Notas iniciais
by: giriboy

Escrever é o meu maior ato de arrogância. Encaro este pedaço de papel e começo a dialogar com ele como se fôssemos íntimos, com ele posso falar tudo: sobre as folhas que caem das árvores com o passar das estações e sobre o cenário político do país, não importa o assunto, é apenas falar. No entanto, é uma conversa em que não sou questionado, não sou interrompido e também não sou refutado. Afinal, eu posso chamar isso de conversa? Talvez eu esteja apenas falando sozinho o tempo inteiro.

Sento-me aqui e começo a falar sobre sentimentos que acho que entendo, e pior ainda, achando que sei escrever. O que seria escrever bem? Definir o nosso mundo é mais difícil do que parece, quando percorremos as linhas de questionar o certo e o errado entramos em uma das infinitas correntes da galáxia, e é difícil percorrê-la pois infinito significa sem fim, que não acaba e para o ser humano fútil que utiliza apenas 10% de sua cabeça animal é estranho fazer algo que não tem fim, pois nascemos sabendo que vamos morrer.

Sendo assim, não há porque buscar o certo e o errado de todas as coisas, basta apenas viver, certo? Com certeza você já ouviu que o que importa não é o fim da vida, mas a jornada que é viver. Uma vida que você não escolheu, uma vida que é injusta com o seu semelhante, uma vida que é injusta com você mesmo, não importa, apenas viver o que chamam de uma boa vida, sempre achando algo pra continuar e sentir-se bem, viver um surto.

Alguns tem chance, oportunidade, privilégio de decidir que surto irão viver, outros apenas são lançados ao olho da tormenta como milho jogado aos pombos, a única chance que eles têm é de abraçar a vida que lhes foi dada.
Já pensou em ser um policial que acredita estar contribuindo para a sociedade combatendo os crimes? Já pensou em iniciar uma causa social para alimentar pessoas carentes e acreditar que está tornando o mundo um lugar melhor com suas atitudes? Eu nunca pensei, e nunca penso pois não acredito em quase nada, o que demonstra mais uma vez uma arrogância estonteante da minha parte.

Mas honestamente eu espero que o mundo continue pensando assim, pois eu o enxergo como um câncer em estado terminal. Não há mais cura, não há como recuperar as vidas que foram roubadas, não há como devolver as cores que um dia habitaram este planeta.

Então quanto mais eu vivo, mais eu sou curado pela certeza do óbito. O descanso eterno de uma alma que continuará a viver todos os seus surtos, sem hesitar, que quanto mais vive, menos acredita no amor ou no ódio, e que menos entende sobre a vida assumindo assim em seu ato de arrogância final a incerteza de tudo, e escrevendo sobre ela pra você que está lendo com o dom de enxergar e raciocinar que lhe foi beneficiado com o presente que é viver.