Please Be Mine

3 Capítulo 3 - Clare x Jullie


Notas iniciais
Esse capítulo vai ser narrado por Clare, e tudo que será relatado nele vão ser os fatos que ocorreram quando Clare sofreu bullying e foi para a casa.

Eu continuava abalada com tudo que tinha acontecido, meus olhos ainda estavam vermelhos e inchados e eu estava voltando para casa. Dispensei Will, queria voltar para casa sozinha, o que não consegui, pois encontrei Jullie que coincidentemente tomávamos o mesmo caminho para casa.

— Clare, você ta bem?

Ela disse tão compreensivamente que não consegui ignorar e olhei profundamente em seus olhos castanhos que reluziam, sendo banhados pela luz do sol.

— Eu estou bem, não se preocupe tanto comigo... — disse esperando que ela completasse com seu nome.

— Jullie.

Eu olhei para ela e dei um meio sorriso, ela sorriu de volta. Nós seguimos o mesmo caminho em silêncio, eu estava triste porque eu gosto de ser estranha, mas parece que isso importuna as pessoas de uma maneira mais estranha que eu própria. Eu teria que seguir padrões e ser mais uma garota parecida com as outras? Não, com certeza não, mas por que as pessoas são tão cruéis? Por que elas machucam tanto as outras pessoas? Elas têm uma obsessão por isso?

Eu comecei a querer sumir, queria simplesmente deixar de existir nesse mundo. Estava abalada ainda, confusa, triste e todos os meus sentimentos estavam confusos. Tudo ficou tão desordenado dentro de mim mesma, que não aguentei e desabei no chão, chorei, as lágrimas caiam do meu rosto e tocavam o chão.

— Clare!

Eu olhei para Jullie, os raios de sol não me deixavam ver sua expressão direito, ela era apenas um vulto preto que estava a minha frente. Sentia as lágrimas, passeavam pelo meu rosto e desciam, caindo em minha coxa.

— Por que as pessoas são cruéis?

Ela se abaixou ficando na altura dos meus olhos pude observar dentro dos dela, ela se sentia triste por mim. Ela queria me machucar? Por que essa aproximação?

— Não generalize, nem todas são cruéis.

Sua voz era tão doce, eu queria realmente acreditar que existiam pessoas que não se importavam por eu ser estranha, mas estava muito triste.

— Elas querem me machucar... — disse enquanto ela me observava. — Elas só querem me fazer mal!

Ela conseguiu me parar, pôs seu dedo indicador na vertical, cortando meus lábios em dois lados, me fazendo parar de falar. Os lábios de Jullie estavam entreabertos e sua respiração parecia ter mudado. Eu a abracei. Seu corpo era aconchegante e seu abraço, reconfortante, não queria sair desse abraço, poderia durar a eternidade.

Ela me largou e se levantou, estendendo sua mão para mim. Segurei-a, a suavidade da sua pele era sublime, quando me levantei percebi que era uns cinco centímetros mais alta, meu cabelo negro esvoaçou e uma brisa passou, causando um clima até, romântico.

— Clare, você vai fazer algo à tarde?

— Meus pais vão sair, eu vou ficar em casa vendo um filme, ou algo parecido.

Então, ela me perguntou onde eu morava e descobrimos que morávamos muito próximas, marcamos de ver um filme à tarde na minha casa.

Então nós seguimos adiante, ficamos o caminho inteiro caladas, silêncio muito desconfortável. Despedimos-nos no nosso limite, e então fomos para nossas respectivas casas.

Eu estava ansiosa, contei o tempo para que Jullie aparecesse. Já tinha separado o filme, comida e tinha tomado um bom banho, ainda estava envolvida com a toalha quando ela apareceu.

— Clare.

Eu acenei e ofereci um lugar a ela, que se estabeleceu no lado direito do grande sofá marrom da sala, bem em frente da TV e fui vestir uma roupa. Jullie pareceu ter me olhado de cima a baixo enquanto eu estava envolvida na toalha, isso me deixou um pouco vermelha, mas não sei se ela percebeu. Vesti-me e andei em direção a sala, pus o filme que era uma comédia romântica comum, fui à cozinha buscar a tigela de pipoca e me sentei ao lado de Jullie. Ela estava enrolando o cabelo com o dedo indicador, pois o mesmo se encontrava solto, recaindo no ombro direito. Seus olhos estavam vidrados na abertura do filme, então ela não percebeu enquanto eu os admirava, eles eram de um castanho lindo e brilhavam intensamente.

Depois de uns trinta minutos, a pipoca tinha acabado e o filme estava se desenvolvendo, era uma típica história em que o mocinho era cafajeste, muito bem humorado e a mocinha era certinha e eles de inicio se odiavam, depois começaram a fazer coisas juntos, viram que tinham coisas em comum e com certeza se apaixonariam no fim, viveriam feliz para sempre e todas essas coisas que comédias românticas. Logo em seguida, a luz acabou, e ficamos por uns segundos meio desnorteadas esperando algo acontecer, mas percebemos que realmente a luz tinha acabado e interrompido a clichê comédia romântica que estávamos vendo.

— Que merda! — expressei.

Jullie olhou pra mim com um olhar meio chateado, ela também queria ver o fim da clichê comédia romântica, mesmo todo mundo sabendo o fim, porque era previsível.

— Acho que vou embora agora. — disse Jullie, enquanto se levantava.

Eu a impedi fui para frente dela, fazendo-a recuar e pressionei a palma das mãos no sofá, a prendendo ali.

— Fique mais, por favor.

Sua respiração estava intensa, a minha também, ficamos uns segundos na mesma posição, olhando olho no olho, em seguida ela acenou que sim com a cabeça e eu a libertei.

— Vem. — disse enquanto a conduzia até meu quarto. — Bem, aqui é meu quarto.

Meu quarto era uma imensidão branca com detalhes em rosa bebê, tinha uns pôsteres de artistas que eu gostava, e tinha meu maior patrimônio: minha coleção de gatos de pelúcia. Eu amo gatos de pelúcia, são tão fofos, eu amo gatos normais também. Eu me sentia mais à vontade no meu quarto, pedi para ela sentar-se na cama e começamos a conversar sobre grandes bobagens, eu adorava observar ela falando, seus lábios se movendo, seus olhos expressivos e sua voz doce. Ficamos horas falando sobre bobagens, minha amizade com Will, sobre ela, o pôr do sol estava chegando, dava para perceber pela coloração que entrava pela janela.

— Ei, Clare o que é aquilo? — seu dedo apontou para a prateleira com minha coleção de gatos.

— É uma coleção, gatos de pelúcia.

Dirigi-me até lá e peguei o meu preferido: Sr. James. Percebi que meu quarto estava meio bagunçado, havia varias coisas no chão, acabei tropeçando numa delas e caí no chão, desferi um suave grito, não de dor, mas de susto porque foi meio repentino. Caí de costas, mas não machuquei minha cabeça, pois ela repousou num urso que estava no chão. Jullie veio em minha direção, e acabou caindo em cima de mim, nossos rostos ficaram muito juntos, nossa respiração estava mudando. Sempre que estávamos muito próximas, nossa respiração se intensificava, eu sentia as correntes de ar saindo de Jullie e batendo suavemente no meu rosto, tudo tinha ficado mágico, o fundo laranja do pôr do sol completava o cenário perfeito. Ela fechou seus olhos, meu coração ficou mais acelerado do que já estava quando caímos, eu fechei meus olhos também e fiquei lá, parada, senti os lábios dela sob os meus, senti o calor de suas mãos e a suavidade do seu toque sob meu rosto, sua língua invadindo minha boca. Minha mão estava em volta do meu abdômen segurando Sr. James e a outra estava com os dedos entrelaçados nos cabelos de Jullie, nós ficamos nos beijando por minutos.

A tarde ia se esvaindo assim como o alaranjado pôr do sol, a noite aos poucos ia se instaurando, se impondo, eu estava deitada no colo de Jullie, ela acariciando meus cabelos e nós assistindo o resto do filme, pois a luz havia voltado. E como o casal do filme, nos beijamos e curtimos o inicio da noite ali, falando bobagens e trocando carícias. Um tempo depois ela foi embora e eu fiquei lá, processando os pensamentos, e lembrando do seu toque, do seu beijo e da suavidade de sua voz.

Esses pensamentos me guiaram durante a noite, meu devaneio estava sublime, até Will me ligar.

— Clare, eu beijei ele... — disse ele, desesperado.

— Ele? Ele quem? Alex!?

— Ele mesmo!

— Isso não seria bom? Por que sua voz está tão aflita?

— Ele fugiu de mim, eu o beijei, ele fugiu de mim. — seu desespero parecia ter aumentado.

— Calma você o beijou do nada e ele fugiu?

— Sim.

— Ele gosta de garotos? Como ele reagiu ao beijo?

— Eu não sei, ele retribuiu, foi mágico, mas ele fugiu!

— Calma, seria melhor você falar com ele amanhã, se acalma.

— Tá, é melhor mesmo. — sua voz ainda estava aflita.

— Então, dorme e amanhã fala com ele, e pergunta. — disse eu. — Se cuida.

Ele não respondeu, apenas desligou, eu dormi feliz pelo que tinha acontecido e ao mesmo tempo triste pelo Will.