Pintura Intima

24 Capítulo vinte e três: Os laços são quebrados


Notas iniciais
N/A: Gente, primeiro desculpa por ficar esse tempo sem postar. Eu tive uma semana atribulada, perdi meu pen drive ( que estava a fic) e quando achei percebi que queria mudar esse capitulo inteiro. Resolvi mudar, mas tive uns contratempos e não consegui editá-lo a tempo. Bem no fim estou postando, com atraso, mas estou e espero que me desculpem por isso. Teremos dois caps essa semana em razão do meu atraso e espero sinceramente que possam me desculpar. Aé. Eu li meio que nas pressas então provavelmente tem muitos erros por aí.

Beijossss e aproveitem ;)

Escapamos da morte quantas vezes for preciso, mas da vida nunca nos livraremos.

Chico Xavier

Remus estava no vagão longe de Sirius ou qualquer outra pessoa. Seu coração ainda sangrava, era coisa de mais pra ele assimilar. Camila entrou na cabine receosa e sentou na frente dele. Deixou a porta do compartimento aberta. Ninguém estava passando por ali. Percebeu que o rapaz estava diferente, muito diferente. O olhar dele costumava ser menos opaco.

-Você está bem?- Ele assentiu fitando a janela. A mão fechada parada na boca. -Andam falando que você bateu em Sirius.

-Sim eu sei.-Ele disse sem olhá-la, Camila percebeu a frieza e distancia dele

-E é verdade?

-Vai mudar sua vida saber ou não?-Ela sentiu as bochechas corarem e o olhou nos olhos:

-Vai me tranquilizar em relação ao que penso sobre ele.

-E o que é?

-Vai mudar sua vida saber ou não?-Ela repetiu e ele sorriu de canto

-Desculpa por ser grosso.

-Tudo bem. Os sais funcionaram?

-Sim.- Ele a encarou curioso- Como você sabia? Eu fiquei por anos deixando essas feridas fecharem praticamente a modo trouxa.

-Eu cuidei do meu pai a vida inteira.- Ela sussurrou- Por isso não vim para escola antes. Ele sempre precisou muito de mim. Acabei aprendendo uns truques.- Remus ficou desconfiado, mas percebeu o jeito esquivo dela e resolveu não insistir no assunto

-Por que se preocupa tanto comigo?- Ele estava confuso. Camila deu de ombros

-Você me ajudou muito com a adaptação na escola. Não reprovei por sua causa.- Engoliu em seco. Ele assentiu- Você é uma pessoa boa.- Levantou e sentou ao lado dele. Remus não conseguia encará-la. Estava muito magoado com tudo que aconteceu e tinha medo de ser estúpido com as pessoas que não tinham nada a ver com a história. Pensar em Mellani lhe doeu e seus olhos marejaram. Sentiu a mão de Camila em cima da sua e olhou-a. O sofrimento dele estava deixando a metamorfoga angustiada

-Você me ajudou sem ao menos me conhecer. Eu só estou retribuindo o favor.- Camila não se dava conta do que mudava dentro de si. Era uma pequena fagulha que se alimentada consumiria toda sua alma.

-Obrigado.- Remus murmurou encarando-a de muito perto. Ela suspirou e abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida por uma voz atrás de si:

-Remus, James disse que você estari...-Remus se levantou de supetão quando viu Dorcas na porta. A menina olhou para ele e depois para Camila, arqueou as duas sobrancelhas numa expressão de indignação e sarcasmo:

-Desculpa.- uma sensação muito estranha se apossou de seu coração. Ela estava bem irritada com Camila.- N-não quis atra-atrapalhar.

-Não atrapalhou nada.- Camila foi a primeira a falar e sorriu. Remus assentiu logo em seguida. Dorcas revirou os olhos e saiu andando. Encontrou Alice e Frank duas cabines depois. Entrou e se jogou no estofado- Qual é a da novata?

-A Parker?- Alice perguntou com o semblante curioso- Como assim?

-Aquele jeitinho todo “Sou a sangue-puro exemplar”- O casal segurou o riso

-Como assim?- Alice perguntou de novo- A Camila é um doce de pessoa. Ela não fica se gabando por ser sangue-puro.

-É o jeito dela.- Dorcas disse tentando convencer a amiga- Por que ela tem que ser tão formal e cheia de frescuras? Me sinto pouco a vontade perto dela.- Frank começou a rir e disse:

-Bem...-O rapaz olhou para Dorcas de maneira divertida- Ela não é frescurenta. Ela é muito delicada e gentil. Vê como ela e Lily se dão bem? Eu realmente não acredito que ela seja tão má caso contrário Remus não passaria tanto tempo ao lado dela.- Dorcas sentiu as bochechas quentes. Seus olhos ficaram subitamente ardidos e ela cruzou os braços. Alice trocou um olhar com o namorado e depois olhou para a amiga em confusão:

-Por que está tão ciumenta com a Camila? Lily não vai ser menos amiga sua por isso.

-Eu não estou com ciúme é só que às vezes quero conversar algo particular e ela está sempre junto.

-Ela faz parte do grupo agora.- Frank continuou segurando o riso- E o Remus só tem cara de quieto não é? Foi assim com a Mel, estudos na biblioteca, conversinhas no almoço, andando juntos no corredor e craw.- Alice percebendo a palidez que surgiu no rosto de Dorcas deu um tapa no braço do namorado

-Que comentário chulo Frank!

-Foi mal, todo mundo ta comentando. Ela chegou aqui e ficou andando só com ele. Agora que está se enturmando na galera.

-É porque eles já se conheciam antes.- Dorcas murmurou

-Bem, independente se ele quer ficar ou não com ela agora eles são bem amigos...-Dorcas de levantou e Frank parou de falar.- Que foi?

-Eu vou ao banheiro.

-Eu vou junto.- Alice piscou para o namorado de maneira cúmplice e foi incentivada pelo sorriso matreiro dele

-Dorcas.- Chamou vendo a menina andar pelo corredor apressadamente- Vem aqui.- Parou a amiga perto do banheiro. Algumas meninas saíram pela porta e cumprimentaram as duas. Quando ficaram a sós a Corvinal encarou a amiga seriamente

-O que está acontecendo?

-Nada.

-Você está um tanto quanto nervosa desde que a Parker chegou.

-Ela é uma intrometida!

-Por quê?

-Ah!- Ela suspirou- Lily e Remus são meus amigos! Sabe há quanto tempo não tenho uma conversa descente com eles? Desde que ela chegou. Lily estava passando por uma barra e sabe quem ficou sabendo primeiro? Ela! Aconteceu alguma coisa com Remus e eu fui falar com ele agora, oferecer a minha ajuda e sabe quem estava lá de mãozinha dada com ele? A Camila! Eu só estou preocupada, queria saber o que está acontecendo com o meu amigo! Ele costumava conversar mais comigo antes daquela garota metida chegar. Sério.- Alice comprimiu os lábios segurando o riso- Não é como se você, Lily ou Mellani não servissem, mas é que...- Ela suspirou- Houve uma fase muito ruim da minha vida em que ele esteve ao meu lado me apoiando. Eu acostumei com a presença dele quase que constantemente, sabe? Me ajudando. Ele me entende porque sabe o que passei e foi com ele que conversei sobre isso. Agora essa garota chega e só porque ele está com tesão não dá mais atenção pra mim?

-Dorcas.- A loira não ouviu os chamados da amiga

-Eu sinto falta dele sabe? Ele costumava sentar comigo nas aulas de estudo dos trouxas. Aquela menina foi pedir pra ele ser o parceiro dela em astronomia e ele aceitou. Pior, a professora deixou e ele me largou!

-Dorcas...

-Ele estava ajudando eu sei. Ela estava muito atrasada no conteúdo e ficar com ela nas aulas era um modo de viabilizar o tempo de estudo, mas...- Dorcas engoliu em seco- Mas...-Os olhos molharam- Eu estou me sentindo um sapato velho.

-Desculpa.- A voz de Remus ecoou atrás dela e Alice suspirou

-Eu tentei avisar.- A Corvinal falou e Dorcas sentiu o rosto queimar. Ela se virou lentamente e encarou o amigo

-Há quanto tempo você está aí?-O rapaz a encarou seriamente e murmurou

-Hum...-Ele suspirou- O suficiente...- Ele se aproximou e Dorcas deu um passo para trás.- Eu não te deixei de lado.Só estava atolado de mais com os exames. Todo mundo estava.- Alice foi para o lado e se afastou. Remus se aproximou e murmurou- Eu queria que você tivesse ficado na cabine, mas você saiu correndo.- A loira corou de novo

-Você está bem?- Perguntou preocupada e Remus abaixou os olhos. Dorcas passou o braço pelo dele e saiu andando. Foram lentamente até a cabine que o rapaz estava anteriormente. Não havia nenhum sinal de Camila. Ele se jogou no mesmo lugar de antes e ela sentou ao lado dele. – Estou muito preocupada com você Remus. Ontem foi aquela loucura e depois você sumiu.- Ele olhou para a amiga e suspirou

-Agora eu te entendo.- Ela o olhou confusa- Entendo perfeitamente o que sentiu quando descobriu sobre Sirius e Cortney.- A garota sentiu um gelo no coração, um pressagio ruim antecipando a declaração que ele faria. A dor nos olhos dele a deixou completamente devastada porque ela via nos olhos dele o que um dia sentiu. A última coisa que ela queria era que outra pessoa passasse pelo que passou e Remus muito menos.- Mellani...-A voz dele engasgou e Dorcas viu os olhos dele marejados- Ela dormiu com Sirius.- Ela sentiu como se seu coração tivesse parado. Remus mal conseguiu terminar de falar e as lágrimas rolaram de seus olhos. Dorcas o olhou com compreensão e puxou-o para junto de si. O rapaz deitou a cabeça no ombro dela e a abraçou enquanto deixava um pranto sentido escapar pela garganta. O jeito que ele chorava era tão sofrido que ela sentiu seus olhos marejarem. Passou os braços pelos ombros dele e descansou as mãos em seus cabelos dispensando-lhe um carinho fraternal. Ela suspirou e murmurou

-Coloca isso para fora se não vai morrer. Lembra? Você disse isso pra mim.- Ele soluçou e deu vazão a torrente de emoções que estava segurando. Apertou as mãos na camisa dela. Dorcas dispensou um beijo no topo da cabeça dele e o abraçou com carinho. Escondeu-o entre seus braços e puxou a varinha do bolso apontando para a porta, as cortinas se fecharam. O corpo de Remus tremia contra o seu enquanto os soluços sentidos ressoavam baixo pela cabine do trem. Dorcas fechou os olhos e ajeitou-se no banco. Remus sentiu-se confortável no abraço dela e foi se acalmando aos poucos. Seu coração estava sangrando e doía tanto que ele mal conseguia respirar- Eu sei Remus.- Ela sussurrou apoiando o queixo na cabeça dele e acariciando os cabelos perto da nuca de um jeito carinhoso- Dói muito, dói tanto que parece que você nunca mais vai conseguir sorrir, mas passa, aos poucos e lentamente. Passa até se tornar uma lembrança triste.- Ela suspirou recordando de quando passou pelo mesmo.- Uma vez você me disse que eu devia me lembrar o quanto a vida pode ser incrível, você conseguiu me fazer superar, sua amizade foi o que me fez não afundar.- Ele suspirou- Eu estou aqui para fazer o mesmo por você e se estiver dentro da minha capacidade fazer até mais.- Ele fechou os olhos e suspirou

-Obrigado por ser minha melhor amiga.

-Obrigada por ser meu melhor amigo.- Ela sussurrou de volta. Ficaram calados apenas apreciando o abraço consolador um do outro. Remus sentiu a cabeça doer e tentou relaxar, o sono que perdeu durante a noite pesou. O balanço do trem e a respiração calma de Dorcas contra seu rosto foi um convite a cair no sono. Ele ajeitou-se contra ela entre o sono e nenhum deles percebeu que ele estava apoiado quase nos seios dela. A garota relaxou quando percebeu que ele dormiu e acabou caindo no sono. O que se reafirmava mais uma vez entre eles era puro e sublimemente belo.

-Onde você vai?- James perguntou seguindo Lílian pelo corredor do trem. Não era nenhuma novidade ver o Maroto perseguir a ruiva por todos os cantos. A novidade mesmo era ela andar calmamente e sorrindo enquanto conversava civilizadamente com ele. Nenhum braço dado, nenhuma demonstração de carinho em público desde o dia anterior, mas o fato de conversarem já gerava estranheza a todos:

-A Dorcas sumiu e ela sempre dorme no trem. Como já estamos chegando eu estou procurando para chama-la.- Lílian não precisou procurar pouco. Ela se lembrava de ter visto a amiga indo na direção que tomava no momento- Será que estão aqui?- Perguntou apontando para a cabine de cortinas fechadas

-Muito simples ruiva.- Pegou a varinha e apontou para a porta

-É melhor ir com calma. Não quero pegar ninguém aos amassos.- Avisou a garota com um sorriso matreiro- Já pensou a Cortney aí dentro com alguém?- James estremeceu fazendo careta de nojo e Lílian riu. O moreno fez um movimento de varinha e arqueou as sobrancelhas com a visão que teve

-Uou, uou.- Murmurou e Lílian corou. Ambos trocaram um olhar cúmplice.- Ele não perdeu tempo.

-Se toca James.- A ruiva murmurou- Olha só. Estão apenas dormindo. Olha bem para o seu amigo. Ele deve ter dormido chorando! A Dorcas não o vê dessa forma e nem ele a ela. É um tanto quanto obvio como são amigos.

-Ta aí.- James encarou os dois dentro da cabine- Podíamos juntar os dois. O que acha?

-Acho que ele não está no clima.

-Você tem razão. Quem sabe mais pra frente?

-Sinceramente? Eles não se veem dessa forma. São só amigos.- James sorriu e se aproximou

-Mais uma vez eu vou provar o quanto está errada.- Cantarolou e se esquivou do tapa que ela tentou lhe dar.- Vai lá chamar os dois.

-Ok.- Lílian respirou fundo e abriu a porta.

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-Que saudades meus queridos.- Margaret Dorea Potter era definitivamente uma mulher emocional. James sorriu quando sentiu o abraço da mãe. Ela se separou dele e passou a mão por seu rosto- Como cresceu. Está tão parecido com seu pai.- James sorriu constrangido e Mellani soltou uma risadinha. Logo foi puxada pela tia que a abraçou e beijou- Céus cada segundo que passa você fica mais encantadora.- Parou de falar e ficou olhando para Mellani por um bom tempo. Um olhar quase de pesar, como se soubesse de algo que nem ela ou James poderiam desconfiar.

-O que foi tia?

-N-nada.- Engasgou e passou a mão pelos cabelos de Mellani- É tão jovem.- Suspirou- Tão jovem.- Quando os olhos de Margaret marejaram James e Grant se aproximaram com preocupação

-Mãe, o que está acontecendo? O pai está bem?

-Sim! Ele...-Ela balançou a cabeça e suspirou- Ele está em uma reunião muito importante. –James revirou os olhos como se dissesse “Sempre”- Não foi nada, é bobeira minha. Ver vocês crescidos assim me emociona e me lembra quando tinha que trocar o lençol molhado de xixi.- Os dois riram- Onde está Sirius?- Mellani engoliu em seco e James fechou a cara- Hey hey, o que aconteceu?

-Ele já foi pra casa mãe.- Margaret teve uma reação que fez os primos ficarem mais desconfiados ainda. Ao invés de emburrar ou ficar ofendida como ela normalmente faria a mulher arregalou os olhos numa expressão de assombro e ficou pálida feito um papel.

-O-o que e-ele di-disse?

-Nada. Nós brigamos.- James murmurou- E ele resolveu ir para casa até esfriarmos a cabeça.

-Por que vocês brigaram? – O moreno lançou um olhar acusador a Mellani que ficou nitidamente tensa. Margaret franziu o cenho

-Foi bobeira mãe. Depois a gente se resolve. Nem foi comigo a briga, foi com o Remus, eu só tomei as dores.

-O que o Sirius aprontou dessa vez?

-Mulher.- James respondeu mau humorado. Mellani sentiu a bochecha corar e tentou evitar o olhar analisador da tia. A jovem mordeu o canto do lábio inferior e começou a andar.

-Heyyyyy Mel.- A voz de Lílian soou atrás da amiga, James teve uma reação muito rápida. Quase quebrou o pescoço de tão rápido que virou. Tomou a frente de Mellani e puxou a ruiva para si levantando-a no colo

-AIII JAMES.- Ela gritou rindo- Só vim me despedir.

-Eu só estou me despedindo.- Disse sorrindo enquanto a colocava no chão. Lílian sorriu com vergonha e ajeitou o cabelo atrás da orelha.- Você vai nos visitar? Mel já te pediu.

-Claro que sim. Se ninguém morrer eu vou.- Piscou-lhe e James riu

-Sua maluca.

-Ah, então agora é só o James na sua vida hã?- Mellani debochou e fez a amiga ficar mais vermelha ainda. Lílian abraçou Mellani de um jeito forte- Eu queria que você ficasse esses dois meses inteiros comigo.

-Algumas coisas temos que fazer sozinhas. Essa consequência é apenas sua Mel e mesmo que eu estivesse junto você não conseguiria fugir.

-Mas ficaria mais leve.- Os olhos da loira marejaram e Lílian suspirou. Se afastaram e a ruiva segurou o braço da amiga de maneira carinhosa

-Eu vou tentar ir na penúltima semana. Minha irmã vai casar e minha mãe está fazendo um grande barulho sobre isso.

-Nossa casar?

-Pois é. Fiquei sabendo tem pouco tempo. Além de tudo tenho que enfrentar uma bronca por certas coisas que andei fazendo na escola.- James segurou o riso e ela revirou os olhos- Você é forte Mel. Vai superar. Todos vocês.- Encarou James

-Que sua voz seja a certa. – O moreno disse com receio. Lílian beijou a face de cada um dos amigos e acenou

-Eu preciso ir...Alou senhora Potter.- Sorriu para Margaret que observava a cena com certo interesse- E suas flores? Conseguiu se livrar das fadas mordentes?

-Sim.- Ela sorriu encantada para Lílian e se aproximou- Seu pais como estão?

-Ótimos. Estou morrendo de saudades deles. Principalmente do meu pai.

-Lily e o pai são muito apegados.- Mellani sussurrou para James que assentiu

-Espero que eles tenham se recuperado da passagem de Mellani na sua casa.- As duas riram e James observou aquela cena com olhos sonhadores. Ele podia visualizar mais vezes, Lílian e sua mãe conversando na sala ele e o pai observando a distancia e comentando o quanto tinham sorte. Quando concluiu esse pensamento ficou com o semblante fechado. Não gostava de ir rápido com as expectativas. Eles tinham se beijado apenas três vezes, uma delas que resultou quase em outra coisa, mas mesmo assim, era tudo muito cedo. Suspirou e observou Lílian abraçar sua mãe e se distanciar logo em seguida. Ouviu Mellani reclamar sobre ter sido a prima de Lílian provocá-la e algumas justificativas. Sentiu a mão de sua mãe no ombro e olhou para uma das mulheres mais importantes de sua vida.

-Sim?

-Lílian é uma garota incrível.- Percebeu o filho corar e entendeu. Não precisava de muito. Sabia que ele era apaixonado pela ruiva desde sempre, mas aquele olhar, aquelas atitudes. Margaret percebeu que a coisa era muito além de uma paixonite.- Estou um tanto quanto preocupada James.- O rapaz a olhou questionando- Em casa querido. Aqui as pessoas simplesmente ouvem de mais.- O rapaz assentiu e passou o braço pelo dela vendo que Mellani fazia o mesmo. Num único crack sumiram no vazio.

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Mellani se jogou na cama e fechou os olhos. Queria sumir. Queria fazer qualquer coisa menos sentir o peso do olhar de James sobre si. Ele sabia de tudo, sabia tudo que ela tinha feito de errado e tudo que ela provavelmente viria a fazer. Estava sentindo um certo desespero por não conseguir conter suas emoções. Ela e a tia tinham tido uma conversa um tanto quanto exaltada dois segundos atrás. A mais velha estava desconfiada de que o problema entre James e Sirius era ela e Mellani odiava o bom faro dela. Ouviu vozes no andar de baixo e decidiu descer para ver o que era. Encontrou James parado no alto da escada pronto para vestir a capa. Ela tocou o ombro dele e o rapaz levou o indicador aos lábios. Ela assentiu e rodeou a cintura dele com o braço. James os cobriu e desceram lentamente. Ninguém estava na sala. Andaram até o escritório do senhor Potter. A porta estava fechada

-Vamos ter que entrar.- James sussurrou

-Você acha que estão discutindo algo importante?

-Não viu como a mãe estava hoje?-Ele sussurrou e encostou na maçaneta. Num golpe de sorte a sala abriu e Phillipe Grant passou pela porta quase levando-os junto. Aproveitaram a brecha e entraram.

-Os pais da Dorcas.- James sussurrou puxando a prima para o canto da parede e encostando ali. Alguns minutos depois Phillipe voltou com papeis e fechou a porta. Margaret estava sentada ao lado do marido. Alastor Moody também estava lá. Junto com a mãe de Frank e algumas pessoas que eles não conheciam. Mellani agarrou o braço do primo quando Harry Charlus Potter bateu na mesa com raiva

-NÃO É POSSÍVEL! – Ele gritou- Isso é um disparate! Um disparate!

-Acalme-se meu amigo.- O senhor Grant pediu e estendeu um mapa na mesa. Era o mapa de toda a Europa. Com um feitiço a figura flutuava como um holograma. Todos da mesa pareciam revoltados com algo e muito chocados- Não para por aí. Eles vão interferir em toda a Europa. Começa do sul e vai até os limites da Europa ocidental. Veja, Oxford foi só o começo... Marshella e mais dois lugares estão na mira. Dois mil trouxas massacrados como gado!

-O que a imprensa está dizendo?- A mãe de Dorcas parecia saber mais do que devia naquelas circunstancias

-Foi ontem à noite, ainda estão abafando, mas até quando? Estamos com uma crise terrível em mãos. Ele quer que os trouxas saibam de nós, quer que saibam para que eles nos temam e nos sirvam. Estão questionando, estão agindo e nós estamos no escuro.- James ouviu o pai dizer de maneira sombria- Até quando vamos esconder de nossos filhos o que está acontecendo?- Olhou para os Meadowes na outra ponta da mesa- Eles estão protegidos na escola, mas apenas isso. Dumbledore não pode estar à frente da batalha se está com nossos filhos. Ele quer nossos filhos, tem algumas crianças com ele, informando, mostrando os melhores, tentando recrutar mais pessoas. Não devemos mais nos esconder. Não podemos mais!

-Acontece...- Margaret começou- Que a surpresa é nosso principal trunfo. Quem é a Ordem da Fenix? O que fazem? Para quem trabalham? Quem nós devemos subornar? Quem devemos coagir? Ele não sabe e isso o enlouquece e lhe dá medo! O medo é a arma que temos contra ele! Apenas isso. Enquanto ele não souber quem somos, quem é nossa família e onde nos atingir.

-Ele já sabe!- Alastor começou- Ele já sabe e ele está fazendo. Tem muita gente do lado dele. Acreditando no discurso dele inclusive dentro da escola! Ele já sabe quem está à frente da Ordem e nos teme por isso. Nos teme porque somos organizados e corajosos. Olha só.- Apontou para um canto do mapa- Três cidades salvas por nós. Ajudamos o ministério, ao menos as pessoas descentes que estão por lá. E mais, precisamos descobrir quem está responsável pelo recrutamento.

-Já disse. Um aluno veterano e elitista só pode.

-Ele não seria tão óbvio. É alguém acima de qualquer suspeita. Vamos ter que envolver nossas crianças nisso!- O senhor Meadowes disse com tensão.- Onde a unidade cinco está?

-Rumo a East Cowes, Kinsgley está à frente. Já estão lá aguardando o embate! Vai acontecer, mas os trouxas não ficaram sozinhos.- Um ponto vermelho começou a piscar no mapa

-BRIGTH!- Harry gritou e uma mulher franzina tirou os olhos de uma tela. Ela parecia muito concentrada- Começou. Fica de olho. Vão nos contatar a qualquer segundo e dependendo de como for vamos mandar reforços...- Encarou o mapa. Era evidente que ele e Alastor dividiam uma liderança ali.- Olha aqui... Movimento bruxo. Tem muita gente.

-Não é nosso pessoal.

-Acho que os pontos azuis são bruxos e os vermelhos trouxas.- Mellani sussurrou vendo uma grande massa de pontos azuis se deslocar- Provável que esse feitiço só detecte grandes quantidades.

-BRIGTH.- Algo na tela chamou e James percebeu que era um espelho comunicador igual ao que deu a Sirius no ano anterior- ESTÁ UM HORROR A ILHA INTEIRA ESTÁ EM CHAMAS! CONTATE O MINISTÉRIO. É A VEZ DELES!- Puderam ouvir um barulho de feitiço.

-A Ilha Wigth está sendo sitiada.- Margaret comentou assombrada

-Eles não podem tomar Southampton!- A senhora Meadowes gritou- Não podem!

-Isso está errado.- Mellani sussurrou- Está errado.- A mente da menina trabalhava de maneira rápida e ela observava a movimentação do mapa- O que há, o que há em Southampton?- James a olhou. Mellani encarava o holograma com os olhos desfocados, parecia estar numa viajem- Me ajuda, história da magia, terceiro anos James.

-O que tem isso agora?

-Southampton, ilha Wigth... – Franziu o cenho. – Tem algo muito errado com esse ataque.

-Por quê? Eles estão barbarizando trouxas.

-Não estão barbarizando trouxas. Por que não Londres? Por que não o centro da Inglaterra onde fica o parlamento, os turistas e todo capital financeiro?

-Por que tem parte bruxa?

-Não James!- Mellani fechou os olhos tentando se lembrar do porque daquele lugar ser importante.- O que Voldemort quer lá?

-Vamos mandar a ordem para onde há a maior concentração de trouxas...- Ouviu a voz de seu tio falando. Ela estava com o cérebro a todo vapor. Existia algo maior ali que os adultos não estavam dando atenção.

-Mellani.- James disse chocado- A irmã da Lílian vai se casar quando?

-Amanhã.- A loira sussurrou- Na praia...-Continuou assombrada e os primos se olharam com terror. Os olhos de James estavam tão preocupados e assombrados que Mellani sentiu pavor.- James... Em 1539 Salazar esteve por muitos lugares, ele esteve onde?

-Europa inteira

-Procurava algo importante, uma magia antiga que lhe traria poderes incríveis.

-Foi à magia que o deixou louco e o fez se trancafiar na câmara secreta.

-Sim, mas isso foi quase duzentos anos depois. Os fundadores viveram mais que todos. Lembra do terceiro ano? – Ela parecia meio perdida nos próprios pensamentos

-Isso não tem muito a ver agora! Lily está em tremendo perigo!

-James, é preciso uma grande energia desprendida para se ter um grande poder ou reavivar uma grande magia... Segundo as aulas de feitiços, a natureza tem grande poder sobre nós.

-Isso não faz o menor sentido.- Mas a garota parecia estar numa conversa solitária, ela franziu o cenho

- Muita energia. O que temos em Southampton?

-Mar?

-Exato, muito mar, muitas árvores...- Ela suspirou- O que mais temos? Me de um fato histórico. Algo de extrema importância.

-Não lembro...

-Titanic! O navio trouxa que afundou, desprendeu muita energia, foram muitas lembranças. Esse navio saiu de lá! Tem até um memorial as vitimas! Essa cidade também foi bombardeada, atacada, dizimada pela peste... Tudo aconteceu lá, quase nada sobreviveu apenas...- Mellani saiu debaixo da capa e James a seguiu com espanto

-Sua louca.

-O que estão fazendo aqui?- Mellani ignorou o esbravejar de seu tio e andou até a mesa

-Senhor Moody.- Ela parou e olhou para o holograma- Esse não é um ataque simples!

-Quem tem olhos vê minha querida.- O homem apontou para a quantidade de comensais.

-NÃO!- Ela andou até a estante de seu tio enquanto Harry se levantava pronto para tirar os dois dali

-Pai me escuta!- James segurou o homem pelos ombros- Lily está lá, Lily e toda a família, para o casamento da irmã! Ela é nascida trouxa, pelo amor de Merlim me deixa ir pra lá me deixa lutar! Me deixa ao menos saber que ela está bem.- Mellani ouvia vagamente a voz desesperada e chorosa do primo

-NÃO! Nosso pessoal está lá e vão ajudá-la

-PESSOAL? Eles não a conhecem!- James estava desesperado e olhava nos olhos do pai- Ela vai morrer pai. Ela vai morrer se não formos tirá-la de lá. Ela e toda a família.

-MELLANI O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?- Harry ignorou James vendo a menina arrancar todos os livros da estante- Essa é uma operação de alto risco! Pessoas morrerão por culpa de vocês.

-Lílian está lá pai. Pessoas inocentes estão lá! Precisamos fazer algo. Não podemos ficar parados. VOCÊS DEVIAM ESTAR LUTANDO.

-Estamos lutando. Estamos planejando para não perder mais pessoas! MELLANI.- Harry gritou quando viu a sobrinha correr com um grosso livro em mãos

-Aqui senhor Moody.- Jogou o livro aberto quase no final- Olha só.- Apontou a foto de um muro puído- Sabe o que é isso? É o que sobrou de uma muralha, uma muralha construída na idade média! Idade média! Olha só.- Apontou para os símbolos- São runas, EU SABIA!- Ela gritou espantando a todos- Olha só, olha só! Estão apagadas, mas a magia certa com o nível certo de energia... Olha isso foi apagado magicamente. Tivemos um desprendimento de energia com as mortes na segunda guerra, foram muitas mortes e eu acredito que o filho da puta estava aqui quando esses bombardeios aconteceram!- Apontou para a foto- E ele conseguiu fazer abrir um pouco, masssss não foi o suficiente. Então ele provavelmente usou a energia emocional, aquela das pessoas que ainda estavam impressionadas com o naufrágio. A ilha estava impregnada de lembranças e tristezas, mas não foi o suficiente e ele não sabia as palavras certas, não sabia as palavras certas para descobrir como fazer...

-Então ele esperou a data certa.- Alastor continuou seguindo a linha de raciocínio de Mellani- Usando o alinhamento... Ele esperou até o Vortix passar!

-Captou energia e agora só precisa de mais um desprendimento de emoções, a magia enlouqueceu Salazar...- Mellani começou a andar de um lado para o outro- Enlouqueceu Salazar como faria um dementador. Toda aquela dor ficou impregnada ali! Ele precisa de mais dor! Ele precisa de outro massacre!

-Que está acontecendo agora! Quando ele conseguir terá o que quer.

-O que?- Mellani perguntou- Pense Moody, pense!- O auror franziu o cenho e mordeu o punho tentando pensar. Todos estavam boquiabertos com Mellani

-O Amuleto!- James disse- O amuleto de Salazar. Forjado por duendes antes mesmo do tempo ser tempo. O professor nos disse isso no terceiro ano! É o amuleto da família Salazar, dará poder irrestrito a quem usar porque ele contém a magia dos mortos da família, contém o conhecimento de mais de quatro séculos. Até agora eu pensava ser só uma lenda.

-Se for mesmo isso estamos perdidos.- Moody disse- Precisamos ir pra lá. Brigth avise Kinsgley para mudar. Não interessa quantos mortos, precisamos defender aquele local e impedir que ele faça algo.

-COMO ASSIM NÃO IMPORTA QUANTOS MORTOS?- James disse furioso- SÃO PESSOAS!

-E HAVERÁ MUITOS MAIS SE ELE CONSEGUIR O QUE QUER FILHO.- Alastor gritou de volta- Contenha seu garoto Charlus.- O homem olhou para James com raiva

-Mas que merda!- O pai de Dorcas gritou. Mellani olhava para o livro compenetrada.- O Grettle foi seqüestrado. Estranho. Eles normalmente matam os nascidos trouxa.

-Tio.- Mellani chamou preocupada- Quantos nascidos trouxa sumiram nos últimos meses?

-Não sei. Não temos esses dados e...

-11.- O pai de Dorcas disse- 11 com o Grettle, eu e Mariene estamos cuidando dos sumiços, já foram onze.- Mellani pegou o livro e olhou para todos os presentes

-Vocês precisam entender. O que está para acontecer pode ser fatal se ele conseguir o décimo segundo. Nossa amiga Lily é nascida trouxa e está naquela cidade!- James sentiu que podia vir a lágrimas a qualquer segundo.- Segundo a lenda, para provar seu valor nobre é preciso mostrar coragem. Exterminar a espécie inferior...

-Ele vai matar nascidos trouxas! –James disse sem acreditar- Vai matar Lily e...- Os adultos se moveram.

-Mandem um patrono para Dumbledore. Mandem outro para...

-Eu quero ajudar.- Mellani e James falaram juntos e Margaret os olhou

-Não vão sair daqui. Estão seguros e ficaram aqui.-James saiu correndo e foi na direção da lareira. Harry o segurou e o expulsou da sala

-EU PRECISO VE-LA. PRECISO SABER SE ELA ESTÁ BEM!

-Nós faremos isso.- Harry disse e segurou o filho pelos ombros. James o olhou com desespero

-Pai, eu tenho treinado dia e noite, eu tenho me preparado eu posso e eu vou resgatá-la.

-Não num lugar desses, não numa batalha desse porte. Você não pode sair a campo quando cinco estarão em cima de você.

-Para!- Ele olhou nos olhos do pai- Eu a amo, eu não posso perdê-la. Pai, eu não posso ficar sem ela.- Harry passou a mão pelo rosto do filho e murmurou

-Eu vou trazê-la para você. Vou trazê-la viva e bem. Você não vai perder ninguém nessa maldita guerra.

-Não minta pra mim!- Ele disse se livrando do pai. Harry olhou para o filho mais uma vez

-Eu sinto muito.- E lançou um feitiço que o fez desmaiar. Antes que pudesse cair no chão o homem o amparou e levou-o até o sofá. Mellani encarou o tio

-Nem pense nisso. Vamos sair daqui e a lareira será bloqueada imediatamente.

-CHARLUS.- Brigth gritou- Londres está sendo atacada. Estão pelas redondezas de Grimmauld Place!- Mellani arregalou os olhos e antes que pudesse falar algo o tio a tirou do escritório com um feitiço. Mellani bateu na porta diversas vezes, gritou e empurrou, mas nada foi feito. Tentou acordar James e não conseguiu. Sentou ao lado do primo e ficou calada. Ouvia barulhos de pés e uma tensão sem igual se espalhou. Seus pais estavam indo para guerra, dando a cara a tapa. Ela ajudou a impedir algo, seu cérebro trabalhou de uma maneira assombrosa. Durante seu arroubo ela mal percebeu a cara de assombro de seu pai e o jeito emocionado que ele ficou. Phillipe tinha visto a falecida mulher, era acostumado aos surtos dela quando tinha um caso em mãos e Mellani fez igual a ela sem nunca ter presenciado um ato sequer de sua mãe como inominável. A loira jogou os cabelos para trás e suspirou. Precisava fazer algo, falar com alguém. Ela não ficaria parada enquanto Lílian e seus pais estavam no meio do fogo cruzado. Tentou acordar o primo mais uma vez e conseguiu:

-EU NÃO ACREDITO QUE ELE FEZ ISSO.- James sentou no sofá e ficou sério olhando para o nada.

-James.- Mellani chamou e ele a olhou com pesar- Grimmald Place está sendo atacado.- No mesmo segundo James deu um pulo no sofá e subiu as escadas. Mellani o seguiu e entrou no quarto dele

-Sirius!-Viu o primo chamando em frente ao um espelho e franziu o cenho

-Desde quando tem um desses?

-Comprei.- Ele respondeu- Sirius!- Chamou mais alto. Logo a imagem do espelho se modificou e o rosto de Sirius apareceu com receio

-Cara eu estou te chamando nessa porra faz duas horas!-Ele estava aliviado- Quer me matar do coração?- Sentiu o espelho ser puxado e Sirius franziu o cenho quando encarou Mellani. Ela estava o olhando analiticamente com uma expressão muito preocupada- Você está bem?- Ele perguntou aparentemente em choque. Ela assentiu e engoliu em seco. Ao ver que estava tudo bem com o rapaz entregou o espelho a James-O que está acontecendo por aí? Minha mãe quer que eu vá para sua casa imediatamente.

-Você devia vir. Londres está sendo atacada.

-Eu estou vendo! Da minha janela! E não consigo sair de dentro de casa...- Sirius começou a relatar a situação a James e Mellani saiu de perto. Precisava pensar. O jeito preocupado que o rapaz a olhou era o de menos naquele momento. Ela suspirou preocupada por Lílian. Pela primeira vez na vida fez algo que nunca pensou fazer. Entrou no seu quarto, fechou os olhos e rezou.

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Lílian engoliu em seco enquanto corria. Abaixou quando ouviu uma explosão e sentiu a mão tremer. Sua irmã estava tendo um ataque de pânico ao seu lado.

-Fica calma.- Lílian disse e Petunia a olhou com terror

-São os Alemães? O que está acontecendo?

-Primeiro precisamos encontrar a mãe e o pai.- Abaixaram-se atrás de um carro e Lílian fez Petúnia sentar- Precisamos de um médico para acudir Vernon e nossa prima.- A mais velha assentiu apavorada tentando entender como sua irmã conseguia manter a calma numa situação daquelas- Eu tenho isso.- Mostrou a varinha para a irmã-E por mais que odeie é o que vai nos salvar hoje.- A ruiva não acreditava no que estava acontecendo. Seus pais tinham saído junto com os tios, irmão de seu pai e a esposa, era no que se resumia a família dela. Os avós a muito faleceram e o pai era filho único. Família pequena, com mulheres como herdeiras o que resultaria no fim do nome Evans em breve. Suspirou. Ela e Petúnia tinham ficado em casa para repensar as atitudes. Elas tinham tido uma briga feia e os pais delas e de Christine, a prima delas, foram encontrar Felipe o namorado da prima para levá-lo até a casa onde estavam se hospedando. O problema é que marcaram o encontro nas imediações do memorial do Titanic, era um ponto turístico e movimentado. Um dos lugares onde o ataque começou. Até o momento as irmãs não sabiam quem era o autor daquilo. Estavam na praia e tudo aconteceu muito rápido. Uma explosão derrubou o teto de alumino da lanchonete móvel que cortou profundamente a perna de Vernon e o ombro de Christine. Ambos perderam muito sangue e com a ajuda das duas voltaram para casa. Ao chegarem o inferno já estava feito. Muitas pessoas correndo e gritando. Casas sendo incendiadas e outras sendo trancadas. As pessoas estavam em pânico. Olhavam para o céu esperando ver aviões, mas o firmamento estava calmo. Um contraste com o chão que pisavam- Petúnia.

-S-sim?

-Eu não vou deixar nada acontecer com você.- Elas se olharam nos olhos

-Como pode garantir isso?

-Você fará o mesmo por mim. Eu sei!

-É mais fácil eu conseguir proteger seu filho.- Debochou revirando os olhos e Lílian bufou

-Então o dia que eu tiver um você cuida caso aconteça algo. Ao contrário também serve.- Petúnia assentiu sentindo um mau-agouro quando a irmã disse aquilo.

-O que vamos fazer Lílian?

-Preciso pensar.- Ela disse fechando os olhos e batendo o pé no chão. Segurou os cabelos e suspirou. Quando estava decidindo por onde ir sentiu o carro ser arrastado. Finalmente descobriu quem eram. Bruxos, muitos deles.

-Olha só esses trouxas.- Disse um comensal chegando mais perto- Se escondendo feito ratos! Olha o que eu faço com essas aqui!- Lílian puxou a varinha num reflexo e defendeu as duas com um feitiço. Petúnia estava de olhos arregalados. A surpresa do comensal foi gritante

-Hora, hora, uma traidora do próprio sangue ou uma sangue de lama?- Lílian foi andando para trás com a varinha em punho e empurrando a irmã para longe.

-Petúnia vai embora.- A mais velha estava em choque-Se ficar aqui eles vão te matar!

-Mas eles vão te matar!

-Eu me viro.- Ela murmurou e dois comensais se aproximaram atacando-a. Lílian empurrou a irmã que caiu no chão e conseguiu desviar de um feitiço enquanto rebatia o outro com mestria. Os treinos com Mellani e Dorcas estavam se mostrando uma benção naquele momento, caso contrário já teria levado a pior. Iniciaram uma batalha acirrada e Lílian tentava ganhar tempo atraindo-os para baixo de cobertura da loja de bolos. Foi andando para trás lançando vários feitiços e quando os tinha onde queria deu um pulo e esquivou agilmente para o outro lado.

-Sua fedelha IMUNDA!- O comensal gritou atacando-lhe ferozmente. Lílian conseguiu desviar e defender quase todos os feitiços e acabou recebendo um corte na bochecha e outro no ombro. Não esperou que eles parassem de mandar feitiços. Abaixou a guarda e lançou um feitiço no teto sendo atingida logo em seguida por uma maldição da dor. Ela caiu de joelhos gritando, mas sua agonia não durou tanto. Cinco segundos depois a cobertura da loja caiu em cima dos comensais que foram esmagados pelo concreto. Petúnia se aproximou e ajudou a irmã a se levantar.

-Céus, o que é isso?

-Ele me lançou uma maldição de dor. Eu senti como se mil facas entrassem na minha carne.- A outra estremeceu.

-Isso que dá. Está trazendo esse seu mundo perturbado até nós Lílian!

-Petúnia não é culpa minha que isso aconteça... ABAIXA.- Ambas se jogaram no chão. Feitiços eram lançados a torto e a direito. Rastejaram até o próximo carro e sentaram caladas. Lílian suspirou e olhou para a irmã- Nenhum bruxo culpa todos os trouxas por causa de Hitler então para com esse discurso horrível.

-Se não fosse anormal isso não estaria acontecendo.

-Está errada, como sempre errada.- Ela olhou para a irmã seriamente- Se eu não fosse bruxa isso estaria acontecendo do mesmo jeito e nós estaríamos mortas agora!- Uma explosão e vultos pelo céu. Lílian viu homens correndo na direção delas e puxou a irmã pelo pulso. Petúnia era o tipo de pessoa que reagia muito mal numa emergência. Estava tropeçando a todo instante e chorando. Mais explosões e feitiços que ela atacou e se defendeu. A rua estava cercada e as duas no meio da batalha. Sabia que o Ministério já estava a caminho, ela usou magia fora da escola.

-NÃO, POR FAVOR. — Ouviu um grito desesperado de mulher e os homens encapuzados puxando a criança dos braços dela. A menina chorava. Lílian sentiu os olhos molharem. Era muita crueldade. Penduraram a mulher de cabeça para baixo num feitiço horroroso e Lílian começou a correr naquela direção

-Não! O que vai fazer?

-Eu vou ajudá-la. Eu posso ajudar e não vou ficar parada.- Petúnia segurou os ombros da irmã e a olhou com pavor

-Você não pode. Eu não posso perder você! Não quando nossos pais estão por aí. Não quando somos só nós duas.

-Vai pra lá.- Apontou para a cafeteria- Se esconde lá dentro. Bruxos não sabem pra que serve uma geladeira. Você vai se enfiar atrás delas. Se tiver um frízer melhor ainda.

-Eu vou morrer congelada.

-Não se desligar o termostato. – Engoliu em seco- Túnia, você precisa ajudar o Vernon, assim que estiver silencio, saia e vá até uma farmácia. Antiinflamatórios, só procure antiinflamatórios!

-Eu vou agora!

-Se for vai morrer...-Abraçou a irmã- Me perdoa por acusar você de invejosa e tantas outras coisas ruins.-Petúnia ficou engasgada.

-Eu não vou te pedir perdão porque você não vai morrer aqui!- Lílian deixou uma lágrima escapar e correu na direção da mulher. Se meteu no meio da batalha, mas não conseguiu ajudar a mulher. O tempo que conversou com sua irmã foi o suficiente para mãe e filho morrerem. Ela abaixou e fechou os olhos do menininho. Deitou num reflexo e viu um raio verde passar por cima de sua cabeça.

-Se identifique.- O bruxo se aproximou e Lílian levantou indo para trás- Vamos lá sua trouxa imunda. Se identifique.- Ele não sabia que ela era bruxa. Suspirou e puxou a varinha lançando um feitiço estuporante apenas com um murmurar de lábios. Saiu correndo. Por onde andava tinha que se esconder e se esquivar. Ela queria encontrar um bruxo descente naquele meio, saber o que estava acontecendo e ajudar a localizar a família dela. Cada passo que dava lançava um feitiço e corria pela vida. Sentiu uma mão puxando seu braço e grudou a varinha no pescoço da pessoa pisando no pé de seu raptor, mas nada adiantou.

-Era o que precisávamos.- Ela reconhecia aquela voz e aquilo a encheu de pavor

-Avery?- Ela questionou sem acreditar e se debateu. Sentiu a boca dele em sua orelha. O jeito que ele a agarrava lhe causava náuseas

-Finalmente vou te colocar no devido lugar em sangue de lama.- Riu e Lílian tentou lhe lançar um feitiço. Não conseguiu e foi paralisada. Ele a jogou no ombro feito uma boneca de pano. Lílian estava apenas imóvel, mas conseguia ouvir tudo que ele dizia- Precisamos de apenas mais um imundo. Nada melhor do que a monitora que me deu detenções não? Você não devia ter vindo para esse mundo ruiva. Não devia.- Bateu na bunda dela e riu.- E mesmo que você quisesse me pagar com um delicioso sexo por sua liberdade, o que seria muito tentador.- Riu de novo- Me reconheceu e eu teria que matá-la de qualquer maneira.- Uma lágrima escapou dos olhos dela e a ruiva observou o local. Estavam em frente um muro antigo. Ela reconhecia aquilo. Era a muralha mais antiga da Europa. Aquilo não era nada bom. Foi jogada no chão e amarrada. Sua varinha estava na mão de Avery. Sentiu o corpo relaxar e se viu livre do feitiço. Olhou para o lado e engoliu em seco:

-Ted?-Perguntou espantada o rapaz estava muito machucado

-Lílian? Céus, estamos perdidos.

-São todos nascidos trouxas?

-Sim. Olha ali.- Apontou com a cabeça e viu um homem de cabelos escuros e nariz reto desmaiado aos pés de alguns comensais. Franziu o cenho. Conhecia ele de algum lugar

-É o pai do James! Estamos perdidos!

-Aurors e um grupo anônimo estão num embate ferrenho com a comissão de elite de Você-Sabe-Quem.- Informou

-Psiu.- Lílian olhou para cima e nada viu. Olhou a corda desenrolar de seus braços como se alguém tivesse desamarrado aos dois- Fica calma.

-James?- Ela questionou sem acreditar. Estava arfando

-Finge que está amarrada. Eu vou recuperar sua varinha e vamos tirar essas pessoas daqui.

-O que eles querem?- Ted Tonks perguntou num sussurro

-Sacrifício. Vão matar todos vocês. Um a um.- A presença de James desapareceu e nem dois segundos depois Lílian e Ted estavam com suas varinhas em mãos.

-Como chegou aqui?- Ted fez menção de levantar, achando muito estranho não ver nada, apenas ouvir. James abriu uma fresta na capa e apenas seu rosto ficou de fora, toda a cabeça e o resto do corpo continuavam invisíveis. Lílian piscou algumas vezes.

-Mellani é um gênio. Sirius e ótimo em fugas e eu não sossegaria até te ver! Fiquei de tocaia aqui esperando. Não podia me dar ao luxo de ir te procurar enquanto te traziam até aqui. Eu acertei.- Uma comoção tirou a atenção dele da ruiva.

-James é ele. James...-Lílian parecia um tanto quanto nervosa. James segurou o rosto dela e disse

-Não posso te tirar daqui agora. Ele vai perceber. Antes de chegarem eu já estava libertando os outros. Prestem atenção no que eu vou dizer...

Voldemort olhou em volta. Não queria uma barbárie. Queria apenas os sangue-ruins e o propósito ao qual estava naquele lugar. Queria reaver a cidade de Salazar, uma cidade que um dia fora o lar apenas de bruxos. Depois vieram os trouxas infestando tudo, acabado com tudo. Se aproximou gostando de ver o medo nos olhos daqueles jogados ao chão, aqueles que serviriam apenas aos seus propósitos. Gostava do respeito dos comensais. Aquilo seria seu banquete. Seria o inicio de uma nova era. Se aproximou e encarou a face de cada um dos sangues ruim jogados no chão. Eles o olhavam por dois segundos e desviavam o olhar, mas uma jovem menina não o fez. Quando ele fitou aqueles olhos verdes viu determinação. Achou aquilo estranho e sustentou o olhar. A adolescente não desistiu. Ele continuou sua caminhada lenta. Parou em frente ao grupo de 12 nascidos trouxas. Fechou os olhos e levantou sua varinha. Precisava se concentrar, a terra o reconhecia, falava com ele e lhe sussurrava desespero, sentimento dos imundos que ele iria exterminar. Quando estava prestes a lançar o feitiço sentiu como se mil facas atingissem seu rosto e abriu os olhos. Os comensais ficaram a postos, mas ninguém viu de onde surgiu aquilo. Sentiu mais cortes surgirem por seu rosto e desviou de um estuporante. Lançou um feitiço detector e descobriu de onde vinha.

-Revele-se maldito!- Apurou os ouvidos e sentiu seja lá quem fosse correr na direção oposta. James livrou-se da capa antes que perdesse ela para aqueles comensais e enfiou-a no bolso. Atacou o senhor das trevas pela lateral e ouviu o barulho de ossos. O Lorde gritou de indignação e em menos de dois segundos lançou um feitiço que curou suas costelas. Encarou a pessoa burra que estava atacando-o e quando percebeu a menina ruiva que tinha lhe encarado estava ao lado de seu atacante. Ambos atacaram juntos, uma sincronia invejável que estava dando um bocado de trabalho a ele. Não eram muitos que se gabavam por terem chego ao menos perto do que aquelas duas crianças chegavam. Quando os ataques deles começaram a ficar pesados Voldemort levantou a mão e os comensais foram para cima. Agilmente os dois se separaram e saíram do meio da roda atacando seus homens que ficaram desorientados. Aquele casal era uma máquina de guerra em perfeita sincronia, mas tinham a desvantagem numérica. Começavam a levar a pior. Ficou intrigado com os dois, ao que tudo indicava, o rapaz era filho dos Potter, mas a ruiva ao seu lado era difícil de descobrir. Voldemort gostava de poder e sabia admirá-lo, para tanto queria o controle de tudo. Aqueles dois certamente seriam ótimos ao seu lado. Eles conseguiram escapar e saíram correndo. Seus comensais foram atrás. No momento Voldemort só queria duas coisas, o amuleto da família e saber quem descobriu seus planos.

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Mellani estava sentada no sofá fitando o chão. Os cotovelos estavam apoiados nas cochas e ela batia o pé insistentemente

-Não vai adiantar ficar assim.- A voz de Sirius murmurou- O feitiço só deu pra fazer uma troca! O que queria que eu fizesse? Se não trocasse com ele...

-Você fez a coisa certa.- Mellani disse cortando as desculpas de Sirius- Só que isso não muda o fato de que minha família e Lílian estão naquele inferno.- Ela abaixou a cabeça e sentiu as lágrimas molharem seu rosto- Eu não posso perde-los.- Sentiu o sofá afundar ao seu lado e a mão de Sirius em seu ombro

-Não vai perdê-los. James sabe se cuidar a Evans é inteligente e seus tios são brilhantes.- Mellani levantou a cabeça e olhou-o nos olhos. O brilho causado pelas lágrimas e o jeito fragilizado que ela estava o fizeram enxergar além do que ela queria. Ele pode ver um pouco do passado dela, da menina fragilizada que tinha perdido a mãe e sido abandonada pelo pai. Era um tanto quanto obvio que ela não queria passar por aquilo novamente. – Daqui a pouco eles voltam.

-São duas da manhã Sirius.- Ela disse sentindo as lágrimas descerem- Não po...- Três cracks e depois mais alguns. Mellani pulou do sofá e correu na direção do escritório. James tinha aparatado com Margaret, Harry tinha chego com a irmã de Lílian e o namorado gordo. O pai de Dorcas tinha aparatado com Ted Tonks.

-Lily! James!- Mellani correu e James ajudou Lílian a sentar na poltrona. Ela estava com alguns machucados e hematomas além de sangue seco pelo rosto e as roupas rasgadas. Todos ali estavam em estado igual ou pior menos a irmã e o cunhado de Lílian que pareciam menos machucados. Ela percebeu que o olhar da ruiva estava perdido

-O que houve?- Sirius perguntou preocupado e Margaret chamou os dois para fora do escritório

-Tia o que aconteceu de tão grave?

-Assassinaram a família dela. Torturaram na frente dela e depois mataram. Tudo isso porque ela e James enfrentaram... Você- sabe-quem.- Mellani agarrou o braço de Sirius por sentir-se subitamente tonta. O rapaz a segurou protetoramente e aquele gesto não passou despercebido por Margaret que franziu o cenho. Até a última vez que os viu juntos eles eram capazes de matar um ao outro. Não se apegou aos pensamentos desconfiados já que coisas piores estavam por vir- Seu tio está bem, em maioria estamos bem, saímos em vantagem, o amuleto está em poder de Dumbledore. Mesmo que ele tome o ministério não tomará a ordem.

-Ordem? Que ordem?- Sirius perguntou confuso.

-Não importa. No momento Lílian precisa muito de todos vocês.- Concluiu Margaret saindo- Vou tomar um banho. Não aguento mais esse cheiro de sangue.- Mellani percebeu que a tia estava muito abalada. Engoliu em seco e entrou novamente no escritório. Se aproximou de Lílian com receio e a abraçou. A amiga retribuiu o abraço, mas não chorou

-Eu sinto muito Lily.- A loira disse sentindo um suspiro longo dela. Pensou que a amiga fosse chorar, mas ao invés disso ela apenas se afastou e perguntou

-Posso tomar um banho?

-Sim claro. Vou te levar até meu quarto.- Mellani saiu andando abraçada a Lílian e Sirius olhou para o amigo. James retirou os óculos e passou a mão pelo rosto enquanto suspirava.

-Hey cara...

-Obrigado Sirius.- Ele se levantou e ouviu a irmã de Lílian exigir que a levasse para casa. Ela estava transtornada e Harry tentava acalmá-la e explicar-lhe o quanto era inseguro voltar. O Maroto passou lentamente pelo pai e pegou a garrafa de Whisky que o mais velho guardava no armário. Harry Charlus não percebeu o movimento do filho

-Escuta menina.- Ele disse tentando ser compreensivo- Não pode voltar para sua casa. Lílian está rastreada e enquanto não acharmos os responsáveis é necessário que fiquem conosco.

-Ela pode ir para minha casa.- Vernon se intrometeu- Ninguém da sua laia sabe quem sou e nem onde moro. – O senhor Potter olhou de canto para Kinsgley e o outro se aproximou

-Com tanto que vocês aceitem proteção de um de nós.

-Chame aquela fedelha para podermos ir.- Vernon disse puxando a noiva para si e consolando-a.

-Lílian ficará conosco se assim for o desejo dela. Enquanto a guarda oficial não sair ela ficará onde bem entender.- Harry murmurou encarando o casal- A culpa não foi dela. Se é difícil para vocês verem que caso ela não fosse bruxa podiam estar mortos como os outros Evans eu não digo mais nada. Não permitirei que maltratem Lílian. Ela é muito estimada por minha sobrinha, minha mulher e meu filho. Se ela é de tal importância para eles qualquer ofensa ou injuria a ela será diretamente feita a minha família e por tanto a mim.

-Fui à única que sobrou e sou maior de idade. O que acha que vai acontecer? Serei obrigada a cuidar dessa anormal.- James se aproximou e disse olhando para Petúnia

-Lílian está sofrendo. Vocês duas perderam os pais. Ela precisa do seu apoio e você do dela. Enfia isso na sua cabeça e para de ser tão egoísta. Não é a única que sofre!

-Eu quero ir embora.- Ela disse ignorando James e olhando para Harry.

-Se assim desejar.- O homem respondeu com certa frieza.

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James virou na cama sem conseguir dormir. Sirius estava em igual estado de alerta olhando para o teto e tão preocupado com Lílian quanto qualquer habitante da casa.

-Pontas.- Ele sussurrou- O que aconteceu?

-E-eu...-James engasgou, mas queria desabafar, contar o que viu e o que fez.- Eu matei uma pessoa.- Sirius sentou e ascendeu o abajur. James desceu da cama e sentou no colchão ao lado do amigo

-Vocês estavam no meio de uma guerra Pontas. Uma hora isso iria acontecer.

-Esse não é o problema.- Ele encarou o amigo com os olhos cheios de culpa- Eu consegui lançar a maldição. Lancei a maldição e ela saiu.- Sirius olhou para baixo e depois franziu o cenho. Levantou os olhos e encarou o amigo

-Isso não te faz uma pessoa ruim.

-Me faz um assassino.- Ele engoliu em seco- Não queria matar ninguém. Podia ter estuporado ou qualquer outro feitiço, mas eu escolhi matar. Escolhi dar uma de deus e matar.- James estava sem os óculos e esfregou o rosto com as mãos- Era uma loucura. Nós tínhamos acabado de encarar Voldemort. Ele é tenebroso.- O Maroto falou num tom fúnebre- Eu senti como se todas as atrocidades que ele cometeu pudessem ser sentidas. Como se gritassem ao redor dele. Em um segundo ele olhou para nós... Lily e eu.- James engoliu em seco- Pensei que fosse morrer ali. Os olhos dele, não eram humanos. Ele nunca foi humano.- Suspirou e esfregou o rosto novamente- Nesse momento eu e Lily nos separamos, Dumbledore e os Aurores chegaram e nos perdemos. Eu fiquei desesperado. Quando a encontrei ela estava sendo torturada...-James deixou algumas lágrimas caírem. Os pais dela já estavam mortos ali ao lado dela. Eu não pensei duas vezes.- James engoliu em seco- Matei o desgraçado. Disse aquelas palavras malditas.- Ele suspirou- E agora sou igual a qualquer um deles.- Sirius levou a mão ao ombro do amigo e murmurou

-Já cometeu muitos erros James. Não vou dizer que os fins justificam os meios, como você mesmo disse, podia ter estuporado, mas aconteceu. Isso aconteceu e não adianta se torturar. Não é uma pessoa ruim cara, só... Deixou sentimentos ruins dominá-lo, numa situação tão horrível quanto o que te tomou.- Suspirou e encarou James com compreensão- É só tomar cuidado para não deixar que esses sentimentos o dominem. Eu também tenho essas sombras dentro de mim. Faço coisas das quais me arrependo profundamente depois, mas isso está fazendo parte do meu aprendizado. No fim estamos numa guerra, uma hora ou outra você terá de matar ou morrer.

-Mas eu estava em vantagem.- Suspirou- Ver Lílian jogada no chão, os pais dela mortos...-James deixou o pranto rolar- Aquelas crianças sem vida no chão...-Ele chorava ruidosamente. Sirius sentiu que devia fazer algo, mas não sabia o que podia ajudar o amigo. Franziu o cenho e puxou-o para um abraço forte. James engoliu sem seco e foi se acalmando aos poucos. Sirius estava chocado enquanto a ficha finalmente caia. Eles estavam no meio de uma guerra, uma feroz e violenta guerra.

-Eu ouvi...-Sirius começou e engasgou- A mãe da Dorcas morreu.- James olhou para Sirius com pesar- Foi assassinada no meio da batalha.

-Não...-James sussurrou quando se separou de Sirius- Ela tem uma irmã com menos de um ano.

-Eu sei.

-E o pai dela?

-Está quebrado... Eu pensei que talvez você quisesse mandar uma carta pro Aluado avisando. Eles são muito amigos, a Dorcas e ele. Ela vai precisar de pessoas perto dela tanto quanto Lily.- James assentiu- Eu iria, sabe? Realmente respeito Dorcas, ela é uma pessoa que merece ser feliz, mas... Não acredito que minha presença fará bem numa hora como essa.

-V-você tem razão.- James murmurou- Preciso te contar sobre o que descobri hoje.

-Além de Mellani ser assustadoramente inteligente?

-Sim. Além desse fato bizarro.- Suspirou- Meus pais estão numa sociedade secreta com Dumbledore.- Sirius franziu o cenho- Se chama Ordem da Fênix e...-James relatou tudo ao amigo. De uma coisa ambos sabiam, não existia mais tempo para brincadeiras, eles precisavam treinar ferrenhamente caso contrário estariam perdidos.

Notas finais
N/A: E aí meninas, o que acharam? Eu estou de coração partido =/

Tinham me pedido Lily em ação na guerra e eu dei. Sério, mais uma vez pedindo desculpas pelo atraso, logo quando disse que não passava de uma semana sem att eu passei, mas já expliquei o que aconteceu.

Bem espero que tenham curtido cada nuance do cap e que possam comentar. Por questão de divida com vocês eu vou postar o cap 24 ainda essa semana. Espero que comentem, por favor, isso é muito importante pra saber se eu convenço fazendo ação aushuah. Eu sei que não, sou péssima ao descrever cenas de batalha ¬¬

O que acharam do Remus e da Dorcas? Tem a mesma opinião que a Lily ou estão com o James? Achando que eles vão ficar juntos.

Apostas para Sirius e Mellani? E quanto à guarda da Lily com a Petúnia em?

Gente mais uma vez desculpem pela demora e espero que tenham curtido esse cap.

Beijosss