Planos e Problemas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Ok, era mesmo só o que me faltava” Pensei olhando a escola, sentado no banco de trás do carro da minha mãe. Sim, ela me trata como uma criança de oito anos de idade e não me deixa sentar na frente, ignorando minhas dezesseis primaveras vividas.
Minha mãe tinha considerado a “grande” idéia de me colocar na nova escola interna do país. Ela disse que seria bom por que eu não tenho amigos e aqui dividiria o quarto com alguém, sendo assim, me obrigando a manter certo... contato com pelo menos uma pessoa. Mas me dava medo o fato de ser uma escola só para meninos, eu só não sabia o porquê disso...
- Filho, amor, não fica assim. Amanhã seu irmão vem também, de começo você não ficará tão sozinho – Sorriu docemente. Minha mãe apesar de louca, super-protetora e, às vezes, meio bipolar, era um amor de pessoa.
- Não sei por que eu vim hoje e o Zacky pode vim só amanha – Falei cruzando os braços e fazendo biquinho. Ainda me pergunto a razão dela me tratar como uma criança.
- As aulas só começarão na próxima semana e o Zacky está ajudando o Matthew, seu amigo, coisa que você não tem, a fazer as malas. Não vi problema de ele vir só amanha.
- O QUÊ?? As aulas começam só semana que vem? Por que eu vim hoje então? Hein? Hein? – Disse fazendo um escândalo – E o Zacky só tem um amigo tá...
- Tem só um amigo por que ele quer bater em todo mundo e você é anti-social e apanha de todo mundo... Nossa, como vocês dois são diferente né? — Me olhou como se eu fosse uma criançinha... De novo
-Sim, nós somos muito diferentes – Respondi olhando pra fora do carro.
Apesar de sermos diferentes, sempre fomos muito unidos. O Zacky não batia em todo mundo, só quem me batia e falava mal de mim. Tá bom, ele batia em todo mundo.
- Mas bebê – Cara, eu não ouvi isso né? Ela me chamou de bebê – Você vai se dar bem aqui. Olha, tem pessoas do mesmo estilo que você – Apontou para fora
Tinha um ser muito alto do lado de fora, se fosse azul seria um avatar . Tinha olhos azuis contornados por uma maquiagem preta, um cabelo comprido dos lados e curtos em cima. Usava uma camiseta do Slayer com um blazer, uma bermuda com meias compridas e all star. Ele assustava todos que passavam, levantando os braços e depois rindo como uma hiena passando por gás do riso. Não sei se essa foi uma boa comparação, eu nunca tenho certeza de nada.
- Ele é um pouco mais rebelde e menos tímido que você. E mais alto, bem mais alto que você. Bem ma-
- Mãe, eu já entendi que ele é mais alto tá? – Bufei. Tá certo que eu sou baixinho, mas todo mundo já sabe disso.
— Então, pega aqui sua chave, seus horários, as suas malas no porta-malas, dá um beijinho na mamãe e vai de uma vez que eu tenho um chá com a Sra. Sanders – Falou séria olhando para frente.
E essa é a minha mãe, muda mais rápido de humor do que aquela menina do crepúsculo muda de expressão facial.
Respirei fundo na entrada da escola e coloquei um pé no lado de dentro e fechei os olhos. Abri cinco segundos depois de colocar o outro pé para dentro. Um garoto loiro me olhava como se eu fosse retardado. Eu acho que sou na verdade, mas minha mãe disse que eu tenho que fazer amigos e parecer o mais normal o possível.
Dei um sorrisinho para ele que sorriu de volta. Deve ter rido é da minha cara de idiota extremamente vermelha. Logo abaixei a cabeça e continuei andando, segurando com força a alça da mochila.
Até que...
O avatar humano pula na minha frente gritando e balançando os braços. Caralho, dá onde esse poste surgiu?
-AAAAAAAAAHHHHHHHH – Gritei perdendo o equilíbrio e caindo de bunda no chão.
Aquele ser alto me olhava com os olhos arregalados e eu o olhava com muito medo. De repente ele começa a rir muito e cai de joelhos ao meu lado.
- Aiai... Mano, tu tinha que vê tua cara. Tava assim ó – Disse me imitando, sentado no chão com uma cara de pavor – James Sullivan. – Estendeu a mão — Qual sua graça?
- Hã?Err... Frank Baker, digo, Iero, Frank Iero – Apertei sua mão com um pouco (leia-se muito) medo.
Meu pai abandonou minha mãe e nunca mais apareceu. Desde então me recuso a usar seu sobrenome, usando então o da minha mãe, Linda Iero. Meu irmão ainda usa o Baker, sendo assim, Zachary Baker.
-Chegou agora né? Eu to aqui faz dois dias – Disse James
-É, minha mãe e essa idéia que eu preciso de amigos e escola nova é sempre...bom – Disse com desânimo
- Eu to aqui por que fui expulso de duas escolas e acham que gente nova vai me fazer bem – Deu os ombros e disse como se fosse normal ser expulso de uma escola.
- Meu irmão vai vim pra cá também, chega amanha – Disse dando um sorrisinho tímido
- Legal cara, mais gente pra conversa. To achando que aqui só vai te muleque riquinho. Tu é o segundo baixinho que eu faço amizade hoje sabia?
- Quê? Eu não sou baixinho, tu que é grande demais – Cruzei os braços
- Desculpa ai cara... nanico – Quando eu ia responder...
- Ai que graçiiiinha!! – Uma pessoa com um cabelo arrepiado, toda maquiada disse olhando para mim
- Tem garotas aqui James? – Perguntei
- Tira o olho Bill, esse já é meu – Disse dando um empurrão de brincadeira na...Bill?? – Garota? Isso é homi Frank, apesar da aparência, tem um pau mal usado aqui – Disse apontando para as pernas do Bill.
- Se ele te maltratar me chama graçinha, agora eu vou procura o bêbado do meu irmão. – Saiu piscando pra mim.
- Sullivan, como assim... teu? – Perguntei receoso.
Receoso é um ótimo adjetivo para dizer que eu to cagado de medo de virar a puta de alguém aqui na escola. Mas ninguém precisa saber disso...
- To brincando pigmeu – Disse levantando os braços – É só pra ele não te encher o saco, pelo menos hoje, depois tu vai ter que se acostumar com pessoas assim. Ta com fome?
Sentamos na mesa do fundo da cantina depois de pegarmos o lanche. Duas mesas depois da nossa à direita, estava sentado um garoto moreno de olhos verdes com uma pele bem branca, lendo um livro que eu não consigo identificar graças aos braços balançantes do James.
- Quem é aquele ali Jimmy?
- Huum, Jimmy? Ta intimo já coração? – Perguntou me deixando vermelho. – To brincando Frankizito. Aquele... bem, ele chegou ontem e é bem quieto apesar de ter uns 3 amigos aqui e o irmão. Não sei o nome, mas é Fulano-alguma-coisa Way. Ele olha pra gente como se fosse nos matar a qualquer instante.
- É...ele é bem estranho mesmo...
- Estranho? E tu ta andando comigo?
Nos olhamos e começamos a rir desesperadamente. Tentávamos parar, mas era um olhar pra cara do outro que começávamos de novo.
A risada histérica do Jimmy atraiu a atenção do Fulano Way pra nossa mesa, que revirou os olhos para o Jimmy e me olhou sério. Senti minhas bochechas queimarem e abaixei a cabeça logo após ele sorrir de um jeito meio sinistro pra mim apenas com um canto da boca, se levantou e foi embora. Ou seria aquilo um sorriso meio sexy? Que isso Frank, ta louco? Foi afetado pelos olhos verdes? Tu também tem!
Ótimo jeito de me fazer parar de rir. Valeu Way...
Depois de lancharmos, Sullivan me ajudou a encontrar o meu quarto e foi para o seu. A viagem foi longe e rir daquele jeito me cansou.
Quanto entrei no quarto levei um susto, tinha 4 pessoas lá dentro. Um cara com cabelos compridos, o loiro que riu de mim na entrada da escola, um ser tatuado hibernando na que eu creio que seja minha cama e o Fulano Way. Ótimo, bochechas queimando de novo.
— Err... Eu cheguei agora e esse é o meu quarto, eu acho – Eu não sei o que falar! Ta todo mundo olhando pra mim!
- Caraaaalho cara!Legal, eu vo dividi o quarto contigo. Prazer, Bert McCracken – Disse o cabeludo soltando um cheiro de álcool na minha cara. Muito álcool...
- Frank Iero, prazer. Então, eu to com um pouco de sonho... Qual a minha cama?
- Pra já Frank! Jeph, caralho, acorda de uma vez, tu ta na cama do meu colega de quarto – Silencio. Nada. – ACOOOOOORDA CARAAALHO!! – Disse Bert fazendo o tatuado cair da cama.
- Mãe, eu juro que não fui eu. Eu nunca mataria o gato da vizinha! – Disse assustado, fazendo os outros rirem.
— Agente vai te deixar dormir Iero – Disse o Fulano Way me olhando de canto e sendo seguido pelo resto.
- Ninguém vai te mata aqui na escola não ok? Não precisa ter medo. Sou Quinn – Disse o loiro rindo, acredito que de mim novamente, e estendendo a mão. O cumprimentei dando um sorrisinho – Bom sonhos Frank. – Disse saindo do quarto.
Depois que os gritos do corredor cessaram, eu deitei para dormir. O quarto fedia a cigarro, mas eu não me importava.
Agora só esperar o Zacky chegar de uma vez. Espero que ele não demore...
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