Please Be Mine

14 Capítulo 14 - O passado volta com tudo


Estava pensando em tudo que tivera ocorrido na noite anterior. Os toques, as carícias, os movimentos, o sexo em si. Foi mágico, sublime, romântico, fofo; seria difícil expressar em adjetivos o que foi nossa primeira vez.

— Bom dia amor. — sussurrou Alex no meu ouvido. — Dormiu bem?

Assenti e sorri. Nós tínhamos dormido de conchinha. Seu corpo estava me aquecendo, a suavidade de sua pele encostando-se à minha e a temperatura sendo trocada entre os corpos deitados bem próximos era tentadoramente aconchegante, não queria sair dessa posição.

Virei lentamente e foquei olhar bem dentro daqueles olhos expressivos. Olhos expressivos que transbordavam felicidade, amor e ternura. Eles quase brilhavam naquele momento.

Peguei meu celular, enquanto Alex beijava meu pescoço fazendo meu corpo irromper em arrepios. Tinham algumas mensagens de Clare, umas da minha mãe e um que me chamou muito a atenção: uma mensagem de um número desconhecido. Não tinha a mínima ideia que quem seria o número. Na mensagem tinha escrito:

“Vc acha q pode se livrar das pessoas qndo qr?”

Fiquei intrigado. Um pensamento vago veio a minha cabeça, mas ele era confuso e incompleto; minha mente atordoada não conseguiu decifrar o vago devaneio. Parecia uma ameaça, mas de quem? Pensei primeiramente em Lana. Mas mesmo Lana não teria motivo para enviar isso em uma mensagem, e se ela tivesse um surto, enviaria isso para Alex e não para mim. Se bem que poderia ser proposital enviar uma mensagem para mim, para que eu a mostrasse para Alex, que eu definitivamente não ia fazer isso, era possivelmente o que ela planejara.

— Amor? — Alex partiu minha linha de pensamento. — Aconteceu algo?

Virei para ele e percebi em seu rosto uma leve expressão de preocupação.

— Não. — respondi rapidamente enquanto repousava o celular na cômoda ao lado da cama. — Nada de importante.

Ele visivelmente não acreditou em mim, mas respeitou minha decisão sobre mentir. Aquilo me assustou um pouco. Será que ele tentaria tirar essa informação de mim? Sutilmente? Não tinha a mínima ideia, minha cabeça confusa, ultimamente se encontrava num ápice de confusão, preocupação. Os doces lábios dele me faziam entrar em inércia temporária e me livrar disso, seu toque fazia com que meu corpo despertasse enquanto a mente jazia parada.

Meu corpo se encontrava um pouco dolorido da noite anterior. Levantei-me e fui tomar banho. Minha mente ficou mais fluída conforme a água fria percorria meu corpo e se esvaia no chão, ela parecia lavar minhas preocupações e empurrá-las para o ralo.

Acabei por tomar café da manhã na casa do Alex, outra surpresa: ele cozinhava muito bem. Nossos olhares ficavam se encontrando no silêncio daquela mesa, seus olhos expressivos eram tentadores e convidativos; minha real vontade era de subir naquela mesa e o agarrar do outro lado. Seus olhos não eram as únicas fontes de tentação daquele garoto: seus lábios eram ainda mais. Os lábios que eu beijo; os traços curvilíneos perfeitos daqueles lábios.

Acabei por ficar ali, na casa dele o dia inteiro. Trocamos carinhos e ficamos juntinhos, deitados no sofá. Conversando, assistindo, nos beijando, nos aquecendo naquela tarde em que a temperatura tendia a descer e causar uma doce sensação térmica gélida. Ele acariciava meu cabelo e me olhava com um sorriso bobo na face, eu apenas me deixava ele me tocar.

Estava anoitecendo quando cheguei em casa. Minha mãe sorriu ao perceber minha felicidade extrema estampada em meu sorriso de orelha a orelha, eu não conseguia escondê-la nem se quisesse isso.

— Me conta, o que aconteceu? — perguntou Clare, no dia seguine, enquanto organizávamos os detalhes do projeto escolar. — Como foi?

— Foi mágico. — respondi com um olhar e sorriso vazio e distante, minha cabeça recordava cenas daquela noite. — Muito mágico.

Ela sorriu e voltou a separar as tarefas para as pessoas. O sorriso dela reluzia, ela estava recordando algo bom pelo jeito, conheço Clare como a palma da minha mão. Seu cabelo negro estava preso em um rabo de cavalo, uma pequena mecha ficava decaindo no rosto; ela afastava a mecha com seu dedo a repousava atrás da orelha enquanto sorria e anotava na prancheta que jazia em sua mão.

Passamos uma boa do dia organizando tudo, preparando os últimos detalhes. Quando tínhamos realmente acabado fui conferir meu celular, que tinha deixado de lado para que não tirasse minha concentração do foco principal. Quatro mensagens ao total: Alex — perguntando se eu estaria livre a noite —, duas da vice-líder — explicando o motivo da falta para organização dos detalhes — e uma do mesmo número desconhecido de ontem.

“As vezes o passado volta para nós, de uma maneira inesperada
e repentina. Tenha um ótimo dia :D
”

Aquilo estava me deixando confuso e até um pouco assustado. Quem estaria me enviando essa mensagem? Fiquei tentado a responder a mensagem, exigindo que a pessoa mostre sua face e especificamente quem ela é; mas não, era exatamente isso que ela ou ele queria: que eu me preocupasse e ficasse louco para descobrir tudo. Apenas ignorei a mensagem, ou pelo menos, tentei fazer isso. Ela me perseguia mentalmente, era chato não poder aproveitar minha noite com Alex porque a mensagem tinha fixado profundamente em minha mente, a ponto de ser insuportável apenas imaginar, apenas permanecer por meio segundo com aquilo na cabeça me deixava desconcentrado e irritado.

— Amor, você ta bem? — ele perguntou com aqueles olhos expressivos preenchidos por um mesmo sentimento: preocupação.

— Eu to bem sim. — tentei disfarçar com um sorriso. — Por que a pergunta?

Antes de responder seus olhos pareciam penetrar minha mente e desnudar-me, eles afundavam e buscavam respostas que escapassem dos meus olhos assustados e falsos.

— Você parece desconfortável. — respondeu ele diretamente.

— É impressão sua! — continuei entusiasmado. — Amor, vamos nos curtir agora e esquecer essas impressões erradas. — completei, deixando escapar tudo e estragando minha barreira até aquele momento intransponível de mentira.

— Amor — iniciou com um suspiro e um tom de voz sério. — se tem algo que te preocupa, pode me falar.

Seu olhar direto e penetrante não me permitiria mentir uma vez mais, então comecei a falar sobre tudo o que estava acontecendo comigo, regurgitei cada mensagem estranha que havia recebido. Tudo isso seguido por seu olhar pensativo.

— Então é isso. — encerrei, logo em seguida desviei do seu olhar que me deixara sem defesas.

— Toma cuidado com essas mensagens, não são mensagens normais. — alertou o óbvio. — Tem toda a certeza de que não conhece esse número? Já perguntou para Clare se ela conhece? Sei que vocês tem alguns amigos ou conhecidos em comum.

Ele estava certo, talvez falar com Clare fosse a melhor decisão a se tomar nessa situação. Ela provavelmente conheceria o número e nós poderíamos esclarecer isso direito.

— Não conheço não. — disse Clare. — Não mesmo.

Minha preocupação agora estava ainda mais elevada. Quem poderia ser? Isso me matava por dentro. Por dias esperei novas mensagens do remetente desconhecido e inconveniente, mas nada aconteceu. Dias se passaram e ainda assim, nenhuma mensagem do número desconhecido apareceu em meu celular. Isso me deixava meio consternado e ainda mais apreensivo.

Agora Clare e Alex estavam preocupados comigo, sabia que tinha que resolver esse problema das mensagens de algum jeito, mas não conseguia imaginar qual maneira poderia me ajudar a chegar a isso.

Num dia de sol, estava no parque deitado no colo do Alex. Estávamos falando sobre viajar juntos ou algo do tipo. Nossa conversa estava muito interessante, traçamos planos para passarmos uns dias sozinhos, aquilo era realmente instigante. Mas o assunto foi estilhaçado pelo toque de mensagem do meu celular, um clima silencioso instaurou-se no local, enquanto eu conferia a mensagem.

“Sentiu minha falta?
Curioso sobre minha identidade?
Desconfia de alguém? Suas dúvidas podem ser resolvidas.
A vida cresce confinada, em redomas transparentes
Bela vida, coloridas formas.
Quando a estrela estiver esfriando
Estarei lá.”

Não me surpreendia o fato da mensagem ser do número desconhecido, mas o que ele quis dizer com: “A vida cresce confinada, em redomas transparentes. Bela vida, coloridas formas”? Algo até então indecifrável para mim, estava com a mente muito cheia para tentar solucionar essa charada.

Mostrei a mensagem para Alex, ele ficou com um rosto bem pensativo, parecia ponderar sobre a charada. Passamos um tempo ali, parados, olhando um para o outro até que ele se pronunciou:

— A estufa. — concluiu entusiasmado. — A estufa que fica aqui perto. — Fazia todo sentido. A estufa se encaixava exatamente nas descrições contidas nas mensagens. — E a parte sobre o a estrela, se refere ao entardecer.

Dois pontos para Alex. Ele raciocinou muito bem sobre a charada. Então essa pessoa queria me encontrar na estufa ao entardecer? Será que deveria ir. Pedi opinião ao Alex. Ele pensou um pouco e deduziu que eu deveria ir, mas com ele, ele por perto poderia me ajudar se fosse algo grave, ou coisa do tipo. Esperamos um pouco e fomos para lá.

A estufa era linda, suas grandes redomas de vidro abrigavam uma grande quantidade de flores. Flores de todos os tipos, mas eu não estava aqui pelas flores, e sim para descobrir a identidade do inconveniente escritor de mensagens esquisitas. Fiquei andando por um tempo, a estufa tinha um tamanho considerável. Alex sempre estava perto de mim, me dando forças para continuar buscando.

— Dave. — uma voz que reconheci me chamou.

Virei minha cabeça, procurando o local de onde ela veio. Em meio as orquídeas, uma aparência familiar, um pouco mais crescida, mas mesmo assim familiar. Minha garganta secou, meus olhos ficaram bem abertos em espanto e minha boca parecia não querer fechar; em meio a todos esses contratempos consegui proferir um som quase inaudível:

— Samuel.