Planeta Desastre
2 O começo
Notas iniciais
Era uma quinta-feira, eu estava sentado na cadeira atrás de Charlie, assistíamos a aula de biologia, enquanto o professor explicava a fecundação das angiospermas, a maioria dos alunos fingiam estar interessado na explicação que o professor estava dando, porem sabia que estavam ansiosos para o fim da aula, olhei para o meu relógio de pulso, os ponteiros marcavam 11:55, faltava pouco para o termino da quinta aula, essencialmente era o que todos queriam; ainda estava pensando nas notícias que tinha visto essa manhã, sobre a O.N.U estar preocupada pela recente epidemia, pelo que tinha visto parece que já havia contaminado todo o continente africano, e vários países de todo o mundo, nunca se havia visto uma epidemia que se espalhasse tão rápido como essa, a situação é bastante preocupante, vários países já alertaram estado de emergência, alguns já começaram a fecha qualquer ligação com o exterior, os cientistas ainda não sabem qual a origem desta nova doença, o que foi confirmado é que ela é extremamente contagiosa, podendo ser transmitida pelo ar, pelo contato físico ou por algum objeto que esteja contaminado.
Estava tão perdido em meus pensamentos que nem tinha percebido que a aula enfim havia acabado, logo sair da sala e fui atrás de meu amigo Charlie, conseguir alcança-lo a caminho do refeitório.
— Ei! Charlie! – Gritei de longe.
— Oi cara, tudo bem? – Perguntou virando-se para minha direção.
— Tudo, você viu o noticiário hoje de manhã, sobre a aquela doença contagiosa? – Perguntei enquanto abaixava para amarrar o cadarço do meu tênis.
— Claro, não se fala de outra coisa na escola. Mano a pior parte é que os contagiados...tipo...eles comem as pessoas, serio isso parece mais…. – Respondia ele, até que eu o interrompi.
— Zumbi. – Disse adivinhando o que iria falar.
— Isso. – Falou ao mesmo tempo que íamos para as fileiras dos armários.
— Mano de novo esse assunto, para de ser idiota não existe zumbis, você está lendo muitas histórias em quadrinhos, é apenas uma doença nova, que os cientistas ainda não acharam a cura ou algo do tipo. — Disse indo em direção ao meu armário.
— Tá, você pode achar que é só minha imaginação, mas a situação parece igual, pensa comigo, pessoas de pele acinzentada, grunhido, e tentando devorar outras pessoas, coincidência? Acho que não. – Ele disse enquanto retirava a mochila das costas para colocar em seu armário que era ao lado do meu.
— Não há relação alguma com isto; com certeza esses efeitos são causados por alguma bactéria ou vírus, talvez até um protozoário, você não está raciocinando. Compreenda que esta questão de zumbi está totalmente fora do assunto, estes seres não existem e espero que aceites a verdade. – Expliquei no momento em que guardava as minhas coisas.
— Erik, por que você tá nervoso? – Perguntou enquanto mexia em seus cabelos loiros.
— Como assim, não estou nervoso, você está inventando coisas. – Disse fechando o meu armário.
— Você fala formal toda vez que fica nervoso. Na verdade, na maioria das vezes você já fala de modo formal, porém está falando mais do que de costume. – Disse dando um pequeno riso.
— Isso não é ver.… — Fui interrompido por ele, que me puxava pelo braço.
— Chega, vamos almoçar logo estou morrendo de fome. – Disse ele indo para o refeitório e me levando junto.
Entramos no refeitório, a fila hoje não estava muito grande, é óbvio que era por causa de que um terço dos estudantes estão passado mal, a maioria nem sairá de seus alojamentos. Pegamos nossas refeições e fomos nos juntar com nossos amigos na mesa número 4, enquanto andava em direção a mesa, eu observava o refeitório, o espaço era enorme; no refeitório havia seis fileiras de mesas, em cada fileira havia dez mesas com seus assentos, cada mesa possuía dois bancos de assento no qual se podiam sentar cinco pessoas em cada banco, ou seja, no total o refeitório suportava seiscentas pessoas assentadas. As mesas eram de carvalho escuro, estilo século dezenove com detalhes na madeira feitos à mão, elas eram todas envernizadas, era raro encontra alguma macha ou algum rastro de sujeira, parecia que o pessoal da limpeza tinha orgulho em deixa-las limpas e brilhando, os bancos eram feitos do mesmo material do que as mesas, cada banco era almofadado e impermeabilizado para evitar os ácaros e a poeira; o refeitório também não contrariava as mesas, o chão era de madeira nobre, as paredes eram compostas de mármore, no teto grandes lustres de iluminação, em uma das paredes se encontrava uma enorme tela de plasma a onde se passava o noticiário do meio-dia, para quem observasse o local acharia que era um dos salões do palácio do príncipe. O motivo de tal luxo era obvio, a escola em que estudávamos era uma das melhores se não a melhor instituição do país.
Enquanto comia minha refeição, ouvia ou pelo menos tentava ouvir o noticiário, pois minha atenção era atrapalhada pelo incessante barulho que vinha do lado, os que eram para ser estudantes educados almoçando, pareciam ser mais um bando de animais famintos devorando a sua presa, sem a menor gota de educação ou etiqueta.
— Nossa, isso tá muito bom. – Disse Charlie com a boca cheia de purê de batata.
— Não fale enquanto come, isso é nojento. — Falou Carol enquanto observava seu prato de comida, até o momento não havia nem encostado na comida, parecia estar pensando em alguma coisa.
— Em falar em coisas nojentas, vocês viram aquele vídeo de um homem que comeu o braço de uma enfermeira – disse Mônica fazendo cara de nojo
— Nossa aquilo foi horrível. – Respondeu Stephanie que estava ao lado de Carol, e que via o seu reflexo em um espelho de mão prateado.
— Parecia aqueles zumbis dos quadrinhos. – Disse Ricardo que tinha observado tudo em silêncio até o momento.
— Você também acredita nessas baboseiras? – Perguntei ao mesmo tempo que terminava minha refeição.
— Pode parecer até baboseira pra você, mas é o que está acontecendo – disse Ricardo à medida que colocava seus fones de ouvidos.
— Eu não digo que seja uma epidemia zumbi, mas talvez algo semelhante. – dizia Monica ao passo que acariciava os cabelos de Ricardo que havia encostado a cabeça em seu ombro.
— Eu acho que vocês estão usando demais suas imaginações – Carol ser preparava para levantar.
— Também concordo com você- disse enquanto me levantava para acompanha-la.
— Vocês parecem estar fora das notícias as coisa são realmente ser..... – Charlie foi interrompido pelo som que vinha da grande tv na parede.
Rapidamente o refeitório ficou em silencio, todos pareciam estar focados na imensa tela, acompanhada pelo som a tela exibia a logomarca do canal de notícias que assistíamos, com as letras P e N abaixo do símbolo da emissora, o que indicava um plantão de notícias. Logo podemos ver um dos rostos mais conhecidos da televisão novolesa, a famosa jornalista Cintia Machado dizias as últimas notícias.
“... a recém descoberta doença, batizada de síndrome de desencarne pelos cientistas, contaminou cerca de 67% da população mundial, os dados são da Nações Unidas. Os governos do leste europeu decretaram estado de emergência, enquanto isso na África Oriental e no Oriente Médio, os governos da Somália, Etiópia, zimbabwe, Omã e Iêmen, caíram em anarquia total. Nas américas, os Estados Unidos militariza os limites entre Canadá e México no objetivo de impedir que imigrantes cheguem ao país; as nações sul-americanas como o Uruguai e Chile começam a fechar suas fronteiras, e o governo do Peru declarou estado de calamidade e pede o auxílio da cruz vermelha.” Informava a jornalista.
“Vamos falar agora como o repórter Júlio Montes que está em Hanôver e tem notícias sobre o governo novoles.” Após acabar de falar, a tela exibia um repórter que devia ter entre 25 a 30 anos, bem vestido, cabelos castanhos e olhos verdes.
“Bom tarde Cintia e para vocês que nos assistem; as exatamente 11:56 da manhã de hoje o chanceler Jacob Montenegro após um longa reunião com o parlamento, decreta estado de calamidade pública, rompendo qualquer contato com exterior, os voos e os tráfegos de navios foram canceladas por ordem governamental; o governo também decretou toque de recolher, e pede para que a população permaneça em casa e que não abra a porta para pessoas estranhas.” Enquanto falava, eram exibidas cenas do pronunciamento do chanceler e da reunião que ocorrerá no parlamento.
“Isto é tudo Cintia.” Foi a última fala que disse antes da imagem mudar; logo após, a jornalista Cintia estava no ar de novo.
“Obrigado Júlio; voltamos há qualquer momento com mais notícias.” Dessa forma Cintia encerrava o plantão de notícias.
Após a exibição, pude ouvir alguns murmúrios surgirem no refeitório, o ar de preocupação tomou o local, os estudantes estavam ficando cada vez mais inquietos; o sino soou indicando o fim do almoço e fazendo dissipar por um estante o afligimento de todos, quando íamos nos direcionando paras nossas respectivas salas, fomos informados que as aulas tinham sido canceladas por hoje, e que deveríamos seguir para os nossos alojamentos.
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