Platinum Berlitz nunca foi de agir muito. Desde criança, criada dentro de casa lendo dez livros por dia, teve tempo mais que suficiente para desenvolver seu intelecto. Mas sempre soube que a falta de ação não era nem de longe saudável.

Se encontrar com Diamond e Pearl talvez tenha sido a faísca que faltava para que visse que a vida que levava era errada em vários níveis. Sempre mimada, apesar de ser inteligente ao extremo, havia sido desesperador enfrentar riscos tão sérios quanto os que tivera que enfrentar.

Se separar dos dois amigos na primeira vez havia sido uma necessidade, uma ordem maior, e agora sabia que aquilo a fortalecera. Se havia sido sua inteligência que atraíra sua busca até Uxie, nunca mais criticaria seu passado.

No entanto, após ver aqueles dois majestosos dragões lendários serem levados para dentro da fenda no céu criada por si mesmos, com o (talvez) bônus de levarem Cyrus consigo, soube que não tinha crescido o bastante.

E a prova daquilo estava ali, em sua segunda despedida com Diamond e Pearl. Não queria deixá-los de novo, e nem mesmo de tocara daquilo até sentir uma lágrima quente escorrer por sua bochecha e Pearl se aproximar para limpá-la.

Respirar fundo não adiantou, na verdade, piorou seu estado ao liberar em definitivo a torrente de lágrimas que segurava desde que deixaram os líderes de ginásio no hospital.

Via o olhar dos amigos sobre si, e sentia o quão eles não sabiam o que fazer.

Estavam se separando, mais uma vez, e Platinum temia não mais encontrá-los. Batalha da fronteira? Que ela fosse para o espaço junto de Palkia, não queria deixar os amigos novamente. Queria ser egoísta justamente no momento que não podia.

Viu Pearl e Diamond se entreolharem e parecerem chegar num acordo mudo. Antes que visse, estava sentada ali no chão mesmo (sua família que não soubesse disso) enquanto Dia e Pearl faziam uma piada do show de stand-up estranho deles. Riu, as lágrimas ainda presentes por conta da saudade que sentira daquele clima, enquanto ouvia Diamond reclamar sobre Pearl bater forte demais nele.

Os dois se sentaram ao seu lado, deixando-a no meio, e a abraçaram — um abraço meio estranho e torto pela posição, mas que teve seu objetivo alcançado.

—Vamos, senhorita. Nada de lágrimas — Pearl pediu daquele mesmo jeito que tem certeza do que dizia o tempo inteiro, embora a voz embargada denunciasse que também não queria se separar.- Isso não é um adeus. A gente vai se encontrar quando você conseguir informação sobre o Mundo Reverso, e a gente souber sobre os pokémon daquele livro estranho do doutor esquisito corcunda. Não é? Diga pra ela, Dia!

—Huh?

E Platinum não pôde conter o riso ao ver Pearl quase voar em cima de Diamond por não estar prestando a devida atenção. Se sentia mais forte só de falar com eles, e sabia que agora, depois de tê-los ao seu lado a encorajando, conseguiria fazer o que precisava.

A Batalha da Froteira de Sinnoh que a esperasse.

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