Player

20 Capítulo 19


Notas iniciais
Oi gente, bom.. houveram alguns pedidos para que eu não desistisse de Player, eu gostaria de agradecer a todo mundo que apoiou a continuação da minha historia, fiquei muito feliz com todos os comentários e sei que, em questão quantitativa, eles não equivalem nem a metade dos leitores que a historia tem, mas em questão qualitativa eu tenho que dizer que valem mais que ouro! Devido a isso revolvi continuar, bom ai está mais um capitulo. Eu realmente espero que vocês possam comentar e recomendar, caso a historia mereça a recomendação de vocês. Eu não quero ficar pedindo coisas, eu quero que a historia mereça! Mas caso ela não seja boa o suficiente eu quero saber o que falta nela, o que devo melhorar.. quero opiniões. Sei que sou uma humilde escritora, tem gente muito boa por aqui.. historias muito melhores que a minha e eu realmente gostaria de melhorar. Bom, é isso.. e pra quem achou que iria rolar uma cena hot tenho que dizer que está bem enganado, de cena de romance virou cena de terror. Aproveitem, beijos OBS: Logo responderei TODOS os comentários, hoje tive um dia intenso de trabalho e não pude responder antes.

Austin

Eu sabia que deveria procurar o escritório do Lester para implantar a escuta que meu pai havia me dado, e não por que eu queria voltar ao plano original, mas por que eu precisava descobrir todas as verdades. De qualquer forma eu não tinha cabeça pra isso agora, não quando eu teria a chance de ter uma noite com Ally, e mesmo que não acontecesse nada entre nós eu ainda assim acharia fascinante tê-la do meu lado. Inventaria uma desculpa depois a meu pai, pois após o convite do próprio senhor Lester agora tenho mais chances de conseguir voltar aqui para descobrir tudo que for possível. Suspirei pesadamente antes de fechar a porta e me virar para contemplar o quarto que tinha entrado.

– Não era bem você que eu estava esperando. – uma voz masculina chamou minha atenção, a escuridão do quarto não me deixava enxergar muita coisa, mas vi um vulto. Imediatamente tateei a parede em busca do interruptor e liguei as luzes, o que vi me assustou.

– Quem é você? – perguntei, minhas sobrancelhas arqueadas. Se tratava de um cara alto e branquelo, seus olhos azuis eram bem evidentes. Uma expressão fria adornava seu rosto.

Ele gargalhou como se eu tivesse acabado de contar uma piada, mas que droga era aquela?

– Responda de uma vez seu babaca, o que você tá fazendo no quarto de Ally? – perguntei novamente sentindo meus nervos aflorarem, o que outro cara estaria fazendo aqui? Ele deu um sorrisinho lateral e notei que segurava algo em suas mãos.

Era uma... uma calcinha? Arregalei meus olhos, o que diabos ele estava fazendo com uma peça intima que supostamente seria de Ally? Talvez fosse um maluco que teria invadido a festa, eu estava prestes a sair para buscar os seguranças quando ele falou.

– É bem verdade que fui impedido de entrar aqui nessa casa, mas eu voltei e agora quero o que é meu. – me disse, arqueei minha sobrancelha.

– Olha cara, é melhor você sair.. por que aqui não tem nada seu. – rosnei pra ele, contendo minha fúria.

De repente um grito ecoou pelo quarto, um grito fino e assustado. Me virei rapidamente para constatar uma pequena figura chocada, suas mãos na boca em completo horror. Ela passou por mim correndo, eu nem ao menos tive tempo de reagir, ela o acertou com alguns tapas e um pequeno chute.

– Quietinha. Sabe que odeio isso. – o cara disse tão frio quanto gelo, ele agora segurava os pulsos de Ally, trazendo-a para si e imobilizando-a. Senti meu sangue esquentar por todo o corpo.

Parti pra cima dele puxando Ally para trás, ela correu porta a fora, provavelmente indo buscar ajuda. Eu não perdi tempo e o golpeei com um soco no rosto, ele cambaleou e eu aproveitei seu momento de vulnerabilidade e o soquei novamente, empurrei seu corpo na parede com um baque surdo, ele caiu no chão com o nariz sangrando. Eu estava prestes a chuta-lo, mas mãos fortes me puxaram, me segurando firmemente. Minha fúria estava incontrolável, eu me debatia relutante, eu queria acabar com aquele desgraçado.

– Se acalme garoto. – a voz da pessoa que me segurava disse, tentei relaxar aos poucos quando notei que era um dos seguranças da mansão. O outro tentou pegar o cara que eu tinha acabado de socar, mas ele se esquivou dando alguns saltos habilidosos e indo parar direto na janela, saltando para a noite escura logo em seguida, ele fugiu.

– O Sr. Dawson vai ficar furioso quando souber que aquele delinquente fugiu. – o segurança que agora me soltava resmungou para o outro. Eu os olhei ainda sem entender nada, procurei por Ally e ela estava ali no cantinho do quarto completamente imóvel, assistindo a tudo.

– Ally? – pronunciei seu nome delicadamente enquanto me aproximava dela, achei que me empurraria ou algo do tipo, pois seu rosto estava marcado pelo medo, mas ela me surpreendeu com um abraço apertado.

– O que houve meu amor? – perguntei em seu ouvido enquanto alisava devagar seus cabelos chocolates que caiam em cascatas, seu choro eclodia baixinho pelo ambiente.

– Era ele. – disse devagar, quase num sussurro.

– Srta. Dawson, nos acompanhe até a sala do seu pai. Nós já o informamos o que aconteceu. –um dos seguranças se pronunciou enquanto guardava seu walk-talk no bolso da calça.

– Vamos Ally, vamos. – disse enquanto a erguia em meus braços, seu corpo estava mole, ela mal conseguia ficar em pé tamanho era seu choque pela situação ocorrida.

Nos caminhamos até a sala do senhor Lester, seu vestido vermelho caindo como uma cortina sob meu corpo, eu puxei um pouco do tecido para cobrir sua perna que ficava a mostra por conta da fenda lateral, ela estava em meus braços. Mas eu não pude deixar de pensar que eu conheceria o escritório muito antes do que eu imaginava, que ironia.

– Não vá. – Ally sussurrou ainda em meus braços, olhei para seu corpo frágil e sorri com compaixão.

– Eu não vou sair de perto de você, ouviu? Me abrace, eu te protejo. – ela me olhou com as lindas orbes brilhantes, balançou sua cabeça e se aconchegou mais em meu peito.

...

– Como isso foi possível? Eu não admito falhas entre aqueles que trabalham para mim, vocês foram contratados para fornecerem segurança à minha família, e no entanto Ally poderia ter sido vítima daquele miserável! – O senhor Lester discutia e brigava com os seguranças, ele estava firme e seus olhos algumas vezes paravam em mim e em Ally adormecida em meus braços.

Estávamos em seu escritório dentro da mansão, ficava escondido no final do corredor de um terceiro andar, a festa ainda rolava a todo vapor no térreo. Os seguranças contratados por ele estavam em frente à sua mesa e ambos ouviam atentamente a reclamação de seu patrão, que se encontrava sentado em sua imponente cadeira acolchoada. O ambiente era adornado com muitos quadros, esculturas e inúmeros armários. Alguns livros descansavam nas estantes espalhadas pela sala bem iluminada e decorada. Eu estava observando e absorvendo tudo que podia enquanto segurava Ally em meu colo, meu corpo descansado em um pequeno sofá que ficava encostado na parede.

– Foi um acidente senhor, prometemos que isso não irá acontecer mais. – um deles se pronunciou num baixo pedido de desculpas.

– Tudo bem, tudo bem. – O senhor Lester disse enquanto fechava seus olhos e massageava suas têmporas numa atitude tensa e nervosa.

– Agora quero que me deixem a sós com o jovem ali e minha filha, façam uma nova formação na equipe de segurança para que possamos ao menors dormir tranquilamente essa noite. Amanhã tomarei uma providencia, e não deixem nada transparecer para os convidados e para a imprensa lá embaixo. – ordenou e assim os homens assentiram e saíram do aposento, voltei meus olhos para o pai da garota adormecida, eu queria que ele me explicasse exatamente quem era aquele cara dos frios olhos azuis.

Um momento de silêncio se fez no ambiente e eu continuei esperando que ele tomasse a iniciativa da conversa, ele parecia perdido em meio a situação, sua mente vagando em alguma coisa.

– Austin, certo? – disse finalmente, seu timbre rouco e grosso por conta da idade, cortando o ar.

–Sim, senhor. – respondi calmamente, Ally ainda dormia e ele havia percebido.

– Primeiro quero te agradecer, se não fosse por você a minha Ally... – ele pausou, sua cara estava horrorizada. — Ela poderia ter se machucado e eu jamais me perdoaria, principalmente se isso acontecesse em minha própria casa, o lugar que eu sempre julguei que nada aconteceria a ela, pois eu zelei todos os dias por sua segurança e bem estar.

– Aquele moleque, delinquente! Ele passou dos limites e essa não é a primeira vez, eu achava que com o mandato judicial ele se afastaria, mas não.. – suspirou pesadamente, minha cabeça dando um nó.

– Quem é ele? Diga de uma vez Senhor Dawson. – exigi tentando manter meu tom calmo, ele me olhou por um instante.

– O nome dele é Erick, Erick Velmon. É tudo muito complicado... – parou novamente, eu estava começando a entrar em colapso, mas que droga! Por que ele não falava de uma vez?

– Acho que já estou envolvido o suficiente para ter o direito de saber. – disse, minha voz soando mais rude do que eu gostaria, mas ele não demonstrou irritação.

– Pois bem, ele e minha filha foram namorados a quase 1 ano atrás, mas com o passar do tempo ele adquiriu comportamentos estranhos em determinadas situações, era ciumento e possessivo com ela em locais públicos e quando ela estava com alguns dos amigos dela. Tudo isso, claro, me preocupou e eu tentei alerta-la e então Ally me confessou que havia tentando terminar o relacionamento, mas que ele tinha ameaçado... mata-la. – sua voz tremeu, seus dedos tamborilavam de forma nervosa na mesa, engoli em seco. – Então eu convoquei a polícia e conseguimos uma ordem judicial para que ele se mantivesse afastado dela, não poderia chegar a menos de 50 metros. Algumas vezes meus seguranças o pegaram seguindo-a na volta da faculdade, mas eu redobrei os cuidados na mansão e nada nunca aconteceu, eu não poderia alertar a polícia sobre essa aproximação, pois ele estava mantendo a distância permitida. Ela... ela era apaixonada por ele, sabe? No começo tudo era lindo, mas ele se transformou com o tempo.. ela estava tão assustada.

Suas mãos apoiaram sua cabeça grisalha, seus cotovelos na mesa. Agora ele não parecia alguém ruim pra mim e eu quase me bati por esse pensamento, ele havia tirado minha mãe e mentido para Ally toda a vida, isso era ruim o suficiente para transforma-lo num monstro, mas agora, vendo-o assim eu não conseguia entender. Mas de qualquer forma ele amava Ally, não amava? Então, claro que ficaria transtornado com o ocorrido recente envolvendo o famoso Erick.

De repente algo passou pela minha cabeça, uma conversa antiga com Kira.

FLASHBACK ON

– Você é um imbecil, acha que pode tudo não é? Pois fique você sabendo que aquela garota ali é mais ferrada que tudo, está metido numa furada, mas não sou eu quem vai te dizer. Depois pergunte a ela quem é Erick. – ela disse empinando seu nariz nem um pouco arrebitado, me deixando um tanto desconcertado, afinal de contas... quem era Erick?

– Do que está falando? – disse segurando seu pulso. Ela riu em alto e bom som.

– Que se dane. – disse enquanto me empurrava e saia soltando fumaça pelo nariz.

FLASHBACK OFF

Mas se Kira sabia, então algo de muito grave teria acontecido para que essa informação tivesse chegado até ela. Eu iria perguntar, eu queria saber tudo sobre o maldito, mesmo que a grande repulsa que crescia como fogo em meu peito me fizesse não querer ouvir mais nada. Ele jamais se aproximaria de Ally novamente, eu não permitiria.

No entanto antes que eu pudesse abrir minha boca o senhor Dawson voltou a falar.

– Ele causou tantos danos a ela, criava situações e cenas absurdas em público. Ciúmes, controle absoluto.. ele a proibia de fazer algumas coisas, gritava com ela. Cassidy foi umas das poucas amigas que não se afastaram, as outras tiveram medo do namorado possessivo de Ally.

– Ele... ele a batia? – perguntei num fio de voz, eu não sabia se aguentaria ouvir se a resposta fosse positiva, inconscientemente apertei mais a frágil garota que ainda dormia em meus braços, deveria estar exausta emocionalmente.

– Eu não sei, nunca notei marcas em Ally, mas ela poderia estar escondendo com suas roupas para que eu não soubesse. – me respondeu tão baixo, com tanta repulsa e horror que eu quase consegui sentir seus sentimentos de pai.

– Olha garoto, eu realmente gostaria de te agradecer. Você deu uma boa surra nele pelo que eu soube, não que eu seja a favor da violência, mas como pai eu gostaria de ter podido acabar com aquele marginal por todo o mal que ele causou a minha filha, foram tantos. Eu nem acreditei quando ela apareceu aqui com você, tenho que admitir que parte de mim suspirou aliviado, pois achei que ela nunca mais iria ser uma garota normal de novo. – me confessou, meu peito inflou.

Meus sentimentos se colidiam causando emoções distintas dentro de mim, toda aquela resistência comigo... Ela na verdade tinha um motivo importante para não querer se envolver com ninguém, ela tinha medo! E então abriu uma brecha pra mim, ela me deixou entrar.. ela confiou em mim e eu nunca passei de um imbecil aproveitador. Eu queria dizer que ele não deveria me agradecer, que eu não valia nada, que ela não merecia que alguém como eu tivesse se apaixonado por ela... apaixonado? Eu... eu... olhei mais uma vez para sua face de anjo, eu não poderia negar.. eu amava aquela menina, ela era pura e inocente, era tudo que eu jamais poderia oferecer a ela, nada que viesse de mim seria bom o bastante.

– Austin? – ele me chamou, eu estava perdido em pensamentos.

– Sim.. eu... não sei o que dizer senhor, apenas quero que saiba que a protegerei. – prometi, era o que eu devia a ela, era o que eu tinha que fazer depois de ter sido um canalha todo o tempo.

Como eu poderia achar que uma pessoa tão frágil e pura como ela poderia ser culpada por qualquer coisa que meu pai tenha falado? Por qualquer motivo que fosse Ally não tinha nada a ver, ela não tinha que pagar pelos erros dos outros. Era bem verdade que eu apenas queria desvendar toda essa história que rondava os nossos parentes, eu já havia desistido de prejudicar sua família, mas minhas mentiras e meu envolvimento iriam mata-la quando ela soubesse da verdade, sim, por que uma hora tudo iria vir à tona.

Notas finais
COMENTEM, RECOMENDEM! não sejam más comigo :(