Pinguela de Concreto
2 Algum titulo relacionado a vida escolar e etc
Notas iniciais
Eu tive uma vida escolar bem diferenciada do que muitos ou até mesmo bem parecida, depende do ponto de vista também. Contarei desde o ensino fundamental até o ensino médio a “evolução” e comparação, (sim, eu adoro comparar qualquer elemento com outro elemento nada a ver do que se trata). Vou comparar cada matéria que me associo com edifícios, calma que já vai ficar bem claro essa parte.
Eu particularmente fui sempre educado em escolas estaduais depois do primeiro ciclo do fundamental. Na quinta série que hoje tem outro nome (acho que é sexto ano, não faço a mínima ideia do porque), eu estudava com livros didáticos, os meus professores sabiam o que passar e passavam jus ao conhecimento deles, diria eu que isso era um ótimo sistema de aprendizagem até chegar um jornal, acho que era falado como Jornal do Aluno para o começo do semestre. A partir daí eu comecei a odiar esse sistema, a partir daí tudo piorou (o legal do jornal era os aviõezinhos gigantes de papeis que a galera fazia), logo após o Jornal do Aluno, veio as benditas Apostilas do Aluno que acho que até hoje no estado de São Paulo dão essas apostilas que falando a verdade isso prejudicou muito o aprendizado. Bom enfim, essa Apostila facilitou muito a vida dos alunos onde tirou o interesse de aprender, também facilitou a vida do professor onde tirou o interesse de explicar e usar o material que antes usava (ainda me pergunto por que raios não voltam a usar os livros didáticos?).
Fiquei até o Primeiro Ano do ensino médio com essas apostilas, ai vêm às comparações. As matérias nessa comparação são tipo edifícios, por exemplo: matemática era uma casa de madeira, por mais que eu me esforce para construir ela caia com um simples vento; humanas e biológicas sempre tiveram seus alicerces até mesmo com o material fraco que o governo dava, o alicerce era mantido, meio que quase torto, mas era um alicerce. Exatas como física e química não tinham nem terreno pronto, pois era uma novidade, “onde será que tem espaço para tantas matérias?” mais com aquele material fraco, com professores que não davam ordem, continuou sem terreno e sem bases.
Até que um milagre, algo inesperado (na verdade eu esperava faz tempo) eu passei na ETEC, entre três vagas eu passei em quinto (AEEHOOO), porém não começou bem. Primeira semana eu queria morrer e não tinha para onde fugir, a escola era no meio do nada (pra ter noção, nos convites eles colocavam o número e nome da rodovia), primeiro dia era prova de matemática, sim eu me ferrei bonito, ai você vê a grande diferença de uma escola estadual do governo de São Paulo de uma escola técnica preparatória para o mercado de trabalho (ai tu pensa “do jeito que tu fala até parece escola militar” quase isso brother, quase isso). Os dois primeiros bimestres foram infernais, porque eu não tinha base de nada e eles estavam em um nível totalmente diferente (pensa assim, coloca um técnico de informática do Brasil recém-formado na Uenp ou em qualquer universidade estadual pra trabalhar na CIA, então era mais ou menos algo assim), mas sobrevivi e passei para o terceiro ano, sofrendo, mas passei (e ainda com progressão em matemática ou como dizem popularmente dp, queria saber o que significa dp?).
Bom, no terceiro ano eu já tinha a base de todas as matérias, exceto sociologia e filosofia, eu não tinha essas matérias (foi o que me ferrou no Enem), agora voltando às comparações poderíamos dizer que temos algo assim: Matemática continuava a casa de madeira, pois aguentava ainda o tranco, mas ainda caia fácil; Física no segundo semestre eu já tinha uma ideia do que era como no terceiro ano foi eletricidade então facilitou, antes de ir para o terceiro ano eu tentei eletrotécnico (por que eu fui fazer isso se eu tava no fundo do poço só com o segundo ano?), eu desisti do técnico, (eu precisava desistir de alguma coisa, do ensino médio eu não podia, então foi o técnico mesmo), voltando à física, o terceiro ano foi eletricidade, com o alicerce e material bem feito, física deu pra levar de boa; já Química ainda não tinha alicerce, não tinha introdução, ou seja, qualquer coisa que eu tentava levantar caia; agora a parte de Humanas, ai foi fácil pelo menos até no segundo deu pra dar aquela embalada marota.
Empreendedorismo, Geografia, história e biologia foram algo bem épico, eram mansões com piscina, tudo de bom, já inglês era um puxadinho pequeno. Por que essas matérias foram boas? Já eu respondo comparando com português. Diria que a matéria no qual você não tinha como NÃO aprender era português, por quê? Porque a professora de português, todos temiam e não era por respeito que todos ficavam quietos, a professora era coordenadora da escola e tinha mais poder que o diretor (raramente você via o diretor na escola). Ela pedia pesquisa num dia e no outro dia já sorteavam os grupos para apresentarem um seminário e era tipo um TCC com uma pessoa só na banca, você podia saber tudo sobre o seminário, porém quando você olhava para ela, você esquecia. Ela era um Senhor de Escravos, você era o pedreiro e o engenheiro, trabalhava dia e noite, na chuva ou no sol quente (como dizem aqui no interior “no sor quentê”) e no máximo que você conseguia era um R (as notas da ETEC são conceituadas em letras respectivamente: I, R, B e MB). E até hoje ainda to na construção do edifício chamado português. Agora respondendo a pergunta, porque aquelas matérias eu tive grandes professores que faziam seminários sobre assuntos que eu gosto, também passei a gostar bastante de literatura e gramática por causa de tal professora.
Isso foi minha vida escolar, eu já terminei o ensino médio, mesmo com um ensino privilegiado na ETEC eu não passei no vestibular, mas eu consegui adquirir muitos conhecimentos que muitos dos meus colegas de estaduais não tiveram (agora estão pelo mundo vendendo e comprando drogas, chega até aquele pensamento de que você pensou que o cara era inteligente e iria ser alguém na vida, mas seguiu um caminho totalmente diferente). Continuo estudando e erguendo os edifícios (agora todos com bases, finalmente), agora penso como são os edifícios de todos que tentam seguir o mesmo caminho que eu?
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