Placar Invisível

1 Prólogo : O Campeonato e o silêncio


Notas iniciais
Durante um campeonato experimental de vôlei e basquete Hinata, Kenma, Osamu, Kuroko, Kise e Takao, são abordados por pessoas desconhecidas que exigem algo deles. O que será que eles querem?

O ginásio estava fervendo antes mesmo do primeiro apito. Torcedores de vôlei e basquete dividiam o espaço, não como rivais, mas como curiosos fascinados por aquele evento misto – um campeonato experimental que colocava prodígios de diferentes modalidades no mesmo palco, alternando partidas como se cada jogo fosse parte de um único espetáculo. E de fato, era.

Hinata e Kageyama – O céu e o relâmpago

Logo na primeira partida, Hinata subiu para um ataque tão alto que a torcida prendeu a respiração.

- Caramba, Hinata! – Kageyama estourou, olhos arregalados – Dá pra pular NORMAL por cinco minutos?

Hinata caiu, rindo.

- Não dá, é meu charme! Se você quer alguém normal, pede troca de parceiro!

- EU NÃO PEDI ISSO! – Kageyama rosnou, mas já estava levantando outra bola perfeita para ele.

Hinata voou de novo, quase batendo a cabeça na antena.

- HINATAAAA!

- Relaxa, rei dos passes! Tô vivoooo!

A torcida explodiu. O placar também.

Kuroko e Kagami – O fantasma e a fera

No jogo de basquete, Kagami respirava fundo, pronto para enterrar, quando a bola sumiu da vista dos marcadores. Era o passe fantasma de Kuroko.

- Kagami-kun — a voz veio do nada – Agora!

- Já era! – Kagami rugiu, esmagando a bola no aro.

Os adversários olharam para todos os lados.

- De onde veio aquela bola?

Kuroko simplesmente piscou.

- Eu estava aqui o tempo todo.

- MENTIRA! – Um dos marcadores gritou.

Kagami riu alto, suado, batendo no ombro do parceiro.

- A gente ainda vai dar um enfarto em alguém hoje.

Kuroko apenas aceitou o elogio com a mesma calma de sempre.

Kise – O camaleão impossível

Na terceira partida, Kise observou o ala adversário com atenção.

Um drible rápido, giro pelo lado esquerdo... Ele sorriu.

- Ah, legal! Vou pegar isso para mim.

Quando o jogo recomeçou, ele repetiu o movimento com uma precisão irritante.

- Ei! Ele tá copiando meu drible! – o jogador reclamou, indignado.

Kise deu um sorriso ensolarado.

- Copiando? Não, não... aperfeiçoando!

O adversário quase espumou.

- Isso é pior!

Kise riu, driblou mais uma vez, e marcou com facilidade.

Kenma – A mente quebrando sistemas

No vôlei, Kenma parecia entediado. O técnico adversário gritava instruções complicadas. Kenma piscou duas vezes, percebendo o padrão.

- Ah, previsível. — murmurou.

Ele tocou a bola de leve, mudando o ritmo, obrigando o time do outro lado a se mover no tempo errado – uma, duas, três vezes seguidas, como um computador derrubando códigos mal escritos.

- Como ele sabe onde vamos? – o levantador rival quase chorou.

Kenma apenas abaixou os olhos de novo para a quadra, murmurando:

- Vocês deviam ser menos óbvios.

Osamu – O sabor do ponto perfeito

O jogo parecia equilibrado, até que veio a jogada de Osamu. Ele saltou sem pressa aparente, ajuste perfeito, corpo fluído como quem corta legumes. O ataque veio limpo, forte e direto na linha, impossível de defender. O ginásio vibrou.

- Beleza! — Osamu murmurou, ajeitando a camisa – Agora deu fome.

Takao e Midorima – O olho que vê tudo e a mão infalível

A bola subiu em um arco perfeito.

— Takao! — Midorima chamou, já ajustando a postura.

Takao sorriu largo, limpando o suor da testa.

— Já sei, já sei… sorte, sorte, sorte, né?

Ele avançou dois passos, parou bruscamente e lançou o passe sem olhar. A bola encontrou Midorima exatamente onde deveria estar. O arremesso veio limpo, preciso, inevitável.

Swish.

— Hã? — um dos adversários piscou — Ele nem olhou!

— Não preciso — Takao respondeu, piscando — Eu sei onde ele vai estar.

Midorima ajeitou os óculos, sério como sempre.

— Não confunda isso com intuição. É estatística e treino.

— Relaxa, Shin-chan! Seja qual for o nome, ainda vale três pontos!

A torcida vibrou. O placar crescia rápido demais para o conforto do outro time.

Por trás de cada jogada perfeita, havia olhares que não pertenciam a torcedores, treinadores ou conhecidos.

Hinata Shouyo era pura energia. A cada saque curto, a cada ataque improvável, ascendia a torcida como se fosse fogo em palha seca.

Kouzome Kenma jogava sem fazer esforço aparente. Movimentos mínimos, olhos quase apáticos – mas cada toque seu mudava o ritmo como se manipular o jogo fosse apenas um quebra cabeças.

Kise Ryouta transformava cada jogada em espetáculo. Rápido demais bonito demais, eficiente demais. Um problema ambulante para qualquer adversário.

Kuroko Tetsuya era a sombra silenciosa. Quando não era visto, decidia. Quando era visto, confundia. Não havia meio termo.

Miya Osamu atacava como se cozinhasse: preciso, calmo, mas com um temperamento que aparecia quando subestimado.

Takao Kazunari levava seus adversários à loucura. Seus passes precisos, sem nem olhar onde Midorima estava aumentavam o placar, rapidamente.

Os seis não estavam no mesmo time – mas dominavam suas partidas como se fossem peças centrais de um tabuleiro maior. No intervalo, a primeira fissura.

Kuroo Tetsurou observava de longe.

- Hmm... estranho – murmurou, semicerrando os olhos – O Hinata está conversando com alguém que eu nunca vi.

Tsukishima ajustou os óculos.

- Conversando? Parece mais sendo pressionado – ditou com desdém, mas havia tensão na voz.

De fato, Hinata dava passos para trás enquanto três homens engravatados o cercavam ao lado do corredor interno.

- É só um jogo, Hinata – dizia um deles, voz calma demais – Você pode errar um ataque. Não vai doer em ninguém.

- Eu não quero – Hinata respondeu, firme, apesar do olhar nervoso – Eu não jogo assim.

O homem sorriu, torto.

- Isso é lamentável.

Antes que continuassem, Kageyama apareceu, chamando:

— Hinata, o técnico quer falar com você!

Os três homens desapareceram no corredor oposto, rápidos demais. Organizados demais.

Kageyama franziu o cenho.

- Quem eram esses caras?

- Nada! Nada! – Hinata mentiu mal, sorrindo nervoso – Só fãs estranhos.

Kageyama não acreditou, mas o jogo chamava.

No outro canto do ginásio, Kuroko também era abordado.

- Jogador fantasma, hm? – disse uma mulher elegante, postura rígida – Admirável...mas hoje, seria melhor não brilhar tanto.

Kuroko inclinou a cabeça.

— O basquete é meu trabalho. Não posso simplesmente...apagar.

- Pode sim. – ela sorriu sem humor — Ou deveria.

Kagami chegou estalando os dedos.

- Algum problema aqui?

A mulher deu três passos para trás, impecável, e saiu como se nunca tivesse estado lá. Kagami resmungou:

- Não gostei disso.

- Nem eu. – respondeu Kuroko.

Próximo dali Kise enfrentava dois homens robustos.

- Modelinho bonito, heim? Sabia que sua derrota paga um bom dinheiro?

Kise sorriu, o sorriso mais falso que alguém poderia dar.

- Sabia que uma denúncia também rende uma boa investigação?

Os homens se entreolharam.

- Cuidado, garoto.

Osamu encontrou três sujeitos perto das barracas de comida.

- Oi! Vocês estão perdidos? – perguntou casualmente.

- Não! Viemos lembrar que ninguém gosta de surpresas no placar.

Osamu apenas ergueu as sobrancelhas.

- E eu vim lembrar que estou com fome e sem tempo para conversa fiada. Saiam da minha frente.

Eles saíram, mas a forma como o olhar dos três se demorou nele... não era normal.

Takao se afastou para pegar água quando percebeu duas figuras paradas perto do túnel. Não usavam uniforme, nem credencial visível. Um homem e uma mulher. Discretos demais.

— Você joga bem — disse o homem, sem rodeios — Vê coisas antes de todo mundo.

Takao inclinou a cabeça, curioso.

— Uau, elogio profissional agora?

A mulher deu um passo à frente.

— Campeonatos como este movem muito dinheiro. Às vezes… é melhor não enxergar demais.

Takao riu.

— Ah, entendi. Vocês querem que eu fique cego?

— Só um pouco menos atento — o homem respondeu — Um passe errado, um tempo fora do ritmo. Nada óbvio.

Takao levou a garrafa à boca, bebeu com calma e então encarou os dois. O sorriso ainda estava lá. A leveza, não.

— Desculpa — disse ele — mas eu jogo pra ganhar. E pra ajudar meu time.

A mulher suspirou, como quem já esperava.

— Pense bem. Pessoas atentas demais costumam se perder.

Takao deu um meio sorriso torto.

— Engraçado… normalmente quem se perde é quem não sabe onde está olhando.

Os dois se afastaram, sumindo pelo corredor.

Kenma apenas suspirou quando os “desconhecidos” tentaram abordá-lo.

- Não! – disse Kenma, secamente antes mesmo de ouvir o que queriam.

- Não o que?

- Não vou perder de propósito. Tenho pressa para ir pra casa jogar.

— Você deveria reconsiderar.

- Não vou!

Todos ganharam e brilharam, e todos, sem exceção foram vistos discutindo com pessoas que ninguém conhecia. Nada aconteceu na hora, apenas três dias depois.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.