Notas iniciais
A fanfic foi inspirada no Plot: https://twitter.com/fanctions/status/918619531987255296
Espero que curtam!

— Então, para aula que vem, quero uma pesquisa sobre cônicas, com fórmulas, gráficos e sem esquecer as referências.Bom final de semana.

Bufei.

O professor apagou o quadro e reuniu seu material logo após o sinal tocar. De fato, geometria era uma das matérias mais irritantes de toda a minha vida estudantil.

Me espreguicei e colei um post-it no caderno de cálculo com ao assunto referente a pesquisa e me virei na cadeira para encarar Marlene.

— Quando é a próxima aula dele?

— Segunda-feira. – Ela disse consultando o horário das aulas colado na contracapa do caderno. – Ele acha que passar um trabalho para dois dias vai fazer a matéria se explicar sozinha?

— Eu realmente não entendi como um sinal de menos faz uma elipse virar uma hipérbole. – Potter disse enquanto devolvia a caneta para a banca de Marlene.

James Potter.

James e eu nos conhecemos e estudamos juntos desde a quinta série. De início, ele era uma criança muito irritante e baderneira que adorava pegar meus cadernos e esconder meus materiais por pura diversão. Intragável, eu sei. E quando ele foi entrando na puberdade, nem se fala! Ele se juntou com Sirius e os dois brincavam de ser jogadores espinhentos, horas flertando com as menininhas e cantando vitória com o time, outras perturbando nas aulas e corredores. Me pergunto se existe um livro de visitas à diretoria onde eles treinaram as assinaturas de tantas as vezes que foram lá.

— Nem me fale, James! – Marlene bufou e jogou os longos cabelos pelo ombro. – Flitwick não consegue desenhar uma reta no plano cartesiano, imagina diferenciar isso?

— Eu ainda tenho que fazer aquelas coisas estranhas do Slughorn... – Potter passou a mão pelos cabelos, parecendo estar entediado. – Como eu vou adivinhar pra que lado gira a droga da molécula?

Potter conseguia ser realmente irritante e chato. Ele anda por aí, junto com o Sirius, se achando o mais maravilhoso, inteligente e habilidoso nos esportes de toda a comunidade acadêmica. E eu nem conto o terror do segundo ano, quando Potter enfiou na cabeça que queria a todo custo sair comigo e estava completamente caído na minha, foi um conto de horror. Nesse tempo vivíamos em pé de guerra e eu realmente o odiava com todas as minhas forças.

Mas nesse último ano, começamos com o pé direito. O garoto têm dado um tempo nas irresponsabilidades e “mesquinhice”, fazendo com que nós conseguíssemos conviver cordialmente e darmos uma trégua ao meu gigantesco ódio e desgosto por Potter, transformando-o em apenas irritação quando ele está muito chato.

— É só ver o eixo que ela tá distribuída, Potter. – O moreno me olhou como se eu tivesse recitado um mandamento da tábua de esmeralda em latim.

— Claro, claro... Como nunca pensei nisso antes? – Eu revirei os olhos e Potter voltou sua atenção a Sirius.

— Você finalmente vai exibir a formação do time hoje, Prongs? – Sirius chegou marotamente e sentou na minha mesa. – Fazendo mistério assim, até parece que jogou o dado pra formar...

— Aqui é pura habilidade, homem! – Potter estufou o peito e estampou um sorriso desdenhoso no rosto.

Me voltei para Marlene e observei que a morena movia rapidamente os dedos na tela do celular enquanto mordia levemente o lábio inferior. Claramente Marlene estava fazendo jus a reputação da garota mais sexy do colégio, enquanto usava o charme pra flertar virtualmente.

— Qual o alvo dessa vez? – Sussurrei e ela me mostrou a conversa com o contato “Madson”

— Ele aparentou ter grandes ofertas que me interessam – Ela sorriu maliciosa e eu ri junto.

— Leninha, eu já disse que esses homens não prestam pra você... – Sirius agora circundava a mesa da garota e massageava levemente os ombros dela. – Você precisa de alguém que se dedique a vossa senhoria.

Marlene sempre teve uma quedinha pelo Sirius. Desde que ela entrou no colégio, na sétima série, Lene achava o pequeno e espinhento Sirius uma graça com um potencial sedutor. Uma vez na oitava série ela tentou flertar com ele, mas o moreno pareceu levar na piada e saiu dando piscadelas pelo corredor para as garotas de outra série, pobre Leninha.

— Quem por exemplo? Você? – Lene riu e bloqueou a tela do celular que Sirius tentava olhar furtivamente

— Você está pondo coisas na minha boca, Leninha... – Sirius sorriu e Potter balançou a cabeça enquanto desviava a vista

— Meu bem, no dia que você fizer uma playlist sensual com músicas da Beyoncé, eu penso se você é dedicado o bastante. – A morena soltou um beijinho para Sirius e levantou da cadeira. – Vou olhar a presa, Lily. Volto já.

Sirius torceu o nariz quando Marlene passou por ele jogando os longos cabelos e sentou-se no lugar da morena, me cutucando em seguida.

— Lily, Beyoncé é aquela do “Are single ladies, are single ladies...”? — Sirius me questionou enquanto fazia uma vozinha fina numa tentativa de Beyoncé e mexia a mão ao lado do rosto como no clipe.

— Ué, eu pensei que Beyoncé era aquela do “Tan-tan-nanana-naaam...” – Potter levantou da cadeira e começou uma tentativa de catwalk pela sala enquanto tentava cantar a introdução de Crazy in Love.

Nesse momento eu me limitei a jogar o corpo pra trás e rir da cara de confuso de Sirius enquanto Potter continuava mexendo os quadris e fazendo pose de passarela enquanto andava.

No meio da minha crise de risos, senti uma mão em meu ombro e me virei para olhar Remus com a cara de quem estava morrendo de medo de entender o que estava acontecendo ali.

— Por favor me diga que eles não estão usando drogas, Lily. – Remus falou entre risos depois que Sirius levantou e começou a desfilar com Potter enquanto jogava os cabelos pelos ombros.

— Seus meninos descobriram hoje o “efeito Beyoncé” – respondi vendo Potter agora usar um estojo como microfone. – E ainda nem estão no álbum mais recente.

— Eu realmente tenho medo de saber mais sobre isso… — Remus riu e começou a arrumar sua mochila. – Parece que a professora Sprout não vai vir.

— Aconteceu algo, Rem? – a Sprout não era de ter faltas, principalmente quando tínhamos mais de uma aula dela no dia.

Naquele mesmo momento, Alice, nossa representante de turma, entrou acompanhada da professora Minerva informando que a Sprout não iria dar aula porque uma de suas filhas estava com febre alta.

Comecei a enfiar minhas coisas na mochila e logo peguei o celular para escolher a playlist que eu iria ouvir na volta.

— Você vai agora, Lily? – Potter me perguntou na porta da sala, enquanto era abraçado por Marlene.

— Vou passar na mamãe hoje. – Respondi entrelaçando meus braços no de Remus, que tomaria naquele dia o mesmo caminho que eu. – Bom final de semana.

Potter arrumou os óculos e acenou cordialmente em resposta.

Minha mãe tinha um ateliê no lado norte da cidade, e em alguns dias eu ia visitá-la e aproveitava para ajudar arrumando seus pincéis e tintas que faziam parte de uma “bagunça artística”, como dizia a mesma.

— Não esquece que vamos tomar sol esse final de semana, viu mana? — Marlene me soltou um beijo e riu. – Me manda um “zap”, gatinha.

— Me chama e manda um pra mim também. – Potter piscou o olho e passou a mão pelos cabelos desgrenhados.

Revirei meus olhos e sorri para Lene em resposta.

Remus e eu caminhamos dividindo os fones e trocando indicações de livros para o final de semana até a frente da casa dele, que ficava apenas dois quarteirões do trabalho da minha mãe.

Apenas no final da tarde fui para casa, ajudei mamãe a fechar a loja e comprar alguns ingredientes para janta de hoje. Chegamos em casa e o carro do meu pai já estava na garagem, o que era estranho para nós.

— Meu sonho de princesa seria abrir essa porta e ver papai cozinhado aquela macarronada deliciosa. – falei para mamãe enquanto abríamos a porta e íamos até a cozinha.

Para minha decepção, quem estava na cozinha era apenas minha irmã, fazendo seu chá de beleza.

Petúnia ultimamente leu em alguma revista as propriedades terapêuticas das plantas e como chá de algumas ervas eram boas para a pele, cabelos e afins. Desde então ela vem tomando diversas xícaras de chás por dia e jurando que as coisas estão funcionando perfeitamente para a beleza dela.

— Pensei que você ia para casa do Válter depois do trabalho, Pet. – mamãe falou enquanto remexia na geladeira.

— Válter e eu hoje vamos a um pub com uns amigos dele. – Petúnia continuou concentrada na sua panela cheia de matinhos. – Depois de lá, ficarei na casa dele.

Petúnia vivia enfurnada na casa do namorado. Era estranho tentar entender o que ela e uma versão do Totoro faziam em um final de semana na casa dele, enquanto os pais iam viajar.

Balancei a cabeça na tentativa de abstrair todos esses pensamentos que não me cabem e nem fazem bem pra minha saúde mental e subi as escadas para tomar um banho maravilhoso e me jogar na cama.

Depois de beliscar um sanduíche de presunto e tomar meu banho, me joguei na cama e fui verificar as mensagens do meu celular.

“AS PANTERONAS”

Lene, Emmie, Alice, você

Lene:

Preparadíssimas para esse final de semana de sol? (17:45)

Emmie:

Gata, vc já olhou a previsão do tempo pra ter essa certeza? (18:01)

Lene:

Mana, bata na madeira e vire essa boca pra lá, viu... (18:06)

Alice:

Vai ser qual praia? (18:25)

Lene:

Lily e eu pensamos em alguma no litoral sul...(18:25)

Lá é mais tranquilo caso resolvam acampar... (18:31)✓✓

A discussão do grupo continuou ávida sobre o destino que iríamos ter no nosso final de semana e deixei as meninas decidindo enquanto fui olhar minhas outras redes sociais.

Eis que em um dado momento, eu paraliso.

Sabe quando você entra em estado de um “choque admirativo” e se sente como tivesse levado vários tapas na cara? Pois é.

Se você virasse o celular e sofresse de um sério problema de vista, vislumbraria apenas uma foto comum de um pós-treino de academia, mas se você tivesse uma visão boa e um nível mínimo de sensatez também seria atingido por essa foto.

Não era uma exibição de músculos ou suor escorrendo e regatas quase rasgadas, era James Potter sem camisa, de boné, segurando um isotônico e com um sorriso maravilhoso e espontâneo bem naquela face.

Fiquei perdidona sem sabe se olhava pra aquele sorriso e aquela boca, ou pra o cós do shorts baixo que permitia a Alice aqui sonhar com o País das Maravilhas Potterianas.

Com muita sensatez, printei a foto e selecionei o compartilhamento, tudo bem que as meninas também veriam essa foto em algum momento, mas ela precisava ser comentada com todas, e agora.

Selecionei rapidamente a conversa, meu celular vibrou e enviei a maravilhosa captura de tela.

Que tiro, olha esse sapão! (19:36)✓✓

Sorri com a legenda e fui olhar as notificações para ver o “feedback” ao vivo das meninas. As 50 mensagens do grupo continuavam a falar sobre praia, sol e o garoto que Marlene tentava enlaçar.

Meu celular vibrou e na tela apareceu uma caixinha rápida de notificações: “Potter, 3 mensagens”. Achei confuso e fui abrir as mensagens.

Potter

Ruiva? (19:36)

Você pode me enviar suas anotações de cônicas? As minhas estão pela metade... (19:36)

[Foto] “Que tiro, olha esse sapão!” (19:36)✓✓

O que é um sapão, Lily? (19:40)

Socorro.

E pela segunda vez naquele dia, eu senti como se estivesse levado um tapa na cara, se bem que dessa vez estava mais para um nocaute. Prazer, sou Lily beija lona.

No meio da afobação, Potter me mandou uma mensagem e então eu selecionei exatamente a conversa dele para mandar a sua própria foto.

Senti minhas bochechas ficarem quentes e enfiei a cara no meu travesseiro. Aqui jaz Lilían Evans, morta de vergonha por sua dignidade esquecida em uma foto. 9,75 em raciocínio lógico e é isso que eu faço?

Maldito seja James Potter! Quem raios decide mandar uma mensagem sobre anotações em uma plena sexta-feira? Todo mundo sabe que você vai pra farra com seus amigos do “sextou”, seu safado.

Potter:

Lily? (19:41)

Qual é? É claro que o universo está conspirando contra mim, isso só poderia ter acontecido comigo.

“AS PANTERONAS”

Lene, Emmie, Alice, você

Manas, mandei uma foto do Potter pra ele mesmo sem querer e agora ele tá me perguntando o que é sapão. (19:42) ✓✓

Lene:

Explica isso direito pelo amor do céu. (19:43)

[Foto]. (19:44) ✓✓

Emmie:

Cuidado com a besta (19:45)

E eu respondo o quê ao garoto? (19:46)✓✓

Alice:

Fala que achou ele gostoso mesmo, que a propósito está bastante.(19:48)

Alice realmente enlouqueceu de vez. Lógico que era fora de total cogitação dizer isso, Potter não iria nunca mais me deixar em paz na história da humanidade terrestre.

Levantei da cama e tirei as fotos das minhas anotações e enviei para ele. Decidi ignorar completamente a pergunta que ele tinha me feito e ele pareceu entender, simplesmente me respondeu com um emoji confuso em forma de agradecimento, sem mais nenhuma outra mensagem.

Me virei na cama tentando esquecer a minha estupidez e tentando saber com que cara eu ia olhar para James na segunda-feira. E que me abençoassem para que ele não ficasse sabendo do sapão que é.

Eu realmente não sou a pessoa mais sortuda do mundo. Realmente eu sei como estragar um final de semana.

Ajustei os óculos de sol e tomei um gole de água.

— Vem Lily. – me limitei a olhar Remus por cima dos meus óculos e virar o rosto. – Vai jogar todo mundo e se você não vier, fica faltando gente.

Voltei a me deitar na toalha e bufei.

Marlene tinha tido a excelente ideia de chamar os Marotos para a nossa praia, já que Potter tinha comentado com ela que os tios de Sirius tinham um pequeno prive no litoral que dava para abrigar todo mundo.

Ou seja, oito horas da manhã, eu dei de cara com um Potter sapão, com direito a óculos de sol, boné e calção. Fiz questão de não trocar nenhuma palavra com ele enquanto estávamos no ônibus, apenas educados e cordiais “bom dia”.

Voltei minha atenção ao livro que eu tentava ler a mesma página há cinco minutos e ignorar, de modo falho, toda a movimentação ao meu redor. Senti uma sobra a minha frente e mais uma fez ignorei meu livro pra ver alguém sentando ao meu lado.

— Fui coagido a sair do time por sua causa, ruiva. – Potter passou a mão desgrenhando os cabelos e aprumando os óculos no rosto.

— Estou mais feliz aqui, obrigada. – resmunguei tentando voltar minha atenção para o livro.

— Você tá sendo muito ranzinza, Lily.

Quem esse garoto pensa que é pra me chamar de ranzinza? Eu só quero evitar contatos que evitem surgir em mim uma vontade de me enterrar nessa areia e sair em alguma praia do outro lado do mundo.

— E você está sendo um “empata livro”. – James riu se jogou do meu lado, olhando a página que eu estava lendo.

Eu me esforcei com todas as minhas forças pra não ser engraçada, mas o conjunto James-calção-boné sorriu e eu só fiz lembrar do print “saponesco”. Ele ainda estava largado como quem se bronzeia e eu lentamente sob a lente dos meus óculos acompanhei uma gotinha de suor percorrer aquele corpo.

Nunca achei que ele ia passar de girininho pra sapão, me perdi no tempo.

— Prometo não ser mal criado se você parar de agir como uma velha. – ele virou de lado, apoiando o corpo nos cotovelos.

— Eu estou sedenta pelo conhecimento, não me atrapalhe. – revirei os olhos ironicamente e ele riu.

E lá se vai mais cinco minutos tentando ler a mesma página e olhando pra James-calção-boné.

Decidir ir nadar depois de ouvir Sirius perder tantas partidas pra Remus e Marlene, já estava começando a ficar um clima de começo de tarde e eu via do mar os meninos sentados em cima da minha toalha com caras de quem planejavam alguma coisa.

Lene acenou e levantou-se, ela ralhou algo e veio em minha direção, deixando Sirius claramente babando com a leve corridinha que ela deu até o mar. A morena mergulhou e logo nadou até mim, considerando que eu não estava tão fundo.

— Oi gata. – ela riu e arrumou o cabelo. – Sirius deu a ideia de fazermos um lual no prive vazio da tia dele

— Por mim é tranquilo, amiga.

— A gente precisa ir rapidinho no mercado comprar as coisas, cada um ficou encarregado de algo simples. – Lene mergulhou de novo. – Limpar a casa, comprar as bebidas, comidas... O básico de sempre.

— E os nossos lubrificantes, linda? – Sirius emergiu balançando o cabelo e rindo para Marlene.

Marlene jogou levemente água ele e riu se afastando para fora da água.

— Me surpreenda, lindo.

Sirius me olhou confuso e voltou novamente a olhar para a morena que já estava quase de volta na areia.

— Isso foi ironia, né? – Sirius me encarou confuso.

— Se surpreenda, lindo.

Eu ri e ele me agarrou, tentando me afogar na água.

— É claro que eu sei varrer, Lily! – Potter estava agarrado com afinco na vassoura e não queria me passar de modo algum.

— Potter, eu prefiro que você faça outra coisa.

Na divisão de trabalhos, James, eu e Emme fomos escalados para limpar a casa. Em um dado momento, Remus chegou porque havia esquecido a carteira e Emme disse que ia ajudá-lo a carregar as bebidas, junto com Sirius, me deixando sozinha com James.

Que já tinha se livrado do boné, porém insistia em continuar apenas de calção.

— Lily, é só varrer. O que pode sair de tão errado? – Potter virou-se e começou a varrer a sala.

Bufei e me voltei para a pia. As tigelas e copos estavam todos empoeirados e eu resolvi lavá-los para arrumar tudo quando os garotos chegassem com as comidas e bebidas.

Eu só conseguia ouvir o barulho da vassoura no chão e pensar no que eu iria dizer se Potter aproveitasse nosso momento à sós e me questionasse sobre “sapão”. Será que colaria se eu dissesse que foi um apelido biológico? Eu sou ótima em biologia, nunca que ele iria desconfiar...

— Lily, preciso te dizer uma coisa. – James falou atrás de mim.

— Fala, Potter. – resmunguei.

Repentinamente senti um par de mãos me virarem pelos ombros e encarei Potter me olhando curiosamente. Ele parecia ter um misto de “to rindo mas é de nervoso” espalhado pelo rosto e se afastou rapidamente, passando as mãos pelo cabelo.

— O que houve? – indaguei quando ele se encostou na bancada de modo desajeitado.

— Você é minha crush.

— Como?

Eu congelei no lugar. Era muita informação de uma vez só.

James Potter me disse que eu era sua crush, e o mais assustador é James Potter saber o que é crush.

— É isso aí, Lily. – Ele voltou a bagunçar o cabelo e agarrou novamente a vassoura. – Minha crush... só achei que deveria saber.

Continuei parada no mesmo lugar por alguns minutos, enquanto Potter havia sumido no pequeno corredor que dava acesso aos quartos. Quando voltei a mim, corri atrás dele e o enquadrei.

— De onde diabos você sabe isso, Potter? – indaguei enquanto segurava-o pelo pulso e o fazia olhar pra mim.

Potter abriu um sorriso e arqueou as sobrancelhas.

— Do mesmo lugar que eu sei o que é um “Sapão”, Evans.

— Claro que não sabe! – Eu estava desesperada, amigos.

— Você me acha gostoso. – Ele riu e arqueou as sobrancelhas. – E agora quer negar isso.

— É tudo relacionado à Darwin! – Bufei e ele riu. Isso não tá acontecendo comigo. Dei a volta em meus calcanhares e virei de costas para Potter, voltando para a minha pia cheia de tigelas.

Agora acabou-se tudo. James vai pensar que eu sou uma louca que tem um amor reprimido por ele.

Se bem que a crush dele sou eu.

Balancei a cabeça e tentei me concentrar no copo que já havia escorregado da minha mão várias vezes.

— Você ainda acha que eu sou um sapão? – Me virei e encarei James encostado na bancada.

— Você nem é bom em biologia, Potter!

— Poxa crush, não é isso que dizem por aí...

— Ah Potter, isso não passa de coisas da internet.

Ele riu e cruzou os braços me lançando um olhar de “te peguei, agora”, enquanto eu bufava e desviava o olhar. Eu só queria uma passagem de ida para a Sibéria, quem sabe?

— Mas você continua sendo minha crush.

— E o que você vai fazer quanto a isso? – perguntei erguendo o queixo e vendo o moreno se descolar da bancada.

— A gente seria um... como é mesmo? – James coçou o queixo e passou a mão pelos cabelos. – Ah, um OTP.

Larguei a esponja de lavar pratos e gargalhei diante dele. Um OTP? Crush? Por onde aquele garoto havia passado suas horas na internet?

— Você me surpreendeu agora. – balancei a cabeça e notei que ele parecia ligeiramente mais perto de mim.

— Eu te chamaria de “sapona”, mas não sei se vai se aplicar. – Ele riu e me olhou com o canto dos olhos. Potter parou ao meu lado e ajustou a alça do meu biquíni.

— Essa eu passo, Potter. – Suspirei. Era uma coisa muito estranha e difícil de controlar. Era o Potter, sem de calção, usando memes e mexendo no meu biquíni.

Sou uma mulher livre e cheia de hormônios, entendam.

— Sabia que não precisa ser fanfic pra OTP ficar junto? – Ele se posicionou na minha frente e me cercou colocando um braço de cada lado da pia. – É só ser consentido e...

O hálito dele tocava brevemente meu rosto e eu não estava conseguindo assimilar muito bem as palavras que ele dizia e ideia que ele queria passar, porque toda minha atenção sua boca avermelhada. Virei o rosto para o outro lado e ele pareceu ceder o espaço, mas então eu o encarei.

Segundos depois, James estava entre as minhas pernas enquanto me erguia na bancada que estava apoiando antes e sugando meu lábio inferior. Aquele safado fazia todo jus a fama que tinha, suas mãos apertavam minha cintura e subiam pelas minhas costas. Enlacei minhas pernas ao seu redor e o puxei para mim enquanto descia meus beijos até o seu pescoço. James respirou fundo.

O moreno inclinou meu corpo e suas mãos percorreram avidamente todo o meu doso, enquanto ele beijava meu colo e pescoço, acariciando meus cabelos.

Eu arfei

E naquele momento eu soube que James Potter fodia muito bem e que ele teria muito mais que um “ão” só para eu usar como adjetivos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!