Please, Don't Eat Me
4 4. TRAGÉDia
— Oi... – A pessoa que estava deitada na cama de um quarto escuro atende o celular, a luz da tela ligada ilumina parte do quarto, ela ouve alguma coisa. – Entendo. – Com um salto a pessoa se levanta rapidamente e com um grito joga o celular na parede, quebrando o mesmo. – Não acredito que ele fez isso mais uma vez. – Com um soco ela quebra alguns quadros, o quarto continuava escuro, a luz que vinha da rua mal iluminava a cama. – Eu vou acabar com essa brincadeira...
GABE
A chuva caia furiosamente, as viaturas da policia passavam em uma velocidade surreal enquanto Gabe tentava ir até o local do acidente que ele mesmo causara, as lagrimas corriam, ele estava desesperado. Gabe continuou correndo, o sangue escorrendo do tiro que o acertou de raspão no braço, ele havia se livrado de quem o perseguia, mas a sua escolha teve uma consequência.
— Espero que não seja tarde de mais, por favor, que não seja tarde de mais. – Ele continuou correndo pela rua até que chegou na frente da sua escola, varias viaturas da policia além de ambulâncias e o corpo de bombeiros. – Não... – Gabe se encostou em uma arvore e tentou recuperar o folego.
A chuva havia apagado o incêndio, mas a fumaça ainda saia da sala onde o fogo começara, Gabe observava alguns dos alunos com seus pais, alguns choravam enquanto outros tentavam entender o que havia acontecido, outros estavam sendo tratados por enfermeiros.
O celular toca, Gabe tira do bolso com dificuldades por conta do machucado, fica relutante em ver a mensagem, depois de recuperar o folego e criar coragem ele abre a mensagem.
Você achou mesmo que tinha acabado não é?
Nossa brincadeira está apenas começando.
Era o que estava escrito na mensagem juntamente com um anexo de uma foto sua naquele mesmo lugar, Gabe olha ao redor tentando encontrar a origem da mensagem, mas não ele não viu ninguém.
— Temos mais um ferido. – Ele ouve um dos bombeiros chamando por ajuda enquanto ele tirava alguém de dentro da escola. – Um Medico por favor. – Ele gritava.
Gabe olhava com curiosidade tentando ver se ele conhecia quem o bombeiro havia salvado, mas não conseguiu, mas algo chamou sua atenção, uma maca com alguém coberto, naquele momento seu coração parou, fazia quase 24 horas que ele não falava com o Alex e Gabe sabia que ele estava na escola, sem pensar duas vezes ele correu até a maca e parou em frente ao corpo.
— Você não pode ficar aqui. – Uma enfermeira empurrou ele para que se afastasse.
— Por favor, eu preciso saber quem é, pode ser o meu... – Ele parou por um momento tentando não dizer a palavra. – Meu amigo.
— Tudo bem. – A enfermeira olhou para os lados e puxou a coberta.
ALEX
2 Semanas antes
Era quase meio dia naquele sábado, acordei ainda muito cansado, continuei deitado observando o teto, lembrando em como foi divertido ter saído com o Gabe no dia anterior.
A porta do quarto de abre e observo apenas uma lente de uma câmera fotográfica aparecer. – Vamos acordar? – O flash dispara e eu coloco os braços contra os olhos, em seguida jogo o cobertor por cima do rosto.
— O que faz aqui? – Me viro de lado ao sentir a Gabi se jogando na cama ao meu lado.
— O Baile de volta às aulas é hoje à noite, precisamos nos preparar. – Ela passa um dos braços pelo meu pescoço e puxa a coberta, ela mostra a língua e tira uma nova foto.
A Gabs adorava tirar fotos, na escola havia murais com suas fotografias, e geralmente eram bem vistas por todos os alunos e professores, pois ela conseguia tirar beleza de situações inusitadas.
Pego o celular ao ver que havia notificação de uma mensagem, me ajeito na cama, pois a Gabi era espaçosa e tomava conta da metade da cama, abro a mensagem.
Foi divertido ontem, mas esquecemos de comprar as coisas para o baile de hoje, mas não se preocupe eu voltei e compre, e me diverti muito ontem, poderíamos fazer isso mais vezes.
— E esse sorriso? – Gabs se deita de lado e me observa pelas lentes da câmera.
— Sorriso? – Não percebi que tava sorrindo ao ler a mensagem. – Não é nada.
— Tenho certeza que é alguma coisa. – Ela pega meu celular e começa a ler a mensagem. – Quem é Gabe?
— Um amigo, saímos ontem. – Me levanto da cama e coloco uma camiseta.
— Sei. – Ela sorri e me olha estranho. – De qualquer forma, procure uma boa roupa para hoje à noite, vou para casa, pois tenho que resolver umas coisas antes de ir pro baile, nos vemos lá então?
— Tudo bem, acho que já sei com que roupa eu vou. – Dou um sorriso no momento em que ela atravessa a porta.
Me jogo na cama mais uma vez, eu não queria sair de casa hoje, mas em pensar que iria ver o Gabe mais uma vez eu me sentia mais disposto, leio mais uma vez a mensagem e fico deitado na cama olhando os desenhos no teto.
GABE
2 Semanas depois
Me encontre na minha casa
— Alex
Depois dos acontecimentos recentes, Gabe não sabia como o Alex se sentia com relação a tudo, ele queria ajuda-lo a superar, mas fazia alguns dias que eles não se falavam direito, desde o baile. Gabe se apressou, pegou uma camisa manga longa e seguiu para a casa do Alex, ele estava animado com a ideia de vê-lo de novo depois de alguns dias, mas algo dentro dele dizia que algo estava estranho.
Gabe lembrou que por culpa dele, o Alex havia ficado estranho, depois de ter se aproveitado da situação em que o Alex estava para poder beijá-lo. – Você foi um idiota mesmo, mas você precisa concertar as cosas.
A casa do Alex tinha um estilo antigo, dois andares, uma varanda com alguns bancos de madeira, bato na porta e não demora muito uma mulher aparentando ter uns 35 anos abre a porta.
— Sim? – Ela olha estranha, Gabe percebi que ainda não tinha conhecido a mãe do Alex.
— O Alex me pediu que viesse aqui, ele está? – Gabe olha para os lados se sentindo desconfortável.
— Ele disse que precisava ir até a escola, ele saiu faz uma meia hora mais ou menos. – Ela se encosta na parede e o observa.
— Entendo. – Era estranho tudo aquilo, Gabe da um sorriso e se despede da mulher. – Obrigado.
A mãe do Alex fecha a porta e o Gabe se senta em um dos bancos na varanda, ele olha para a rua imaginando o que estava errado, seu celular dá sinal de notificação de mensagem, era de um desconhecido, ele abre.
“Seja como o fogo: saiba aquecer quem precisa e queimar quem merece.”
Você tem alguns minutos até que eu queime quem realmente merece.
Gabe se assustou e ficou de pé, ele não sabia o que pensar, não sabia quem havia mandado a mensagem e nem o que ele queria dizer com aquilo, mas algo dentro dele ainda o alertava de que algo estava errado, de que alguma coisa estava para acontecer.
Não sabia quem havia mandado a mensagem e nem o que ele queria dizer com aquilo, mas algo dentro dele ainda o alertava de que algo estava errado, de que alguma coisa estava para acontecer.
— Quem realmente merece? – Ele leu novamente a mensagem, e não passava nada na sua cabeça, ninguém merecia ser queimado. –Não pode ser. – Ele se levantou do banco e correu, ele não queria imaginar aquilo acontecendo, quem quer que tenha mandado a mensagem estava prestes a fazer algo surreal. – Isso não pode acontecer. – Gabe tremia enquanto corria, ele sabia que tinha pouco tempo, só não sabia o que precisaria fazer, mas não importa o que tivesse que fazer ele iria salvar o Alex.
O celular novamente notificou uma mensagem, Gabe leu rapidamente e o que tava escrito o assustou ainda mais.
Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?
Eu farei você saber o que é a morte.
Gabe apenas correu mais rápido.
ALEX
2 Semanas antes
A escola estava cheia, o estacionamento estava completamente lotado, não queria ter que entrar sozinho em um salão onde todos poderiam me olhar e lembrar que eu era o cara que havia perdido a garota que amava, mas eu não podia ir embora, havia prometido ao Gabe e à Gabs de que iria para esse baile idiota, então não poderia deixa-los na mão.
— Vamos lá Alex, você só precisa ficar lá dentro, conversar com eles e se enturmar. – Arrumo a camisa, respiro fundo e entro no salão.
O lugar estava completamente iluminado com luzes multicoloridas, alguns globos espelhados pendurados no teto dando um ar de anos 80, bebidas sendo servidas em um canto, além de um palco onde havia um microfone e uma mesa onde o dj tocava algumas musicas animadas.
Os alunos e convidados dançavam no centro da pista de dança a musica era animada o que era ótimo, pois aquilo me fazia querer me divertir, eu precisava me divertir.
— Achei que não viria. – Gabe apareceu por trás e passou um de seus braços pelo meu pescoço. – Quer? – Ele mostra um copo com alguma bebida.
Dou um sorriso e pego o copo e bebo um pouco, sinto o gosto do álcool. – Achei que não permitiam álcool nessas festas. – Ainda com os braços no meu pescoço ele me leva para onde um grupo de pessoas estavam.
— Pessoal esse é o Alex, falei sobre ele. – Gabe me apresenta.
— Hey Alex. – Um garoto magro usando óculos e um terno com gravata borboleta se aproxima e pega na minha mão. – Sou o Eduardo, mas pode me chamar de Edu. – Ele sorri. – Esse é o Jack. – Edu dá um tapa no ombro de um garoto baixo, ele aparentava ter 10 anos de idade. – Essas duas aqui são a Vic e a Beatriz...
— Só Bea. – Ela sorri, Bea usava um vestido rodado vermelho, os cabelos encaracolados soltos com uma fita branca presa ali.
— Oi tudo bem? – Vic sorri e fala algo no ouvido de Bea que também sorri, ela usava uma calça jeans preta, tênis, uma blusa branca e uma jaqueta preta por cima.
— É muito bom conhecer todos vocês. – Dou um sorriso amigável, mas ainda estava curioso sobre o que a Vic havia dito para a Bea.
— O Gabe falou muito de você, ele não parava de falar “Alex isso, Alex aquilo” bem irritante. – Jack falou no momento em que Home Well Go do Steve Aoki começou a tocar. – É a nossa musica. – Ele puxou o Edu pelos braços levando ele para a pista de dança, Vic e a Bea foram juntos.
— Você falou de mim? – Olho pro Gabe, mas quando faço, nossos rostos ficam quase colados, pois ele ainda estava me abraçando pelo pescoço.
— O Jack... é um pouco exagerado. – Ele me olha nos olhos, mas rapidamente me afasto.
— Acho que percebi isso. – Dou um sorriso e tento me afastar dele, acho que ele percebe meu desconforto e se afasta. – Você viu a Gabs por aqui?
— Vi ela mais cedo, ela estava tirando umas fotos, mas depois disso não a vi mais. – Gabe bebe mais um gole da bebida no copo.
A festa estava animada, os alunos e convidados dançavam no ritmo da musica, pulavam e gritavam na hora das batidas agitadas, os amigos do Gabe dançavam juntos, Vic sorria enquanto Bea rebolava e passava as mãos nos cabelos, Jack sorriu e puxou o Edu pela cintura beijando-o em seguida, Jack acaricia lentamente a cintura do Edu e o mesmo passa a mão em seus cabelos deixando o beijo mais intenso.
— Eles são...
— Não, mas gostam de ficar se pegando quando tem oportunidade. – Gabe sorri.
Horas se passaram e eu continuei ali no canto, observando todos dançando enquanto o Gabe me fazia companhia, era estranho ele ficar ao meu lado quando poderia ta se divertindo com seus amigos, mas uma parte de mim gostava daquilo.
A musica parou e um dos professores foi até o centro do palco.
— Caros alunos, muito obrigado por comparecerem a essa noite maravilhosa. – Ela sorria e aplaudia fazendo com que todos fizessem o mesmo. – Agora vamos anunciar os dois representantes da escola esse ano.
— Isso é uma espécie de Rei e Rainha do Baile? – Pergunto pro
Gabe.
— Eles não gostam desse termo, mas é basicamente isso.
— Demorei? – Gabs aparece atrás de mim.
— Onde você se meteu? – Dou um abraço nela.
— Minha mãe ligou e precisei ir onde ela, mas consegui voltar. – Ela sorri e olha pro Gabe. – Você deve ser o Gabe não é? – Ela estende a mão.
— E você é a Gabi, nossos nomes são bem parecidos, que estranho. – Ele sorri tentando parecer simpático.
— E os nossos representantes são... – A conversa foi interrompida quando a professora gritou no microfone. – Iamana Gabriela e Alexandre Snow.
— Como assim nós dois? – Olhei para a Gabs e para o Gabe. – Não é preciso colocar o nome em algum lugar para ser escolhido?
— Não sei como isso funciona, mas vamos ter que encarar. – Gabi sorriu e pegou minha mão e me arrastou para cima do palco.
— Isso é constrangedor. – Mal conseguia ouvir minha voz por conta da gritaria e aplausos dos outros alunos.
Subimos no palco e ficamos de frente para todos naquele salão, era estranho ficar no centro das atenções, vi algumas pessoas cochichando umas com as outras, provavelmente eles não gostaram do resultado, mal eles sabiam que nem eu gostei de ter sido escolhido.
— Fique tranquilo, só precisamos ficar aqui em cima por alguns minutos e depois podemos voltar. – Gabs fala e aperta minha mão.
Dou um sorriso, continuo encarando as pessoas, então tudo acontece, o disparo, o som dos gritos desesperados, a correria e o tiro.
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