Pirrônico
1 Capítulo 1
Notas iniciais
~Mario Quintana
Numa noite escura,
Pontos brilham no céu.
Ponho-me a observa-los pela janela
São tantos e tão infinitos...
Ali, vejo-me fantasiar, a esquecer dos problemas.
O luar adentra minha janela,
Pondo-me a pensar.
Por que a noite é silenciosa e por que todos desprezam-a?
Talvez seja solitária
E talvez eu esteja ficando como noite,
Escura e solitária...
É estranho, não é mesmo?
A noite silenciosa,
Daqui só escuta-se minha própria respiração
Ao me redor tudo é escuridão.
Hipnotizada pela noite,
Lembro-me a razão dos meus olhos vermelhos
E por que disto tudo.
A razão não é para se ter certeza,
É para se ter questionamento.
Queria que as estrelas fossem minhas,
Para que eu pudesse levá-las comigo para onde fosse
E para que fossem só minhas.
Na noite escura que segue,
Eu fico ali, em pé, respirando o que der para respirar
Afastando meus problemas á cantarolar
Essa música inunda meus ouvidos.
Pode até dizer-se que a intenção é ensurdecê-los,
Mas sabes o por que do volume alto?
É, para simplesmente, levar-me a insensatez, ao desvairo...
Enquanto todos dormem,
Fico, aqui, com meus devaneios.
Minha própria loucura é minha cura.
E também minha morte.
Quem sabe isso dá sorte?
Paro por um instante,
Resolvo procurar por um velho companheiro
Que não o vejo por um bom tempo...
Debaixo do meu coxão,
Há algo de capa dura e cinza,
De uma cor que um dia foi preta.
Gasta pelo tempo,
Que já não sei se foi de usa-lo ou de guardá-lo.
Minha mão, hesitante, passo o dedo pela capa,
Será mesmo uma boa ideia?
Não, já não podia aguentar ficar com essa mágoa.
Finalmente decido abrí-lo
De repente, sinto algo forte no meu peito, que sobe a garganta.
Um pequeno gemido saiu,
Enquanto lágrimas rolavam.
Amor, por que me abandonaste?
Esse tal de "amor" parece nunca ter existido,
Esse amor tão constante de mais,
Tão disparado.
Veio tão efémero, quanto foi súbito.
Limpei as lágrimas, e pus a agenda no seu devido lugar.
Ali ela seria levada ao um lugar onde encontraria suas irmãzinhas renegadas.
Uma lágrima persistente, rola em minhas buchechas.
Ela ri sarcásticamente de mim,
Brincando com minha sanidade.
Meu peito pede por ar,
Minha cabeça começa a girar.
De repente eu invejo a noite.
Ela é obscura, guarda segredos,
No entanto tem companhia,
A ela foi feita as estrelas, o luar.
E eu ainda aqui,
Num canto escuro, numa noite escura de luar
Com a solidão como minha companhia.
Essa sim era fiel a mim.
Essa é minha cicatriz.
Fumegando o vazio,
inspirando o pó.
Assim como és fiel a mim sou a ti.
Afinal, nossas esperanças são como as estrelas: brilham, no entanto não trazem luz; bonitas, entretanto ninguém alcança-as.
Notas finais
Essa é a primeira poesia que posto, mas tenho um caderno cheio delas...
Espero que tenham gostado! Até breve!
Beijokas da Pietra =D
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