Please, believe me...
2 De repente aconteceu...
Notas iniciais
Eu dormi cedo e mal percebi quando amanheceu. Como sempre, cheguei cedo na escola, mas não fui a primeira. Quando entrei na sala vi que o Felipe estava lá, mas não sentado, tava aprontando...
– O que você está fazendo?
– Nada do que seja da sua conta, Mirian.
– Você é tão inteligente ao ponto de me chamar errado. Para você, me chame de Marian Alverte.
– Tá certo, agora abra esse bico, só abra.
– Se você me contar o que está fazendo, posso até ficar calada...
– Nossa, heim. Como é que dizem? As aparências enganam mesmo, por que de santa, você só tem a cara.
– E você ainda não viu nada.
O sinal tocou assim que terminei de falar e em menos de um minuto a sala já estava cheia. Um senhor foi até nossa classe falar conosco, avisando que na primeira aula não teríamos professora por conta de uma reunião que estava tendo. Bufei de raiva logo depois que vi uma bolinha de papel voando no meu cabelo.
– É pra você.
Ouvi o cochicho do Felipe vindo das cadeiras de trás. O papel estava pouco amassado, portanto dava para ler bem ele...
"Eu estava colocando um bilhete no armário da professora, nele estava escrito que a Bel (garota na qual eu odeio), tinha mexido nas coisas delas"
Que garoto ousado!!!
Eu ainda estava em choque com o que vi. Não pelo fato dele ter escrito uma simples cartinha daquela, por que pelo fato eu já fiz coisa pior como quando derrubei a Milena da escada, mas pelo fato que tinha um M no final, como assinatura. Então era ele. Como eu não poderia ter lembrado, ele mesmo disse que gostava de ser chamado de Mosca... Eu não podia, eu não poderia estar gostando de alguém que eu a menos conheço á 1 dia e meio.
Eu não respondi ao bilhete do Felipe, mas fiquei com aquilo na minha mente a aula toda, tanto que nem percebi quando dispensaram a gente por conta da reunião, que duraria mais tempo.
– Ei, Mirian! — Ouvi uma voz enquanto saia da sala, e eu já sabia quem era. — Você está indo pra casa? Posso te acompanhar se quiser.
– Eu não quero — O Felipe pareceu acabado quando ouviu essas palavras saindo da boca.
– Mas, ué, eu pensei que você tinha gostado da carta que recebeu, on...
– Oi?
– A carta que recebeu ontem...
– Então era você?
– Sim...
– Já que você me acha tudo aquilo, por que não veio falar comigo?
– Eu sou tímido.
– Tá acontecendo alguma coisa aqui?
O Eduardo apareceu do nada, ou eu não percebi de onde ele saiu, só sei que o brilho do olhar dele dominou o lugar naquele momento...
– Por que estão gritando, aconteceu alguma coisa?
– Nada que seja da sua conta, Mauricinho...
– Querido, Mosquito, fica quietinho que eu to falando com a Marian, não com insetos.
– Você tá me tirando á paciência, seu moleque. Vai procurar sua namorada, a Bel.
– Pelo visto você gosta mesmo dela né, Felipe?
– Você não sabia, Marian? O Mosquito aí vive correndo atrás da Bel e deve tá se jogando pra você pra te beijar e tentar fazer ciúme pra ela, pena que ele não consegue...
– Pena que não é isso que sua namorada diz pra mim quando falo com outras meninas...
– Cala a boca, você nunca falou com ela direito...
– Pois é, quando estamos juntos, quase nunca conversamos, só perdemos nosso tempo nos beijando, como agora.
Derre-pente só vi o Felipe se aproximando da Bel e a beijando e vi fogos nos olhos do Eduardo, e derre-pente subiu uma raiva em mim, um aperto, não sei. O que me restou foi ficar olhando aquela cena, era horrível, só despertei quando vi o Eduardo vindo em minha direção...
– Me ajuda?
– Como?
– Assim...
E derre-pente eu só vi o Eduardo me beijando, eu fechei os olhos e deixei o momento, o momento que eu queria viver de novo...
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