Piratas do caribe - Entre o mar e os monstros
9 A tragédia da família Fince
Notas iniciais
E novamente o capitão Sparrow está encrencado!
Dois marujos são chamados e logo acorrentam Jack e Beckett, que são levados às celas do navio comandado por minotauros. À frente dos marujos monstruosos, fedidos e suados estava Hellen Fince, com a mesma aparência e o dobro do ódio por Jack. Os dois são deixados dentro de celas uma ao lado da outra, que são fechadas sem demora enquanto Hellen esbanja seu prêmio, o mapa roubado.
— Obrigada por ter encontrado o tesouro por nós, Sparrow — Agradece Hellen encarando o jovem pirata com diversão.— Por nada. Já que está tão agradecida, poderia conceder a gentileza de me soltar?— Você é desprezível.— De você soou pior ainda — Confessou Jack avaliando a situação — Por que meus homens não se voltaram contra você e seus — Ele contém a palavra e completa — Homens?— Primeiro, não sou a capitã da Asa Celestial, segundo que suponho não conhecer a história daquele tesouro e simplesmente roubou meu mapa achando que o encontraria sem haver consequências.— Pode-se dizer que está parcialmente correta. Seu pai enterrou aquele tesouro? — Questiona Jack repleto de curiosidade.— Meu avô — Responde Hellen sacando uma adaga — Ele possuía conhecimentos místicos milenares que provém de antigos e tribais povos vindos de terras distantes. Com seus conhecimentos, meu avô conduziu uma das tripulações mais ferozes e destemidas a navegar pelos sete mares, até que decidiu enterrar um tesouro que serviria de herança para seus descendentes.— Ele devia ter reconsiderado — Comenta Sparrow revelando seus dentes surrados.— Talvez. Meu avô pôs uma maldição no tesouro. Qualquer um que passasse a desejar o tesouro seria levado a fazer o que fosse necessário para possui-lo. Como viu em seu navio, os homens quase se mataram e iriam matar você também se o capitão não tivesse decidido interferir.— Mande meus agradecimentos ao seu capitão — Hellen ignora o comentário e prossegue:— Os homens tentam matar uns aos outros para possuírem o tesouro, e assim se tornam cegos e alheios ao resto, sujeitos a seguir essa vontade continuamente até que suas almas perversas deixem esse mundo.— E ele deixou um mapa todo errado para que ninguém o encontrasse, grande homem seu avô — Observou Jack com ironia.— Não foi meu avô, foi meu pai. Ele nunca teve interesse no tesouro, preferindo realizar saques pelas fronteiras e portos pequenos no norte. Minha mãe pelo contrário, sempre desejou o tesouro, tinha isso como uma vontade doentia que a consumiu até que em algumas noites ela desaparecia tentando zarpar em busca do tesouro. Meu pai vivia tentando impedi-la e decidiu modificar o mapa de maneira que somente ele saberia como chegar à ilha, mas isso não fez minha mãe melhorar. Mesmo sem nunca ter visto o tesouro, o simples fato de o desejar já a fez ser atingida pela maldição, que em uma determinada noite tirou a vida de meu pai dominada pelo ódio de não conseguir entender o mapa. Assim que se preencheu com o sangue dele ela despertou da maldição e, ao ver o que tinha feito, deu cabo da própria vida. Essa é a história do tesouro.— Meu pai teria contado melhor — Confessa Sparrow sorrindo com alegria — Sinto muito por seus pais.— Pelo menos ele fez algo útil antes de morrer — Declara Hellen com frieza.— Te ensinou a ler o mapa — Deduziu Jack sem deixar de prestar atenção em nenhum detalhe da história.— Isso — Ela ergue a adaga na direção de Jack, mas se contém quando a lâmina abre um corte fino no pescoço do capitão — No entanto, você encontrou o tesouro.— Encontrei, mas se me permite, gostaria de entender como existem essas — Ele olha para os minotauros e imita os chofres deles.— Acredita nos deuses pagãos, Sparrow? — Jack pensa um pouco.— Vi algumas coisas que me fizeram suspeitar, por que pergunta?— O deus dos mares Netuno deu livre acesso aos mares quando os minotauros foram exilados da terra, sendo os primeiros desbravadores das águas, muito antes dos homem criar o primeiro barco. Quando os homens passaram a navegar, os demais deuses que não gostavam dos minotauros resolveram dar a capacidade do homem de dominar o mar e de expurgar as criaturas, sendo que restou um único capitão e um único navio que não haviam vítimas do plano divino. Com o advento dos piratas, Netuno decidiu que o mar jamais seria dominado por ninguém, e desde então as regras são as mesmas para todos. Aqueles que velejarem sobre o território de Netuno estarão sujeitos às artimanhas e infortúnios que as longas e tenebrosas águas aguardam.— E desde então esse pirata minotauro veleja?— Capitão Carca Noren.— Ele por acaso é imortal?— Foi um atributo que Netuno havia proporcionado à espécie desejando que cuidassem de seu domínio por toda a eternidade, mas não contava com a trama dos outros deuses.— Então eles vivem para sempre — Afirmou Jack sorrindo estupefato.— Chega de papo, Sparrow. Ainda tenho uma dúvida em aberto que precisa ser sanada o quanto antes.— Pois pergunte minha cara.— Como conseguiu chegar ao tesouro?— Como? Com meus conhecimentos dos mares. Nenhum mapa pode ser tão alterado a ponto de eu não reconhece-lo como ele realmente é — Hellen sorri e retira a adaga do pescoço de Sparrow, de onde escorre uma gota de sangue antes de ela se virar para os homens de Jack e do capitão Carca Noren.
— Avisem ao capitão que podemos seguir em frente e que vou precisar da prancha — Jack engole em seco — Senhor Nero, você e seus homens podem carregar os canhões e destroçar o navio de Sparrow — Jack encara a pirata enraivecido.— Sim senhora — Jack fica pasmo, sem saber como reagir.— Seus traidores miseráveis. Me enganaram desde o começo.— Eles não podem te ouvir Sparrow — Esclarece a senhorita Fince com um sorriso debochado — Desde que roubou meu mapa e contou a eles sobre o tesouro, tudo o que fizeram foi com um desejo inabalável de encontrá-lo, o que significa que foram pegos pela maldição. Como eu sou a herdeira do tesouro isso faz deles meus servos involuntários.— E por que estou preso aqui então? — Pergunta Carter indignado.— Além de ser aliado desse pirata condenado, vocês dois não foram atingidos pela maldição, o que significa que é algo a descobrir — Assim que todos saem dali, Jack se contém ao ouvir os canhões explodirem sedentos, destruindo cada parte do navio que tinha conquistado.— Capitão Noren — Chama Hellen com dois marujos que carregavam o tesouro consigo — Temos de levar esse navio o mais longe possível dessas águas, ainda estamos sob perseguição.— Sei disso Fince, mas talvez haja uma vantagem em nossas mãos — Exclama o capitão controlando o timão enquanto observava o horizonte e sentia a brisa balançar a faixa que cobria sua cabeça por cima de uma badana verde — Duas vantagens e for o caso.— Desculpe minha ignorância, mas o que tem em mente?— Não viu aquele jovem vestido como gente decente? Vai me dizer que nunca viu ninguém vestido daquele jeito?— Companhia das Índias Orientais — Declara Fince entendendo de imediato o plano — Mas ele não parece ser alguém importante. Talvez seja um simples assistente.— Você já foi uma simples assistente.— O que faremos no caso dele?— Vamos ver como as coisas se desenrolam, então decidiremos nosso rumo a partir de nossas descobertas futuras.— Quer mesmo descobrir alguma coisa, capitão?— Jack Sparrow é muito conhecido de onde vim, quero saber se o homem supera a lenda. Ele não é um completo tolo como se denuncia, é muito esperto por sinal, então devemos ficar de olho nele.— Pode deixar, ao menor sinal de enganação eu mesma irei terminar com a vida dele, como deveria ter acontecido em nosso primeiro encontro.— Excelente. Pode seguir com seu plano. Na cela, Beckett encarava Sparrow indignado.— Por que fui escutar um pirata bebâdo que sempre nos coloca em encrenca de uma forma ou de outra?— Por que não ajuda um pouco mais Beckett e permanece em silêncio? — Retruca Jack impaciente — Isso não passou de um contratempo. Não foi proposital, eu sequer sabia que haviam minotauros velejando nos mares, quanto mais que ficavam nessas águas.— E qual é o seu plano brilhante para conseguir nossa libertação? Seus marujos parecem estar te traindo desde o início e estamos no meio do mar cercados por minotauros.— Você não ouviu o que ela disse? Estão enfeitiçados pela maldição daquele tesouro. É impossível usar aquele ouro devido a maldição, ninguém exceto ela pode usa-lo. Isso nunca teria dado certo.— Você ainda têm uma promessa comigo, Jack, não se esqueça — Hellen começa a descer os degraus do convés enquanto os dois discutem.— Senhor Beckett, não acredito que em algum momento chegou a acreditar em nosso acordo — Sparrow cai na risada enquanto alguns de seus marujos encantados tiravam ele e Beckett das celas.— Jack, você não pode estar falando sério — Desafia Beckett pasmo.— Estou meu caro. Achei que tivesse aprendido alguma coisa sobre a minha pessoa.— Também achei, mas percebi que terminei aprendendo quando menos esperava.— Agora?— Agora.— E o que aprendeu? — Questiona Jack com curiosidade.— Pirata — Os dois são carregados deque acima, até que Sparrow é arrastado para a prancha do enorme navio, sendo forçado a andar um passo na fina tábua de madeira.— Muito bem — Fince ergue sua adaga e a coloca apontada para o pescoço de Beckett — Apenas vocês dois não foram pegos pela maldição, por que?— Acho que essa é uma resposta deveras óbvia — Esclarece Jack com sarcasmo — Eu sei o segredo do seu tesouro.— Blasfêmia. O tesouro não tem segredos — Afirma Hellen com certa insegurança.— Todos os tesouros tem segredos — Ele se vira e, sorridente, caminha de volta ao deque — E eu sei qual é o segredo do tesouro de seu avô.— Dei ordem para que saísse da prancha? — Pergunta Hellen irritada — Senhor Nero, coloque o senhor Sparrow em seu devido lugar — Nero toma a frente dos piratas e aponta a pistola para Jack, que imediatamente retorna à prancha.— Pense um pouco, Fince. Não seria bom que essa maldição a impedisse de gastar seu tesouro.— E não seria bom que outras pessoas soubessem que meu tesouro possui falhas — Ela aponta a espada para Jack — Se é que ele possui.— Só descobrirá se me mantiver vivo.— Estou tentada a não aceitar essa proposta — Ela encara Beckett e o coloca de frente para Sparrow, com a adaga ainda em seu pescoço — Se algum dos dois ainda deseja permanecer vivo, sugiro que digam como foi que encontraram o tesouro.— Não faz diferença — Argumentou Jack impaciente — O tesouro já foi encontrado e agora está em suas mãos e nada podemos fazer para tirá-lo de você, nos tem em suas mãos para servir o Asa Celestial.— Mentira — Interpõe Beckett entrando na conversa — Sparrow pode conhecer bem os mares, mas não foi seu conhecimento sobre eles que nos levou ao tesouro — Jack suplica com os olhos, mas Carter o ignora — A bússola que ele carrega é o segredo — Os minotauros se entreolham sem compreender, então Carca Noren se aproxima e fica frente a frente com Beckett.— Solte-o Fince — A mulher o larga, fazendo um sinal aos piratas para que abaixassem suas pistolas, permitindo que Jack retornasse ao deque.— Que maravilha. Me libertaram graças a um mentiroso que trabalha para a Companhia das Índias Orientais. O maior inimigo dos piratas.— Por hora, você é nosso maior inimigo — Esclareceu Noren olhando para Hellen — Já sabe o que fazer.— Levem Sparrow de volta à cela — Três piratas seguram Jack pelas correntes em seus braços e pernas e o arrastam sem piedade de volta ao convés em meio a reclamações e injúrias.— Não, seu idiota convencido. Vai matar nós dois. Não faça isso — Grita Sparrow, embora Beckett não tivesse mais a intenção de escuta-lo.— Agora, senhor Beckett — Começou Carca Noren tomando para si a bússola de Jack que estava com Hellen — Me diga como funciona essa bússola.
Notas finais
O que Beckett está tramando? Como Jack vai se virar para sair dessa situação? O que o capitão Carca Noren quer com seu prisioneiro?
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