Notas iniciais
Espero que gostem tiros/

Já fazia três meses desde que Lisanna estava de volta de Edolas. Em outras palavras, já faz três meses que sou completamente ignorada por todos na guilda,todos mesmo. Me machucava muito, toda vez que tentava conversar com eles,viraram o rosto para algum lado qualquer e fingiam que não escutavam. Me machucava ainda mais quando meu time me ignorava, quando ele me ignorava. Eu estava sentada em algum banco qualquer, afastada de tudo e de todos.

- Eu não estou agüentando mais... – Suspirei. – Já tomei minha decisão. – Subi as escadas e bati na porta do mestre.

- Entre. – Sua voz era calma e alegre, como de costume.

- Com licença... – Adentrei dentro da sala. – Mestre, quero lhe pedir algo.

- Peça tudo o que quiser,minha filha. – Ele sorriu.

- Eu quero... sair da guilda.

Seu sorriso morreu, ele me olhava, não acreditando em minhas palavras.

- Mas... porquê ?

- Mestre, desde que a irmã da Mira voltou, meus nakamas estão me ignorando,eu percebi que eles sabem que eu estou ali apenas... me ignoram. Eu sou apenas uma mera substituta para Lisanna... mas eu não a odeio, estou saindo por vontade própia.

- Se é assim... – Pude perceber que ele segurava as lágrimas. – Mas para onde você irá ?

- Eu vou voltar para casa. – Dei um sorriso triste. Eu só poderia estar pirando. Voltar para casa, Lucy ? Sim, era isso que eu iria fazer. Viver uma vida como esposa de um rei idiota e pervertido. Melhor que ser ignorada pelas pessoas que amo.

- Tem certeza ?

- Absoluta.

- Então.. me dê sua mão. – Obedeci o pedido, e ele retirou minha marca rapidamente. – Se quiser voltar, não hesite, aqui sempre será um porto seguro para você.

- Obrigada, mestre. – Sai da sala em passadas rápidas,e parei na porta na guilda.

- Será que vão perceber minha ausência... não, acho que não. – Pensei e com isso fui para o meu apartamento.

Arrumei minhas malas, acertei as contas com a proprietária e fui para a estação de trem, comprei meu bilhete e adentrei em uma cabine vazia.

- Voltar para casa, né.... ?

...

Já estava caminhando pelas terras da minha família, apesar de tudo, eu ainda gostava de lá, um pouco.

- Oh! – Ouvi uma voz familiar. – A patroinha voltou. – Era Spetto-san. Sorri.

- Olá, Spetto-san. – Ela estava chorando, e correu para me abraçar, junto com os outros muitos criados.

- Patroinha, você tinha fugido com algum rapaz ?

- Não não.... haha

- Você já dominou a magia celestial ? Eu tenho alguns livros aqui e...

- Patroinha! – Spetto-san exclamou. – Vamos ver seu pai, agora! – E me puxou para dentro da mansão. Ela e as outras criadas insistiram em me vestir bem para a ocasião. Amarraram meu cabelo em um coque, me colocaram um vestido rosa cheio de babados,e uma gargantilha rosa. Sorri, de vez em quando, sentia faltar de usar vestidos assim, me lembravam minha mãe.

- Patroinha,agora com dezessete anos,você fica ainda mais linda. – Spetto-san estava emocionada, de novo.

- Obrigada Spetto-san, mas por hora, vou falar com meu pai. – Bati na porta dele.

- Entre. – Obedeci e entrei. – O que lhe traz aqui, Lucy ? Outra ameaça sobre sua guilda ?

A palavra guilda fez meu coração se apertar um pouco.

- Não... estou aqui, porque quero voltar para casa. – Ele virou para mim, surpreso. – Eu estou voltando para casa, papai.

E foi aí que aconteceram duas coisas que eu nunca pensei em ver na vida.

Meu pai sorriu, e me abraçou.

- Que bom que voltou, minha filha.... – Eu o abracei de volta.

- Tudo bem, pode voltar a trabalhar, eu irei para o quarto... – Ele me soltou e andei calmamente ao meu quarto, tranquei a porta e me permiti me jogar sobre a escrivaninha e deixar as lágrimas correrem pelo meu rosto. Dói, dói muito.

...

-Pov’s Natsu-

Eu estava em uma roda muito amigável com o pessoal da guilda,desde que Lisanna voltou a guilda está mais festiva do que nunca. Nesses dias, ou meses, sei lá, eu estava junto com Lisanna para poder me ajudar a descobrir essas reações estranhas que tenho quando estou perto de certa loira, descobri que a amo, e pedi ajuda para Lisanna para poder me declarar,como ela é mulher, deve saber como quer que alguém se declare para ela, e também estávamos preparando uma festa para Lucy, seu aniversário estava chegando e estávamos guardando segredo absoluto. Mas Lucy não estava na guilda hoje,bem, faz um tempo que eu não a vejo. Me aproximei no jii-san.

- Ei, velhote, cadê a Lucy ?

Ele pareceu hesitar por uns segundos. – Ela voltou para casa.

E com essas quatro simples palavras a guilda inteira se calou.

- Mas, porquê ? – Erza estava aflita.

- Ela disse que seus nakamas a estavam a ignorando, e não estava mais agüentando. Decidiu voltar para casa. Ela foi embora hoje, disse que fazia três meses que nenhum de vocês falava com ela. Estou decepcionado.

Três meses ? Ele disse isso ?! Sim, disse. Para mim, esses três meses não pareciam mais do que uma semana. Droga,eu estava tão concentrado em me declarar que me esqueci do detalhe mais importante.

- Jii-chan, eu vou atrás dela. – Me ofereci.

- Mas..

- QUANDO EU VOLTAR, ELA VAI ESTAR JUNTO DE MIM. É UMA PROMESSA. – Corri para fora da guilda e cheguei na estação com passadas rápidas.

Comprei um bilhete e peguei o primeiro trem que partia para a cidade. Estava tão agoniado que nem passei mal, opa, milagre.

...

Cheguei correndo nas terras dos Heartfilia,tive o maior cuidado do mundo para não ser visto e adentrei dentro de uma casinha que havia perto. Estava cheio de uniformes de empregadas e de mordomos... espera, mordomos ? – Sorri. – Tive uma idéia.

Vesti o primeiro terno que vi,me olhei no espelho, por Mavis, eu estava parecendo mais um executivo do que um mordomo. Coloquei uma toalhinha no braço, agora sim, um mordomo.

- Ah, só um segundo, Spetto-san, só vou pegar algo na sala de uniformes. – Congelei e um homem baixinho adentrou a sala. – Ah, você é o mordomo novo ? Anda logo. – Ele me entregou umas vinte caixas. – Leve tudo no quarto da princesa, são presentes de outros reinos.

- H-hai. – Apressei o passo e entrei dentro do castelo, eu não conseguia ver nada por causa das caixas, nem deve estar aparecendo meu rosto.

- Lucy, aonde fica seu quarto... sua estranha ? Ah, porquê estou perguntando isso ? – Fiz uma expressão de ‘’tudo faz sentido nessa vida agora’’ e comecei a cheirar o ar. – Sou um Dragon Slayer, no fim das contas. – Rapidamente encontrei o quarto dela, bati com o pé, porque né.

- E-entre. – Ouvi sua voz, ela estava chorando ? Senti meu coração se apertar por causa disso, entrei. Ela estava debruçada em cima da escrivaninha, eu sentia cheiro de lágrimas.

- D-deixe tudo aí, por f-favor.... – Ela pediu.

- Hm... – Fiz força com minha voz, para ela não reconhecer. – Princesa, porque está chorando ?

- Ah ? N-não é nada...

- Por favor, me conte. – Pedi. – É melhor quando desabafa com alguém, não é ? – Eu ainda segurava as caixas. Ela não olhava para mim de jeito nenhum, graças.

- B-bem.... desde em que uma nakama que estava morta voltou cheia de vida para minha guilda, a Fairy Tail, todos passaram a me ignorar. Na primeira semana estava tudo de boa, não é todo dia que alguém volta dos mortos. Mas depois, se passaram três meses, e ninguém continuava a falar comigo, ainda estavam dando festa. – Ela fez uma pausa. – Nem meus melhores amigos falavam comigo,eles são meu time, sabe ? As pessoas em que eu mais confio no mundo. E ele também não falava comigo....Doía demais.

- Ele ? Quem seria ele,princesa ?

- .. Ele, é o Natsu Dragneel, o cara por quem eu estou apaixonada. – Senti meu coração dar um disparo no peito, ela estava apaixonada por mim ? Eu sou um babaca. – Eu era apenas uma mera substituta para a Lisanna....

- Não acho. Primeiro, por favor, pare de chorar. Seu rosto é muito lindo para ser borrado com lágrimas. – Ela olhou para mim. – Acho que seus nakamas não tem ignorarão por querer, eles com certeza, deveriam estar fazendo uma festa surpresa para você. Já que seu aniversário está próximo, querem fazer algo grande e legal. – Ela estava ficando surpresa. – E garanto que Natsu Dragneel não estava te ignorando também, ele nem gosta da Lisanna. Tenho a maior certeza do mundo que ele te ama, princesa. E que está tentando fazer uma declaração descente para você, ele quer ser seu príncipe encantado,apesar de estar mais para o dragão. Ele sabe que você gostaria de ser pedida em namoro de um modo especial,com um jantar romântico e um buquê de flores, ele pede perdão por não ter feito uma declaração descente.

- Como você sabe de tudo isso... ? – Sorri e depositei as caixas em sua cama, os olhos cor de chocolate que tanto amo estavam arregalados.

- Porque eu sou ele. – Sorri ainda mais. – Luce, eu sei que essa não é a melhor declaração de todas e que não sou o príncipe encantado das suas histórias. Mas eu te ofereço meu coração por toda a eternidade, eu estou completamente apaixonado por você.

Ela tinha começado a chorar, entrei em desespero.

- S-se não quiser ele, tudo bem....

- Seu idiota! – Ela pulou para cima de mim, em um abraço. – Eu também te amo, seu baka. Nem acredito que você se fingiu de mordomo apenas para dizer isso... – Eu a abracei.

- Então, será que eu poderia ser seu mordomo rosa para sempre ?

- Com todo o prazer. – Sorri e lhe dei um beijo calmo, mas cheio de paixão.

- Isso me lembra da época em que eu e Layla éramos jovens... – Eu e Lucy nos assustamos com a presença de seu pai na porta.

- Pai! Desde quando está aqui....

- Desde em que o mordomo rosa entrou nas nossas terras, sabe, é meio fácil de achar um pontinho rosa por aqui.

- Hehe.. – Sorri sem graça e coloquei a mão atrás do pescoço.

- Lucy, eu quero que seja feliz com quem você amar. Essa declaração me fez lembrar o dia em que me declarei para sua mãe... vão, podem voltar para sua guilda.

- PAI! – Ela pulou em cima dele, em um abraço. – Obrigada.

- Haha, vão logo. – Não pensei duas vezes e a peguei no colo estilo noiva.

- Obrigado, sogrão. – E pulei a janela com Lucy no colo, ela se agarrou ao meu pescoço, com medo.

- Não precisa ter medo, eu te vou te proteger para sempre. – Dei um selinho rápido nela.

- Hai. – Ela sorriu.

...

Chegamos na guilda,Lucy estava meio hesitante, mas eu chutei a porta como de costume.

- MISSÃO CUMPRIDA!

Automaticamente todos vieram pedir perdão para Lucy, e a puxaram para sua festa. Estava muito animada, todos dançavam, bebiam, riam. Lucy sorria muito,a sua tristeza estava indo embora. Eu a abracei por trás.

- Luce...

- Diga.

- Te amo.

- Também te amo. – Ela me deu um beijo e sorriu. – Baka.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!