Pirebon
2 O início de uma era
Muito longe dali havia uma pequena floresta. Era preenchida por árvores cheias de vida e animais exuberantes. Lá existe uma escola de espadachins. Ela nunca foi tão famosa, mas já teve grandes alunos que mais tarde fizeram sucesso lutando em guerras. O nome do professor é Gewder. Ele fundou a escola há vinte e três anos. Possui uma habilidade inconfundível com a espada e tem um bom coração. Ultimamente ele treina apenas 8 espadachins.
Em um dia de muito sol, Gewder treinava alegremente seus alunos, então percebeu que um deles estava estranho. Esse é Zayer. O aluno mais experiente da escola, Gewder admite que com um pouco mais de treinamento Zayer poderia supera-lo.
— O que você tem Zayer?
— Mestre, você acha que eu já sou forte?
Gewder mirou Zayer nos olhos. Ele parecia determinado a algo.
— Claro que sim, você já é quase tão forte quanto eu.
Zayer sorriu.
— Obrigado, era isso que eu queria ouvir.
Zayer se virou e começou a andar para uma janela ali perto que estava escancarada.
— O que pretende fazer? – Disse Gewder curioso.
— Eu vou matá-lo. – Respondeu Zayer sem se virar.
Gewder arregalou os olhos e perguntou.
— Quem você vai matar?
— O homem que matou minha família. – Respondeu Zayer com uma voz ríspida.
Gewder congelou.
— O... o que disse?
Os outros alunos pararam de treinar para ouvir a conversa.
— Você acha que poderá esconder isso de mim pra sempre? Há 17 anos, uma pessoa de apenas 3 anos de idade destruiu toda a minha vila. E como ordem do governo, vários samurais foram enviados para lá. Todos para conter uma pessoa de 3 anos. Você era um deles, e no meio dos destroços você me encontrou vivo, me trouxe pra cá e fez de mim um samurai. Descobri isso a um tempo fuçando o seu caderno de missões. Devia escondê-lo melhor. – Zayer fez uma pausa e depois voltou a falar. – Esse fato, depois de normalizado, foi mantido em segredo pelo governo, seria vergonhoso que todos soubessem que eles não conseguiram segurar uma criança de 3 anos. Mas por vários outros feitos ocorridos recentemente, essa pessoa que matou minha família e destruiu minha vila, é conhecido hoje como o homem mais procurado de todos os tempos. Pirebon.
O silencio reinou. Gewder permaneceu incrédulo enquanto os alunos tremiam.
— O que está dizendo? Você tem conhecimento do poder de Pirebon? É acima de qualquer espadachim, está fora de nossas dimensões. – Disse Gewder
— Não me importa, eu evoluí durante todo esse tempo eu me contive para poder ficar bem forte e poder derrotá-lo. Obrigado mestre, eu devo muito a você. – Disse Zayer saltando da janela e desaparecendo.
Os alunos tentaram evitar, mas não deu certo. Gewder apenas permaneceu parado olhando para a janela.
— O senhor não vai fazer nada? Vai deixar ele fugir? – Perguntou um dos alunos exaltado.
— Então foi pra isso que ele treinou tanto? – Murmurou Gewder.
— O senhor não respondeu a minha pergunta. Vai deixar ele fugir? – O aluno estava quase partindo pra cima do mestre.
— Ninguém mais pode pará-lo. – Disse Gewder. Ele andou vagarosamente até a janela e olhou em direção ao sol. – Isso é uma promessa, Zayer.
Entre as gigantes montanhas do Monte Silger existe uma pequena casa de madeira. Mesmo não aparentando a casa sempre foi muito resistente, ela agüenta diariamente a mudança de clima na região que pode levar a acontecer no mesmo dia um furação e um terremoto.
Aquele lugar é na verdade uma pequena empresa de caçadores de recompensas chamada Ghor Toyer. Liderada pelo velho Sir Boguian.
Em um dia chuvoso um homem mal vestido e barbudo adentra a casa.
— Boguian – Gritou o homem irritado, não houve resposta – BOGUIAN.
O velho homem apareceu mancando de trás de uma cortina.
— Olá Diwas, como foi a caça? Conseguiu a recompensa?
— Claro que consegui, mas você me meteu em um grande apuro hein? Quase perdi minha vida nesse caso – O homem ajeitou sua camisa rasgada – Essa foi a última vez que pego alguém acima dos 100 mil.
— Tudo bem, como quiser, agora passa a recompensa.
Diwas abriu uma bolsa preta que estava em suas costas e retirou de lá 110 mil dorians.
— Muito bem, muito bem. – Boguian contou o dinheiro com calma e separou uma pequena parte – Pronto, aqui estão seus 30%.
O homem pegou o dinheiro e sem mudar sua expressão rabugenta enfiou na mala.
— Certo, me mostra os cartazes de procurados, dessa vez eu que vou escolher – Disse Diwas
Boguian abriu uma gaveta, retirou vários cartazes empoeirados e os entregou a Boguian.
— Deixe me ver – Disse Diwas olhando calmamente um por um, até chegar a uma conclusão – Quero essa, Quina Almond, 80 mil.
— Muito bem, Quina foi vista pela última vez há dois dias no sertão de Kedes. – Disse Boguian olhando em seu computador – Boa sorte.
Diwas se retirou sem dizer nada.
Uma vez sozinho Boguian colocou seus pés sobre a mesa.
— Ai ai ai, os caçadores de hoje estão cada vez piores, com medo de marginais que valem 100 mil, isso é uma piada. Antigamente cheguei a pegar gente com 600 mil.
A porta se abriu. Entrou uma mulher atraente vestida com uma roupa preta.
— Uau, minha caçadora predileta. Bom pelo menos é a mais competente.
Mas ela não pareceu ouvir o que ele disse, ela estava totalmente séria, no mesmo momento Boguian também mudou o tom de sua voz.
— O que quer?
— Patético. Todos que você me manda pegar não passam de uns fracos que morrem sem dificuldades. Não estou gostando, quero alguém forte, que me de diversão.
— Uau, fiquei impressionado, as cabeças que você pegou são as mais valiosas do momento.
— Mentira, me mostra os cartazes de procurados
— Como quiser.
Boguian pegou os cartazes e deu na mão da mulher
Depois de analisar todos, ela falou com uma voz de desprezo
— Não é possível que só tenham esses fracotes, decepcionante.
Quando ela olhou para Boguian percebeu que ele estava jogando algo no lixo.
— O que é isso Boguian?
— Nada não, nem sei o que isso faz aqui, já devia ter jogado no lixo a muito tempo.
Imediatamente a mulher se abaixou e resgatou o papel jogado no lixo.
— Hey Keyna, o que você quer com isso? Não tem nada de importante ai.
A mulher, que leva o nome de Keyna, nem respondeu. Estava olhando fixamente para o cartaz. Depois de um tempo esboçou um sorriso pela primeira vez.
— Esse é perfeito, já ouvi muito sobre ele, está na hora de comprovar se é tão forte assim ou é só lenda
— O que está dizendo? Quer esse ai? Tem certeza? – Perguntou Boguian se levantando da cadeira.
— Sim, é perfeito – Keyna soltou o cartaz no chão e deu meia volta – Pode confiar em mim, eu conseguirei
— Keyna, você não sabe onde está se metendo, isso é perigoso, esse homem é muito mais do que apenas um “bandido” ou um “marginal”.
— Eu já me decidi. – Disse Keyna secamente saindo da casa de madeira.
— Que mulher teimosa, acho que essa foi a última vez que a vi. – Disse Boguian pisando no cartaz que Keyna jogou no chão – Maldito Pirebon, vai trucidar a Keyna sem dó.
O sol estava começando a se por no deserto. Rhayson usava suas últimas forças para andar, mas Migerian já tinha se entregado ao cansaço.
— Rhayson, não dá mais, vamos fazer uma cabana e dormir aqui – Disse Migerian se atirando no chão
— Olhando agora sua idéia não parece ser tão ruim, mas temos que continuar... – Rhayson caiu de joelho no chão, ele suava intensamente – Pirebon nos espera... precisamos...
O silêncio reinou no deserto. Migerian olhou para o amigo estirado no chão sem nenhuma força. Ele estava desmaiado.
— Hey, Rhayson, você ta bem? Acorda – Disse Migerian batendo no rosto do amigo.
Rhayson abriu os olhos devagar.
— Eu vou... morrer...porcaria...logo agora – Uma lágrima escorreu do olho de Rhayson.
— Não vai morrer não – Gritou Migerian determinado
Ele se levantou cambaleante colocou Rhayson nas costas, pegou a mala das armas e a mala dos mantimentos e caminhou depressa pelo deserto. Ele não sabia de onde tirara tanta força para isso, mas não podia parar agora a vida de Rhayson estava em jogo. Depois de andar cerca de 200 metros a luz começou a apagar, seu suor se tornou gélido e a dor em suas pernas parecia insuportável.
— Agüenta mais um pouco Rhayson, eu não vou deixar você morrer, iremos achar o Pirebon e matá-lo, nós dois, eu prometo.
Depois de superar todos os limites do corpo de um ser humano, Migerian carregou cerca de 90 Quilos nas costas durante 13 Km. Mas em recompensa, ao chegar em uma determinada área do deserto, ele avistou ao fundo uma cidade.
— Estamos chegando... Rhayson – Seu rosto já estava totalmente pálido.
Migerian caminhou com extrema dificuldade até a entrada da cidade. Ele já nem sentia mais dor, parecia mais um morto vivo.
— Chegamos Rhayson, finalmente, vou te levar a um hospital... – Migerian caiu duro no chão e desmaiou.
Uma pessoa armada que aparentava ser bem fria atirou sem hesitar na cabeça de Rhayson e Migerian, os matando. Ao fundo uma pessoa com cabelos negros e uma aparência débil ria sem parar.
Migerian saltou da cama, estava suando. Ele olhou em volta e viu Rhayson sentado ao pé de uma cama ao lado da sua.
— Rhayson, você está bem? – Disse Migerian ofegante.
— Sim, graças a você, obrigado. – Disse Rhayson alegre.
Os dois se olharam um pouco e depois correram para se abraçar.
— Eu trocaria minha vida pela sua Rhayson, você ainda tem sonhos a realizar e eu vou te ajudar até eles se realizarem – Disse Migerian – Pirebon terá problemas com agente.
Os dois caíram na risada.
— Pirebon terá problemas com vocês? Isso foi uma piada? – Disse um homem velho e barbudo saindo da escuridão.
— Quem é você – Perguntou Rhayson
— Vocês devem muito a mim – Disse o velho – Eu resgatei vocês na entrada da cidade e os trouxe para cá, se estivessem lá até agora estariam mortos, ou como vocês acham que chegaram aqui nesse lugar?
Os dois olharam em volta.
— Essa é a sua casa? – Perguntou Migerian
— Sim. – Respondeu o velho com uma voz rabugenta
— Obrigado, mas nosso estado de saúde era grave? – Perguntou Rhayson.
— Eu não sei, não sou médico. Não dei nada a vocês, apenas os deixei repousarem, provavelmente estavam só cansados.
— Então por que morreríamos se você não nos resgatasse? — Perguntou Rhayson confuso.
O velho abriu um largo sorriso.
— Não se pode baixar a guarda nessa cidade, qualquer descuido e você é morto – Disse o velho com um sorriso misterioso – Estamos em Tohert Town, a cidade mais violenta da região. Mais de 85% da população dessa cidade são bandidos com preços altos por suas cabeças.
— Mas por qual motivo eles nos matariam? Não fizemos nada a eles. – Disse Migerian
— Eles não se importam com isso, não pensam duas vezes na hora de atirar, por isso a cidade está sempre em guerra.
— E por que você mora logo aqui? Por que não foge? – Perguntou Rhayson
— Não tenho medo deles, essa é minha casa e ninguém vai me tirar daqui. E se existe alguém nessa cidade que eles respeitam esse sou eu.
— Sério? Você não parece ser tão forte assim – Disse Rhayson
O velho gargalhou.
— Alguma vez vocês já ouviram falar de Bockor Luckended? – Perguntou o velho.
— Não – Responderam os dois ao mesmo tempo.
— Droga de jovens sem cultura. – Disse o velho socando a mesa – Bockor Luckended foi um dos maiores caçadores de recompensa da década de 60. Ele chegou a pegar bandidos com cabeças a preço de 17 milhões. Todos tinham medo dele. Sua habilidade com a pistola, sua velocidade de raciocínio e muitas outras coisas assustavam até o maior dos inimigos.
— E ele está aqui na cidade? – Perguntou Rhayson
— Exatamente
— E onde está? Podemos pegar algumas dicas com ele – Disse Rhayson animado
— Ele está bem a sua frente. – Respondeu animado o velho
Os dois ficaram sem entender
— Você é Bockor Luckended? — Perguntou Migerian
— È sou eu mesmo.
Os dois soltaram um grito.
— Verdade? Você é tão forte assim? – Perguntou Rhayson
— Eu fui bem forte, mas hoje já estou velho demais para isso. – Disse Bockor
— Você era mais forte do que o Bled White e o Korton Sink são hoje? – Perguntou Migerian interessado.
Bockor gargalhou novamente.
— Esses caçadores de hoje... – Ele respirou fundo –... não passam de uns inexperientes fracotes. Na minha época eu poderia citar uns dez caçadores mais fortes que esses ai, e eu sou um deles.
— Incrível! – Exclamou Migerian – Você acha então que se estivesse em forma poderia capturar Pirebon?
O silêncio pairou no aposento.
Bockor soltou uma risada sem graça.
— Pirebon... ele... – Bockor engoliu um seco – Ele está mil patamares acima. Não consigo entender como nasceu tal ser humano, como possui esses poderes assombrosos. Com certeza ninguém que já passou por esse mundo poderia matar Pirebon. E eu ainda digo que jamais nascerá alguém capaz de realizar tal feito. O mundo continuará tendo problemas até que ele se canse.
— Por que ele faz isso? Tem algum motivo especial? – perguntou Rhayson
— Por prazer, puro prazer de destruição.
— Não importa que ele seja absurdamente forte, nós dois vamos pega-lo, certo Migerian?
— Com certeza
— O que vocês têm na cabeça? Querem se matar? Aconselho a ficarem longe dele. – Disse Bockor com uma voz séria.
Agora foi a vez dos dois esboçarem um sorriso.
— Nós não temos medo, por mais que morrermos tentando, eu não vou desistir. – Disse Rhayson
Bockor foi até a pia e pegou duas xícaras chá.
— Eu já ia me esquecendo, fiz chá para vocês
Os dois agradeceram e pegaram a xícara.
— Olha, sobre o Pirebon, eu não sou ninguém para impedi-los, mas apenas aviso que é perigoso.
— Aliás, você era bem forte não é? Por que não nos dá alguma dica de como ser forte? Algum truque ou estratégia – Disse Rhayson esperançoso.
— Bobagem, vocês tem que aprender a serem fortes sozinhos. Treinem antes de qualquer coisa. – Disse Bockor
— Vai anotando Migerian – Disse Rhayson
— Tudo bem – Disse Migerian sacando um bloco de papel e uma caneta da mochila
— Idiotas, não vou dar nenhuma dica.
— Ahhh, que droga, nos ensine algo, por favor – Implorou Rhayson
Bockor observou eles atentamente, ele estava pensativo.
— O que foi? – Perguntou Rhayson
— Agora que você falou sobre isso, eu me lembrei. – Disse Bockor voltando a consciência. — ainda tem o Pilgard.
— Pilgard? Quem é esse? – Perguntou Migerian
— Eu não... – Bockor ficou analisando os dois da cabeça aos pés. Relutou por alguns momentos até que voltou a falar – Vocês foram as únicas pessoas que entraram na minha casa dês da aparição de Pirebon, e tenho certeza que não irão querer ir embora sem um conselho decente.
Os dois concordaram.
— Muito bem, Pilgard nunca me proibiu de contar sobre ele, e como vocês são caçadores totalmente inexperientes, acho que não há problema. – Bockor respirou bem fundo e voltou a falar – Pirebon perdeu seus pais cedo, com apenas um ano de idade..
— Como eles morreram? – Interrompeu-o Rhayson
— Ele mesmo os matou
Os dois arregalaram os olhos.
— Depois matou toda a sua família, no qual apenas um membro conseguiu sobreviver. Seu tio, o ex-caçador Pilgard. Éramos muito amigos os dois. Tenho certeza que ele poderá lhes contar coisas sobre Pirebon que ninguém no mundo sabe hoje em dia, poderá deixá-los um passo a frente de todos.
Os dois pularam da cama.
-LEGAAAAAL – Gritaram animados.
Eles começaram a dançar alegremente enquanto gritavam e cantavam.
— CALEM A BOCAAA – Gritou Bockor.
Imediatamente eles se sentaram.
— Pilgard está velho e tetraplégico depois de fugir de um ataque de Pirebon, ele está totalmente debilitado, portanto exijo respeito enquanto estiverem em sua casa.
— Pode deixar, aliás onde ele mora? – Perguntou Rhayson
— Ele mora em Mephin. Na rua dos Jordanos número 185. Digam a ele que vocês são enviados meus, se não ele não vai recebê-los, dês que Pirebon se tornou famoso ele nunca mais recebeu visitas. Apenas de amigos muito próximos.
— Mas como vamos saber o caminho para Mephin? – Perguntou Migerian
Bockor os olhou seriamente.
— Droga, esqueci que são totalmente inexperientes.
Bockor foi até uma estante majestosa de madeira, abriu uma gaveta e tirou um papel e depois uma caneta. Os cinco minutos seguintes foram marcados por Bockor desenhando. Rhayson e Migerian aguardaram ansiosamente.
— Muito bem, esse aqui é o mapa – Disse Bockor
Migerian pegou e o analisou.
— Bom, você não desenha tão bem, mas dá pra entender. – Disse Migerian
— O que é isso? Um cachorro? – Perguntou Rhayson
— É um avião, isso é um aeroporto. – Disse Bockor irritado.
— Acho esse mapa inútil... – Disse Rhayson
— Nada disso, é um bom mapa, obrigado por tudo que fez por nós Sr. Bockor – Disse Migerian
— Já pretendem partir?
— Claro, quanto antes melhor – Disse Rhayson animado
Bockor os admirou.
— Gosto da determinação de vocês, se passei o endereço de Pilgard é por que confio em vocês.
— Obrigado, eu prometo, nós vamos derrotar Pirebon. Isso é uma promessa – Disse Rhayson.
— Assim eu espero.
Rhayson e Migerian se despediram de Bockor e foram embora.
— Que garotos ingênuos. Você é bom mesmo para criar nomes hein? – Disse um homem com o cabelo longo saindo de um armário – Pilgard, a pronuncia é boa.
Bockor gargalhou.
— Foi divertido enganá-los, qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de história saberia que Bockor Luckended morreu há 15 anos.
Os dois riram friamente.
— Você devia ter contado logo que TODOS sem exceção são bandidos, você pode estragar a imagem da cidade.
-Bobagem. Isso se chama negócio. – Disse Bockor.
— Mas eu tenho uma duvida, por que você mesmo não os matou? – Perguntou o homem.
— Eu estou com uma divida enorme com o Waizer. Prometi que mandaria iscas ainda esse Mês.
Enquanto andavam em direção a saída da cidade, Rhayson parou.
— Hey Migerian por que não paramos aqui e comemos uma boa comida? Na nossa mochila não tem nada decente.
— Boa idéia.
Os dois andaram rapidamente para um pequeno bar com paredes de madeira, tudo naquela cidade parecia ser de madeira.
Quando entraram não viram nada mais do que várias pessoas com músculos exuberantes sentados as mesas enquanto bebiam grandes copos de cerveja.
— Cuidado Rhayson, lembra do que o Bockor falou, essa cidade é cheia de bandidos. – Disse Migerian no ouvido do amigo.
— Oi, por favor, me vê uma porção de batatas? – falou Rhayson
Nesse exato momento um homem que parecia ter dois metros de altura esbarrou em Migerian derrubando-o no chão e jogando cerveja nele.
— Hey pirralho, olha o que você fez, derrubou minha cerveja.
— Eu não fiz nada
— Cala essa boca – Disse o homem pisando em Migerian.
— Para com isso – Disse Rhayson socando o homem
— Seu pirralho de merda – O homem deu soco em Rhayson o atirando do outro lado do balcão.
— Droga – Disse Rhayson com o rosto sangrando.
Vários outros bandidos levantaram de suas cadeiras e começaram a bater em Migerian.
— Parem com isso – Disse Rhayson saltando em cima deles.
Migerian tentou levantar, mas foi derrubado novamente e pisoteado.
Rhayson pegou a arma da mochila e atirou no teto. Todos pararam.
— Se vocês não pararem eu atiro.
Um homem apareceu por trás de Rhayson e apontou uma arma para sua cabeça.
— Acho melhor você soltar essa arminha seu pirralho – Disse o homem.
Rhayson não teve escolha e abaixou a arma.
Todos começaram a gargalhar, um homem sem camisa deu um chute em Rhayson o jogando longe. Imediatamente um homem o pegou e o jogou contra uma mesa. Enquanto isso aproveitavam para bater muito em Migerian que estava totalmente sem defesa. Rhayson ficou atrás da mesa escondido pensando em um plano. Quando teve uma idéia se levantou, pegou a arma e ficou de pé em frente a porta.
Um homem empurrou os outros para trás e começou a dar bofetadas na cara de Migerian com muita força, no exato momento a cabeça do velho homem explodiu. Era Rhayson.
— Hey seus otários, venham me pegar. – Disse Rhayson correndo para fora do bar.
— Maldito moleque. – Gritou um homem barbudo.
Todos os homens ignoraram Migerian caído no chão e correram atrás de Rhayson.
— Muito bem, preciso levá-los pra bem longe daqui.. – Sussurrou Rhayson.
Ele disparou pela cidade fazendo ziguezague nas pequenas casas de madeira.
Apesar dos bandidos serem fortes e grandes, eles não eram rápidos, e Rhayson começou a deixá-los para trás. Quando pensou em reduzir um pouco a velocidade, afinal ele estava cansado, um tiro passou perto de sua perna e acertou o chão. Quando Rhayson olhou para trás todos corriam armados enquanto disparavam tiros em sua direção.
— Volte aqui seu moleque – Gritou um homem alto, gordo e careca.
— DROGAA – Gritou Rhayson desesperado enquanto também disparava alguns tiros, mas totalmente sem mira.
Ele virou a esquerda em uma pequena rua, e nela, havia um carro passando por ali, algo inédito pra ele até agora naquela cidade. Quando o carro começou a se aproximar Rhayson pulou em cima dele e apontou a arma para a cabeça do motorista, que por sua vez era um típico turista, óculos escuros, máquina fotográfica pendurada no ombro e um pequeno chapéu.
— Vamos, desce do carro – Gritou Rhayson com pressa.
O homem imediatamente saltou do carro e Rhayson assumiu o volante.
— Podem vir agora seus otários. – Disse Rhayson em tom triunfal.
Quando os bandidos viraram na ruazinha nem tiveram mais tempo, o carro passou por cima deles em uma velocidade incrível.
— Vocês iam me pegar né? Fica pra próxima. – Gritou Rhayson indo em direção a onde Migerian estava.
O turista ficou observando os bandidos caídos no chão agonizando.
— Quando me disseram que essa cidade só tinha bandidos, eu não imaginei que eram tantos.
Migerian ainda estava caído no chão, tinha apanhado muito e seu corpo não era tão resistente. Seu rosto sangrava bastante e sentia uma dor infernal nas pernas.
— Rhayson ainda não voltou, devem ter... – Lamentou-se Migerian.
— Vamos Migerian suba aqui – Disse Rhayson parando com o carro conversível na porta do bar.
— Rhayson, você conseguiu – Disse Migerian se animando. Ele juntou todas as suas forças, se levantou e se jogou dentro do carro. – A propósito, de quem é esse carro?
— Isso não interessa agora, vamos embora – Disse Rhayson acelerando o carro bruscamente.
Migerian se arrumou na cadeira e colocou o cinto de seguranças.
— Antes de ir embora, eu quero me despedir de uns amiguinhos. – Disse Rhayson abrindo um sorriso misterioso.
— Amigos? – Perguntou Migerian confuso.
Os dois avistaram os bandidos ainda caídos no chão com o corpo coberto de sangue. Rhayson acelerou o carro ainda mais.
— Você não vai fazer isso... – Disse Migerian
— Vou sim – Disse Rhayson sorrindo.
O carro passou como um relâmpago em cima dos bandidos. Rhayson caiu na gargalhada. A única coisa que os dois puderam ver pelo retrovisor foram algumas cabeças esmagadas e alguns corpos dilacerados.
— Olha Rhayson, eles são bandidos que devem ter um preço alto por suas cabeças, por que não voltamos lá e os apanhamos? — Perguntou Migerian.
— Não quero, não sou caçador de recompensas. Eu apenas quero acabar com o Pirebon, eu prometi pro Bockor e pro meu pai...
“É verdade, eu esqueci, estamos nessa pelo pai do Rhayson” Pensou Migerian.
— Rumo a Mephin! – Gritou Rhayson ficando de pé enquanto o carro entrava novamente no infindável deserto com uma linda paisagem de pôr do sol.
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