Piratas do caribe - Entre o mar e os monstros
4 Um novo rumo
O mar agitado piora com os ventos fortes, as ondas se erguem e encharcam um grupo de piratas, que tentam a todo custo encontrar seu tesouro. A chuva atrapalha a vista e os trovões, a audição, mas Jack continua obstinado e permanece em pé, observando o horizonte sombrio.
—Senhor Nero- gritou Sparrow.—Estou aqui, capitão.—Cuide do navio, vou entrar para estudar esse mapa- no interior do navio, Jack comeu algumas maçãs enquanto procurava pistas no misterioso mapa. Por mais que procurasse, não havia pistas, só havia falsas localizações e direções trocadas, a verdade é que Sparrow enrolava sua tripulação há dias. Durante o sono, o pirata não conseguia tirar a dama que conhecera de sua cabeça. Ao amanhecer, Jack já se encontrava no lado exterior, ainda observando o mapa. Nero subiu no deque e, fitando seu novo capitão, pôs-se a falar:—Capitão.—Sim, senhor Nero.—Estamos no mar há três dias, nem sinal de ilhas e o senhor ainda não nos informou a distância até a ilha onde se encontra o tesouro.—Cartografia nunca foi o meu forte- respondeu Jack desviando o olhar.—O senhor sabe do que estou falando. Sou velho porém não sou tolo, esse mapa não é seu, assim como o tesouro.—Vejo que teve muito tempo para pensar nisso- elogiou Jack sorrindo.—Por que não avisou a tripulação?- indagou Nero com desconfiança.—Não confia em mim?- perguntou Sparrow.—Não o conheço, capitão. Como poderia?- retrucou o homem de meia idade.—Não acredito que não confie. Lhes entreguei este belo navio da Companhia das Índias Orientais e estou levando-os a um magnífico tesouro.—Jack, sabe o que faz de nós piratas? Esperteza. Somos espertos com todos para termos vantagens em tudo, é nosso ponto forte- o marujo parou para permitir que Jack compreendesse o que ele estava dizendo, mas o jovem não tirava o olhar e a atenção do mapa, então decidiu prosseguir- mas também é nosso ponto fraco. Afinal de contas, em quem confiaremos? Quem não irá atrás de nós, irritado com nossa esperteza?- Os marujos se levantaram e se dirigiram ao convés, se esticando e parando em frente ao capitão.—Bom dia senhores. Estive conversando e ouvindo os conselhos de nosso amigo, o senhor Nero. Ele está certo. Não lhes contei tudo o que deveriam saber- Nero sorriu alegre, finalmente Sparrow havia tomado jeito- na verdade, quando desenhei o mapa estava embriagado e imundo, isso foi antes de me prenderem no navio de LeFeau. Aquela mulher que foi presa comigo mexeu no mapa e como eu não o decorei, teremos de buscar uma outra forma de encontrar o tesouro. Prometo que, no máximo...em dez dias, estarão cheios de ouro e prata para gastar com meretrizes e damas da noite. —Mas não é a mesma coisa?- perguntou um marujo loiro de olhos verdes. —Você entendeu garoto. Agora vamos. —Temos um novo curso? —Temos. Deem meia volta, então sigam em frente- Nero suspira desapontado. Em outro lado do mar, um navio enorme, cheio de criaturas peludas, com vestes de piratas e cabeças de touro, há também um homem com olhar frio e roupas verdes, além de cabelos longos, jogados sobre sua face e um chapéu com pena cinza. Ele está sentado na escada de acesso para o timão, concentrado nos própios pensamentos, quando um dos monstros se aproxima: —Capitão, tudo bem? Não sai daí há dias. —Sairei somente quando encontrarem o meu mapa-esclareceu o pirata com veemência. —Eu sinto muito capitão, não há sinal ou rumor sobre o mapa em lugar algum. —Então por que preciso mantê-lo nesse navio? —Por que Jack Sparrow fugiu de uma prisão da marinha mercante, roubou um navio da Companhia das Índias Orientais e partiu para leste com parte da tripulação amotinada do capitão Le Feau- contou a fera sorrindo, seus olhos cintilavam, aguardando um sorriso de seu capitão, mas este não veio. —Quem é Jack Sparrow?- perguntou o capitão com indiferença. —O pirata que nos roubou a Safira de Perséfone. Ele estava preso com Hellen Fince. —Hmm- o capitão se levantou, pegou sua pistola e matou um pássaro que havia pousado no mastro. —Senhor Ring, trace uma rota para o oeste- o pirata tomou fôlego e berrou- procurem um navio da Companhia das Índias Orientais seus bodes sarnentos, estaríamos ricos se não fosse aquela criança, agora ele está em um desses navios e o mataremos e afundaremos seu navio e qualquer um que estiver com ele- todos os minotauros riram e se moveram o mais rápido possível para preparar o navio, o novo objetivo os motivava mais do que qualquer outro. Após uma pequena jornada, Sparrow desembarcou numa ilha com seis marujos, e navegaram por um rio estreito com um pequeno barco, passando por plantas e árvores anormais, estátuas pagãs e cipós estendidos até um grande barraco.—Esperem aqui. Ela não gosta muito de visitantes- explicou Jack saindo do barco. Quando terminou de subir uma escada até o barraco, Sparrow entrou sem ser convidado e pôs-se a observar o local, cheio de jarros de vidro com répteis, cordas amarradas e uma mesa com pedras aparentemente comuns, além de uma estante com pedras bem incomuns. O jovem capitão reconheceu de imediato uma pequena esmeralda, reluzente e sensual. Sem poder resistir, Jack olhou de um lado para outro e, ao constatar que não havia ninguém por perto, pegou a joia e guardou-a no bolso. De súbito, uma mulher negra, com vestes marrons, cabelos escuros e olhos sádicos entrou na sala e fitou Jack com um sorriso envolvente e sedutor.
—Jack Sparrow...há quanto tempo não o vejo?- indagou a mulher misteriosa.—Tempo demais tia Dalma. Me perdoe por ter roubado aquelas pedras no passado.—Tudo bem, não estou furiosa, mas quero-as de volta- exigiu Dalma.—Sim, aqui estão- e, retirando algumas pedras de um saco em seu bolso, entregou-as a mulher, que sorriu carinhosa e agradecida.—Achou que eu não perceberia?- questionou a mulher com raiva.—Quer a verdade ou uma resposta que não a deixe enfurecida?- indagou Sparrow se distanciando, mas a mulher já havia voltado ao normal.—Receio que não veio atrás de mim com desejos carnais.—Isso é verdade- a mulher revirou os olhos com decepção.—Estou com um mapa- Dalma voltou a sorrir.—É a única coisa que você gosta mais do que um bom e velho rabo de saia, não é meu doce Jack? Adora navegar atrás de tesouros. No entanto, sempre que tem um em suas mãos, vai atrás de outro e o deixa escapar.—Infelizmente tenho uma complicação, quem fez esse mapa o alterou de tal modo que somente ele saberia o que alterou e seguiria o caminho correto.—Entendo. Mas como posso ajudar?- perguntou a mulher com curiosidade.—Preciso de algo que possa me levar à localização do tesouro- Dalma riu cheia de convicção.—Tenho exatamente o que procura. Na verdade, tenho algo melhor ainda, mas não posso dá-lo sem algo em troca- Sparrow coçou a cabeça.—Que tal uma parte do tesouro? Eu uso esse meio para achá-lo e divido entre meus tripulantes e deixo uma parte bem gorda para você, o que me diz?—Uma parte de um tesouro não é o suficiente para pagar o que ela vale- esclareceu a mulher, guardando suas pedras recém-devolvidas num saco.—Então me diga o que quer- pediu Jack.sem outra opção.—Sangue de minotauro.—Sangue de minotauro?—Sangue de minotauro. Você perguntou o que eu quero e o que eu quero é sangue de minotauro.—Pra que sangue de minotauro?—É muito útil em poções, sangue mestiço- respondeu Dalma.—Como eu vou arrumar sangue de minotauro?- perguntou o pirata sem saber o que fazer.—Não sei, eu não sou você e você atrai tempestades, não eu. Por isso, saberá como encontrar. Acho que sua loucura vai ajudá-lo desta vez.—Certo. Trarei o tal sangue.—E uma parte do tesouro- completou Dalma.—Como é?—Eu disse que vale muito. Traga-me o sangue e parte do tesouro e eu deixarei com você.—Feito- concordou Jack de má vontade.—Só mais um detalhe, se concluir sua jornada sem cumprir nosso acordo, você Jack Sparrow...morrerá- a mera menção de tal palavra arrepiou Sparrow até a espinha e seus olhos se esbugalharam.—É uma ameaça? Me amaldiçoou, foi isso?—Não. Eu vi seu futuro, e se não cumprir com sua palavra, será seu fim.—Aumentou minha motivação. Agora, pode me dizer o que é tão valioso que me levará ao tesouro?- Dalma se levantou, foi até um grande baú e voltou com um pequeno objeto em suas mãos.—Não apenas ao tesouro, mas ao que mais desejar. Algo que poderá usar sempre que quiser muito alguma coisa.—E o que seria?- perguntou Jack sorrindo, seu coração batendo rapidamente e todos os seus desejos clamando seu nome.—Uma bússola.
Notas finais
Peço, para seu próprio benefício, caso encontrem algum erro me informem. Assim posso corrigir e tornar a fic cada vez melhor!!!
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