Plane Crash
30 Eu não acredito, Alex!
Notas iniciais

Depois que praticamente expulsei Maxon do quarto, Nastia começou a chorar intensamente, como se soubesse o estado crítico em que me sentia naquele momento. Eu só queria deitar e dormir, conseguir no caso, relaxar um pouco. Ou melhor, ter Alex ao meu lado, são e salvo, mas uma vozinha dentro de mim me diz que as coisas estão prontas para ficar pior. Tentava acalmar minha filha há horas, mas nada parecia o suficiente para tal. Já estava mais do que esgotada e considerava deixá-la chorar pelo resto da vida, quando, de um segundo para o outro, suas cordas vocais param e um sorriso aparece em seu rostinho. Eu poderia ter ficado feliz, mas estava tão cansada que nem consegui pensar direito o quão bom isso era. Bufo de cansaço e caminho em direção ao novo quarto de Nastia. A coloco calmamente no berço e volto para o quarto. Vejo a porta aberta e resmungo, tendo a certeza de que Maxon não cumpriu com sua promessa.
_Por favor, Ma...- começo a dizer enquanto subo o olhar, mas paro ao ver a imagem que se faz na minha frente.
_Sentiu minha falta?- ele abre um sorriso e para em frente à porta fechada, me observando.
_Eu não acredito, Alex!- grito. Alex se assusta com a forma brusca com que me joguei em seus braços, mas assim que meus lábios tocaram os seus a surpresa desapareceu instantaneamente dando lugar a outra coisa. -Você não sabe o quanto. — sussurro entre os beijos.
Agarrei-me a seu pescoço, tentando aproximá-lo mais de mim, suas mãos em minha cintura fizeram o mesmo. Meu coração martelava loucamente em meu peito. Senti a urgência em seus lábios quando voltaram a tocar os meus enquanto ele me puxava impossivelmente para mais perto. Não me importei com mais nada. Não me importei com o amanhã. Com o que iria acontecer depois. Nada mais importava. Só Alex. Sua boca devora a minha e suas mãos firmes me apertam freneticamente. Fico sem ar. Até aquele instante eu tive apenas um vislumbre do quanto eu o desejava. Uma verdadeira explosão ocorreu dentro de mim, consumindo tudo o que encontrou pela frente.
—Tem certeza que é isso que quer?- sua boca se afasta e consigo, enfim, respirar, mas ele não parece se importar.
_Nunca tive tanta certeza.
Fui incapaz de resistir ao impulso de abrir sua camisa com violência, arrancando alguns botões em minha urgência. Assim que me livrei do tecido, deslizei minhas mãos em seu peito, sentindo o calor de sua pele afugentar todos os meus temores. Naquele instante, éramos apenas eu, America, e ele, Alex. Nada mais.
Pov Alex
Sinto meu corpo acordar e resmungo para mim mesmo. Continuo com os olhos fechados, torcendo para voltar a dormir, mas a claridade me atinge e sei que é hora de levantar. Ainda de olhos fechados, sussurro com um sorriso no rosto, relembrando a noite mais maravilhosa da minha vida.
_Te ter em meus braços, foi a melhor coisa que já aconteceu. — giro o quadril esperando encontrar o corpo de America, mas só toco os lençóis. Abro os olhos, assustado, e não a encontro onde ela antes esteve. Bufo tristemente. Ela se arrependeu. Quando finalmente acreditava que as coisas entre nós poderiam passar de uma farsa, de uma mentira, para um relacionamento verdadeiro, estrago tudo ao ir rápido demais, deveria ter esperado até o casamento. Me xingo mentalmente por tê-la deixado escapar, mas esses tipos de pensamentos se vão assim que a vejo passar pela porta com um sorrio brilhante no rosto.
_Bom dia. — saúda.
—Onde estava?- pergunto curioso.
_Amamentando nossa filha. — assinto e deito novamente na cama.
_Vamos nos arrumar ou vamos nos atrasar.
—Prefiro ficar aqui, no quarto, na cama com você, fazendo algo mais interessante. — sorrio malicioso e ela cora.
—Estou com fome, Alex. — tenta argumentar.
_Eu também. — sorrio novamente, mas dessa vez ela me olha brava.
—Se você não se levantar agora, a única coisa que vou fazer essa noite é dormir. — ameaça e pulo da cama. Corro até o banheiro e fecho a porta.
—Estou quase pronto!
—Alex. — a ouço me chamar e fecho a porta atrás de mim, já pronto para descer.
_O que houve amor?- dou um beijo em sua testa e olho em seus olhos.
_Maxon esteve aqui.
—Como assim? Agora?- me agito.
_Não. Ontem. Ele trouxe flores e torta de morango, estava tentando me ter de volta, só que como amante. — não preciso me olhar no espelho para saber que a cada palavra que ouço meus punhos se cerram, minhas narinas inflam e fico mais vermelho.
_Aquele principezinho vai se ver comigo.- ameaço sair do quarto e procurá-lo, mas ela me para antes.
_Não faça nada. Por favor. Ele prometeu ficar longe. — implora e não consigo resistir aos seus grandes olhos azuis.
_Prometo tentar me controlar. — respondo e caminhamos para o salão. As cabeças se viram para nós assim que adentramos o recinto.
—Atrasados. Não sei nem porque ainda tenho a esperança de que cheguem na hora certa. – minha mãe comenta e volta sua atenção para a comida. Rimos e nos sentamos.
—Você perdeu uma reunião importante hoje, meu filho. — Papai se vira para mim, em um tom crítico.
_Me desculpa pai. — digo sincero. — Acabei perdendo a hora.
_Dormiram tarde, foi isso?- Celeste nos olha maliciosa. — Porque me lembro muito bem que America passou o dia inteiro no quarto dormindo e você não chegou tarde ontem. — os convidados alternam seus olhares entre Celeste e o rosto perplexo de América.
_Você realmente não sabe quando ficar quieta, não é?- respondo com outra pergunta. Ela simplesmente sorri. Volto a comer e de vez em quando olho de relance para Maxon, que nos encara descaradamente. Me viro para comentar algo com America, mas antes noto seu comportamento estranho. Ela sua, faz caras estranhas e se remexe na cadeira a cada cinco segundos.
—Está bem?- pergunto.
_Sim. Eu só...- não termina de falar pois sai da mesa depressa e corre para fora do salão. Todos a olham sem entender nada e corro atrás dela. Pergunto para os guardas do lado de fora da porta e corro em direção ao banheiro mais próximo a tempo de vê-la inclinada sobre o vaso. Semicerro os olhos e caminho em sua direção. Seguro seus cabelos para o alto e a deixo por para fora tudo o que a fez passar mal.
_Tem certeza de que está bem?- pergunto assim que ela de recompõe. Seu rosto está pálido e sem vida, mas ela assente.
—Acho que foi aquela torta de ontem. Não caiu bem.
_Então você comeu a torta de morando que seu ex-namorado te deu?- pergunto ciumento.
_ Desculpa. Mas era torta de morango.
—Não precisa pedir desculpas. Está preparada para voltar?
Ela pega minha mão e assente. Abro a porta do salão a tempo de ouvir meu pai gritar que terão outro neto. America para de andar e consequentemente eu também, ouço o som de talheres caindo no chão e depois só o silêncio.
_Quem está grávida?- pergunto inocente.
—America. — Nicoletta solta uma risada.
_Você está grávida?- pergunto alegre e a beijo. Ela se afasta imóvel.
_Eu não estou grávida, Alex. — ouço uma pontada de tristeza em sua voz.
_Mas... Mas... Nós... Você sabe. — me perco nas palavras.
_Essas coisas não acontecem em um período de cinco horas. — assinto, compreendendo.
_Mas você pode estar grávida, não é?- pergunto esperançoso.
_Sim, mas não saberemos agora.
_Então gente, — me viro para a platéia que continua a nos olhar. – Vocês não serão avós novamente. — explico a situação e vejo minha mãe me lançar um sorrio triste. — Pelo menos não agora. — completo
Pov Maxon
Eu realmente torcia para nunca mais ter que ver aquela carinha perfeita daquele homem na minha vida, mas parece que nesse último ano nada que eu pedi deu certo. Sabia que tinha estragado grande parte das minhas chances com America antes, mas até ver os dois entrando de mãos dadas no salão, mais felizes do que nunca, acreditei que ainda tinha chances. Tentei não olhar demais, não encarar, mas não consegui.
Kriss puxava assunto e tentava de todos os jeitos chamar a atenção, mas eu simplesmente não tinha olhos para outra coisa que não fosse os dois. Não demorou muito para que America saísse correndo do salão, com Alex em seu encalço. Foi quando as fofocas começaram. Todos se viraram para o lado e começaram a cochichar com quem estivesse disposto.
_Acho que teremos outro neto. — estava sentado perto dos monarcas russos, então consegui ouvir quando Kira sussurrou par o marido suas suspeitas sobre America.
Abro a boca em choque. Não é possível. Ela não poderia. Eles já têm uma filha, porque a ideia de que ela possa estar grávida novamente me assusta tanto.
_Ha!- Celeste chama a atenção de todos. — Eu disse que eles tinham aproveitado a noite de ontem. Não tive nem tempo de reagir a qualquer besteira que Celeste tenha falado, porque antes disso Nicolau se levanta da mesa, abruptamente, e se vira para Kira ao seu lado.
_NÓS VAMOS TER OUTRO NETO?!- ele engasga na comida e deixo o talher cair no chão, completamente estático. Nesse momento os dois entram alheios aos problemas e discussões. Alex parece não entender nada do que está acontecendo e reviro os olhos com tamanha idiotice. Os dois conversam e faço o meu máximo para escutar a conversa, mas sem sucesso.
Então eles se viram novamente para nós e dizem exatamente o que eu torcia para dizerem. Assim que as palavras saem de sua boca, todo o ar preso em meus pulmões e respiro aliviado. Ainda há esperança.
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