Pintura Intima
5 Capítulo quatro: Noite suspeita
Notas iniciais
Mais uma semana turbulenta tinha se passado. Mellani recebeu a visita dos tios na escola que conversaram com ela acerca do comportamento em relação a Sirius. O episódio de patê de azeitona na cama das colegas de quarto também não passou despercebido.
Ela estava se sentindo um tanto quanto mal. Era nítido que os amigos de Lílian a evitavam. Quando a ruiva estava com Severus Snape sempre saía algum tipo de confusão que no fim James ou Sirius se envolviam.
Quando Lílian estava com uma das amigas, principalmente com Cortney, Mellani se metia em discussões. Ela só se sentia bem quando Lílian conversava com Gabriel Cor, o rapaz era simpático e parecia aceitá-la bem, do mesmo jeito que Lílian aceitou.
As coisas para Mellani estavam um tanto quanto difíceis no castelo. Ninguém parecia disposto a facilitar a vida dela e aquilo foi gerando uma revolta na garota. A revolta dela se intensificava quando cruzava com Sirius Black. Mesmo quando Mellani pensava que não podia ter um dia pior Sirius aparecia para provar o contrário.
A garota passou pelo retrato da mulher gorda desanimada e ajeitou a franja que já estava chegando nas sobrancelhas "Preciso cortar" ela pensou se irritando com os fios no rosto. Percorreu o olhar pelo salão comunal e viu Lílian acenar, ela estava ao lado de Gabriel Cor. A loira suspirou aliviada e foi ao encontro dos dois.
–E aí Mel?-Lílian questionou preocupada- Como foi?
–Ah, eu não fiquei de castigo se é isso que quer saber. Mas ouvi várias.
–Seu pais vieram aqui?-Gabriel perguntou preocupado.
–Meus tios...-Ela o olhou.
– E por que você tomou bronca?
–Ah é que...-E naquele momento um baque alto retumbou por todo salão e gargalhadas exageradas preencheram o ambiente. Mellani virou em direção ao segundo andar, onde ficava o hall entre as escadas.
Arregalou os olhos quando viu um enorme colchão descendo de lá até o chão e no final dele muitas almofadas.
– O que você acha?-Ela perguntou olhando para os quatro garotos que estavam no pequeno hall.
–VAI ALMOFADINHAS!-James gritou empurrando o amigo que perdeu o equilíbrio. As pessoas pararam chocadas vendo Sirius cair do parapeito numa cambalhota e deslizar de ponta cabeça pelo colchão parando nas almofadas.
–Seu idiota, eu ia tentar pular longe! Já sei!-Ele saiu correndo e foi até o sofá. Mellani e Lílian observavam tudo com descrença.
Sirius sorriu para as duas garotas da sua série que estavam sentadas. Uma ele já conhecia, era Dorcas. A outra ele sabia por acaso que se chamava Marie:
–Olá Dorcas.- Ele sorriu- Vocês não querem se divertir um pouco?
–Você está nos convidando para quebrar o braço pulando daquela altura?-Marie questionou sem dar muito crédito. Sirius sorriu de lado debochado.
–Hahaha Macdonald, deixa de ser medrosa. –Piscou para ela- Vai ser divertido.- Naquele instante os gritos e gargalhadas de James e Peter se fizeram presentes. Sirius olhou para trás e viu que ambos tinham escorregado pelo colchão- Nós vamos treinar feitiços flutuantes também.- Dorcas se interessou naquele momento e encarou o de olhos cinzas- Aquele dia você estava com um livro sobre isso, não é?-Ela assentiu sentindo as bochechas arderem. Sirius sorriu abertamente e estendeu a mão para ela- Então vem.
–Ok. Marie você vem?
–Ah sim! Você vai usar o sofá?-Sirius assentiu de maneira travessa.
Mellani arqueou as sobrancelhas em surpresa quando viu o que Sirius e James estavam fazendo. Eles colocaram o sofá para cima deixando feito uma barreira e se revezavam, quando James se jogava Sirius lançava um feitiço fazendo-o flutuar e vice versa.
Remus, Dorcas e Peter também se jogavam ou lançavam feitiços. Marie apenas olhava com receio de se machucar. Tudo parecia muito divertido. Lílian continuou conversando com Gabriel e Mellani não percebeu que andava em direção à baderna que o primo e os amigos promoviam.
Muitos alunos do primeiro ano estavam se envolvendo também. Ela parou próxima ao sofá e riu quando James se jogou de forma engraçada fazendo careta e sendo sustentado por um feitiço que Remus lançava. Apenas os três executavam com perfeição o feitiço. Ela continuou olhando para o primo que agora travava uma guerra de socos e risadas com Sirius para ver quem subia primeiro.
Remus ainda ria do jeito que Sirius e James disputavam o primeiro lugar para descer pelo colchão. Dorcas também ria na parte de cima, segurando o ferro no parapeito para não cair colchão abaixo. Ela olhava na direção dos dois baderneiros e Remus não soube definir se o olhar de adoração era lançado a Sirius ou James.
O loiro meneou a cabeça negativamente e olhou para lado, sentiu o estômago dar uma pontada. Mellani estava rindo enquanto observava o primo e Sirius. Parecia ter vontade de se unir a eles e se divertir. Remus pensou em andar até ela e chamá-la para participar da algazarra, mas não sabia como os amigos reagiriam com aquilo.
Continuou observando o jeito que ela ria tentando conter o volume, ele sorriu disso e não esperava que ela o encarasse naquele momento. Ficou sério e desviou o olhar voltando sua atenção para os amigos. Balançou a cabeça como se espantasse uma mosca e olhou para ela novamente. Mellani ainda o encarava:
–Oi.-Ela cumprimentou sorrindo.
–O-oi.-O menino devolveu de forma tímida- Quer.. Tentar?
–Eu não sei se o Black gostaria que eu me intrometesse.- Murmurou desanimada.
–Er...-Remus coçou a cabeça e colocou a varinha no bolso da calça. As roupas esfarrapadas não afetaram o julgamento de Mellani sobre o quanto ele era agradável- Eu estou chamando s-se eles não gostarem problema deles.- Ela sorriu largamente e andou na direção dele.
–Ok. Como faço?
–Bem...-Remus começou a explicar o que ela deveria fazer e Mellani se empolgou. Segurou o pulso de Remus e saiu arrastando-o como Sirius costumava fazer. A diferença para Remus no entanto foi evidente, enquanto Sirius geralmente lhe causava aborrecimento ao fazer isso Mellani lhe causou um arrepio na pele e uma sensação de agrado.
Sirius ainda ria ao lado de James quando chegaram ao final no colchão:
–Nossa dessa vez vocês foram melhores.- Dorcas disse rindo junto com eles. James assanhou os cabelos e Sirius sorriu de canto, a garota corou.
–Eu sei e... –Ele parou de falar e olhava indignado para o alto- Que merda a Grant está fazendo com o Remus lá em cima?
–Vai ver ele chamou ela.- Marie murmurou- Eu já os vi conversando mais de duas vezes, devem ser amigos.
–O que? O Remus amigo de alguém como ela?- Sirius estava indignado. Quando viu que ambos pularam sacou a varinha do bolso e proferiu um feitiço. Mellani foi jogada sutilmente para o lado e caiu no chão por cima do braço. O moreno sorriu satisfeito. James e Remus gritaram o nome da loira ao mesmo tempo. Remus cessou o feitiço caindo no colchão. Ambos correram preocupados até ela:
–Mel!-James chamou se abaixando, ela estava parada como rosto colado no chão.
–Mas o que está acontecendo aqui?- A voz de Judith se fez presente no mesmo instante.
–Nada de mais!-Sirius gritou. Mellani sentou sentindo muita dor no braço e seus olhos marejaram.
–Mellani!-A voz de Lílian se fez presente e a ruiva ajoelhou na frente da amiga- Está doendo muito?- A garota assentiu segurando as lágrimas. Os lábios dela tremiam e Remus jurou que ela fosse chorar a qualquer segundo.
–Fica calma.- James murmurou preocupado.
–Como você caiu?-Remus perguntou tão aflito quanto James.
–Foi o seu amigo!-Acusou Mellani com raiva e o de óculos bufou.
–Lá vem!
–Eu estou falando sério! Eu vi ele apontando a varinha nessa direção, mas achei que ele fosse ajudar o Remus.
–Você tem certeza disso?- Lupin questionou com receio e Mellani assentiu.
–Nossa, isso é muito grave. Se der queixa ele pode ser suspenso.- Lílian disse com raiva de Sirius- Que absurdo!- James não tinha reparado na ruiva até ela falar.
–Bom, ela está acusando sem provas! Pode estar inventando também.
–Ah e por que eu faria isso James?- Mellani soltou com raiva e ainda sentindo muita dor.
–Não sei, talvez porque esfregou pudim na cara dele semana passada?
–Agora eu sou mentirosa também? Falta aquele seu amigo retardado me chamar de que? Adoradora de Salazar? Só o que falta mesm...Aaaaí.- Sentiu uma pontada no braço e parou de falar.
–Vem, você precisa ir até a enfermaria e não ficar discutindo.- Remus disse de maneira sensata e ajudou-a a levantar.
–Ele tem razão Mel, eu te acompanho e você.- Olhou para James- Vê se explica direito o que aconteceu!- O moreno sorriu debochado e se aproximou parando a centímetros do rosto de Lílian. A ruiva corou com a proximidade desnecessária.
–Olha Evans eu não preciso das suas ordens para saber o que preciso ou não fazer.
–Como você é grosso Potter!-Lílian o empurrou e saiu de perto. Ela quase nunca dava trela para as discussões que o Potter queria iniciar. Remus estava preocupado de mais com o braço de Mellani para reparar na insolência de James.
Mellani seguiu rumo à saída resmungando e Lílian a acompanhou seguida de Remus:
–Ele vai me pagar! Vai ter troco!-Ela exclamou com raiva.
Remus voltou pelo final da tarde com uma expressão tranquila. Encontrou os amigos no meio de Judith, Josh, Lopez e mais uma garota que ele não conhecia. Andou até eles e sentou-se no braço do sofá ao lado de Sirius.
–Como ela está?- Judith perguntou mais por formalidade.
–Vai ficar bem. Está esperando a poção fazer efeito, Lílian ficou lá com ela.
–E você voltou?- Lopez questionou com um sorriso que Remus não conseguiu interpretar.
–Bem, ela estava muito nervosa com o Sirius e acho que não quis me ver na frente porque sou amigo dele, sei lá.- O loiro deu de ombros.
–Eu nem sei por que você foi lamber as feridas dela, afinal, ela quem pediu.
–Sirius é melhor você parar antes que eu resolva te dar uma detenção.- Judith exclamou- Já imaginou se McGonagall se deparada com uma zona daquelas? Ia sobrar pra mim e pro Harper, com toda certeza.
–O que posso fazer para me perdoar?-Sirius perguntou com uma cara inocente. Só a cara, porque ele não estava nem um pouco arrependido.
–Parar de encher Remus com tanta raiva da Grant. Cada um tem o direito de ser amigo de quem bem entender. Você tem que aprender a ser menos possessivo... Ah Remus, esqueci de apresentar. Essa é minha irmã. O nome dela é Coraline e está no terceiro ano.- Remus estendeu a mão cordialmente para a garota de cabelos pretos e rosto bonito.
–Olá, muito prazer sou Remus Lupin.
–Coraline Forthie.-Ela sorriu para ele de maneira tímida e ficou com as bochechas vermelhas o garoto sorriu.
–Bom, todo mundo apresentado. Mellani está bem e Sirius já tomou o sermão do dia! Já que está tudo resolvido vamos tratar de um assunto mais importante.- James começou- A festa de formatura dos alunos desse ano. Como vocês.- Apontou para Lopez e Josh- São parentes de três formandos vão nos botar pra dentro.
–É isso aí. E quando digo nós a Judith e a irmã dela também.- Sirius disse empolgado.
–Iiiiiih vocês dois aí tirem a gole do alto que não é assim que a banda toca!- Josh começou- Primeiro...
_//_
–Aqueles babacas, eles me pagam! Vão ver só.- Mellani saiu andando na frente de Lílian, seu braço estava completamente curado, mas ela estava com muita raiva- Acham que são quem? Os donos do castelo? O Black principalmente!-Ela bufou sentindo vontade de chorar por ser tão burra- Aposto que o Remus sabia! Aí, como eu sou idiota!
–Mellani, se o Remus soubesse não teria ficado tão preocupado. Pra mim isso foi coisa só do Black. Ele sempre tem as brincadeiras mais maldosas!-Mellani assentiu e saiu andando na frente, ainda estava muito irritada com o que tinha acontecido. Lílian suspirou resignada e voltou para o salão comunal. Encontrou Marie e Dorcas conversando no sofá, que estava de volta ao local de origem.
–Ah Lily, a Grant passou aqui com muita raiva e subiu.- Dorcas comentou- O braço dela ficou muito ruim?
–Não, já está curada. A enfermeira só precisou de um feitiço e uma boa dose de sermão.
–Nossa, eu vou ficar bem longe. Ela já é chata normalmente, imagina toda irritada.- Marie disse segurando o riso. Lílian a olhou de maneira séria.
–Sabe Marie, se você não tem algo construtivo pra dizer a respeito das pessoas é melhor não falar nada.
–Nossa Lílian, não precisa falar assim com ela.- Dorcas parecia ofendida.
–Desculpa, mas gosto dela tanto quanto gosto de vocês. Não gostar dela é um direito seu. Agora não precisa ficar falando mal na minha frente. Já foi maldade suficiente o que fizeram semana passada.- Dorcas corou e Marie deu de ombros- E ela está irritada com o Black, não com vocês. Convenhamos, ele é um tremendo babaca.
–Eu acho ele engraçado.- A loira se pronunciou de maneira tímida- Na verdade ele foi bem legal comigo.-Lílian deu de ombros e Marie mudou de assunto falando sobre o dever de poções que estava complicado de fazer.
Dorcas se desligou da conversa das duas e olhou para frente mirando Sirius. O rapaz sorria de maneira encantadora enquanto falava com a monitora. Ele olhava apenas para Judith e conversava de maneira extrovertida.
Dorcas pensou no quanto ele era charmoso e o pensamento fez o rosto dela corar violentamente. A garota passou o resto da tarde tentando evitar olhar na direção de Sirius e disfarçar o prazer que sentia em observá-lo. Lílian parecia se irritar muito com ele e Marie já tinha deixado claro que não gostava quando ele fazia brincadeiras maldosas e a menina não queria se indispor com as amigas.
Na hora do jantar as três encontraram com Cortney, Marlene e Alice. Marie chamou Alice para jantar junto com elas na mesa da Grifinória. Para Dorcas o clima ficou um pouco pesado, pois Lílian não tinha perdoado Cortney pelo que fez a Mellani. A ruiva não tinha acusado a garota diretamente, mas era nítido que não a tratava como antes.
Lílian sentiu falta de Mellani que não apareceu para o jantar. Estranhou muito aquilo e quando foi dormir percebeu que a amiga ainda não estava na cama. No dia seguinte a ruiva notou que Mellani estava com um sorriso muito maldoso do rosto.
–Mellani, o que você aprontou?
–Nadaaaa.-Cantarolou feliz e Lílian decidiu falar antes que a amiga fosse para fora do dormitório.
–Não foi nada com Dorcas ou Marie, não é? Você já se encrencou por causa delas, fazer isso novamente seria...
–Lily.-Mellani a olhou de maneira relaxada- Apenas vá para aula e aprecie.- A ruiva franziu o cenho e ficou com receio de ir para a sala de aula.
_//_
James estava dormindo um sono muito agradável tendo sonhos bons. Acordou com um grito vindo do banheiro.
–MEU CABELO. -Ele pulou da cama e saiu correndo, passou pelas camas dos amigos que ainda estavam dormindo e bateu na porta do banheiro.
–Sirius, ta tudo bem?
–Não... -Ouviu o amigo responder com a voz esganiçada.
–Abre a porta, talvez eu possa te ajudar.
–Entra então. -James levou um susto, Sirius mexia nos cabelos quase chorando enquanto olhava para o espelho- COMO EU VOU SAIR ASSIM? O QUE A JUDITH VAI PENSAR? MEU CABELO, TÁ ROSA! ROSAAAA! E EU... -Mas Sirius parou de fazer drama quando olhou pra James- Seu cabelo também ta rosa. -James correu até o espelho e viu que o cabelo dele estava com um rosa florescente igual o de Sirius.
–Mas o que está acontecendo aqui?-Remus apareceu na porta do banheiro esfregando os olhos e com o cabelo igualmente rosa- Por que vocês estão com o cabelo rosa? –James revirava os olhos enquanto Sirius ainda repetia ladainha do cabelo perfeito dele em frente o espelho fazendo uma tragédia grega.
–Você também está com o cabelo assim Remus. — O garoto foi até o espelho empurrou Sirius e arregalou os olhos
– Que ótimo... -Falou sarcástico- Agora podemos nos fantasiar de minipuffs. – O loiro parecia irritado tanto quanto Sirius. Peter apareceu no banheiro irritado com a gritaria.
–Quem é que ta gritando assim em... VOCÊS ESTÃO COM O CABELO ROSA.
–Você também. -Falaram James e Remus ao mesmo tempo enquanto Sirius ainda fazia um dramalhão mexicano na frente do espelho.
–ALMOFADINHAS. -Gritou James chamando a atenção dele que estava com uma cara de poucos amigos — É só a gente colocar touca, chapéu, qualquer coisa...
–Espero que esconda, por que se você ainda não percebeu meu cabelo bate quase nos ombros...
–Isso que dá ficar com esse cabelo parecido com o de uma menininha...
–CALA A BOCA JAMES.- Falou Sirius dando um ataque.
–Ihhhh.-Os três garotos disseram juntos duvidando da masculinidade de Sirius. O Black apontou para o cabelo com os olhos injetados de ódio –Esse é o meu cabelo, essa é a minha imagem, eu não vou sair por aí parecendo um minipuff. Isso vai acabar com a minha reputação e é capaz que Josh e Lopez nem nos respeitem mais! Ninguém prega peça em nós. Isso é a minha imagem e...-James deu um empurrão no amigo -Au, por que você fez isso?
–Fica calmo, ta legal?-Ele assentiu e James foi atrás dos gorros e chapéus. Quando foram colocar era como se um escudo estivesse em volta impedindo que ele escondesse o cabelo, Sirius só faltou morrer de desespero.
–Eu juro que quando e pegar quem fez isso eu mato, EU MATO.
–Bom, vamos ter que ir de cabelo rosa mesmo. -Falou Remus nem ligando muito, Sirius e James soltaram grunhidos desesperados.
–NÃO, o Sirius tem razão, desse jeito a gente não pode sair daqui, você tem algum feitiço que pode ajudar?
–Eu não sei de nenhum feitiço que possa reverter isso. E eu nem conheço esse que fizeram em nós. Talvez não seja feitiço só tinta mágica e um feitiço escudo, mas eu ainda não sei que contra feitiço eu posso usar. Se fizer isso posso matar a gente ou piorar a situação. Pelo menos as aulas da manhã vamos ter que assistir assim.
–Remus.- James segurou o rosto dele e falou seriamente- Não podemos descer assim.
–Não podemos perder aula também...Vão acabar vindo aqui procurar a gente...-Disse Peter preocupado. Sirius andava de um lado para o outro dizendo sem parar:
–Quando eu descobrir quem fez isso eu vou matar... Torturar, matar, humilhar, eu vou eu... Eu destruo a vida da pessoa eu... ARGHHHHHH!- O menino estava tremendo de raiva.
_//_
Lílian entrou ao lado de Mellani na sala de aula. Acenou para Gabriel e viu Severus sentado no meio da sala. O rapaz lhe lançou um olhar ressentido. Não falava com ela desde o episódio no trem e há evitava o tempo todo. Ela acenou para ele e foi ignorada. A aula de DCAT era junto com a Sonserina e muitos estranharam o atraso de quatro alunos justo naquela disciplina.
A professora ia começar a falar quando uma batida na porta a interrompeu. A mulher foi atender com cara de poucos amigos e voltou com um sorriso de deboche nos lábios. Lílian arregalou os olhos sem acreditar no que via e Mellani começou a gargalhar muito. Severus parou James no meio do caminho e murmurou:
–Nossa Potter! Onde você comprou essa tinta tinha pra homem também?- Todos começaram a gargalhar e Mellani esticou o pé fazendo Sirius tropeçar. O rapaz olhou para ela com raiva e a loira aproveitou a deixa.
–Uau Black você ficou tão fashion com esse cabelo... Está até parecendo uma dançarina de cabaré!
–É Grant to parecendo as dançarinas do cabaré que você trabalha!-Respondeu rindo e Mellani arregalou os olhos ofendida.
–Claro Black, trabalho lá, patrocinando a sua mãe!
–UHHHHH.- Alguns alunos gritaram e Sirius bufou com raiva. Ele não demonstraria que estava com vergonha. Para o menino, quem tinha feito aquilo estava naquela sala e ele suspeitava de duas pessoas em potencial. Não iria dar o gosto da vitória ao engraçadinho.
–Você está morrendo de inveja Grant. Confessa vai.
–Aham morrendoooo Black.-Mellani debochou e o garoto saiu sorrindo. Por dentro sua vontade era enfeitiçar todos que soltassem uma misera risadinha.
–Foi você, não é? Mel?-Perguntou Lílian enquanto ria.
–O que você acha?- Lílian começou a rir e esticou a mão para Mellani que bateu na mão dela.
–É isso aí! Esses cabelos... HAHAHAHA! Não vai ser nada fácil de esquecer. Diferente do seu braço.
–Eu disse que daria o troco.- Naquele instante James passou sorrindo debochado por elas:
–Hey Evans. Se quiser um minipuff eu já estou apto para adoção!-Assanhou o cabelo pensando que ela daria risada. Lílian corou e engoliu em seco:
–Não tenho autorização da guarda florestal pra te criar Potter!-Sorriu forçada tentando mandar a vergonha embora.
–Isso significa que sou raro e especial Evans.- Ele deu uma piscadela marota para ela e saiu andando. Não entendia porque Lílian não ria de suas piadas.
–Estou começando a ficar com pena do Remus.- Mellani disse vendo com o loiro estava sem jeito.
–É, eu disse pra você que ele não teve culpa. Mas você insistiu e... Mel você está me ouvindo?
–S-sim.- Mellani engoliu em seco e Remus passou por ela- Bom dia.- Ela disse de forma efusiva e Lílian olhou desconfiada. O menino parou, segurou a respiração e depois cumprimentou-a com um beijo no rosto, porém era nítido que estava muito constrangido:
–Bom dia.
–Er...dia ruim?-Ele deu de ombros.
–Estamos lançando moda.- Respondeu de forma travessa e num tom confidente. Mellani sorriu para ele- Vou para o meu lugar.
–Ah claro.- Respondeu de maneira meio lenta e torpe. Lílian segurou o riso e viu Mellani acompanhar Remus com o olhar até ele se sentar.
–"Bom diaaaa"-A ruiva debochou e Mellani ficou muito vermelha.
–Você devia ter feito o mesmo.
–E deu tempo?
–Eu só fui educada. Me senti culpada, ta legal?- Terminou colocando ponto final na discussão.
–É, eu sei.- Debochou. Mellani até tentou rebater, mas nesse instante a professora tomou a palavra.
–Ok crianças, já chega.- A mulher continha o riso- Deixem para contemplar os minpuff's mais tarde. Agora vamos a aula.
James estava prestes a cavar um buraco no piso e enterrar a cabeça para se esconder. Mas ao invés de demonstrar fraqueza ele sorriu largamente e disse em alto e bom tom:
–Se quiser me adotar vai ter que pagar pela licença professora, não se preocupe, eu já fui vacinado.- Ele sabia que a melhor forma de enfrentar uma situação ruim era com humor e deleitou-se com as atenções que recebeu.
_//_
A noite já ia alta e James quebrava a cabeça tentando descobrir quem tinha feito aquilo com eles. "Pode ser qualquer um, até uma garota..." A lembrança de Mellani sorrindo para os quatro cruzou sua mente.
Ela foi à única que não pareceu surpresa, a única que parecia ansiosa com a reação das pessoas. E foi Sirius quem a derrubou no dia anterior. O moreno colocou os óculos no rosto e pulou na cama. Levantou preparado para acordar Sirius, mas como numa sincronia o menino já estava em pé, apenas com a roupa íntima e ia em direção a James:
–James cara eu sei quem foi!
–Eu também!-Ambos se olharam e Sirius continuou.
–Foi o Gabriel Cor!
–Foi a...-James parou um instante e arregalou os olhos- Quem?
–O Cor, não foi nele que pensou?-Ambos sussurravam- Ele estava com raiva de você e o dormitório dele é do lado do nosso. E ele tinha dito pra Evans que a gente precisava de uma lição então...-James pensou seriamente em falar quem foi e abriu a boca.
–Na verdade... Eu pensei a mesma coisa!- Saber que Sirius provavelmente pegaria pesado com Mellani o deixou com receio. Ele podia estar brigado com a prima que se demonstrava muito irritante naquele ano, mas ainda gostava dela. E não gostava nenhum pouco de Gabriel Cor.- Então, o que vamos fazer?
–Temos que pensar em algo tão humilhante quanto e descobrir como tirar essa tinta do nosso cabelo. — Um barulho alto de algo caindo se fez no dormitório e ambos olharam para todos os lados. Identificaram Remus saindo de fininho com uma mochila nas costas. James pegou a varinha na cama e com um movimento o quarto estava claro.
–Hey Remus, onde você vai cara?-O loiro ficou tenso, estava com olheiras enormes e evidentemente com medo.
–Eu... Minha mãe... Está muito doente. É muito grave.- Sirius se aproximou e olhou para Remus preocupado.
–O que ela tem?
–É...-Engoliu em seco- Algo na cabeça. Eu realmente preciso ir.
–Mas...-James ficou confuso- Vai ficar fora quanto tempo?
–Se em uma semana ela melhorar eu volto.
–Vai perder as aulas.- Sirius se aproximou mais ainda encarando Remus de maneira muito próxima. Seus olhos estavam cravados no loiro- Você pode confiar em mim.
–Mas estou dizendo a verdade. E sei disso. Eu realmente preciso ir agora.- Empurrou Sirius e saiu apressado do dormitório. James franziu o cenho e Sirius ergueu a sobrancelha direita.
–Ele está mentindo.
–Ele pareceu bem preocupado.
–Estava preocupado com outra coisa.
–Ah acho que foi com a sua falta de noção sobre o espaço alheio.- Sirius encarou James confuso- Cara você está só de cueca o que é bem esquisito por si só.
–Eu gosto de dormir a vontade.- Disse sem jeito.
–Que seja. Tá quase pelado e se aproxima daquele jeito. Não sei como ele não te deu um soco.
–Eu não ia beijar ele se é o que está insinuando.
–Você que parecia insinuar o corpinho nu pra cima dele.- James debochou e levou um tapa de Sirius.- Mas eu não sabia que ele tinha uma mãe doente.
–Pois é. Está tudo muito estranho.
Na outra noite, com Remus ausente, James teve uma ideia. O menino acordou Peter e Sirius para dar uma volta pelo castelo embaixo da capa de invisibilidade. Caminharam um bom tempo em silêncio, com medo de serem pegos, e quando estavam próximos a torre mais alta do castelo Sirius saiu debaixo da capa e disse:
–Cara não acredito que escondeu isso por tanto tempo, é ouro James. É ouro — Falava se referindo a capa.
–Ei galera eu tive uma ideia...-Falou Peter que estava com um pergaminho na mão.
–O que?
–A gente podia mapear a escola.
–Como assim?-Perguntou James confuso.
–A gente mapeia a escola procurando passagens e essas coisas pra dar uma escapadinha à noite, depois agente lança um feitiço no mapa para detectar professores e o Flicth aí podemos andar mesmo sem a capa...
–E esse feitiço existe?-Perguntou Sirius desconfiado enquanto empurrava uma porta pesada de madeira.
–Sim, é um pouco complicado, mas acho que Remus consegue fazer.
–Você nem parece tão inteligente quanto é Peter, gostei... Vamos subir que do topo da pra ver o campo de quadribol. –E James se desfez da capa já subindo a escadaria enorme.
–Vamos sim. -Falou Sirius com a adrenalina correndo pelo corpo e dobrando a capa de James. Peter subiu com dificuldade, mas conseguiu alcançá-los ofegante. Quando chegaram ao topo mais uma porta estava fechada e James a abriu lentamente. Os três meninos abriram a boca no mesmo instante. Peter arregalou os olhos e James ficou com as bochechas vermelhas enquanto olhava de maneira curiosa. Sirius sentiu a respiração acelerar e apertou os olhos com o cenário a sua frente.
Um casal estava num estágio de beijos e abraços muito avançado. A camisa da garota jazia jogada no chão e as calças do rapaz estavam abaixadas até os pés. Ambos se beijavam com fervor e o rapaz fez um movimento de mão arrancando o sutiã da garota.
James e Sirius esticaram o pescoço tentando ver mais da aluna, mas não conseguiram porque o rapaz a tapava com o corpo. As pernas dela estavam nos quadris dele e o aluno fazia movimentos que arrancavam gemidos baixos da garota.
Sirius entendeu na hora o que estava acontecendo ali. James e Peter não tiveram muita certeza.
–Quem será que é?-James sussurrou e Sirius deu de ombros. Como uma resposta dos céus a sua pergunta o rapaz virou, sentando no batente acolchoado, que numa época distante serviu de assento para as aulas de astronomia. A garota inclinou a cabeça um pouco para trás enquanto o rapaz a beijava pelo ombro e pescoço e nesse instante Sirius ficou vermelho.
Era Judith que estava ali e o mais inacreditável, junto com Harper, o monitor que Lopez e Josh não gostavam. Sirius também não gostava de Harper. James e Peter abriram mais a boca e o Black torceu os lábios enquanto observava a cena. O jeito que Judith agarrava os ombros do monitor, a maneira como ela estava vermelha e mordia o canto da boca, os suspiros e principalmente o jeito como ela parecia desesperada pelo garoto deixou o menino impressionado.
Sirius soube naquele instante como uma mulher devia ser tocada e sua garganta secou :
–O que eles estão fazendo?-Peter perguntou e teve sua boca tapada por James e Sirius que se entreolharam e pensaram na mesma coisa. Sirius puxou a capa de invisibilidade e cobriu aos três.
–Peter fique de boca fechada.- O Black murmurou e ele e James começaram a imitar gemidos de dor como se fossem fantasmas. Alguns segundos depois o casal notou que não eram os únicos da torre. Olharam em volta e não viram ninguém além deles. Judith ficou assustada e Harper tentou consolá-la. Sirius se aproximou e ficou na ponta dos pés. Bateu na nuca do monitor e encolheu o braço de volta para a capa. O rapaz gritou e James beliscou o joelho de Judith, ela também gritou e colocou o sutiã e a camisa rapidamente. Harper esqueceu de subir as calças e quando foram correr o rapaz caiu. Judith voltou e ajudou-o a se levantar. Os meninos ouviram os passos dos dois correndo escada abaixo e quando a porta do final da escada bateu os três se livraram da capa e começaram a gargalhar.
Se jogaram no chão e riram como se não houvesse amanhã. Sirius e James estavam tão vermelhos que as lágrimas escorriam pelos olhos de tantas risadas. Peter fazia barulhos estranhos que lembrava um porco enquanto gargalhava e aquilo desencadeava mais ataques de risos nos outros dois. Quando se acalmaram Sirius olhou para James e este captou o olhar dele no mesmo instante:
–Você viu?-O de óculos perguntou malicioso e Sirius assentiu.
–Peitões cara.- Os dois voltaram a rir e falar sobre garotas enquanto Peter ficava sem jeito.
–Garotas são chatas.-Disse ele com uma cara emburrada.
–Olha...-James ainda ria- Eu tenho uma noticia ruim para você...-Ele não terminou sua frase pois uma enorme nuvem foi soprada para longe e a lua apareceu gigante e cheia com todo seu esplendor. Os meninos ficaram encantados. James arrastou uma mesa até o batente largo e alto do observatório e subiu nela pegando impulso para cima:
–Desce daí James, você pode cair. -Falou Peter com medo. Sirius também subiu e ficaram bagunçando andando pelo parapeito brincando com o perigo- Vocês dois vão cair. -A lua iluminava perfeitamente os três, de repente eles escutam um uivo tenebroso vindo da direção da floresta. Sirius e James saíram do parapeito rapidamente.
–Aqui nessa escola tem...
–Não, é apenas algum lobo... -Falou Sirius tentando convencer James e a si mesmo.- Lobisomens numa escola? Dumbledore é louco, mas não retardado.
–V-vamos embora galera.-Falou Peter com muito medo e os dois concordaram.
Quando a lua cheia terminou Remus voltou com uma cara tão cansada e sofrida que fizeram os marotos pensarem o pior:
–Su-sua mãe ela não...
–Não Peter, ela melhorou. -Falou Remus tristemente. James e Sirius trocaram olhares desconfiados e Peter se perguntou por que ele estava com todos aqueles curativos.
–Vocês não vão acreditar no que me aconteceu.- Remus disse de iniciativa própria para alivio dos três que estavam quase perguntando- Minha casa está meio gasta e o teto caiu em cima da minha cama por culpa da chuva que ficou muito forte ontem pelos arredores.- Sirius olhou para as roupas esfarrapadas de Remus e sentiu-se mal por não saber da real situação em que ele vivia. A mãe doente, o pai desempregado e agora ele sem teto no quarto, não era a toa que ele estava com aquela cara.
–Poxa, que barra.-Disse Sirius tentando ser amigável e James olhou para Remus tendo uma ideia brilhante.
–Por que você não trabalha o período de férias como assistente do meu pai?
–E-eu... Como assim?
–Bom você fica lá na recepção do prédio e atende as pessoas, sabe? Checando quem entra e quem saí. Trabalho de recepcionista.
–M-mas...-Remus franziu o cenho- Eu não tenho nem 13 anos.
–Você pode considerar como um estágio de férias.- Sirius incentivou empolgado.
–É verdade. E atender pessoas e mandar memorandos qualquer um faz!- Peter ajudou e Remus engoliu em seco.
–James eu aprecio muito o que quer fazer, mas...
–Cara, não vai ser esmola!-James começou- Vai ser um trabalho. Você vai ajudar meu pai porque ele não vai precisar pagar um salário integral e todos saem ganhando. Remus suspirou com receio- Posso mandar a carta?
–Tudo bem! Emprego de férias?
–Sim. Só nas férias.
–Então tudo bem.-Ele disse esperançoso. James e Sirius sorriram empolgados.
–Bom, vamos descer agora? Estou morto de fome! E ainda temos que passar os deveres pro Remus.- Peter se pronunciou.
–O que vocês fizeram durante essa semana?-Remus perguntou enquanto desciam para o salão comunal. As faixas nas mãos e pulsos estavam incomodando, mas a dor incomodava mais. Nenhuma poção era capaz de curar totalmente os efeitos de uma transformação.
–Ah, Peter nos deu uma ótima ideia!-James disse empolgado.
_//_
–Bom dia Lílian.- Gabriel a cumprimentou com um beijo estalado no rosto e ela sentiu o rosto arder. Mellani revirou os olhos para o jeito envergonhado de Lílian e cumprimentou Gabriel de maneira entediada- Teve uma noite ruim Mel?-Era a primeira vez que alguém a chamava daquele jeito que não fosse Lílian. Mellani sorriu e negou.
–Eu só não sou uma pessoa muito matinal...-A garota parou de falar quando viu quem descia as escadas- Remus.- Sussurrou com alívio.
–Ele sumiu a semana inteira, não é?-Lílian perguntou para Mellani e ela assentiu sem dar muita atenção e saiu andando na direção do loiro.
–Acho que ela nem prestou atenção no que você falou.- Gabriel comentou com um ar de riso. Lílian deu de ombros e sorriu.
–Ela foi a primeira a perguntar sobre ele. E ela tentou disfarçar, mas eu reparei!
–Em que?
–Bem...-Lílian sorriu mais largamente- Ela sempre saí voando para o café e essa semana ficou enrolando aqui todos os dias.- Gabriel sorriu curioso- Não saía daqui enquanto Potter, Black e Pettigrew não apareciam. É um tanto óbvio, não?
–Ela gosta do Lupin?
–Eu acho que sim.
–Não necessariamente. Acho que ela gosta da atenção que ele dá pra ela. Assim como gosta de conversar com você e comigo. Convenhamos. Ela não tem muitos amigos. O que é um tanto estranho porque bonita do jeito que é e legal devia ter muitos amigos.- Lílian sentiu algo estranho quando Gabriel disse aquilo. Será que ele a achava bonita do mesmo jeito que achava Mellani? Ela gostaria que ele a visse como uma garota bonita.
–O problema é que ela enfrenta o Black, as pessoas da nossa serie parecem ter medo dele.
–Só parecem?-Os dois riram- Dorcas e Marie vão demorar?
–Elas estavam colocando presilhas e lacinhos nos cabelos uma da outra e decidindo qual perfume usar. Também procurando bolsas que combinassem com os lacinhos.
–Ahhh, nossa. Assim eu vou morrer de fome.-Gabriel reclamou- Por que elas não usam a mochila do uniforme?
–A Marie disse que não combina com nada.
–Combina com o uniforme!-O loiro disse com enfado- Você vai esperar?
–Eu disse que ia.
–Então eu vou indo na frente. O Peterson está me esperando.
–Quem é Peterson?-Lílian perguntou curiosa e Gabriel respondeu empolgado.
–É meu amigo. Veio comigo no trem e pegamos o mesmo barco, a lula gigante quase puxou ele para fora, foi terrível. — Lílian sentiu vontade de rir com a informação- Eu sento com ele em transfiguração e feitiços. Ele é da Corvinal. Temos poucas aulas com a Corvinal.
–Acho que o diretor coloca Grifinória e Sonserina nas mesmas aulas pra gente parar de rincha.
–É, pode ser. Ainda bem que no terceiro ano já podemos fazer nossos horários.
–É verdade.- Lílian disse sentindo-se ansiosa para que isso acontecesse logo- Mas quando vai apresentar seu amigo?
– Vou pedir pra ele sentar com a gente no almoço aí vocês se conhecem. Ele é muito legal.
_//_
Remus terminou de descer as escadas rindo da piada de Sirius sobre o monitor Harper. Ele ainda não acreditava no que eles tinham contado sobre Judith e a torre de astronomia abandonada. Remus corava só de pensar que logo dois monitores estavam fazendo sexo nas dependências do castelo.
Riu mais ainda quando Sirius e James passaram por ele pulando um em cima do outro e trocando socos. Peter correu logo atrás deixando Remus mais afastado do grupo. O menino olhou para todos os cantos do salão comunal sem saber ao certo o que procurava. Devido ao olfato aguçado sentiu um cheiro que inebriou seus sentidos antes mesmo que o dono da fragrância se aproximasse o suficiente.
Era um cheiro que ficou gravado em seus sentidos durante toda a semana e que parecia martelar seu subconsciente enquanto sua mente passava pelo conflito dilacerante de deixar o humano e se tornar um lobo.
–Remus.- A voz segura o fez virar para trás e encarar a pessoa. O cheiro agora invadia seus sentidos e o fazia sentir o rosto arder em satisfação- Bom dia.
–Mellani.- Ele sussurrou inseguro sem perceber Dorcas passando por ela logo atrás. Se lembrava vagamente de sua transformação e do que sentiu. Sabia que quando fosse para Hogwarts algo mudaria. No meio da mudança ele sentiu várias fragrâncias e memórias que chegavam a doer.
Ele se lembrava da sensação de euforia com o cheiro dos amigos, lembrava que sentiu muito forte o cheiro de Sirius, James e Peter e que aquela lembrança agradava ao lobo. Também se lembrava daquela fragrância. E agora ele sabia. Vinha de Mellani. Não entendeu porque logo o cheiro dela gravou tão forte em seus instintos. Convivia com outras garotas além dela.- E então...-Ela sorria.
–Grant.- Dorcas chamou- Licença, por favor.- E ambos perceberam que travavam a entrada da escada. Remus corou e saíram do caminho. A fragrância maravilhosa tinha diminuído e estava quase imperceptível. O menino tomou aquilo como costume.
–Oi...- Mellani retomou esperando ele dizer algo. Remus piscou algumas vezes e coçou a sobrancelha- Bom dia pra você também.- Ela esticou a mão segurando a dele e puxando para si.
–O que aconteceu com suas mãos?-Olhou para ele e o menino engoliu em seco.
–Nada de mais, é... Er... Uma alergia boba de umas plantas que tem na minha casa.- Mellani soltou a mão dele e ajeitou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Ela estava se sentindo um pouco nervosa.
–Ah, Madame Pomfrey deve ter alguma poção ou pomada para isso.- Ela mordeu o canto do lábio e o olhou nos olhos- Por que você sumiu a semana inteira?
–Você percebeu?-Ele questionou surpreso.
–Desculpe. Se não quiser responder, tudo bem. Que intrometido eu sou.- Começou a corar.
–Não.- Falou ansioso- Eu só achei que não fosse dar falta.
–P-por que?
–E-eu n-não sei e...-Ele coçou a cabeça- Deixa pra lá.
–Eu gosto de conversar com você. Seria como eu não sentir falta da Lily.-Remus sorriu de maneira quase boba e a olhou com carinho- E então, onde se meteu?
–Eu fui vi-visitar a minha mãe.- Olhar nos olhos dela e mentir gerou a mesma dificuldade que enganar Sirius. E Remus se sentia mal por isso- Ela estava muito doente.- Mellani assentiu e analisou o rosto do rapaz.
–Acho que ela deu muito trabalho, não é?
–Sim.
–Está explicado essas olheiras. Parece que não dorme bem há dias.
–Acho que é bem por aí.
–REMUS!-Sirius gritou quando percebeu com quem ele estava falando.- Vamos logooo!
–Eu preciso ir.
–Tudo bem. Eu também, acho que Lílian vai ficar uma fera por eu ter enrolado tanto. -Murmurou sorrindo. Remus acenou e deu as costas saindo de perto dela.
–Por que raios você falava com a Grant em?-Sirius perguntou com raiva.
–Está mais do que na hora de você aprender que não pode mandar nas relações alheias.-Remus devolveu irritado.
–Você está bem cara?-James perguntou e Remus negou.
–Estou muito cansado e dolorido. Vou para biblioteca. Pode me dar suas anotações?-James assentiu e de maneira atrapalhada pegou o caderno de couro preto com folhas amareladas.
–Tá aqui. Não vai tomar café?
–Estou sem fome-Pegou o caderno de James. — Licença.- Saiu andando na frente muito cabisbaixo. James e Peter olharam para Sirius com censura.
–Ok, ok depois eu peço desculpas.- Disse o menino num tom entediado. Sirius ainda não tinha engolido a história sobre o buraco no teto e o desemprego do pai de Remus. Para o Black tinha algo muito errado em tudo aquilo.
_//_
Remus cumprimentou Madame Pince cordialmente e rumou para as últimas prateleiras do local. Sentou numa das mesas mais afastadas. Não queria ninguém especulando sobre seus machucados ou olhando-o de maneira torta. Para ele já tinha sido horrível mentir para os amigos e se esquivar de Mellani.
O loiro* abriu a mochila e retirou seu material. Abriu o caderno de James e ficou lendo por alguns minutos. Levantou e deixou o material na mesa enquanto rumava atrás dos livros que precisaria. Ele ainda tinha uma hora e meia até o início da aula de transfiguração. Andou por alguns corredores até encontrar o que queria.
Sentiu alguém o observando e virou, mas não enxergou ninguém. Puxou o livro que precisava e perscrutou o lugar sentindo alguém perfurar suas costas com o olhar. Virou e descobriu quem era: Coraline, a irmã de Judith.
O menino viu o rosto da garota ficar tão vermelho que pensou o que fazer no caso dela explodir.
–Ah, oi Lupin.- Remus ficou surpreso com o cumprimento.
–Oi. Pode me chamar de Remus.- Falou sem jeito.
–Ok, Remus.
–Você estava...-A garota abaixou o olhar e o menino percebeu que ela estava realmente constrangida.
–Eu não tenho a mania de sair por aí observando as pessoas as escondidas é que-Ela engasgou- E-estava procurando a melhor. A forma mais... A melhor... Er..-Ela suspirou e olhou para Remus. – Toma.- Esticou um caderno para ele- Judith comentou que você teve que se afastar por uma semana. Essas são minhas anotações do primeiro ano. Não da matéria, mas dos livros que me ajudaram na primeira semana.
Remus sorriu agradecido e pegou o caderno da mão dela.
– E-espero que te ajude.- Ela se aproximou. Remus se surpreendeu, ela era do mesmo tamanho que ele, o que devia ser diferente já que Coraline era dois anos mais velha.
– V-você quer ajuda?- O embaraço da garota o deixou inseguro.
–Eu acho que seu caderno vai ajudar bastante. Mas qualquer dúvida eu já sei quem procurar.-Coraline sorriu assentindo e enfiou a mão no bolso do suéter.
–Toma.- Esticou o braço dando uma barra de chocolate para ele- Assim você não morre de fome até o almoço. — Remus corou- James e Sirius comentaram o quanto você adora chocolate.
–Eu gosto mesmo.- Ele estava surpreso- Obrigado.
–De nada.- Ela sorriu e saiu andando. O menino coçou a cabeça confuso. A irmã de Judith parecia querer ser amiga dele. Nunca pensou que pudesse ter amigos quando foi para Hogwarts. "Amigos não escondem o que são um para outro" pensou com receio.
Todos os dias tinha medo de falar ou fazer algo que o denunciasse. Adorava os três amigos. Adorava conviver com todos eles. Não sabia se seria aceito caso dissesse o que era. "Todos eles são sangue-puro, de famílias tradicionais. Vão reagir como famílias bruxas tradicionais reagem" concluiu com medo. Seus pensamentos sempre paravam nessas questões, por mais que odiasse pensar nessa possibilidade.
_//_
A facilidade com a qual as crianças se apegam umas as outras é muito grande. Em questão de semanas viram melhores amigos, cúmplices e quase irmãos. Isso nunca seria diferente, nem para crianças trouxas ou bruxas. Confiar faz parte da infância e mudar faz parte de crescer.
Outubro e novembro passaram como se uma brisa os soprasse para longe. Nesses dois meses Remus se ausentou por duas longas semanas. No mês de outubro partiu no dia 15 a tarde e seu humor estava irracionalmente irritadiço. Voltou no dia 22. No mês de novembro a mesma coisa, saiu da escola no dia 15 e voltou no dia 22. Desde o inicio das aulas era a mesma coisa. Remus sempre se ausentava na primeira quinzena do mês. A única pessoa que parecia perceber a rotina dele além dos amigos com quem dividia o dormitório era Mellani.
Durante longas noites o loiro acordava assustado tendo pesadelos terríveis e descia para o salão comunal acometido pela insônia. Eram noites difíceis que sempre o atormentavam dois ou três dias antes das transformações.
Remus estava num conflito interior muito pesado nessa época. E foi no dia 12 de dezembro, numa terça feira, que Sirius decidiu descer e sentar ao lado dele.
–Remus.- O menino deu um pulo no sofá quando ouviu a voz do amigo e engoliu em seco.- Posso me sentar?- Remus assentiu e mirou à lareira. Sirius ficou de lado sentado na direção de Remus. Olhava para o amigo de um jeito confiante. Remus olhou de lado para Sirius e percebeu que o moreno parecia saber mais do que deveria saber- Por quê?
–O que?
–Por que continua mentindo?
–Mentindo? Sobre o quê?
–Sua mãe.
–E por que eu mentiria sobre algo tão grave?
–Porque tem um padrão muito estranho na doença dela.
–Eu acho que você deveria respeitar a solidão dos outros.- Remus disse amargo.
–E eu acho que você devia parar de ser tão teimoso.- O loiro bufou e Sirius sorriu tentando passar conforto- Olha, eu não sei o que é. E sei que você não quer ouvir falar nisso agora e muito menos tocar no assunto, mas seja lá o que for...-Sirius se aproximou e tocou o ombro do amigo- Eu não vou te deixar sofrer sozinho.- Remus sentiu a garganta tremer e os olhos arderam.- Eu sei como é.-Suspirou- Sentir como se ninguém pudesse entender o que se passa. É como se você estivesse gritando o tempo todo numa sala e as pessoas te ignorassem. Você grita que vive, que pensa e que está ali e que precisa sair dali.-O coração de Remus estava apertado com as palavras de Sirius
– Mas é como se a sala tivesse um feitiço de som. Nem sua família te ouve.- Remus suspirou e os lábios tremeram. Ele olhou para Sirius e engoliu em seco- E você só quer mostrar que mesmo sendo diferente não precisa ser tido como uma aberração.- Os olhos dos amigos se encontraram e Sirius percebeu que Remus estava prestes a chorar.
–C-como você sabe de tudo isso?
–Eu vivia assim.- Um silêncio triste se apoderou de ambos- Até conhecer vocês.- Ambos sorriram e Remus não aguentou. Sentiu as lágrimas vindo com força e chorou sem conseguir se segurar.
Sirius não soube o que fazer. A única coisa que pareceu sensata foi puxar o amigo num abraço cúmplice. Então, noite após noite até o dia 15, quando Remus partiu, Sirius desceu ao salão comunal e ali conversavam sobre muitas coisas.
O Black contou a Remus como foi difícil crescer em meio a uma família tão tradicional o quanto às comparações entre ele e Régulos eram feitas. As surras que tomou do pai. Os castigos intermináveis da mãe. As brigas com as primas. Durante aquele tempo Remus ria e se distraia de seus problemas. Sabia que podia confiar em Sirius.
_//_
–Boa tarde meus queridos alunos!- A professora de astronomia cumprimentou a sala com efusiva alegria- Prontos para nossa última aula antes do recesso de natal?-Os alunos murmuraram empolgados e James sussurrou para Sirius:
–Quero ver quando é que a gente vai começar a ir pro observatório.
–Acho que só ano que vem.-Peter murmurou. Estavam sentados em trio naquela aula. A professora estava empolgada arrumando os slides e os alunos da Lufa-Lufa não paravam de falar um só instante.
–Aula conjunta com os tapados.-Sirius disse revirando os olhos.- Não vejo a hora da gente ingressar nas aulas optativas!
–Quais são mesmo?-James perguntou tentando se lembrar.
–Bem, a gente pode escolher entre Transfiguração, Feitiços, Poções, História da Magia, Defesa contra as Artes das Trevas, Astronomia e Herbologia- Disse Peter confundindo tudo. Sirius revirou os olhos.
–Como você é idiota Peter! Essas aí são obrigatórias até o quarto ano! As matérias pra escolher são só no terceiro ano! No final do segundo a gente escolhe o que quer estudar no terceiro. Adivinhação, estudo dos trouxas, aritmância essas coisas. Por isso que a partir do terceiro ano temos aulas com turmas misturadas e não essa palhaçada de duas turmas por sala. Essas aí que você disse são obrigação saber, oooo lerdo. Aula de merda viu.
–Que por sinal é uma grande palhaçada já que nossas aulas são a maioria com os babacas da Sonserina!-James disse com enfado. Peter fechou a cara para Sirius.
–Nem pra ser com a corvinal. Lá tem um monte de menina bonita.- Sirius disse irritado.
–Ok crianças, vamos começar.-A professora chamou a atenção e apagou as luzes com um feitiço. Lílian, Mellani e Gabriel estavam sentados na frente, próximos à professora.- Como podem ver, hoje vamos estudar as fases da lua e como ela influencia nas energias magicas da terra. Quem pode me dizer que tipo de energias a lua desprende em suas fases?- Lílian levantou a mão e a professora sorriu- Sim senhorita Evans?
–Eu não vou sabe explicar em qual fase gera o que. Mas pelo o que li a lua desprende muita energia da água e por isso é tão comum ter muitos rituais na passagem. Principalmente na lua cheia que é quando as energias se concentram mais próximas da terra.
–Muito bem. Cinco pontos para a Grifinória!- Os alunos sorriram e a professora começou- A lua passa por quatro fases e se todos leram os textos que pedi sabem exatamente qual texto é o que... Senhor Black!-A professora exclamou jogando um giz e acertando na testa do maroto- Por que ao invés de ficar mudando a cor do cabelo do senhor Potter não me responde essa pergunta?
–Desculpa professora, só estava treinando um feitiço de cor.- Mentiu descaradamente e James segurou o riso.
–Essa aula é de astronomia Black e não feitiços.
–Desculpa senhora.
–Então, vai me responder?
–É... São quatro fases.-Sirius estava enrolando- As fases são quatro.- Mellani virou, olhando para ele debochada- Que a lua passa.
–Isso eu já disse.
–Quatro fases. Nova, crescente, cheia e minguante?- A professora sorriu desconfiada.
–Correto.- Sirius sorriu satisfeito e Mellani revirou os olhos voltado a olhar para a projeção de slides com as imagens da lua. A professora seguiu explicando o que cada fase da lua trazia de benefícios ou malefícios aos bruxos e todos os rituais. Sirius olhou para o lado, Peter quase dormia e James rabiscava no pergaminho.
–O que você tá fazendo?
–Desenhando.- James respondeu entediado. O menino esticou o pescoço e ficou impressionado. James desenhava uma caricatura da professora. O corpo era normal, mas a cabeça estava distorcida lembrando a Sirius uma vaca. O Black começou a rir e James sorriu cúmplice — De mais, não é?
–Cara, você desenha muito bem. Devia fazer desenho de mulheres semi nuas igual as revistas do meu tio Alphard.
–Seu tio tem revistas de mulheres semi nuas?
–Tem um monte. Tem algumas delas fazendo com outros caras.- Sirius sussurrou.
–Fazendo? É... Fazendo?-James murmurou impressionado e olhando para o amigo.
–Sim. É, não dá pra ver muita coisa, mas... As mulheres sempre estão de costas sentadas no colo do homem, mas estão pulando. A maioria elas estão sozinhas dançando.
–E seu tio não desconfia?
–Ah. Ele viaja muito. Eu roubei algumas, mas acho que ele descobriu porque outro dia fui procurar e não estavam mais lá.- Os dois começaram a rir.
–Shiiiiiu. Silêncio. — A professora pediu sem conseguir identificar quem eram os linguarudos. James e Sirius seguraram o riso e o de óculos voltou a rabiscar no pergaminho. Dorcas, que estava sentada na frente deles com Marie e Cortney, virou e disse para Sirius.
–Hey, daqui a pouco tomam detenção.- Sussurrou e Sirius sorriu. A loira virou para frente e o rapaz puxou a cadeira ficando mais perto.
–Dorcas...-Ele deslizou as mãos pelos ombros dela e apertou-a. A menina sentiu um arrepio pela pele e ficou tensa- Você está muito nervosa, acho que precisa relaxar.- A voz dele sussurrou perto do lóbulo dela.
–Acho que você está abusando da sua sorte.- Ela devolveu soltando um risinho nervoso.
–Aposto que está gostando.
–Até que é relaxante.- Dorcas devolveu apreciando o toque do colega. James olhou aquilo com um sorriso maroto e Sirius piscou para o amigo enquanto ria.
–SENHOR BLACK!-A professora gritou- Seria interessante que parasse de acariciar a sua amiga e prestasse atenção na aula!-Dorcas bateu na mão dele segurando o riso e ele tirou a mão dos ombros dela.Mellani franziu o cenho com aquela informação- Francamente! Como eu ia dizendo, a lua cheia tem seu inicio sempre na quinzena do mês. Geralmente a partir do dia 15. As fases da lua duram em média sete dias, por tanto se a lua cheia começa sempre por regra todo o dia 15...
–Termina dia 22.-Lílian completou e a professora assentiu. No instante em que a mulher disse aquilo James sentiu um salto em seu coração e uma ansiedade gigantesca se apossou de todo seu corpo. Era tanta adrenalina que sua expressão congelou numa mescla de choque e concentração. O Potter olhou para o lado no mesmo instante que Sirius e ambos se olharam nos olhos.
–James, cara...-Sirius começou a menear a cabeça negativamente e o de óculos assentiu ainda chocado.
–Sim cara...
–Não! Isso é grave de mais.- Sussurrou e James assentiu.
–Senhor Potter e senhor Black, pela milésima vez! Querem contribuir com suas tagarelices para a aula ou terei que mandá-los para McGonagall?
–Não senhora.- James disse- Não será necessário. Na verdade eu e Sirius estávamos debatendo sobre outros possíveis efeitos da lua cheia. Quais mais além de potencializar poções e feitiços?
–Boa perguntar Potter.- A professora parou de torcer o nariz para os dois meninos- Bom além de tudo que foi dito agora, a lua cheia é responsável por dois efeitos que devemos ter muito cuidado. Primeiro se estivermos num lugar tropical é preciso ter cuidado com as mortalhas, elas ficam mais rápidas e agressivas na lua cheia e segundo com lobisomens. Afinal todos sabem que a lua cheia desencadeia o vírus a tal ponto que a pessoa perde a consciência humana.
–Mas professora.- James chamou- É um vírus ou uma maldição? Que tipo de vírus transforma a pessoa em...
–São ambos senhor Potter. Um vírus amaldiçoado. Magia antiga e muito poderosa.
–E como fazemos para chegar perto de um sem que ele nos ataque?-Sirius perguntou curioso.
–Não há como senhor Black. Lobisomens só não atacam outros animais e a não ser que queira sair por aí caçando um, o que eu não o aconselho a fazer, não precisa se preocupar. Se estiver em alguma floresta que sirva de abrigo para esses perdidos da noite evite uivar feito eles. Um lobisomem só responde ao chamado de outro.
–Mas professora, lobisomens são pessoas.- James começou.
–Não quando estão transformados. Mas se quer saber mais sobre isso eu o aconselho procurar a professora de trato das criaturas mágicas ou a senhora Sawyer de DCAT.
–Sim senhora.- James disse com desagrado evidente. Os dois meninos não conseguiram prestar mais atenção nas aulas. Ficaram conversando por bilhetinhos durante todo o dia. Na hora do almoço explicaram a Peter a conclusão que tinham chegado. O garoto acreditou neles no mesmo instante. Só podia ser verdade. O que mais explicaria os sumiços de Remus sempre na mesma data?
Os dias passaram e Lílian estranhou o fato de perceber mais a presença dos três dentro da biblioteca sem a bagunça habitual e com muito mais frequência. Todos repararam como os garotos estavam em busca de algo nos livros. Dois dias antes do regresso para suas respectivas casas Peter subiu apressado para o dormitório com um livro caixa nas mãos.
–HEY. HEY. EU ACHEI EU ACHEI.
–O que?-Sirius perguntou- Ah ótimo, mais um livro. Já olhamos em tudo Peter em TUDO! Se tiver que olhar pra mais páginas empoeiradas sou capaz de vomitar.
–Não! Não, isso aqui.-Fungou- Leis mágicas. Olha só.- Abriu o livro grosso pelo meio e sentou na cama de James. Os dois meninos sentaram cada qual de um lado de Peter- Para ser um animago é preciso um curso e uma licença do ministério.
–Ani o que?- James perguntou confuso.
–Animago. Quando um bruxo consegue se transfigurar num animal.- Sirius disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e Peter fechou o livro empolgado.
–Não, eu andei pesquisando. É muito mais que isso. É quando um bruxo vira, literalmente, um animal. Feitiços para despertar o animal dentro de você. O bruxo descobre a qual tipo de animal está associado. Depois se sente como ele e depois se transforma nele. Você realmente fica com uma mente mais irracional quando vira. Não como um lobisomem que se perde totalmente. Você ainda pensa como um humano, mas seus instintos se afloram. É meio louco, totalmente arriscado. Difícil e muito perigoso. Mas podemos tentar!
–E quebrar as regras do ministério!-James disse sorrindo- Será que conseguimos?
–Nós vamos subverter o sistema!-Sirius gritou empolgado- Eu to dentro, mas como vamos fazer isso a tempo?
–Hum...-James suspirou-Vocês podem ir pra minha casa e podemos estudar as férias inteira.
–Talvez a gente não consiga.- Peter disse sem saber da tendência a ser obsessivo e tirano que James carregava.
–Conseguimos sim é só não fazer corpo mole. Suas mães deixam?
–Sem chances.- Sirius disse- A velha está louquinha com as minhas detenções e com o fato de eu ter parado na Grifinória e...
–Bem...-James sorriu de lado- Para isso podemos contar com uma ajudinha muito especial. Uma pessoa que sua mãe quer ver muito.
–Ahhhh nem vem cara!-Sirius gritou irritado e se levantou.
–Quer ajudar Remus ou não?-Perguntou o de óculos e Sirius assentiu bufando- Então comece por isso!
_//_
Mellani cruzou os braços e ergueu as duas sobrancelhas.
–Como?-Sirius bufou e a olhou novamente.
–Então, vai querer ou não?
–Vocês estão realmente me pedindo um favor?
–Não.- James disse- Vamos te pagar.
–Eu ainda acho pouco.
–Vamos te dar cinco galeões Mellani.- James disse suplicante.
–Quero mais.- Ela empinou o queixo- Quero ter acesso a capa pelo menos uma vez por semana, o dia vocês podem escolher com tanto que não seja segunda.
–Você está louca?-Sirius disse com raiva e rindo debochado.
–Fechado.- James murmurou.
–O QUE?-Sirius estava indignado e as pessoas que passavam pelo corredor que dava acesso a torre da Grifinória olhavam curiosos.
–E mais uma coisa. Quero que me chamem quando forem para Dedos de Mel pelo uma única vez.
–O que pretende saindo conosco?-Sirius perguntou debochado.
–Tenho meus interesses.
–Ok, fechado. Apenas, conquiste a mãe dele e convença a velha de que quer passar mais tempo com Sirius.-O moreno bufou e o de óculos o olhou longamente -Sirius, não estou pedindo para agarrar ela no canto escuro, apenas para fingir que são AMIGOS.- Sirius bufou mais uma vez.
–O que pretendem com isso?
–Não é da sua conta tampinha!- O moreno disse com descaso.
_//_
Sirius engoliu em seco quando parou em frente a sua casa. Mellani estava ao seu lado e Monstro os recebeu como todo elfo fazia. Com reverencias exageradas.
–Saia daqui seu idiota.-Sirius deu um tapa na cabeça do elfo e Mellani viu lágrimas vindo nos olhos dele. Ela se abaixou e perguntou:
–Está tudo bem Monstro?-O Elfo pareceu comprazido e disse de modo feliz.
–Obrigado senhorinha Black, obrigado.
–Eu sou Grant Monstro. Grant.
–Oh sim minha senhora me disse...Minha senhora se agrada muito com sua presença.- Monstro segurou a mão se Mellani puxando-a- Venha, assine o livro de visitas. Senhorzinho Black assine como anfitrião.
–Que palhaçada é essa?-Ele retirou o cachecol jogou no chão. Mellani franziu o cenho com aquela atitude de Sirius. Monstro logo veio pegando a peça e pendurado atrás da porta num cabideiro.
–Recomendações de minha senhora, senhorizinho Black.- Ele bufou e Mellani que terminava de assinar a ultima letra teve a pena tomada da mão com brusquidão.
–Nossa, ainda bem que deu tempo de assinar.- Ela disse reparando como o humor dele ficava quatro vezes pior do que na escola. Sirius assinou com vontade ao lado do nome dela e foram entrando. Mellani tinha se livrado da capa e agora desamassava a barra do vestido. Era azul marinho, um pano grosso de inverno e combinava com o sapato de boneca de salto pequenino. Ela tinha prendido o cabelo parcialmente e seu rosto estava feito o de uma boneca de porcelana.
–CHEGUEI.- Ele gritou e Mellani ouviu passos pesados na escada e em seguida o garoto muito parecido com Sirius apareceu sorridente.
–Sirius.- Ele desceu apressado e abraçou Sirius que correspondeu de modo contido e logo afastou o irmão- Como é Hogwarts? O que fez de bom? Mamãe disse que você foi para casa errada, mas acho que ela leu errado, ela queimou a carta, mas na mínima você escreveu errado na hora e aí...
–Eu fui para casa certa.
–Eu sabia.-Ele disse feliz e Mellani mordeu o lábio inferior enquanto o pequeno e efusivo garoto dizia tudo que vinha em mente de forma rápida e atropelada- Tio Alphard esteve aqui ontem. Papai ficou fulo da vida com ele porque ele fez mais uma tatuagem e adivinha só? Ele tatuou uma faca trouxa perfurando o símbolo do ministério. Disse que esse é o símbolo contra a corrupção, papai disse que ele não pode mais fazer parte da família aí o namorado da Cissy chegou e mamãe mudou de assunto para alivio da tia que queria matar tio Alphard... A mamãe disse que se tio Alphard aprontar mais uma dessas consegue fazer a Cissy perder o noivo.
–Regulus!-Sirius chamou de modo sério- Respire, ok?-O garoto assentiu- Agora, onde estão todos?
–Na sala de visitas, Malfoy vai passar o natal aqui e o Lestrange também.
–Então. Bella está por aí?-O interesse de Sirius não passou despercebido por Mellani que revirou os olhos.
–Sim, ela me trouxe um presente, um jogo bruxo, mas não gostei muito, é como um xadrez só que alguns bonequinhos são trouxas e aí conforme você vai avançando os bonequinhos bruxos chutam os trouxas... Ela pareceu se divertir bastante com o jogo, aí eu acabei gostando também e... Lembrei, mamãe comentou que não é bom você ficar espiando as pernas da Bella ou quando ela vai tomar banho porque ela é nossa prima e agora é uma senhora casada, mas você não acha difícil imaginar Bella sendo chamada de senhora quando ela é tão maluca? Aé e ela também disse que você está se tornando um rapaz sério e que daqui alguns anos irá se casar, com quem você vai se casar?-Mellani estava tonta com o falatório exagerado e a voz infantil do garoto.
–Regulus!-Sirius chamou novamente- Respira, ok?-Ele assentiu.
–É que eu senti sua falta Sirius, somos as únicas crianças e...
–Reg.-O mais velho advertiu e o garoto assentiu- Preste atenção, ok?-Ele assentiu de novo e Mellani nunca tinha visto Sirius tão paciente quanto estava sendo com o irmão- Está é Mellani Grant.-Ele engasgou, mas conseguiu continuar- Uma amiga que veio passar o natal conosco.- O mais jovem olhou pela primeira vez além do irmão e reparou na garota ao lado dele "Que garota linda" pensou e sentiu o rosto corar.
–Muito prazer Regulus.- Ela estendeu a mão para ele, sorrindo de canto lembrando muito seu irmão e ele suspirou. Estava encantado com ela. Parecia uma boneca de porcelana daquelas que enchiam o quarto de sua prima Narcisa. Ele estendeu a mão olhando-a com olhos admirados e emudeceu.
Sirius percebeu de imediato o que estava acontecendo e não gostou nenhum pouco. Ele fechou a cara enquanto o irmão ainda embasbacado não conseguia pronunciar uma palavra descente.
–Vamos até a sala de lazer.- Mellani assentiu e o moreno mais novo aproveitou a deixa para subir as escadas correndo.
–Creio que ele ficou intimidado.- Ela comentou da forma mais natural possível.
–Claro! Quem não ficaria com uma cara de dragão como a sua? Aposto que ele estava com medo de sentir uma baforada quente a qualquer instante.- Mellani bufou- Viu! Só faltou sair fogo.
–Você consegue ser tão desagradável quanto o cheiro de um trasgo.- Ele sorriu e virou dois corredores apressadamente. Mellani começou a ouvir vozes vindas de uma sala com uma iluminação lúgubre. Ela sentiu a tensão de Sirius emanar tão forte que também ficou tensa. Com certo medo e movida por impulso Mellani segurou a mão de Sirius como forma de apoio e ele, pelo mesmo motivo, não largou a mão dela. A textura da mão da menina o surpreendeu, não era pesada igual aos tapas que recebia dela. Era leve, macia e estava muito fria em contraste com a dele que estava quente e quase suada.
Ao adentrarem o recinto os presentes se calaram e olharam para os dois. Bellatrix que jogava cartas com a mãe e o marido sorriu de canto maliciosamente. Walburga sorriu orgulhosa quando viu que eles estavam de mãos dadas. Narcisa e Lúcio, que presenciaram algumas brigas dos dois, ficaram um tanto quanto chocados. Andrômeda que era um par de anos mais velha que Sirius o olhou, mas não deu muita atenção voltando-se para o livro que lia, parecia bem triste.
Sirius, tão jovem quanto era, já sabia da dor que a prima enfrentava ao apaixonar-se por um nascido trouxa. O pai de Sirius era o único membro da família que ainda não estava presente e todos sem exceção pensavam uma coisa sobre Mellani: o quanto ela era encantadora e bela. A mãe de Sirius estava satisfeita com a postura e vestimentas de "boneca" que a pequena usava.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!–Bem vinda, querida. Assinou o livro de visitas?-Walburga perguntou e ela assentiu- E você Sirius? Assinou como anfitrião?-Ele assentiu procurando um lugar para se acomodar e soltando a mão dela. Mellani sentiu-se exposta -Ótimo queridos, ótimo.- Ela sorriu vitoriosa e o menino revirou os olhos.
__//_
Lílian colocou a touca e o cachecol depois rumou para a porta:
–Mãe, vou comprar doce, quer alguma coisa?-Gritou.
–Traga mais bengalas doces para enfeitar a mesa. Quero tudo nos trinques quando nossa família chegar.
–Ok!-Lílian sorriu.
–Convide seu amigo da rua da Fiação. Ele parece ser um bom menino.- A garota ficou sem jeito e não respondeu. Quando abriu a porta Petúnia apareceu na curva da escada. Parecia magoada com algo- Oi Tunia.
–Não me chama assim.- Disse com rancor. Lílian mordeu o canto do lábio- Não chame aquela aberração de preto para baixo do nosso teto. É como convidar um vampiro a entrar!
–Como você é exagerada.
–Você está avisada Lílian! Se fizer isso não serei capaz de perdoá-la.
–Então você me perdoou pelas coisas que supostamente eu fiz? É que não parece. -Petúnia ficou corada e deu as costas para Lílian subindo. A ruiva sentiu um aperto no coração. O natal sempre foi uma época de muita alegria para ela. No entanto aquele ano mostrava-se diferente e hostil.
A descoberta de que era uma bruxa foi o melhor presente de todos, mas brigar com Severus e Petúnia a deixavam com um conflito interno muito grande para aproveitar a passagem de ano.
Saiu e enfiou as mãos nos bolsos. Estava muito gelado e os flocos de neve tinham parado de cair não fazia nem uma hora. Quase caiu com o susto que levou. Severus estava parado perto de sua porta ensaiando algumas palavras. Ela se aproximou de olhos cerrados:
–Desculpa se eu... Não, assim não... Desculpa, eu não queria... Não, assim também não. LILY!-Ele gritou e deu um pulo para trás- O que está fazendo aqui?
–Eu moro aqui.
–Sim...
–E você?-O menino de cabelos oleosos engoliu em seco e enfiou a mão no bolso. Tirou uma caixa pequena num embrulho verde. O laçarote era vermelho.
– Feliz natal.- Lílian não pegou o presente e Severus começou a se sentir idiota com a mão estendida daquele jeito.
–Feliz natal? Você fica quatro meses sem olhar na minha cara só porque caímos em casas diferentes e vem me desejar feliz natal? Qual é o seu problema?
–Não foi por isso.
–Então explique-se.- O Sonserino parecia nervoso- Vamos. Quem sabe me convence.
–Eu... Não falei com você porque queria pedir desculpas, mas você sempre estava com alguém. Ou com a Grant, ou com Macdonald e Meadowes. E o pior, com o Potter.
–Com o Potter? Você está louco?-Severus bufou- Você pirou de vez, só pode.
–Lílian... Me desculpa. Eu... Trouxe esse presente porque... Porque era minha forma de dizer que fui um idiota.-O coração de Lílian ainda estava em dúvida.
–Você deixou de falar comigo por coisas tão idiotas. Ainda custo a acreditar que foi só porque eu estava sempre acompanhada de alguém.
–Você parecia se virar muito bem sem mim. Até aquele garoto de cabelo enrolado você fez amizade. Mas eu não deixei de falar com você por causa da sua casa. Eu... Eu senti sua falta em todos os dias durante esses quatro meses. Só sou muito orgulhoso pra falar com você na frente de alguém.
–Tem vergonha de mim?- Lílian agora estava vermelha e boquiaberta. Severus começou negar.
–Não! Claro que não! Eu tinha vergonha de você me xingar ou qualquer coisa.
–Até parece que não me conhece há anos.
–Desculpe Lily. Se puder... Se puder...-Ela suspirou e olhou nos olhos dele. Gostava da companhia do menino e sabia que era a única que ele podia contar fora de Hogwarts e talvez até em Hogwarts. Finalmente pegou o presente da mão dele.
Severus sorriu aliviado. Lílian abriu e encontrou um globo de vidro, dentro havia um lírio encantado que se abria e fechava a todo instante. Dentro do Lírio uma bailarina patinava como se as pétalas fossem neve. Era um presente muito bonito.
– A moça da loja me ajudou .-Murmurou- Quando falei seu nome ela disse que tinha algo perfeito.
–É realmente muito lindo.- Ela o abraçou e o menino sentiu o coração disparar.- Obrigada Sev. Feliz natal.- Beijou o rosto dele e guardou o pequeno globo na caixa. Enfiou a caixa no bolso e disse- Vou até a doceria comprar bengalas doces e chocolates. Me acompanha?
–Sim.- Murmurou de maneira tímida- Você e seus doces.- Lílian sorriu.
–Minha mãe disse que eu podia te chamar para cear conosco amanhã. Você vai vir?
–Sim claro que sim.- Severus disse feliz- Minha família não comemora o natal.
–São judeus?
–Não.- Ele suspirou- São amargos.
_//_
Mellani se portou como uma verdadeira Black durante toda a estadia na casa. Quando seu tempo de ir embora chegou ela implorou a Walburga que deixasse Sirius passar as férias de verão com ela. A desculpa ensaiada com James era a vontade de passar mais tempo junto a Sirius. A mulher disse que pensaria e responderia depois da virada de ano.
Quando regressaram a Hogwarts Sirius recebeu uma carta de Walburga deixando-o ir para os Potter, mas com mil recomendações. A mais específica era não se misturar com trouxas. Sirius, mesmo sabendo que parte de seu êxito foi com a ajuda de Mellani, não diminuiu suas brincadeiras depreciativas em torno dela .
No decorrer do ano Remus se aproximou mais dos amigos. Sirius descia todas as noites no período em que Remus era acometido por pesadelos. Os dois ficavam conversando por horas. James às vezes se juntava aos dois. A amizade dos meninos ficava cada vez mais forte.
Os meses correram e as férias logo vieram. Sirius e Peter foram para a casa de James. Passaram a maior parte do tempo dentro do quarto ou na biblioteca estudando. Mellani ficava jogando cocô de cachorro e gronos pela janela de James tentando fazer os garotos se destrancarem do quarto para descobrir o que tanto eles estudavam. Isso quando ela não ia para a piscina que ficava em frente à janela de James. Ela colocava um som muito alto para atrapalha-los e da piscina ficava jogando a bola na janela dele.
A loira mal viu a cara do primo ou Peter. Sirius então, ela mal notou a presença. O comportamento dela rendeu muitas broncas e um castigo. Margaret estava adorando a paz que reinou durante aqueles meses. Quando soube que os amigos de James passariam as férias por lá ela estava a ponto de enlouquecer. Em cinco minutos de viagem com todos juntos Mellani protagonizou uma briga espetacular com Sirius, James explodiu o vidro de uma loja e ele e Peter passaram o tempo inteiro cantando músicas para irritar os outros dois.
A senhora Potter não entendia muito bem porque os três meninos estavam tão estudiosos já que não era da personalidade de nenhum deles ser daquele jeito.
Ao final das férias James estava satisfeito com os resultados. Sirius e Peter não aguentavam mais o jeito tirano com o qual o de óculos os fazia praticar. Mas tanto esforço valeu a pena. Em dois meses eles conseguiram descobrir qual animal deveriam se transformar. Não era algo fácil. Não conseguiram se transformar, mas saber qual animal seriam já ajudava. Era um avanço genial e com o tempo e os recursos da escola os três tinham a esperança de chegar à perfeição da animagia logo.
James foi muito caçoado quando soube que sua forma seria a de um cervo, mas logo os codinomes apareceram. O próximo passo seria realmente se transformar e a criação de um mapa que ajudasse nas fugas:
– Precisamos de uma senha se não qualquer um acha e não devolve mais.- Ele parou um instante e coçou o queixo.- JÁ SEI!- James e Peter o olharam. Sirius estava com um ar sonhador e seguro. — Vamos fazer o mapa do maroto!
Fale com o autor