Já ouviu falar no ritual, ousam a chamar de ritual uma coisa ridícula dessas, chamada de “Pique esconde com o Diabo”?

Indiferente da sua resposta, vou contar a verdade.

Primeiramente, chame mais 11 almas pra brincar com você, sim, 11 amigos, não importa a idade de todos vocês, mas cumpra o número.

Segundo, escolha um lugar que você acha que conhece de cor e salteado, uma praça, um parque, um prédio abadonado, uma mansão, uma escola. Não importa.

Terceiro, sua vestimenta e de todos serão de cores pretas e com máscaras que deixem você irreconhecível, já que você não pode se comunicar de jeito nenhum.

Quarto, arrume um par de objetos que você possa causar algum som audível no ambiente, mas os itens só poderão ser dois para cada pessoa e que os itens sejam diferentes.

Quinto caneta e papéis, eles serão essenciais para você.

Sexto uma lanterna.

Certa vez... Um mero mortal... Huhuhu... Cético, metido ao corajoso e que o sobrenatural é pura balela...

Desafiado e achando tudo tão estúpido só para entretenimento... Aceitou só para impor sua virilidade... Hahaha... Querendo sair na frente dos demais, fez uma pesquisa sobre locais abandonados e até cidades... Encontrou uma cidadezinha de nome interessante e para fazer piada tanto do “ritual” quanto dos outros participantes, sugeriu o local e os demais tolos aceitaram, para a felicidade das criaturas das trevas...

Mesmo em consideração às citações sobre acontecimentos sobrenaturais... Ele preferiu ignorar tudo já que “São histórias para assustar crianças choronas”...

Eu estava presente em tal dia... Dava para sentir à quilômetros o cheiro do medo da maioria, menos como sempre... Do nosso protagonista cético e gozador. Já era alto da noite... Por volta das uma a madrugada... Reunidos em círculo com os objetos ao centro do mesmo... Eu e os outros observávamos em como tremiam e executavam os passos do tão “ritual” ao qual estavam querendo por sua coragem a prova. Logo cada um estava marcando seus papéis com os números, eles acham que o jogo vai durar 12 horas, mas eu já sabia que essa brincadeira iria acabar bem antes disso, pelo menos para alguns... Huhuhu...

Então começaram a trocar os itens e os golpeavam todos fazendo sons baixos... Um camarada sorriu de canto, claro estávamos em volta dos mortais observando e esperando a hora de agir, mas este, se aproximou de um dos objetos e o tocou... E como nenhum tolo o viu, todos soltaram os objetos e começaram a correr desesperadamente para se esconder. O mais lento logo foi abatido por outro que estava impaciente de tanta espera, outra olhou para trás e tinha traçado seu fim, eu segui o cético, e todos sem exceção correram para o hotel abandonado.

Antes que a mortal tola fosse abatida, a mesmo tropeçou e gritou e então, inevitavelmente foi devorada e eu simplesmente passei por ela enquanto outro como eu a devorava, mas haviam mais atrás de mim... Ao entrarmos ouvíamos vários passos dos desesperados que corriam, menos o cético que preferiu olhar para os lados, era nítido que todos corriam desesperado e ele, haha... Estava confuso, perfeito! Eu iria surpreendê-lo, mas outro o fez, golpeando na cabeça, outro começou a fazer com que a energia começasse a falhar...

E eu... Apressei-me para acompanhar o camarada que cismou em mexer com o meu brinquedo, mas em meio aos gritos de terror e dor, era óbvio que ele levaria aquele cético para passar por mais brincadeiras...

O levamos para um quarto... E o deixamos na cama, de bruços e só eu estava a espera que ele acordasse, enquanto ouvia ao longe os gemidos de dor e alguns rosnados... E quando este acordou, nitidamente estava estampado em seu rosto o pânico por estar além de bruços amarrado a cama... Ele não gritou, nada falou e ainda ficou absolutamente parado... Era inteligente o suficiente para perceber que alguém que não era de seu grupo estava fazendo aquilo... Mal sabe ele... Quem o fez... Ele estava para se soltar quando alguém soltou um grito ensurdecedor que ecoou por todo o edifício e apenas fiz um simples gesto, acendendo as luzes do quarto, ele se virou e olhava o teto vendo o ultimo recado de meu “comparsa”, queria que estivesse escrito em sangue, mas este preferiu escrever com tinta preta e deixou a seguinte mensagem “SE ESCONDA”... Percebi por sua respiração seu desespero, agora ofegante... Estava temendo pela própria vida e sendo fraco em cair nessas pequenas peripécias... E já amedrontado, ele puxou as amarras e as soltou com facilidade, como aquilo era não só gratificante, mas animador de ver... Fiz um leve movimento no ar com a mão e logo ele sentia... Sem saber como explicar ele apenas estava sentindo que algo arranhava uma de suas coxas com uma certa força... E como não via nada seu desespero crescia ainda mais, até que o vi colocar a mão no bolso da calça e puxava um papel, eu havia riscado o número um, como deveria ser feito no ritual, quando realmente já havia acontecido várias coisas...

Ele procurava algo, um lugar para se esconder... Seu coração batia acelerado e eu sorria em observá-lo e logo ele se levantou assustado ao ver um vulto se movimentar, na verdade ele me viu caminhar para próximo a porta... Correu para dentro do banheiro... Medroso! Trancava a porta na esperança ou na burrice de não ser encontrado, o desespero dominava totalmente o seu ser e isso... Era engraçado demais para mim... Quando ouvi um estalo... Ele nem tem conhecimento que tem problemas cardíacos, pois dava para ouvir o coração dele batendo com uma certa violência e dificuldade dentro de seu peito... Foi quando ele olhou para trás e me viu, não como realmente sou ou como me apresento, mas viu um vulto maior do que si e eu o encarava, eu sorria, mas a minha ilusão não mostrava isso...

Eu estava de pé atrás da cortina do chuveiro, como era único aquele olhar de medo e desespero em um misto de dor física a encarar-me... Puxei a cortina e o que ele via era apenas uma figura hominoide totalmente coberto de preto, com uma faca em punho...

E para a minha surpresa, ele conseguiu pensar e lembrar do patético ritual... Puxou a lanterna e mirou no meu rosto, meus óculos rebateram a luz e eu ri, sabia que ele nada veria e só ouviria meu riso e em seguida apenas ouviu uma única frase, dita com uma perfeição tão obscura que embaralhou todos os seus pensamentos... “Tá com medinho seu frouxo?”...

E em um súbito de adrenalina, ele se ergueu e abriu a porta do banheiro de forma hábil e correu em desespero... Sua respiração e seus passos pesados e desgovernados em uma corrida pela vida... Eu simplesmente o segui silenciando todo o ambiente e apenas os meus passos poderiam ser ouvidos... Até então eu tinha certeza que todos os mortais já haviam sido mortos ou alguns escaparam para as ruas, enquanto eu estava a cozinhar lentamente aquela alma desesperada... E apenas para aumentar ainda mais o seu pânico, proferi agora com a voz ainda obscura e distorcida, mas preenchida de estática... “Tá com medinho seu frouxo?”... Ele corria tão enlouquecido que ao final da escada conseguia tropeçar e cai rolando pela mesma, ele se erguia e voltava a correr e olhava para trás, não me viu pela distância, mas ouvia meus passos e sabia que eu o seguia ecoando mais uma vez por todo hotel e ainda mais alto “Tá com medinho seu frouxo?”... Logo ele alcançou a saída e corria pela rua... Tomado pelo pavor e na esperança de salvar sua vida...

Ele corria enquanto eu o seguia a uma bela e boa distância ainda lhe proporcionando os mesmo sons dos passos em sua mente que agora já era meu parque de diversão... Ele logo dobrou a esquina para alcançar seu veiculo... As pernas dele mostravam que iriam falhar quando ele parou para retomar o fôlego, o que o consumiria agora era o silêncio absoluto, nem mesmo o vento lhe daria a graça de seu som... Ele já estava pronto para correr mais uma vez quando ele ergueu o olhar e notava mais uma vez, a mancha escura... O vulto que o seguia... E ele caminhou em minha direção, parecia que sua mente se estabilizou por alguns segundos, eu o observava sorridente sobre o poste de iluminação acima dele e dei um pequeno toque no mesmo com a mão... Dando a ele a esplendida visão de um dos cadáveres de seus amigos que caia ficando pendurado pelo pescoço, jorrava bastante sangue do mesmo, era visível que as vestes também estavam tomadas pelo sangue que pingava como uma peça de roupa encharcada....

Falsamente estava são, mais uma vez o sentia com pavor e desespero... O choque foi tão impactante que ele não conseguiu gritar ou correr, já que havia deixado para trás sua máscara... E por outro súbito de adrenalina, ele arrancou correndo até o parque onde puxou sua mochila e viu que as de seus demais amigos não estavam mais lá... E corria alcançando seu carro... Eu o segui até o fim do parque, quando ele deu a partida no veículo e disparava fugindo da cidade... Logo meus camaradas estavam todos a minha volta, riam, alguns ainda se deliciavam com a carne e outros apenas observavam até que um deles me dirigiu a palavra “Por quê o deixou fugir?”... Eu apenas consegui sorri de canto e nada disse.

O aroma de medo do cético era tão forte que eu nem precisei segui-lo de imediato, ele sozinho em sua mente a qual eu observava, criava coisas no caminho que o amedrontavam ainda mais... E ao chegar em sua residência, eu já estava lá... Em algum canto escuro de preferência observando todo o seu desespero indo em direção ao telefone que estava a ecoar na casa... Não demorou para ele atender e demonstrar ainda mais espanto e desespero quando ouvia o amigo no telefone... Ele gemia... De tão pasmo que estava não conseguir nem mesmo sequer formar uma frase... Ele em seguida desligou o telefone e se jogou em uma poltrona e olhava para os lados temeroso e pensativo...

Ele se perguntava, se os amigos não estavam com ele... Quem seriam todas aquelas pessoas que participaram?

Eu deixei um presente sobre o balcão e não demorou para que ele pudesse avistar o mesmo... A mesma faca que ele viu naquela mão negra... Nunca saberá quem eu sou... Nunca vai saber o paredeiro de todos os corpos daquelas 11 pessoas... Mas de uma coisa ele sabia... Que eu estava presente... E que eu seria o seu tormento pelo resto de sua vida...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!