ela só sabia que estar ali aumentavam as suas esperanças e seu choro compulsivo parecia lavar e derramar a sua alma.
"Ninguém consegue seguir em frente, ninguém! Diggle tenta ocupar seu tempo com Sara, mas Lyla está preocupada, ela veio atrás de mim, dizendo que ele estava chorando como um bebê no banheiro e não sabia mais o que fazer. Roy! Roy está um desastre. Ele te fez uma promessa e está fazendo tudo o que pode para cumpri-la, e isso é tudo que faz. Quer dizer, ele luta como o arsenal todas as noites, eu e o Dig o ajudamos, só não é a mesma coisa.
"Laurel não sabe de nada, nem Thea. Ambas não podem saber ainda. Laurel acabou de perder a irmã, não podíamos simplesmente jogar isso em cima dela. Ninguém sabe como dizer a Thea, porque nenhum de nós poderíamos saber como você morreu. Sim, nós ainda protegemos seu segredo, pois temos a esperança de que você acorde.
Agora ela estava um tanto mais calma, conseguia falar com clareza e estava sentada, como se realmente pudesse conversar com Oliver, como se ele estivesse sentado a sua frente, e ela quase podia sentir sua presença perto dela.
"Barry ficou sem chão quando eu tive que conta-lo. Ele não chorou, pelo menos, não na minha frente. Acho que ele tentou ser forte, quer dizer, eu me derramei em lágrimas quando pronunciei as palavras. Diggle está se vestindo de arqueiro, por isso, criamos um traje de arqueiro maior. Ele não se sente confortável com isso, só que não teve opção, era ele ou eu.
"Bem, e tem eu. Eu continuo trabalhando com o Ray, tentando criar um traje que encolha, quando não trabalho com ele, estou na caverna. Trabalhando ao máximo para evitar as noites de sono em que sou obrigada a assistir a sua morte, toda noite, como se eu estivesse lá. Como se eu soubesse como aconteceu. Mas eu não sei, e espero, do fundo do meu coração, que você tenha morrido de uma forma bem menos dolorosa do que em meus sonhos.
"Sabe, se eu pudesse, eu teria me entregado em seu lugar. Teria dito que eu matei Sara. Eu tinha a estatura perfeita. Porém, eu não sou boa com armas, eu não poderia ter feito isso, porém, eu poderia ter feito isso de todo jeito, só que eu não pensei nisso antes e me arrependo muito. Afinal, quem se importar com Felicity? Sua vida valia muito mais que a minha jamais vai valer!
"E mais uma vez, eu, Felicity Megan Smoak, estou falando de mais!
Suspirou pesadamente, fechando os olhos com força, tinha algo que ela precisava falar, era mais importante que tudo o que ela falara até aquele momento, e não havia outra oportunidade, pois ela não voltaria ali, era um ambiente muito pesado e muito cheio de emoções para ela.
- Oliver, sei que você provavelmente não está me ouvindo, apesar de sentir no fundo do meu coração que você pode, eu preciso te pedir algo, algo muito importante. – abriu os olhos, olhou para frente, todavia, não encarava nada especifico, apenas mantinha os olhos fixos em uma pedra, sem prestar qualquer atenção. – Eu deveria ter dito que te amo, eu deveria ter te beijado, eu deveria ter te abraçado e sentido o máximo de você que eu podia, então, eu te peço e te imploro, por favor, por favor Oliver, não esteja morto! Você conseguiu viver com o peso do mundo em suas costas, então, volta para mim, volta para que eu possa te ajudar a tirar todo esse peso, para que eu posso sentir seu coração batendo contra o meu, possa tocar o seu corpo, beijar os seus lábios e dizer, olhando em seus olhos, as palavras que tanto anseio te dizer. – finalizou com um suspiro cansado, lágrimas escorrendo pelo seu rosto e um pedido não mais mudo, o pedido que fizera não só a Oliver, como, naquele momento, fazia a o Deus de suas origens judaicas.
Seu corpo virou-se devagar, na direção que precisava seguir para ir embora. Enxugou os olhos com a manga do casaco, respirou fundo, e ainda de cabeça baixa, começou a caminhar pela mesma direção que usara para chegar ali.
Seu corpo deveria estar calmo agora que havia dito tudo, contudo, ele estava ainda pior. Seu coração parecia que sairia a qualquer momento de seu peito. Sua garganta se fechava cada vez mais. Quase não conseguia andar, o peso de seu corpo trêmulo era muito grande, principalmente com a carga de tristeza que carregava.
Deu poucos passos até bater seu corpo inteiro contra algo.
Levantou a cabeça rapidamente e perdeu o fôlego imediatamente.
- Se for você me pedindo, eu faço.
Os olhos azuis da menina se fecharam, deleitando-se em ouvir aquelas palavras. Talvez estivesse louca, talvez não. Se que importava, ele estava ali, ela podia vê-lo, podia ouvi-lo e sentia o calor emanando do corpo dele, do homem que ela amava.
Olhando no fundo dos olhos que ela tanto desejara olhar novamente, ela disse:
- Eu te amo. – sua voz era quase inaudível por toda a emoção que era expressa em sua voz.
E ele a beijou.
Não precisam de mais nada, ela não queria satisfações ou respostas. Não. Naquele momento, tudo o que ela queria era os lábios dele sobre os seus, o coração dele batendo contra o seu, a pele quente sobre as suas mãos.
Ele estava ali e era tudo o que importava.
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