Please Sensei

1 Capítulo único.


A saia balançava habitualmente enquanto andava, batendo de leve em seus joelhos lisos. Carregava a maleta de materiais com firmeza na mão direita enquanto caminhava em marcha determinada, porém de ritmo habitual. Era seu último dia no Colégio Gauguin e renovava sua coragem a cada passo graças a decisão que tomara. Sentia-se obrigada a fazê-la.

Seu corpo magro e de cabelos lisos, longos e pretos atravessou o corredor e bateu na porta aberta da sala de História delicadamente.

– Com licença, senhor. — pediu com voz mansa.

O tutor girou nos calcanhares, surpreso. Ele tinha corpo saudável, pele suavemente morena, olhos castanhos e cabelos curtos e pretos. Quando percebeu a aluna, sorriu calorosamente, ainda estupefato.

– Srta. Kennedy! O que faz aqui? Todos os alunos já estão saindo!

– Eu sei, senhor. Queria apenas despedir-me. — respondeu educada com seus olhos cinza e frios emanando carinho.

Ele riu brevemente.

– Vai me ajudar com os materiais novamente? — perguntou simpático.

Ela riu também, baixo e tristemente, balançando a cabeça em movimentos suaves e negativos ao entrar devagar e em passos largos.

– Não, meu senhor. Desta vez serei poupada desse prazer... — e estremeceu nervosa por um momento, enquanto questionava-se se consegueria outra coisa.

Sem notar qualquer mudança transmitida pelos olhos cinzentos da jovem, ele prosseguiu:

– Ah, é realmente uma pena, senhorita! Adoraria tê-la ao meu encalço mais uma vez. Cursará a faculdade de psiquiatria, correto?

Àquela altura, Miranda estava diante da mesa do professor, em uma ponta, olhando com pesar para o material semiarrumado. Realmente sentiria falta dos anos lá...

– Sim, meu senhor. — respondeu novamente, e aproveitando que ele lhe dera as costas sorrindo para arrumar certos papéis, encheu-se de coragem e rumou para o seu lado.

– Deve ser fantástico estudar o emocional humano — Mr. Faber comentou, primeiramente olhando para o lugar em que antes se encontrava a aluna e, após certa procura, mirando a garota que estava perto dele afinal.

Bem perto.

Faber arregalou os olhos quando percebeu os dez centímetros que separavam seu rosto do dela aparentemente tranquilo enquanto sua mão branca esmagava discretamente as alças da bolsa preta. Ele buscou recuar, mas com um passo deu conta de que estava encurralado contra a parede. Ela continuava perigosamente achegada.

Mantendo o semblante calmo, mas decidido, a cabeça levemente jogada para um lado, sentia o peito gritando antes de falar com naturalidade:

– Principalmente o coração...

E com um movimento ágil e curto, colou os lábios finos nos dele.

Ambos coraram subitamente, sem qualquer contrareação. O professor com as pupilas contraídas, pasmado. A aluna recém-formada sem mais movimentos, os olhos fechados com delicadeza enquanto o sentimento de vitória se expandia a cada segundo sem interrupções.

"Será... que ele gosta de mim?"

No final sairia ela logo, sem nada dizer e constrangida com a expressão chocada que encontrou no mentor ao finalizar seu ato. Sofreria, torturada com a lembrança, por alguns anos até o momento em que se reencontrariam e, mais tarde, casariam.

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