Notas iniciais
Uma ideia que tive a noite. Desculpe os erros; não está betado.

Lembro bem, você me ganhou

Tudo maravilha quando começou

Eu tava sem ninguém e ele também

Foi rolando um clima e a gente ficou

Em pouco tempo a gente começou a se encontrar

Fizemos tantos planos, até em namorar

Estava no seu quarto novamente, sozinho, aquele lugar que momentos atrás tinha sido alegre, agora só restava lembranças.Andou até a janela abrindo uma brecha pela cortina branca, olhou para o sol se pondo levando o dia, mais um, sem ele. Fechou os olhos e as lembranças vieram com uma enxurrada de emoções.Quando o viu pela primeira vez, estava na biblioteca, derrubou um dos livros que carregava e ele o pegou, com um sorriso que iluminou seu dia o devolveu.

"- Cuidado ruivo, o conhecimento as vezes pesa." -Lembrou de ouvi -lo dizer com aquele sorriso torto.

"-As vezes, o sacrifício vale apena." -Respondeu o olhando nos olhos.

E de repente, veio contra a gente

Uma chuva de mentiras para nos separar Inexplicavelmente o que era pra sempre

Foi desaparecendo, e se perdeu no ar

Até agora não entendi direito o que rolou

Lembrou-se de como foi que o encontrou novamente. E sorriu para o seu reflexo no vidro da janela.

Estava em um café que frequentava quando precisava fazer pesquisas, com um livro em mãos, o mesmo que derrubara no biblioteca.

"-Ora, ora se não é o ruivo desastrado." -Ouviu alguém dizer. Quando olhou para cima avistou aqueles olhos azul céu intensos.

"-Lembra -se de mim? O rapaz da biblioteca?" -Ele perguntou com um sorriso torto nos lábios.

"-Sim. O loiro sarcástico da biblioteca." -Respondeu com um meio sorriso de lábios fechados. O ouviu soltar uma risada que saiu ao seus ouvidos como música.

"-Posso me sentar?" -Perguntou o loiro segurando a cadeira.

"- Não vai querer dividir espaço com os livros." -Disse sem olhá-lo

"-Ouvi dizer que dividir conhecimento facilita o aprendizado." -O ouviu dizer ignorando sua negativa e sentando-se na cadeira a sua frente.

"-Acho que você não aguentaria o peso do conhecimento." -Disse de modo sarcástico o encarando.

"-As vezes, o sacrifício vale apena." -O belo rapaz repetiu as suas palavras ditas na biblioteca, com um belo e debochado sorriso.

"-A propósito, sou Milo." -Estendeu a mão.

"-Camus." -Correspondeu ao cumprimento apertando-lhe a mão.

Foi cada um pra um lado, acabou

Pior que eu sinto falta, do beijo

Eu sinto sua falta, amor

Pior que eu sinto falta, do cheiro

Seus olhos, do seu jeito, do calor

Depois disso começaram a se encontrar. Aos poucos aquele loiro convencido e de sorriso fácil, foi ganhando seu coração.Fizeram planos, trocaram declarações. Tudo estava perfeito, até que...

Pior que eu sinto falta, do beijo

Eu sinto sua falta, amor

Pior que eu sinto falta, do cheiro

Seus olhos, do seu jeito, do calor

Andou pelo quarto com as lembranças em sua mente, amontoadas como folhas em uma calha. Pegou uma camisa, a camisa dele, Milo, aspirou o perfume amadeirado que tanto adorava.

Fechou os olhos lembrando-se do primeiro beijo de ambos, a primeira vez, a primeira declaração de amor.

Não esqueço, quase me enlouqueço

Quando eu me lembro do fim de semana

A gente se beijava até de madrugada

E quando acordava, ainda te via sorrindo na cama

Você de palhaçada, me descabelava

E me segurava, como sempre fazendo cosquinhas

Abriu os olhos e arremessou a camisa o mais longe que pode.

Era tudo tão perfeito até que Milo resolveu fazer aquilo, lembrava-se perfeitamente do ocorrido como se tivesse acontecido à poucos minutos.A surpresa que iria fazer por dois meses de namoro, a porta sendo aberta, Milo e... outra pessoa.

A mágoa, a dor, a raiva que sentiu naquele momento.

Os flashes do acontecido eram atraídos por sua mente como mariposas por uma lâmpada.

Saindo correndo, Milo indo atrás. A briga, o choro, as desculpas. O término.

Tudo misturado a dor de ter sido enganado, traído por aquele mais amava.

E outra vez a gente se amava

E o tempo passava e depois ficava de conchinha

Eu adoro esse seu carinho

Essa sua cara de santinho que não vale nada

Sentou na cama, a mesma que testemunhou várias noites de amor. Abraçou um travesseiro quando lembranças boas invadiram sua mente.

Ao acordar de manhã e dar de cara com aquele sorriso sacana e os olhos azuis cintilantes.

Mais beijos, abraços e promessas não cumpridas.

Sentia tanta falta daquele tempo, dos momentos felizes. Sentia falta dos beijos carinhosos, dos sorrisos hora divertidos, hora apaixonados.

Me sentia bem no paraíso

Olhando esse teu sorriso lindo Já me atentava

Que saudade de nós, que vontade de amor

Que saudade, vontade, amor!

Sentia falta dos olhos azuis profundos que o faziam mergulhar em um mar de paixão, do calor aconchegante da pele dele na sua. Sentia falta de entrelaçar seus dedos nos cachos dourados como fios do mais puro outro, de aspirar aquele perfume único que era só seu e de mais ninguém, era.

Ouviu o celular tocar, olhou a foto piscando na tela, a foto dele. Sentiu uma angústia no peito. Não atendeu.

O aparelho parou de tocar entrando na caixa postal, para um minuto depois voltar a tocar.

Fechou os olhos com força para espantar a dor. No terceiro toque pegou o objeto, mas este parou de tocar no instante que o segurou.Tomou coragem para retornar.

Após o quarto toque, ele atendeu. Podia ouvir a respiração pesada só outro na linha, não sabia o que dizer. Não poderia dizer nada, seu coração estava muito machucado.

Pior que eu sinto falta, do beijo

Eu sinto sua falta, amor

Pior que eu sinto falta, do cheiro

Seus olhos, do seu jeito, do calor

Ficaram longos segundos em silêncio, até ouvir seu nome ser pronunciado do outro lado da linha. Aquela voz já conhecida que pronunciou seus nome repetidas vezes em outras ocasiões.

" Camus... Eu..."

Desligou. Não aguentou ouvir. Não conseguia suportar a tortura de ouvi-lo e não tê-lo.

O desespero, o sofrimento, a decepção, a angústia...a dor.

Pior que eu sinto falta, do beijo

Eu sinto sua falta, amor

Pior que eu sinto falta, do cheiro

Seus olhos, do seu jeito, do calor

As lágrimas caíram de seus olhos agora fechados, contornando a face pálida e os lábios ressecados.

Com as mãos trêmulas ainda segurando o aparelho ao ouvido, onde bipes curtos denunciavam a falta de conexão.

Sussurrou sabendo que ele não poderia mais ouvi-lo.

"- Eu ainda te amo."

Notas finais
O que acharam???
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!