Pirebon
1 Os caçadores de recompensa
Há anos surgiram os caçadores de recompensas. Pode não ser a profissão mais politicamente correta que existe, mas dá dinheiro, e tudo que dá dinheiro atrai gente. Claro que para ir bem, você precisa ter muita habilidade, não hesitar em matar alguém, e precisa ter muitas armas, muitas. Normalmente as médias de recompensa por cabeça são de 2 milhões. Claro, se for alguém valioso. Um criminoso qualquer não dava mais que 30 mil. Mas fosse o que fosse, era dinheiro.
Depois de muitos anos, a profissão começou a perder sua popularidade, o interesse das pessoas passou a ser comandado pelos computadores. Mas hoje, mais de um século depois da criação dos caçadores de recompensas. Apareceu um homem. Seu nome, Pirebon. Seu valor, 80 bilhões de Dorians. Causa, massacre na fronteira do México com os EUA. Número de mortos, mais de 800 pessoas. Como se já não bastasse, dias depois, destruiu completamente a cidade de Chicago. Causando a revolta americana. Mas não parou por ai. Uma semana depois, já estava em um novo massacre, agora na Austrália. Resultado, destruição parcial da cidade de Sidney e mais de 8 mil pessoas mortas. Não satisfeito, matou o presidente chinês, destruiu uma frota de nove mil navios italianos, derrubou a Tour Eiffel, tumultuou a Inglaterra, declarou guerra ao mundo inteiro, desafiou os EUA destruindo o centro financeiro de Nova York e para fechar extinguiu um estádio de futebol no qual haviam mais de 40 mil pessoas.
Sabendo da recompensa de Pirebon, várias pessoas do mundo largaram suas ocupações e se lançaram ás armas, em busca da recompensa. Assim se deu inicio a era dos caçadores de recompensa.
- Vamos, você já está cansado? – Disse Rhayson que caminhava depressa pelo deserto. – Nós saímos de casa há três horas. Ainda temos que sair desse deserto antes de escurecer.
- Espera, eu to cansado, vamos parar para descansar aqui. – Disse Migerian, um sujeito pequeno e curvo.
- Nada feito, vamos continuar, Pirebon não vai esperar por nós, a propósito, você está com as armas ai né? – Disse Rhayson
- Estou sim, mas vamos parar só um pouquinho, se não, terei que atirar na minha própria cabeça para aliviar essa dor. – Disse Migerian, enquanto se arrastava pela areia quente e estonteante.
- Não podemos, entenda, quantos caçadores devem estar atrás daquele sujeito? Mais de mil. – Disse Rhayson, que diferente de Migerian, era alto e possuía um topete que nunca desmanchava.
Ao longe, os dois avistaram uma pessoa correndo, ela não parecia demonstrar cansaço. Corria numa velocidade impressionante. Quando alcançou os dois disse:
- Vocês sabem pra que lado fica a praia?
Rhayson e Migerian o olharam atentamente.
- Acho que você está bem perdido. – Disse Rhayson
- Por quê?
- Estamos no deserto.
O cara olhou bem a sua volta e então concluiu.
- Droga, acho que virei na curva errada.
Então ele deu meia volta e correu rapidamente pelo deserto sem fim.
Rhayson e Migerian se entreolharam novamente e caíram na risada.
O resto do dia pareceu correr rápido, os dois não paravam de falar daquele louco que aparecera pouco tempo atrás, Migerian até esquecera de seu cansaço. Então eles caminham alegremente, mas nem imaginam o que lhes espera no fim do deserto.
Há mais de 800 quilômetros dali. Dormia Wolsen. Um cara de trinta anos. Seu corpo é repleto de cicatrizes e hematomas. Ele é caçador de recompensas há sete anos. Seu currículo é perfeito, 304 casos, 304 com sucesso. Claro que Pirebon o atraiu, mas antes tinha que cumprir uma pequena missão: pegar Khai Tâmia. Dono de uma quadrilha muito famosa na Índia pelo tráfico de drogas em grandes cidades. Ia ser fácil. Ele se levantou devagar e recolheu seu saco de dormir, estava em um acampamento no meio de uma floresta. Depois de recolher tudo, enfiou em uma mala e começou a caminhar. A floresta era escura e dominada por árvores absurdamente grandes. Depois de sair da intensidade da floresta, ele chegou a um penhasco que dava uma bela vista para uma cidade que ficava mil metros abaixo. Ele tirou de sua mochila um caderno. Abriu e folheou. Depois de muito tempo parou em uma página toda escrita e começou a sussurrar para si mesmo.
- A gangue se encontra todos os dias na rua 12 as três e vinte da manhã.
Ele consultou o relógio. E saltou do penhasco. Ele começou a deslizar no meio das pedras em uma incrível velocidade, sua calça devia estar sofrendo ali, mas ele não se importava. E chegou lá em baixo sem nenhum problema. Logo depois, adentrou a cidade.
Era uma cidade muito iluminada, com incríveis arranha-céus e ruas modernizadas. Wolsen andou rapidamente por várias ruas até que parou em uma esquina isolada. Ele consultou a relógio mais uma vez. Rapidamente sacou a arma e apontou para o fim da rua. Lá estavam cinco jovens sentados no chão enquanto fumavam maconha. Quando viram Wolsen, se levantaram.
- Quem é você? Quer morrer? Sabe com quem ta se metendo? – Disse o mais alto se aproximando dele sem se importar com a arma.
- Não gosto de responder perguntas – Disse Wolsen puxando o gatilho e estourando a cabeça do maconheiro. Os outros quatro se assustaram.
- O que quer? – Disse um dos traficantes sentado no chão.
- Vim pegar você, Khai Tâmia. 60 mil hãn? Vai dar pra pagar as contas atrasadas. – Disse Wolsen matando os outros três que estavam juntos com Khai.
Wolsen se aproximou dele, deu um grande cuspe no chão e disse:
- Vamos, levanta, vou te levar pra policia.
Khai não obedeceu. Ele estava tremendo. Sem hesitar Wolsen atirou na perna do maconheiro e depois não satisfeito atirou na outra.
- Vai logo, vai levantar ou não?
- E... eu não consigo, você atirou nas minhas duas pernas. – Disse Khai choramingando.
- Entendo, não vai levantar, então ta – Disse Wolsen atirando quatro vezes seguidas na cabeça de Khai.
Depois ele guardou a arma e puxou uma faca, com ela, decapitou o traficante e levou sua cabeça, deixando o corpo caído no lugar do assassinato.
- Você é o próximo Pirebon.
Estava ocorrendo um tiroteio na cidade de Baver. Vários policiais se escondiam atrás de carros e caminhões parados nas ruas. E os bandidos atiravam de cima de um prédio. Eles eram os Keikers Kick. Um grupo de criminosos que somada a cabeça de todos os componentes vale 213 mil. Com o surgimento elevado de caçadores de recompensa, também surgiram muitas gangues e grupos criminosos, em busca do mesmo sucesso que Pirebon obteve. Pode-se dizer que todas as gangues o levavam como ídolo. Um exemplo a se seguir.
Enquanto os policiais arriscavam suas vidas no tiroteio, há 8 quadras dali, havia um carro de policia estacionado em uma esquina, em frente a um supermercado. O policial que estava dentro dele se chama Corlious. Um policial gordo e preguiçoso que foge do trabalho toda a vez que ele vem, estava deitado no banco do motorista enquanto comia duas rosquinhas ao mesmo tempo.
- Idiotas, se matem enquanto eu descanso um pouco, mas depois na volta eu ganho os méritos. – Disse Corlious enquanto soltava algumas gargalhadas.
No campo de batalha, os policiais conseguiram acertar dois fugitivos em cheio, levando eles a nocaute.
- Estamos virando o jogo – Disse um policial ao outro enquanto escapavam de um tiro que acertou o pára-choque do carro.
- Vamos usar a estratégia 126. – Respondeu o policial
- Entendido.
Depois de dar o sinal para os outros, o policial juntou outros quatro e entrou discretamente no prédio.
- Hey, senhor, porque não fizemos isso antes? É uma ótima estratégia. – Disse uma policial se aproximando.
- Iríamos ficar com menos gente aqui, mas agora que eles estão reduzidos, podemos segurar até que eles cheguem até a cobertura.
Enquanto isso Corlious saiu de seu carro e entrou no supermercado. Pegou cinco caixas de rosquinhas, pagou e voltou para seu carro. Lá desfrutou delas, enquanto dava muitas gargalhadas.
- Vamos logo, gente, acabem com isso de uma vez estou entediado de ficar aqui dentro.
Parece que seu desejo foi atendido, os policiais chegaram na cobertura e mataram todos que tinham sobrado, encerrando assim o tiroteio. Todos os policias comemoraram.
- Muito bem, vamos comer no Shaggy´s hoje por conta do Swer. – Disse um policial com um bigode pontudo.
E todos caíram na risada enquanto entravam no carro e voltavam para a delegacia. Corlious viu os carros ao longe virando em uma esquina e então ligou o carro entusiasmado.
- Vamos lá, finalmente vocês terminaram.
Então ele disparou pela avenida contrária. Depois de vinte minutos ele já estava na delegacia, antes dos outros. E saiu rapidamente do carro.
- Fala chefinho, acabei com mais uma gangue. – Disse Corlious entrando na sala do delegado.
- Onde estão os outros?
- Eles estão vindo ai, acabei chegando primeiro, mas então, você tinha que ver, enquanto aqueles fracassados estavam em apuros, eu puxei a minha arma e matei todos bandidos. Eu fui incrível.
- Você esqueceu a sua arma na minha mesa hoje de manhã.
- Hã...si...sim...é...é que eu peguei a arma do Led. Ele acabou tomando um tiro, então eu fui e peguei a arma dele emprestada.
No mesmo momento ouviu-se três batidas na porta, depois da permissão entrou um policial alto e com boa aparência.
- E ai Led, foi fácil lá? O Corlious disse que você tomou um tiro... – Disse o delegado.
- Tiro? – Perguntou o policial confuso.
- Led... é você? O que aconteceu com o seu ferimento, você foi ao médico? – Disse Corlious percebendo que sua mentira havia sido descoberta. – Sabe delegado... é que... não era o Led, era um policial parecido com ele...
- Tudo bem Corlious, eu entendo. Admiro sua habilidade, afinal não deve ser fácil vencer sozinho aquela gangue de criminosos sozinho. Parabéns.
Led soltou um pequeno pigarro.
- Obrigado por reconhecer a minha habilidade. Essa não é a primeira vez que eu executo praticamente sozinho uma missão tão difícil. Acho que eu mereço um aumento.
O delegado olhou atentamente para Corlious e depois voltou a falar.
- Tudo bem.
- O QUE? – Precipitou-se Led.
- Obrigado, estou muito honrado.
- Você terá um aumento e será promovido a policial chefe. – Disse o delegado com um sorriso misterioso.
Led não conseguia acreditar no que estava vendo. Será que o delegado tinha sido enganado tão facilmente?
Por dentro, Corlious dançava e comemorava como se tivesse ganhado na loteria.
- E como primeira missão no novo cargo. Quero que pegue esse homem. – Disse o delegado pegando um cartaz de procurado que estava debaixo de sua mesa.
Corlious olhou atentamente. Ele começou a tremer e suar.
- E...esse homem... você quer que eu pegue esse homem? Pirebon, o homem de 80 bilhões?
- Exatamente.
- FICOU LOUCO? ELE ME MATARIA APENAS COM O OLHAR – Gritou Corlious
- Você não disse que executa todas as missões sozinho? Que é o mais habilidoso? Então você está qualificado a isso.
- Ninguém no mundo está qualificado a fazer isso, é suicídio. – Disse Corlious
- Não se preocupe, se conseguir, seu salário vai aumentar em mais de 300%, seu cargo será o mais elevado da policia, e acima de tudo... poderá ficar com toda a recompensa.
O estomago de Corlious deu três voltas.
- Toda a recompensa? Está falando a verdade?
- Sim
Corlious pulou. Começou a cantar e bater nas costas de Led com tremenda empolgação.
- Certo, eu aceito, mas quantas pessoas vão comigo mais ou menos. – Perguntou Corlious curioso
- Você sozinho
- Quer que eu o pegue sozinho? Mas... – Corlious olhou para o delegado, seu olhar era tremendamente macabro depois virou o olhar e viu Led esboçar uma expressão de desapontamento. – Certo, eu aceito, mas não esquece, eu fico com a recompensa.
- Pode ter certeza que sim. – Respondeu o delegado.
Mais feliz que nunca, Corlious se retirou da sala, passou em sua escrivaninha, pegou um trocado que estava sobre ela e desceu rapidamente as escadas.
Enquanto isso, Led permaneceu imóvel.
- O que aconteceu Led? Está sentindo alguma coisa?
- Eu não posso acreditar que você aumentou o salário daquele inútil e ainda o promoveu sem ao menos ele fazer nada. Você sabe que ele foge das missões e depois fica dizendo que fez tudo sozinho, só para ganhar sua confiança, e você ainda cai nessa?
O delegado soltou uma gargalhada.
- Eu sei que ele não faz nada. Eu o mandei nessa missão para que ele saia do nosso caminho. Eu disse que ele podia ficar com a recompensa, porque sabia que ele morreria facilmente nas mãos de Pirebon.
- Agora eu entendi. Mas, só por curiosidade, você sabe algo desse cara? Além de seus feitos? – Perguntou Led
- Não, mas pelo que ele fez até hoje, deve ser a personificação da morte.
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