Notas iniciais
Ouvir canção Into Your Arms - The Maine.

https://www.youtube.com/watch?v=kKf2lECazMs

Tudo começou no ano de 2011, eu estava com 17 anos e no ultimo ano do ensino médio. Tudo na minha vida estava indo bem, o colégio, o emprego de meio período, o convívio com a minha família e amigos. Se eu falar que estava perfeito estaria mentindo, mas estava dando pra eu me virar. Já tinha tido planejado para o ano seguinte, iria me mudar e ir pra faculdade. Cinema na Califórnia. Era tudo com que eu mais sonhava. E então eu acabei ficando apenas no sonho.
A cidade onde moro não é muito movimentada, não é o primeiro lugar que vem a mente das pessoas quando querem viajar, tirar umas férias e coisa e tal. Então quando acontece alguma coisa todos ficam sabendo e foi assim que eu ouvi falar de uma banda chamada Pioneer.
Estava chegando ao colégio quando minha amiga Aria veio correndo em minha direção para contar a novidade.
— Você já soube que uma banda de rock ta vindo montar um estúdio aqui? Diz ela eufórica.
— Aqui? Pergunto.
— SIM! AQUI! Dá pra acreditar?
— Mas, nossa, nesse fim de mundo que não tem nada. O que será que eles querem?
— Não sei, mas eles vão fazer um show no bar Shangri La para mostrar o som deles, vamos?
— Hmmmmmm, tenho que pensar, você sabe que tenho muita coisa pra fazer, Aria.
— Aff, Spencer, você sempre tem algo pra fazer, assim não vai se divertir nunca. Ela diz isso meio impaciente.
— Não é verdade eu me divirto sim. Digo já um pouco brava.
— Ficar em casa assistindo filme e lendo sozinha não é diversão. Mas esqueça isso. Vamos ao show, por favor! Aria pisca os olhos pra mim e faz uma cara impossível de se recusar.
— Tá bom. Só por você. Mas as outras meninas têm que ir junto também.
— AHHHHHHHHH SUA LINDAAAA! Aria grita. Não acredito que aceitou. Já falei com a Hanna e com a Emily, elas já me confirmaram que vão, só faltava você.
— Ótimo então, é bom mesmo ir todas juntas por que se o show for ruim, com todas lá fica mais difícil de eu conseguir matar você por me fazer desperdiçar uma noite de filmes e livros.
— Pode ter certeza que você não vai querer me matar.
— Ok. Vamos pra aula agora. Temos um dia inteiro pela frente.
Aria pode ser a melhor amiga do mundo, mas também pode ser a mais irritante. Eu devia ter percebido que aquele show não seria boa coisa e ir não seria boa coisa, mas por Aria eu faria qualquer coisa.

Depois do colégio saiu correndo para o meu trabalho em um escritório de advocacia. Eu odeio Direito, mas o escritório me paga bem por meio período. O único problema do escritório é que os donos são os DiLaurentis. Eu realmente gosto da senhora Jessica DiLaurentis e do marido dela, que passa mais tempo viajando a trabalho do que no escritório, de quem eu realmente não gosto é da filha mimada deles, Alisson. Eu e Alisson nao nos gostamos desde o dia que nos conhecemos. Não sei o que fiz pra ela, mas ela se acha no direito de me atormentar, tanto no colégio, que sim estudamos juntas, quanto no escritório dos pais delas. Ela sempre dá um jeito de vir, nem que por cinco minutos, me lembrar que trabalho pros pais delas no escritório da família dela.
Eu deveria ficar no escritório até as 7 da noite, mas acabo só saindo quando a senhora DiLaurentis fecha tudo. E foi em uma quinta feira à noite, quando saia do escritório que eu o encontrei.
Sempre que saiu do escritório passo em uma lanchonete comprar uma lata de Coca Cola, meu vício. E foi nessa lanchonete que ele veio falar comigo, John.
— Sabia que isso faz mal? Disse ele para mim enquanto tomava sua cerveja.
— A Coca Cola? Pergunto pra saber se ele estava falando comigo.
— Sim. Diz ele sério.
— Você diz isso pra mim com uma Heineken na mão? Tenho certeza que cerveja faz tão mal quanto Coca. Falo séria pra ele.
— Certamente. Mas enquanto meu fígado vai se regenerando seus ossos vão sendo corroídos. O que é pior?
— Provavelmente o fato de que no final da noite você vai estar bêbado e eu não. Digo isso enquanto pago a Coca e saiu da lanchonete.
Quando estou a uns dez passos da lanchonete ouço um assobio, não olho pra trás e continuo andando. Ate que escuto a voz do cara da lanchonete.
— Espera moça, não fique brava comigo.
Olho pra trás.
— Quem disse que estou brava com você? Eu nem te conheço. Digo e volto a caminhar.
— Então porque fugiu? Ele pergunta.
— Não fugi. Digo enquanto caminho. Cara chato não vai me deixar em paz. Começo a andar mais rápido.
— Espera, por favor. Me diz qual é o seu nome, então? Ele corre até o meu lado.
— Por que quer saber? Pergunto ainda caminhando.
— Sei lá. Talvez porque eu sou novo na cidade e quero fazer novas amizades. Enquanto ele fala segura meu braço. Ele tem os dedos frios e meio ásperos.
— Spencer. Falo meu nome sem pensar, se é realmente certo dizer ou não.
— Lindo o nome, como a dona. Quando ele diz isso olho, finalmente, diretamente para ele. Ele é alto, mas não tão alto que eu. Têm os olhos de um verde lindo, cabelo crescido mais do que deveria e uma barba por fazer. É um dos caras mais bonitos que já vi. Usa uma calça jeans, camisa branca e jaqueta preta. Quando percebo que estou o olhando demais começo a andar.
— Espera, não quis ofender nem nada. Meu nome é John, se quiser saber.
Viro para trás e digo: Olá, John. E viro de costas e viro na próxima esquina. Continuo sem olhar pra trás. Não sei se ele está me seguindo ou não. Só tenho certeza de que não está quando percebo um silêncio atrás de mim.

Quando chego em casa, vou direto para o meu quarto e me olho no espelho. Estou com meus longos cabelos castanho escuros soltos e nas pontas eles formam pequenos cachos. Estou quase sem maquiagem e vestindo calça jeans, uma camiseta de seda preta e sapatilha preta.
— Lindo o nome, como o da dona. Ele só pode ser louco. Digo isso pra mim mesma em frente ao espelho.

Na mesma noite sonho com o cara da lanchonete. John. O nome dele ronda meu sonho assim como seu rosto.
Na manhã seguinte conto tudo para Aria.

— Não sei de nenhum cara chamado John que tenha se mudado recentemente para cá. Quantos anos ele parecia ter?
— Uns 20, 21 no máximo.
— Hmmmmmm carne nova no pedaço e mais velho. Se você nao achar, Spence, não ficará brava comigo se eu achar e der uns pegas, né? Aria diz isso rindo e me dá uma piscadinha.
— Pode pegar, Aria. A última coisa que eu quero agora é um cara na minha vida. Tenho muito pra estudar e uma Califórnia pra conquistar. Digo decidida.
— Falando em estudar, tudo certo pro show do Pioneer no Shangri La, no sábado a noite?. Aria fala me olhando com uma cara animada.
— O que isso tem a ver com estudar? Pergunto desconversando.
— Não mude de assunto! Ela berra. Você prometeu ir.
— Nao me lembro de ter prometido, mas vou sim, coração. Dou um sorriso pra ela e uma piscadinha.
— Que bom. Sinto que essa noite vai ser tudo de bom. Aria se anima mais do que o possível e começa a falar da sua roupa pro show e eu me desligo do som da voz dela e começo a pensar no John. Será que algum dia vou encontrar com ele de novo?

* * *
A noite, quando estou saindo do escritório, fico em dúvida entre ir comprar a minha Coca Cola e ver se o John está na lanchonete ou ir direto para a casa. A curiosidade e a falta de Coca Cola no organismo me fazem ir a lanchonete, mas John não está lá. Talvez eu tenha tido uma alucinação por causa da alta quantidade de cafeína no sangue e das horas sem dormir por causa dos meus estudos.
Quando chego em casa tenho que lidar com uma Aria desesperada por causa do show no telefone.

* * *
Agora são exatamente 19h30min e estou no carro de Ezra, namorado de Aria, indo pro show do Pioneer.
— Aria, que tipo de música esses caras cantam mesmo? Pergunto já arrependida de estar indo.
— Rock, indie rock. Não faça essa cara de arrependimento. A Hanna não gastou à tarde dela te produzindo pra você voltar pra casa.
Está aí algo que me esqueci de comentar, Hanna, amiga minha e da Aria, é louca por roupa e maquiagem e passou algumas horas na minha casa me produzindo pro show. Em resumo, estou com delineador nos olhos, batom vermelho sangue, com o cabelo solto com pouco volume, vestido preto soltinho, jaqueta preta de couro e salto alto.
— Já estou arrependida, só vou porque paguei o ingresso. Falo desanimada e Ezra me dá um sorriso me confortando.
— Se você está assim, imagine eu que paguei o meu ingresso e o dela, se for ruim o show, vou fazer ela voltar a pé. Ezra diz e faz uma cara séria para Aria.
— Eu sei que não vai ser ruim, sinto isso. Aria começa a falar sobre a banda para Ezra e eu me desligo. Fico mentalizando a minha cama, meus livros e de repente o rosto de John surge em minha mente. Balanço a cabeça rápido fazendo o possível pro rosto dele sumir.
— CHEGAMOOOOOOOS!! Levo um susto com o grito de Aria.
Olho pra fora da janela e vejo o estacionamento do bar Shangri La lotado.
O Shangri La é um lugar bem agradável é mais uma mini casa de shows do que um bar é bem espaçoso.
Quando entramos está cheio, mas fácil de se movimentar. Logo achamos os nossos amigos e nos juntamos a eles bem perto do palco. Hanna está com Caleb, Emily com Paige e ainda tem Mike, irmão de Aria com a Mona, Jenna e o irmão, Toby e mais um pessoal do colégio.
— Atenção, atenção, galera. A banda já está pronta pra subir ao palco. Anuncia Garrett, dono do bar.
— Aí, meu Deus. Chegamos bem na hora. Diz Aria bem animada.
Algumas luzes em volta do palco e da pista se apagam e em poucos segundos a banda começa a surgir no palco. Fica tudo escuro e só consigo perceber cinco corpos masculinos no palco. Então as luzes se acedem e
— Aí, meu Deus. Digo alto quando percebo quem está no palco. Seus olhos varem a pista e param sobre mim, quando ele abre aquele sorriso tenho certeza de quem é. É o John.

Notas finais
Estou começando.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.