(POV Eunwoo)

Cansado.

Nada resume melhor o meu estado do que essa palavra de sete letras. Não estava cansado de algo em específico, o sentimento era geral. Até mesmo respirar parecia demandar um esforço descomunal, e eu só queria me jogar sobre um colchão macio e não sair nunca mais.

— Preciso que feche os olhos por favor. — Mal sabia a maquiadora que aquilo era tudo que eu queria fazer. — Obrigada.

Ao fundo eu podia ouvir Binnie e MJ darem gargalhadas de algo que Jinwoo fez, e senti um pouquinho de inveja daquela animação. Quanto ao Rocky, eu sequer precisava olhar para saber que ele estava se alongando na sala ao lado enquanto esperava sua vez de arrumar o cabelo.

— Você parece ainda mais morto do que ontem. Como é possível? — Sanha estava bem próximo a mim, podia até mesmo distinguir seu cheiro entre os inúmeros que haviam ali. Senti suas mãos apertarem meus ombros e relaxei imediatamente. Aquela massagem durou alguns minutos e quando seu toque desapareceu meu corpo tencionou novamente.

— Estou pensando em fazer uma pausa dos trabalhos. — Abri meus olhos a tempo de ver a expressão preocupada do mais novo.

— Você precisa encontrar um equilíbrio ao invés disso. Todos temos algo que nos ajuda a espairecer, você, ao contrário, está sempre se envolvendo em mais projetos. Sinto muito senhor maravilhoso, mas sua saúde mental também precisa da sua atenção. — A maquiadora saiu e ficamos apenas nós dois no camarim. — Já pedi para que me deixe cuidar de você.

— Sim, pediu. — Ele esticou seu braço e roçou as pontas dos dedos em minha bochecha. Aquele simples toque me fez suspirar. — Não podemos — murmurei contra minha vontade.

— É, você já disse isso. — Dessa vez foi Sanha que suspirou. Seu olhar triste encontrou o meu antes dele se levantar e sair.

Eu sabia que, a partir do momento que nos permitimos experimentar aquele sentimento outrora confuso, as coisas seguiriam por caminhos inadequados.

*Flashback on*

— Até mesmo as pessoas perceberam na live de hoje como você não está bem. — Sanha se sentou ao meu lado e apoiei minha cabeça em seu ombro. — Quer conversar sobre?

— Como conversar sobre algo que sequer entendo? — Tentei sorrir para tranquilizá-lo, mas acho que o máximo que consegui foi uma careta.

— Sua música ganhou o primeiro lugar hoje, isso é maravilhoso. — Sua mão encontrou a minha. — Deveria estar comemorando.

— Eu sei. Sei que preciso me cobrar menos, sei que tenho que me preocupar menos.

— Você precisa se permitir sentir mais. Ignorar um pouco o peso da opinião dos outros. Não tem nada que queira fazer? Algo que soe absurdo para os demais? Prometo que te ajudo a esconder isso. — Olhei para cima e ele sorriu me encorajando.

Acontece que havia algo que eu queria, que tomava meus pensamentos diariamente e que provavelmente se encaixava no termo absurdo. Preenchido por uma coragem súbita, toquei seu queixo com suavidade e puxei seu rosto até meus lábios roçarem os seus timidamente.

Eu só não estava preparado para a reação do mais novo. Sanha segurou minha nuca e aprofundou o beijo me fazendo gemer contra sua boca.

— Com isso eu certamente posso te ajudar. — Sua respiração fez cócegas no meu nariz, mas foi sua fala que me fez arrepiar. — Confesso que foi difícil esperar que você tomasse a iniciativa.

— Como assim? — Ele riu e selou seus lábios nos meus uma vez mais antes de me abraçar.

— Você não era o único que queria esse beijo. — Me afastei buscando seus olhos.

*Flashback off*

Acontece que aquela relação não podia existir. E eu já não sabia se ter experimentado o gosto de Sanha tinha sido algo bom. Me sentia viciado, preso a tudo que estava relacionado ao mais novo.

Depois daquele fatídico dia eu corri até o dormitório e procurei pelo meu contrato. Li cada cláusula minuciosamente buscando encontrar alguma brecha, mas foi em vão. Relações daquela natureza eram proibidas e eu sabia que com razão, mas me senti frustrado da mesma forma.

— Vem cá. — Me assustei com o chamado de Sanha. — Anda, não temos muito tempo.

Percebendo minha confusão o mais novo me puxou pela mão para que eu o seguisse. Após alguns corredores chegamos até uma sala vazia e pouco iluminada.

— O que…? — Não consegui finalizar minha pergunta, seus lábios se moviam urgentes sobre os meus e o desejo falou mais alto que o bom senso. Me permiti desfrutar daquele beijo como se minha vida dependesse disso, e talvez fosse realmente assim. Talvez eu tivesse finalmente encontrado meu ponto de paz.

— Você pode dizer o que quiser, mas nossos sentimentos não irão mudar por conta de um contrato. E eu não vou fingir que não sinto, principalmente quando o vejo tão para baixo como hoje. Eu te amo e vou cuidar de você mesmo contra sua vontade hyung.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!