Plane Crash
39 A piscina
Notas iniciais

Pov America
Eu não via Alex desde que acordamos. Ele saiu cedo e disse ter de resolver algumas coisas com o pai. Mas já era o final do café e nada de nenhum dos dois aparecer. Olho para Kira em busca de respostas, mas ela parece mais perdida do que eu. Dou de ombros e volto a comer.
_Não é necessário se levantarem. — Nicolau diz assim que entra na porta e ameaçamos levantar e saudá-los.
_Desculpe o atraso. -Alex se senta ao meu lado e beija minha bochecha. — Mas acho que vai gostar das notícias. — o olho esperando que ele diga mais, mas ele permanece calado e aponta com a cabeça para o pai, que levantado na ponta da mesa, começa um discurso.
_Devido a melhora no tempo e o início do solstício, recebi diversas propostas sobre atividades consideradas mais empolgantes dos jovens aqui sentados. Não acreditava ser apropriado, mas em uma conversa com meu filho...
_Vamos para a piscina assim que terminarem a refeição. Se arrumem e guardas o acompanharão até lá. — Nicolau é interrompido por um Alex totalmente impaciente. O imperador o olha bravo, mas sorri ao perceber a empolgação de todos na mesa.
_Está falando sério? Piscina?- me jogo nos braços do meu namorado e o agradeço.
Estávamos no quarto trocando de roupa e eu não poderia estar mais animada. Pode parecer bobo, mas nunca estive uma piscina antes. Nós, cinco, não temos determinado luxo e não sabia se existia uma em um palácio em Angeles.
Eu com certeza não estava me sentindo confortável nessa roupa, mas de todas que me foram apresentadas, bem, essa era a menor. Realmente não entendo porque não fazer um biquíni, com o tamanho do decote em meus seios, que estão enormes devido ao fato de ainda estar amamentando, e a única e pequena faixa de tecido na minha barriga me fazem duvidar do real sentido da roupa.
Saio do banheiro ainda inconformada e vejo Alex trocando a roupa de Nastia. Ele já está pronto e bota uma roupa leve para que ela possa ficar conosco durante o dia. Me encosto na parede e espero que ele perceba a minha presença. Não demorou muito para que ele percebesse que eu os observava, mas assim que ele olhou para mim, arregalou os olhos e deixou a baba escorrer por sua boca aberta, entendi o real motivo da roupa de banho. Corei fortemente. Ele abre a boca diversas vezes, embasbacado, tentando formar uma frase completa, mas a única coisa que sai são sons irreconhecíveis. Em pouco tempo sua expressão de desejo se transforma em raiva.
—Você não vai sair assim! Não vou permitir que saia com isso para que todos te queiram. Não! Eu... eu...- ele gagueja perdido nas próprias palavras e enfim suspira.- Meu Deus, você é muito gostosa.-suspira e senta na cama cansado. Rio para mim mesma e pego Nastia do seu colo.
_Você vêm?- ergo minha mão em sua direção, o chamando.
—Só se você prometer botar um vestido. Está me distraindo. — diz me olhando de cima a baixo.
_Só se você colocar uma camisa. — ele me pega olhando seu peitoral.
_Feito. — concorda.
Nos arrumamos e descemos. Os outros já estavam no salão principal, nos esperando para ir. O lugar fica escondido no jardim, não muito longe do palácio, mas afastado o suficiente para as árvores a cobrirem da vista. É cercada por vidro. Talvez para conter o calor e assim conseguir ser usada durante o inverso, ou simplesmente para que todos possam adorar a vista bela do lado de fora. Dezenas de cadeiras e bancos estão espalhados pela margem e é onde nos sentamos inicialmente.
_Acha que seu pai nos permitiria construir uma dessa em Angeles?- observo Kriss pergunta fascinada para Maxon.
_Me desculpa, querida, mas não acho que será possível. — posso notar a tristeza em sua voz. Decido parar de observá-los. Alex senta-se ao meu lado, com um controle remoto na mão. Ele não parece muito bem o que fazer com ele.
_Quer ajuda?-Pergunto mesmo sabendo que será inútil.
—Não, obrigada. Eu só queria fazer...- aperta um dos botões. — isso. — completa e começa a olhar para o teto.
Não tinha reparado ainda, mas ao contrário das paredes, a cobertura não era de vidro, nem transparente, ao contrário era escura e opaca. Mas não demorou muito para que o preto se tornasse o azul do céu. Independente do que fosse o botão que Alex tenha apertado, ele fez efeito. O teto começou a se erguer, saindo do meu campo de visão. As engrenagens o puxavam de lado, até que já não existia mais nada sob nós além dos pássaros cantando. Nem me perguntei para onde tamanha construção tenha ido parar, estava chocada demais com a tecnologia para prestar atenção em algo como isso. Abaixo o olhar e percebo que não fui a única a me maravilhar com tudo.
_Acho que agora podemos começar. — Alex diz, retirando a camisa e se jogando na primeira cadeira que encontra. Os outros os seguem.
Uns pulam na piscina e se agrupam entre as bóias, outros preferem ficar do lado de fora juntamente com Alex e um terceiro grupo permanece em pé, assim como eu, perdidos sem saber para onde ir. Celeste tira a saída, ficando somente de roupas de banho, e se eu achava minha roupa indecente, bem, eu já deveria saber que a de Celeste estaria mais, claro que ela usaria um fio dental. Aproveito o momento e faço o mesmo, morrendo de vergonha, e se eu já tinha me sentido mal com os olhares de Alex ao me ver no quarto, agora foi muito pior. Maxon me olha apaixonado, mas desvia o olhar na hora, se reprimindo por qualquer pensamento.
—Achei que tivesse sido claro que era pra você não vir com essa roupa. — Alex sussurra para mim e não sei se ele brinca ou se fala sério.
_Cala a boca, Alex!- ele sorri.
Estava prestes a tomar para mim o assento ao lado de Alex quando reparo na figura estranha abrindo as portas de vidro. O encaro, tentando descobrir quem é o rapaz. O cabelo loiro e a barba rala me fazem lembrá-lo de alguém, mas no momento não consigo descobrir quem é. Olho para todos que estão aqui e me pergunto se tem alguém faltando, mas todos estão aqui. Cutuco Alex e mostro o homem, que agora anda em nossa direção.
—Gustav?-Alex olha para o homem, seu rosto inteiro sorri, seus olhos brilham e ele abraça o homem intimamente. -Não acredito, Gustav!?
—Eu mesmo. — o segundo responde depois de ser largado pelo herdeiro russo.
_A quanto tempo!- há essa hora os dois já atraíram a atenção de todos os presentes, que observam a interação.
_Eu que o diga, defunto. — o loiro cruza os braços, bravo.
—Porque não veio antes.
—Se eu tivesse sabendo que você estava vivo, com certeza teria aparecido antes. — ele dá um soco no ombro de Alex que arqueia de dor.
—Esqueci o quanto você é forte. — resmunga.
—Desculpa. Na verdade eu tinha quebrado as pernas na última missão. Conhece meu pai, me fez de prisioneiro em casa. — dá de ombros, como se fosse a mais normal das coisas.
—Entendo. — responde pensativo- Ainda está na divisão especial?- o loiro assente. Alex se vira para nós pela primeira vez e percebe a cara de espano e dúvida em meu olhar e no de todos.
—Me deixem apresentá-los. -Alex puxa o homem para mais perto de todos- Esse é o Príncipe Gustav Volkonsky da Rússia, meu primo.
—Príncipe?-Celeste tira as palavras da minha boca. Ela estava deitada em um colchão, flutuando sobre a água, um drink em sua mão, aliás, onde ela arranjou um desses?Mas mesmo assim ela consegue se intrometer em todas as conversas. — Achei que fosse só você e seu irmão. -termina.
_Eu sou o Czarevitch, Ivan o Grão-príncipe, ele é um príncipe. Temos uns 30 príncipes na Rússia. — dá de ombros e Celeste abre a boca assustada. Alex, em seguida, apresenta todos nós, inclusive Anastacia.
—Ela é tão linda. — diz encantado enquanto a observa. — Graças a Deus que não herdou sua cara feia. — brinca com o primo e vejo Maxon se contorcer discretamente no fundo.
—Já estava esquecendo. — Gustav diz me entregando uma caixa. Como não reparei que ele segurava uma caixa?- São presentes. Para você e para sua filha. — o olho admirada e agradeço.
Abro a caixa, curiosa, e vejo o chocalho incrustado em pedras preciosas, tão brilhante que me cega temporariamente. Primeiro fiquei maravilhada com o objeto, mas senti uma pontada no estômago ao perceber o quão valioso deveria ser. Passei minha vida sem ter dinheiro nem mesmo para comida ou presentes de Natal e agora minha filha de meses está recebendo um presente que provavelmente custa mais do que meus pais ganharam em toda a sua vida. É informação demais. Alex pega o presente aberto da minha mão e resolvo ver o meu. No fundo está um colar, protegido por diversas camadas de pano, mas esplêndido. O magnífico colar, se é que pode se chamar assim era todo de ouro e incrustado de pedras azuis, que imagino serem safiras, não conto exatamente, mas eram muitas, e provavelmente muito pesado também. Sempre fui uma pessoa simples, nunca gostei de chamar a atenção, mas só de olhar para o cordão prometi para mim mesma que o usaria muito bem. Passo horas agradecendo, embora para ele aquilo não parecesse nada demais. Em pouco tempo Gustav já estava completamente enturmado.
Conversamos sobre sua vida como príncipe e ele, claro, não conseguiu deixar de perguntar sobre a ilha, e mesmo já tendo dito a história mais de 100 vezes, não me importei em contar mais uma vez. Alex trouxe Nastia para mais perto de nós e passou o tempo todo brincando com ela, Alex fala com nossa filha enquanto bota as bóias em seus pequenos bracinhos.
_ Vamos nadar com o papai? Hein?- ela não responde, mas ri da careta que o pai faz. Alex se aproxima da borda da piscina, se agacha e dá um empurrãozinho para que Nastia caia na água. Não diria que ele a jogou, porque isso o faria um péssimo pai, mas foi quase isso. Não deu nem um segundo quando Maxon e Aspen pularam na água e brigaram para tentar chegar até Nastia o mais rápido possível. Provavelmente teriam chego antes se não tivessem parar para brigar entre si. Tudo isso em menos de um minuto. Quando conseguiram chegar até a criança, a retiraram da água e a levaram de volta para a borda.
_Você é maluco?- Nicoletta pergunta para nós, que não conseguimos parar de rir desde o momento em que os dois pularam na água. — Ela poderia ter se afogado! Ela poderia ter morrido!
—Não se preocupem, ela nasceu numa ilha, sabe nadar. -Alex consegue dizer entre as risadas e vejo Maxon cair no chão, aliviado. Depois do choque, Alex entra na água com Nastia e continuamos conversando.
Maxon comenta sobre seus planos para Marlee e eu não poderia ter ficado mais feliz com isso. Alex disse que ajudaria claro, e que assim que voltassem para o palácio começaria a arrumar as coisas. Gostei de ver os dois trabalhando juntos, muito melhor desse jeito do que discutindo como antes.
_Vou lá dentro buscar os brinquedos. — digo quando Nastia começa a chorar. — Aproveito e levo os presentes. — me seco, boto o vestido e saio da área. Atravesso o jardim e percebo quanto tempo já se passou, vejo sol se pondo no horizonte e o tom alaranjado do céu deixar tudo mais bonito. Não havia ninguém na entrada, mas não estranhei, subi o primeiro lance de escadas só pensando no medo em que estava de brigarem comigo por andar pelos corredores molhada. Estava subindo o último degrau quando ouço a voz me chamando.
_America!
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