Plano de Assassinato
1 Capítulo 1 - Escritório.

Numa sala repleta de fumaça, eu estou sentada em uma poltrona bege, que roda...E roda em circulos diversas vezes, segurando meu cigarro quase apagado.
– Kobayashi-san. — Um senhor de cabelos grizalhos entra pela porta de madeira falando num tom amigável, quase como um cumprimento.Essa pessoa é meu chefe.
– Sim?
– Conseguiu mais informações sobre o caso de assassinato da senhorita Hinako da rua 17?
– Sem progressos senhor. — Eu o faço suspirar, será que sou incompetente do ponto de vista dele?Talvez.
– Tudo bem...Você poderia ir na cena do crime ver se encontra algo de novo.
– Senhor, sem querer ser rude...Eu já fui lá cerca de vinte vezes.
– Olhou em todos os cômodos?
– Sim senhor.
– Cada canto?
– Impossível ter uma percepção maior que a minha nos cantos escondidos.
– Entendo... — Ele coça sua cabeça quase careca.
– Senhor.Se for te acalmar eu posso dar mais algumas olhadas na ficha da senhorita Hinako, e quem sabe voltar lá mais tarde.
– Oh, obrigado...
– Eu entendo sua preocupação com o caso da rua 17...Mas senhor, estou fazendo tudo o que posso.
A preocupação dele não é pra pouco, a mulher perdeu a pele e os olhos, foi tão bizarro que eu mesma tive que retirar o corpo dela da cena do crime.
– Sinto muito aborrecê-la Kobayashi-san. — Ele sai, fechando a porta.
Me ajeito na cadeira e começo a mexer no meu computador, observo ficha de criminosos,porém nenhum deles se encaixa no perfil dos homens vistos próximos a propriedade da senhorita Hinako.
Senhorita Hinako, cabelos negros lisos que caiam sobre seu ombro, uma franja que chegava a quase cobrir seus olhos, sua pele era esbranquiçada como porcelana e ela possuía olhos esverdeados, seu corpo era esbelto com várias curvas de enlouquecer um homem e deixar as mulheres verdes de inveja.Até mesmo eu cheguei a invejá-la, porém a vida dela não era de se dar orgulho, era uma prostituta que morreu de uma forma brutal.
– Quem sabe esse caso não acabe como as outras 25 mulheres?No fundo de um poço escuro. — Suspirei.
Nesse ano, houveram 26 assassinatos(contando com a senhorita Hinako) parecidos, com a mesma ficha...Sem pele e olhos.Todos acabaram esquecidos e largados como se não fossem nada, no fundo do poço, todos os esquecem completamente, menos eu.Afinal, quem vai esquecer o nome da pessoa que você carregou sem pele e olhos nas suas mãos?Não que eu me importasse com elas, ou tivesse carinho...Eu apenas não consigo esquecer.
– Ah, olha o horário. — Me levanto da cadeira, pego meu casaco e meu maço de cigarros.Saio da sala e a tranco.
– Já vai sair Kobayashi-san? — A secretária me pergunta.
– Sim, meu turno acabou. — Eu olho pela janela e vejo a escuridão lá fora, bom, tanto faz.
– Tome cuidado, afinal temos um assassino à solta...E ele ataca mulheres esbeltas, a senhorita é muito bonita Kobayashi-san. — Ela cora.
– Oh, obrigada Hime-chan. — Ergui minhas sombrancelhas e eu noto que ela fica nervosa. — Vou saindo, você poderia avisar o chefe por mim?
– C-Claro. — Ela gagueja. — Não fique enrolando no caminho...Está nevando. — Eu concordo com a cabeça, aceno para ela e saio pela porta da frente.
O vento frio passa e eu vejo a neve cair, essa visão é nostálgica.Olhando para o relógio eu noto que era 23:45, quase meia-noite...Eu não tenho comida em casa...
No meio do caminho eu paro numa loja de conveniência e ouço o som dos sinos da porta, logo minha visão alcança atrás do balcão e vejo uma senhora.
– Boa noite. — Eu concordo com a cabeça e vou na ala de comida instantânea, pego um pote e vou para o balcão.
– Senhora, quanto fica isso e mais um maço de cigarro?
Lentamente ela pega uma calculadora e começa a apertar seus botões...Não que eu esteja com pressa, mas isso me irritou.Me apoiei no balcão e me pûs a pensar nos assassinatos...
Bruscamente eu escuto a porta da lojinha abrir, um homem alto de cabelo preto entra usando uma blusa azul cheia de neve, ele vai até o balcão com a cabeça baixa.
– Senhora, eu quero um maço de cigarro, rápido. — Ele parecia inquieto, e não tirava as mãos do bolso.
A senhora rapidamente pegou o maço de cigarro e o entregou.
– É um dólar. — Ele jogou o dinheiro no balcão e saiu correndo.
– Intrigante. — Peguei meu bloco de notas e anotei a aparência do homem, o horário e o tipo de cigarro que ele pegou.
Depois de longos 10 minutos, eu finalmente consegui pegar o cigarro e o meu macarrão instantâneo, e vi o mesmo homem da loja apoiado num poste falando no celular.O observei, mas ele logo foi embora, assim fiz o mesmo.
Continua..
Fale com o autor