Playboy Irresistivel

3 Capítulo 2- Tentação


Agarrei a taça de champanhe das mãos do meu pai e tomei de um gole

só.

Eu não precisava que Kentin falasse de novo. Castiel Morrison era o melhor

amigo do meu irmão na faculdade, foi ex-estagiário do meu pai e objeto de

todas as minhas fantasias adolescentes. Enquanto eu sempre fui a

irmãzinha nerd e amigável, Castiel era o gênio bad boy de sorriso maroto,

piercing na orelha e olhos azuis que pareciam hipnotizar todas as garotas

que ele conhecia.

Quando eu tinha doze anos, Castiel estava com dezenove. Nessa época, ele

nos visitou com Kentin durante alguns dias no Natal. Ele tinha um visual

desleixado, mas mesmo assim delicioso, e passou todo o feriado tocando

baixo no porão com Kentin e flertando com minha irmã mais velha, Rosalye.

Quando eu tinha dezesseis anos, ele já era recém-formado e trabalhou com

meu pai durante o verão. Ele exalava um carisma tão brutalmente sexual

que eu acabei dando minha virgindade para um garoto qualquer da minha

classe apenas para tentar aliviar o desejo que eu sentia só de ficar perto

de Castiel.

Eu tinha quase certeza que minha irmã o beijou – e Castiel era velho

demais para mim, de qualquer maneira –, mas lá no fundo do meu coração

eu admitia que Castiel Morrison foi o primeiro garoto que eu senti vontade de

beijar, e foi o primeiro garoto que quis pensar nele no meio da escuridão do meu quarto.

Pensando naquele sorriso safado e naquele cabelo que teimava em cair

sobre seu olho direito.

Pensando em seus braços musculosos e na pele morena e macia.

Pensando em seus longos dedos e até em sua pequena cicatriz no

Enquanto os garotos da minha idade soavam todos iguais, a voz de Castiel

era grave e discreta. Seus olhos eram pacientes e sábios. Suas mãos nunca

se mostravam inseguras e trêmulas; geralmente ficavam descansando em

seus bolsos. Castiel lambia os lábios quando observava as garotas, e fazia

comentários discretos e conhecedores sobre peitos, pernas e línguas.

Pisquei de volta à realidade e olhei para Kentin. Eu não tinha mais

dezesseis anos. Eu tinha vinte e quatro, e Castiel tinha trinta e um. A última

vez que o vi foi há quatro anos, no casamento de Kentin, e seu

sorriso carismático estava ainda mais intenso e enlouquecedor. Lembro de

observá-lo fascinada enquanto ele escapava para dentro de um closet com

duas damas de honra da minha cunhada.

Ligue para ele – Kentin implorou, tirando-me de minhas lembranças. –

Ele equilibra bem o trabalho e a vida social. Ele mora aqui e é um cara

legal. Apenas… saia um pouco, certo? Ele vai cuidar de você.

Tentei reprimir a excitação que vibrou por minha pele quando meu

irmão mais velho disse isso. Eu não sabia exatamente como eu queria que

Castiel cuidasse de mim: apenas como o amigo do meu irmão, ajudando a

equilibrar minha vida? Ou eu queria ter um olhar adulto sobre o homem por quem fui apaixonada na minha adolescência?

– Ariel – meu pai insistiu. – Você ouviu o que seu irmão disse?

Uma garçonete passou com uma badeja repleta de taças de champanhe,

e eu troquei a minha taça vazia por uma cheia do precioso líquido

– Eu ouvi. Certo, não vou mais discutir. Vou ligar para o Castiel.

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Uma chamada. Duas.

Parei de andar em círculos apenas o suficiente para abrir uma fresta da

cortina e olhar pela janela. Franzi a testa quando vi o céu ainda escuro,

mas pensei que estava mais para azul-escuro do que para cinza,

começando a mostrar tons de rosa e púrpura no horizonte. Ou seja,

tecnicamente, já era de manhã.

Três dias se passaram desde o sermão de Kentin e, consequentemente,

essa era minha terceira tentativa de ligar para Castiel. Mas mesmo eu não

tendo ideia do que iria falar – nem mesmo do que meu irmão esperava que

eu falasse –, quanto mais eu pensava nisso, mais percebia que Ken estava

certo: eu nunca saía do laboratório. O conteúdo da minha geladeira era

salada, sobras de comida chinesa e comida congelada. Toda a minha vida

até esse ponto girava em torno de acabar a faculdade e me lançar numa

perfeita carreira como cientista. Foi um chamado para a realidade

perceber o quão pouco eu tinha fora desse círculo.

Aparentemente, minha família percebeu isso primeiro, e por algum

motivo eles pensavam que a solução para me salvar da solteirice era o Castiel.

Quanto a mim, estava menos confiante nessa solução. Muito menos.

Admito que nossa história juntos era bem pequena, e era totalmente

possível que ele nem se lembrasse mais de mim. Eu era a pequena

irmãzinha, apenas um pano de fundo para suas muitas aventuras com

Kentin e seu breve caso com minha irmã. E agora eu estava ligando para

ele para… o quê? Me levar para sair? Jogar Banco Imobiliário? Me ensinar

como…

...

Eu nem conseguia terminar esse pensamento.

Pensei em desligar. Pensei em voltar para a cama e dizer para meu

irmão ir se ferrar e parar de me encher. Mas no meio da quarta chamada,

e apertando o telefone com minha mão já embranquecida, Castiel atendeu.

– Alô? – sua voz era exatamente como eu me lembrava, encorpada e

profunda, mas ainda mais grave. – Alô? – ele repetiu.

– Castiel?

Ele respirou fundo, e eu ouvi um sorriso se estender por sua voz quando

ele falou meu apelido:

– Zigs? Eu tive que rir; é claro que ele se lembraria de mim desse jeito. Apenas

minha família ainda me chamava assim. Ninguém sabia o que o nome

significava – em retrospecto, eles deram poder demais ao Alexy, que tinha

apenas dois anos quando escolheu o apelido da sua irmãzinha recém nascida.

– Pois é. É a Ariel. Como você sabia…?

– Eu falei com Kentin ontem. Ele me contou tudo sobre a visita e o sermão que ele deu em você. E também mencionou que você talvez ligasse para mim.

– Bom, aí está – eu disse, boba de tudo.

Ouvi um gemido e o farfalhar de lençóis. Eu absolutamente não tentei

imaginar o tipo de nudez que estava do outro lado da linha. Mas o nó em

meu estômago subiu direto para minha garganta quando a ficha caiu: ele

parecia cansado porque estava dormindo. Certo, então acho que

tecnicamente ainda não era de manhã.

Dei outra olhada pela janela.

– Eu não acordei você, não é?

Eu nem tinha olhado para o relógio ainda, e agora estava com medo de

– Tudo bem. Meu alarme está prestes a tocar, de qualquer maneira… –

ele fez uma pausa e bocejou. – … daqui a uma hora.

Segurei um gemido de mortificação.

– Desculpe. Acho que eu estava um pouco… ansiosa.

– Não, não, tudo bem. Não acredito que esqueci que você agora mora

aqui na cidade. E ouvi dizer que você se enfurnou num laboratório nos

últimos três anos.

Meu estômago se revirou um pouco ao ouvir a maneira como sua voz

ficou mais rouca ao me provocar.

– Pelo jeito você está do lado de Kentin.

Seu tom de voz suavizou.

– Ele só está preocupado com você. Sendo seu irmão mais velho, esse é o

trabalho favorito dele.

– É o que dizem…

Voltei a andar em círculos pelo quarto, precisando fazer alguma coisa

para conter meu nervosismo. Adorei ele ter notado esse lado de Kentin.

– Eu deveria ter ligado antes…

– Eu também.

Ele se ajeitou e pareceu ter se sentado. Ouvi seu gemido quando se

espreguiçou e fechei meus olhos. Respire pelo nariz, Ariel. Fique calma.

– Você quer fazer alguma coisa hoje? – eu falei de uma vez só. E a minha

calma foi para o espaço.

Ele hesitou, e eu quase dei um soco em mim mesma por não ter pensado

que ele poderia ter outras coisas para fazer. Como trabalho. E depois do

trabalho, talvez tivesse planos para sair com uma namorada. Ou uma

esposa. De repente, fiquei congelada esperando ouvir qualquer som que

quebrasse aquele silêncio.

Após uma eternidade, ele perguntou:

– O que você tem em mente?

Pergunta difícil.

– Jantar?

Castiel fez uma pausa que durou vários e dolorosos segundos.

– Humm, eu tenho uma reunião até tarde hoje. Que tal amanhã?

– Tenho laboratório. Marquei uma maratona de dezoito horas com umas

células que estão crescendo superlentamente e vou me matar se eu

estragar tudo e tiver que começar de novo.

– Dezoito horas? Isso é um dia bem longo, Zigs.

– Eu sei.

Ele pensou um pouco antes de perguntar:

– Que horas você precisa chegar lá agora de manhã?

– Mais tarde – eu disse, olhando para o relógio e estremecendo. Eram

apenas seis horas. – Lá pelas dez.

– Você quer ir até o parque comigo para correr?

– Você corre? – perguntei. – Tipo, de propósito?

– Sim – ele disse, praticamente rindo. – Não como se estivesse fugindo de

algo, mas, você sabe, como se estivesse me exercitando.

Fechei meus olhos com força, com um familiar sentimento de obrigação,

como se fosse um desafio ou uma tarefa idiota da escola. Maldito Kentin.

– Quando?

– Daqui meia hora?

Olhei novamente pela janela. O sol mal estava nascendo. Tinha neve na

rua. É hora de mudança, lembrei a mim mesma. E com isso, fechei os olhos

e disse:

– Mande uma mensagem com o lugar. Eu te encontro lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.