Piltover's Finest

7 Capítulo 6 - Evidências


Notas iniciais
"Há um gato entre os pombos..."

Feixes de luz brandos adentraram aos poucos a sala espaçosa do apartamento, enveredando-se pelas frestas das cortinas mais pesadas que tapavam as janelas. Um misto de preguiça gostosa e leve ressaca tomou o corpo de Vi assim que ela tomou consciência de que estava acordando. Hehe, gostava daquilo, o sentimento pós-noitada.

– Au!

Resmungou baixo quando foi movimentar a cabeça e descobriu ter adquirido um belo torcicolo devido ao mau-jeito em que adormecera. Levou uma das mãos ao local da dor e tencionou levantar-se, mas... O que...?

Deitada em seu colo, no sofá, estava ninguém menos que a xerife dormindo!

Vi de repente arregalou os olhos, olhou em volta; um copo tombado na mesa, outro em pé no chão, a mesinha de centro um pouco torta e a garrafa de bebida completamente vazia...

– Ai. Meu. Pai. — "Que merda aconteceu aqui ontem?"

Olhou de novo para a xerife descansando sobre si. Ficou ali, parada, tensa. Queria levantar de algum modo, ou tentar mudar Caitlyn de posição sem acordá-la para que pudesse sair, mas acabou ficando simplesmente estática, sem ideia do que fazer.

– Aaahn... Caitlyn? — cutucou-a. — Caaaaitlyyyyn... — cutucou-a levemente mais vezes. A mulher apenas respirou fundo, aninhando-se ainda mais no travesseiro confortável em que se encontrava. — Droga.

Duas coisas inquietavam Vi: o fato de estar gentilmente presa naquele sofá sem poder sair e o fato de não lembrar ainda o que acontecera depois da metade da garrafa. Caitlyn moveu-se mais uma vez, ainda dormindo; encolheu-se e esticou um dos braços, passando-o pela cintura de Vi e abraçando-a como a um travesseiro, num sono profundo e deliciosamente imperturbável. Neste momento, o rosto da moça ficou tão rosado quanto seu cabelo. Ok, aquilo era a prova definitiva de que ela não sairia dali tão cedo... Droga.

Ainda assim... Observou silenciosamente, por vários segundos, a xerife adormecida como uma criança em seu colo. Olhou em volta o bom apartamento — nem pequeno, nem grande — imerso no silêncio morno de uma manhã de sábado. Respirou fundo. É... Aquilo parecia um rascunho bom de vida... Talvez meio preguiçoso, mas...

Seu olhar caiu novamente sobre a bela adormecida em cima dela. Prendendo-a. Sorriu. Farei mistério do que pensara naquela ocasião. Vi simplesmente sorriu, ajeitou-se novamente de forma confortável no sofá, abraçou Caitlyn, suspirou e adormeceu.

A xerife despertou algumas horas depois. Piscou diversas vezes, acostumando a visão à luz. Levantou um pouco o corpo, observando onde estivera deitada, e demorou a assimilar todas as coisas do local e o que acontecera para chegar ali na noite anterior. Foi então que reparou na calma desleixada de Vi dormindo e riu, voltando a recostar a cabeça em seu colo. Lembrou então que, apesar de ser sábado, teriam que apresentar-se à delegacia, apenas em um horário mais tardio. Colocou-se de pé e pretendia ir para o quarto tomar um banho, contudo finalmente surgiram os efeitos da noite anterior: bastou firmar os pés no chão para levantar-se e sentiu como se um raio partisse da planta de seus pés descalços, percorrendo todo o corpo dolorosamente e terminando por fazer latejar a cabeça. Maldito álcool....

Quando conseguiu abstrair a dor, sentiu o mundo girar à sua volta.

– Deuses...

Apoiando-se no móveis, foi avançando lentamente em direção ao quarto. Atravessando a porta, algo maldosamente entrou no caminho de seus pés.

– AI! ...uui. — soltou um grito quando o mindinho deu um encontrão com... alguma coisa que tinha por ali.

Na sala, o grito acordou Vi num tremendo susto, fazendo-a pular no sofá. No quarto, Caitlyn massageou o dedinho, suprimindo uma lágrima oportunista que se instalou em seus olhos na ocasião do acidente.

– Quem morreu? — berrou a voz sonolenta de Vi.

A xerife apenas ignorou e foi pegar um comprimido analgésico antes de seguir para o banheiro.

– Humpf! — no sofá, Vi deixou escapar um meio-sorriso e voltou a cair no sono.

~¨~

– Caaaafééééé... — o pedido monótono do zumbi estirado na mesa da copa foi ouvido pelo policial, fazendo-o apressar-se com as canecas.

– Poxa, senhorita Vi... Me desculpe, mas comprei o que o dinheiro dava... — disse o policial colocando uma caneca de café quente na mesa e empurrando-a para a moribunda, enquanto tomava o conteúdo da outra com uma expressão de pesar.

– Tá ok, guardinha. Já bebi coisa pior. — riu para aliviar o sentimento de culpa do... colega. E então tomou um longo gole, saboreando o gosto e o aroma fortes, o calor revigorando seu corpo. Fechou os olhos enquanto bebia e quase acabou com a caneca em um gole. — Mas, rapaz... Essa garrafinha louca conseguiu me derrubar bonito! Não consigo nem lembrar direito o que...

– Bom dia.

A xerife adentrou a copa onde os dois novos colegas conversavam e pareceu causar uma mudança cataclísmica na atmosfera: Vi de repente interrompeu a frase e calou-se, começando a beber o pouco café que ainda tinha imediatamente, como uma desculpa mal improvisada para a repentina mudez. O oficial, que estava numa postura relaxada, endireitou-se na cadeira, as costas completamente eretas, um rigor tenso. A mulher, por sua vez, apenas foi até a bancada, pegou uma xícara em um dos armários, encheu-a de café, recostou-se confortavelmente ali mesmo e bebeu.

Na copa, reinava o silêncio. Sem mais o que beber para disfarçar e sentindo-se um pouco idiota, Vi baixou lentamente a caneca na mesa, observando a calmaria da xerife. O oficial, que se sentava de costas para ela, ao ver a reação de Vi sentiu que estava tudo tranquilo e relaxou gradualmente sua postura.

– Ah sim, amanhã não terei tempo livre, mas segunda-feira você pode fazer o que prometeu. — a xerife comentou distraidamente. Vi e o oficial trocaram um olhar confuso. — Não vai me dizer que você esqueceu, Vi?

De um instante para outro a rebelde do cabelo rosa-choque sentiu o rosto pegar fogo, e podia jurar estar ouvindo o "tic-tac" de uma bomba-relógio implantada atrás de sua cabeça. "O que ela tinha prometido"? Mas que merda ela tinha prometido ontem à noite?!

– Não, não! Não... Hehe... Não. — "Calma, o que dá pra falar?" – Segunda-feira é um dia bom. Segunda é legal. Segunda é... sensacional. — "Nossa, parabéns! Que tal um discurso sobre a paz mundial agora?" Deu um sorriso para tentar mascarar o nervosismo.

Caitlyn, ao ouvir aquilo, ergueu uma sobrancelha, estranhando a reação de Vi. Mas então apenas chacoalhou a cabeça, como quem decide relevar aquilo; passou uma água em sua xícara e começou a sair.

– Ok, segunda-feira então.

– Com certeza! — Vi respondeu com uma confiança inabalável, dando um breve aceno enquanto Caitlyn já desaparecia na dobra do corredor. Quando a xerife sumiu de vista, cravou as duas mãos na mesa da copa, arqueando o corpo numa expressão de desespero. — DEUSES, O QUE EU PROMETI PRA SEGUNDA-FEIRA?!

– Você não sabe? — o guardinha inquiria, ainda confuso.

– NÃO! Era o que eu tava tentando te dizer: eu não lembro praticamente NADA do que aconteceu ontem!

– ...Au. — o rapaz proferiu com uma expressão cômica mista de dor e pena em relação à jovem. De uma forma ou de outra, ela provavelmente não estava em bons lençóis.

– O que eu faço?

– Você tem que descobrir o que prometeu.

– Nossa, jura? Você sabia também que água molha, né? — o oficial deu de ombros, rindo. — A questão é: como eu vou fazer isso? Não posso simplesmente chegar e "Oi, Caitlyn! Sabe, ontem eu tava de porre e não lembro nem a cor da minha calcinha; você pode repetir o que eu prometi?".

– É uma alternativa. — o rapaz esperou para ver a expressão de impaciência da moça, suprimindo o riso. — Bom... Sei lá. Você podia perguntar pra alguém que conversa mais com ela, quem sabe a xerife não comentou algo?

Vi levantou a cabeça da mesa e observou firmemente, por alguns segundos, o oficial.

– ...isso aí. Você pode estar certo, guardinha. — tomou um ar de determinação. — Tô indo lá agora!

O rapaz balançou o punho no ar, expressando seu apoio pela colega. Terminou seu café, deixou as canecas na pia e voltou ao trabalho.

~¨~

A oficina da delegacia estava visivelmente ocupada, com a maior de suas salas muito bem iluminada enquanto Jayce discutia com outro indivíduo e mostrava-lhe o que pareciam ser plantas de protótipos techmatúrgicos de diversos tipos. Aproximando-se, percebeu que a discussão sobre uma das plantas em particular parecia bem esquentada...

– Isso é um assunto delicado, Jayce. Se a qualquer momento a canalização de um fluxo de energia destas proporções falhar, pode ser extremamente perigoso a todos ao redor, inclusive você.

– Mas precisamos ao menos tentar construí-lo! É com isso que o futuro se parece, Heimerdinger; a força é o fruto do progresso! Seria um avanço incalculável para a patrulha de Piltover se...

– Não sei, rapaz. Sou absolutamente favorável ao desenvolvimento tecnológico da cidade, mas desde que seja feito com toda a cautela, e este é o tipo de projeto que ainda requer muito estudo. Além disso, uma força dessas apenas para perseguir alguns bandidos? Hum, um pouco desnecessário...

– E falando em força desnecessária...

– Desculpa, interrompi algo? — Vi aparecia na entrada da saleta e falava, recostada no batente da porta.

– Agora que já está aqui, diga.

– Jayce, por acaso a xerife comentou alguma coisa com você sobre... Sei lá, ter que fazer algo no domingo? Ou então adiar algo pra segunda?

O homem franziu o cenho, estranhando a natureza da pergunta. Coçou o largo queixo, pensativo e desconfiado, e então respondeu.

– Não que eu me lembre, mas... Por que a pergunta? O que você está tramando agora, Vi?

– Não, eu só... É que... Deixa.

O oficial respirou fundo, claramente impaciente com a resposta vaga e titubeante da criminosa.

– Diga o que você não está me contando, senhorita. — exigiu, ríspido.

– Preciso fazer mais ajustes nas manoplas! E, pra isso, preciso de uma oficina, o que aparentemente só tenho acesso dentro da porcaria da delegacia desde que entrei na merda da condicional! — a raiva em suas palavras fez com que a ideia soasse infinitamente mais verdadeira do que realmente era.

– Meça suas palavras, delinquente!

Vendo que a atmosfera naquela sala começava a pesar, o inventor rapidamente tratou de mudar de assunto, felizmente descobrindo, nas mãos de Vi, um interessante dispositivo techmatúrgico.

– Ora, vejam só, são essas então as tão faladas luvas de ferro em suas mãos? Fantástico! Bem, obviamente são de um design maquinário já não tão moderno, mas fico impressionado com as modificações feitas para o uso pessoal. Quem diria que os braços de um robô velho de mineração originariam um dispositivo assim, tão... Interessante. — sorriu, parando para recobrar o fôlego. — Afinal, quem foi o habilidoso "artesão" responsável por isso?

– Ahn... — hesitou, ainda impressionada com a verborragia do pequeno homem de "cabelo" estranho. — Eu mesma fiz as adaptações. E algumas mudanças no mecanismo para que as luvas ficassem mais anatômicas durante a briga.

– Espera, está me dizendo que a senhorita foi quem fez isso? — o inventor pareceu verdadeiramente surpreso com a revelação. — Sem nunca ter tido um plano-de-fundo acadêmico apropriado? — ele conhecia ao menos de vista qualquer estudioso de Piltover e região.

– É, não tem escola nos becos, mas eu vivia roubando esses dispositivos hextech e testado com a sucata. Dá pra dizer que aprendi muita coisa desse jeito.

Heimerdinger, maravilhado, ia pronunciar-se, mas Jayce, ainda nervoso e agora ainda mais desconfiado, interrompeu-o e fez-se ouvir na sala.

– Espera, você aparece aqui enquanto estamos discutindo o futuro tecnológico da cidade, diz que "vivia roubando esses dispositivos", e agora tem uma luva letal que utiliza a mesma tecnologia dos cristais arcanos? Conveniente demais, não acha? Conveniente demais para uma "ex-ladra"... Conveniente demais para uma ex-ladra de cristais, que estão agora perdidos por aí e podem, uma hora ou outra, ser negociados com a cidade de Zaun, capaz de atacar e destruir Piltover!

– Hey, pera aí senhor "herói", mas eu tô aqui pra tentar ajudar a consertar essa merda.

– Haha, claro! Vindo roubar meus estudos, meu laboratório, e oferecer informação EXCLUSIVA pro seu bandinho de MARGINAIS vender por aí!

– É melhor CALAR A BOCA, oficial, ou então, na falta de um advogado, eu vou ter que deixar meus PUNHOS falarem por mim!

– TRAGAM-ME O MARTELO!

O pobre inventor, desesperado, via uma catástrofe de proporções imensuráveis aproximar-se e sabia que precisava fazer algo antes que um duelo de titãs que varreria a delegacia começasse ali.

– Ei, ei, ei, ME ESCUTEM! — a voz autoritária e sábia do pequeno homem conseguiu calá-los e fazer prestarem atenção. — Definitivamente não é essa a melhor ocasião para brigarmos! Jayce, eu sei como ainda teme por seus estudos desde que Viktor destruiu seu laboratório e roubou-os, e entendo que você tenha jurado proteger Piltover caso a cidade de Zaun decidisse atacar em resposta à sua pequena vingança para com o laboratório dele, mas não podemos nos ater eternamente a isso! Se Vi está aqui, por mais peculiar que possa parecer, concordo, podemos ao menos nos utilizar também de seu conhecimento e força para a construção de uma cidade mais segura! Quem sabe não poderíamos um dia trabalhar todos juntos no mesmo grande laboratório?! — um sorriso otimista se delineava por debaixo do enorme bigode do inventor.

A criminosa e o herói da cidade trocaram um olhar colérico. Sem desviar-se dele, Vi começou a dirigir-se para a porta de saída da sala.

– Humpf. Não preciso disso...

Meneou a cabeça negativamente, deixando o local contrariada e preocupada com as acusações de Jayce. Tudo bem, até fazia sentido ele raciocinar daquela forma, mas... ARGH! Não adianta. Ela não ia argumentar com o herói da cidade; ela, a criminosa odiada em reforma, a destruidora. Melhor ir embora daquela merda daquela sala e deixar pra lá.

Saindo da oficina e atravessando pelo corredor principal, passou quase batido pela sala de Caitlyn, quando esta chamou sua atenção lá de dentro.

– Você ainda não disse onde vai ser segunda.

Vi, que já ia passando reto, virou-se de volta de repente, levando a mão à testa e cerrando os olhos e os dentes, numa notável expressão de "puta que pariu, e ainda tem isso". Parou ao lado da porta da xerife, as mãos na cintura e respirando lentamente para tentar se acalmar. Enfim, surgiu na porta.

– Olha, xerife... Não podemos adiar isso por um tempo?

– Mas você ainda...

– Sinceramente: não é a melhor hora pra discutirmos isso, sério.

– O que aconteceu, Vi? — a xerife disse, mudando de expressão e já levantando-se de sua mesa, preocupada com aquele tom de raiva suprimido por Vi, e indo em direção à porta.

– Já está na hora do almoço?

– Quer sair pra almoçar?

– Seria bom...

~¨~

Vi não dissera uma palavra desde que decidiram fazer uma pausa para o almoço e principalmente agora, que devorava já o terceiro cheeseburguer monstruosamente grande, sequer olhava para o mundo ao redor, cativa em seu momento quase sagrado de se empanturrar. Tinha no rosto ainda traços da raiva despertada pouco mais cedo. A xerife, calmamente tomando seu sorvete, observava mais uma vez a glutonice da outra. "Nota mental: ir almoçar num rodízio da próxima vez. Ou isso ou eu vou falir...".

A rebelde de cabelo rosa enfiou na boca o último pedaço do lanche, ficando com as bochechas estufadas; limpou os lábios com um guardanapo e, quase que naturalmente, virou-se para a grande vitrine da lanchonete ao seu lado direito, dirigindo o olhar para a movimentação da vida lá fora.

– Já teve alguma notícia deles?

Gentilmente sendo tirada de seu devaneio, Vi retornou a cabeça de frente para a xerife, cruzou os braços sobre a mesa, apoiando-se nos cotovelos, e começou a falar monotonamente, brincando com o canudo do refrigerante.

– Nada "formal" até agora. Mas aquele ataque no mercado... Alguma nova sobre isso?

– Quase nada de revelador. Quer dizer, sabemos quem são os envolvidos; os que estavam com os reféns eram massa de manobra, mas os atiradores eram um degrau mais alto na escala dos criminosos. Mas nada que nos levasse a lugar algum.

– Faz sentido. Quando é preciso eliminar alguém os peixes maiores contratam os ladrõezinhos mais ralé pra servir de isca. Um atirador ou um "enforcer" é que dá conta do trabalho... Assim os chefes ficam limpos. — remexia uma porção de refrigerante derrubada sobre a mesa, distraidamente. — Foi uma emboscada. Uma merda de uma emboscada pra calar alguém e o dedo do Dohran tá nisso, mas tem mais coisa errada aí...

– Humpf, leu minha mente. A questão é: como deixaram passar os atiradores?

– Alguém deixou de contar uns homens... Ou então de contar que contou uns homens...

– Hah, não... — a xerife soltou um breve riso incrédulo. — Não; se está sugerindo que um dos meus oficiais faria isso... Você não os conhece.

– Você confia demais na sua patrulha, xerife, e olha como aquela mina caiu...

Caitlyn, subitamente, parou de falar e afastou-se, respirando pausadamente com um olhar perplexo. Sentiu um aperto no peito, como se todo o ar à sua volta pesasse, mas tinha que continuar firme, a rocha na qual Piltover se escorava há anos para continuar progredindo seguramente. Mesmo com a postura altiva de xerife, seu olhar vagava...

– Impossível... Impossível que a patrulha de Piltover esteja tão desleixada assim ultimamente! É minha responsabilidade cuidar disso, deixar todos em forma para o serviço! Se a polícia falha, a falha é minha. Se a polícia é fraca, eu sou fraca! — suspirou longamente. — Nunca, em mais de dez anos de serviço, as coisas pareceram escapar assim das minhas mãos...

– Você não é "fraca" só porque as coisas estão escapando das suas mãos. — pôde sentir o olhar dela, antes perdido, agora atentamente pousado sobre si. — Talvez só esteja precisando de mãos maiores. — Vi esboçou um leve sorriso, ainda olhando pela janela. Ia virar-se para ver a xerife, mas... Algo do outro lado da rua chamou sua atenção. Tanto a ponto de fazer Vi virar o corpo todo na direção da janela. Podia estar enganada, mas jurava que tinha visto... Tinha visto... — Não. — falou baixo e rápido, com os olhos vidrados no outro lado da rua, já puxando a cadeira para trás, levantando-se apressadamente e saindo correndo em direção ao que vira.

– Vi, o que é isso, o que você está fazendo?!!

A xerife imediatamente levantou-se para seguir a criminosa em condicional; tinha ainda receio que ela fugisse, e aí sim a patrulha de Piltover estaria com o problema do século nas mãos. Passou no carro, estacionado em frente à lanchonete, para pegar seu rifle, o que a atrasou em relação a Vi.

Vi, sem o peso das luvas, tinha uma velocidade notável, mas ainda assim estava longe de quem perseguia. O homem, ao perceber a movimentação na lanchonete, prontamente pôs-se a correr como se não houvesse amanhã. Era ele, ela podia apostar! Era Novak! Se ele estava na cidade, coisa boa não era, ela mesma podia dizer. Se ele estava lá, então Dohran também poderia estar nas redondezas, planejando entrar em contato... Ou, quem sabe, matá-la.

Começaram uma perseguição desenfreada por entre becos e ruelas. O homem que fugia tinha uma agilidade quase felina que dificultava a Vi acompanhá-lo: mudando repentinamente de direção, entrava numa fenda entre dois muros em que mal se acreditava que dava para passar uma pessoa. Quando finalmente desembocavam numa rua transitável, o homem pulava as caçambas de lixo que bloqueavam o caminho como se fosse um maratonista, voando sobre elas e aterrissando arduamente do outro lado, rolando no chão, enquanto Vi tinha que escalá-las para passar. O homem ganhava distância, mas Vi ganhava impaciência.

– Aaah, não; você não me ESCAPA!

Começou a pegar o que houvesse em sua frente e atirar em direção ao homem, fazendo-o efetivamente diminuir um pouco o ritmo devido ao cuidado especial que tinha que tomar com os tijolos e tampas de lixeira atirados por Vi. Numa curva, ao deparar-se com um muro grande demais para ser ultrapassado, vacilou, dando a Vi a oportunidade de aproximar-se um pouco mais...

– Volta aqui!

Num esforço maior, a enforcer conseguiu dar um impulso e agarrá-lo pelo braço, usando sua preocupante força para puxá-lo e vira-lo para si.

– Novak...

Com o braço livre, seu ex-parceiro de gangue sacou um punhal. Vi segurava-o pelos dois braços, mas o criminoso ainda assim deu um jeito de mover-se e acertar o braço de sua captora, fazendo-a instintivamente soltá-lo e por a mão sobre a ferida com um rosnado de dor e ódio. Vi levantou o olhar para ainda ver o homem sumir à distância. Caitlyn chegou minutos depois, a tempo apenas de ver Vi pressionando o braço.

– Explique tudo isso. Agora.

– Um dos caras da gangue... Ele estava aqui.

– E agora, onde está?

– Fugiu.

Vi tirou a mão do ferimento para avaliar o que tinha sido feito. Caitlyn ia questionar-lhe sobre a presença de um membro da gangue na cidade, mas então fora surpreendida pelo sangue nas mãos da mulher e o sangue escorrendo do braço...

– Céus, você precisa passar numa enfermaria.

– Não foi nada.

– Seu braço está ferid...

Não foi nada.

Caitlyn fungou, olhando Vi desafiadoramente nos olhos.

– Pelo menos passe uma água nisso.

– ...ok. — Era um meio-termo aceitável que faria a xerife ficar quieta.

No apartamento, Vi aproveitou para tomar um banho, tirar a roupa suja e rasgada da perseguição e da facada e limpar o ferimento. Teve que pegar uma roupa emprestada da xerife, o que foi deveras complicado visto a coleção interminável de vestidos e saias que a mulher tinha. Enfim, encontrou uma calça pantalona cinza e uma blusa branca simples que caiu bem com um cinto preto que havia lá. Servia.

Ao voltar para a sala, ainda enxugando o cabelo, deparou-se com a xerife e uma maletinha de "primeiros socorros", esperando com uma faixa, algodão e água oxigenada em mãos.

– Aah, não...

– Cala a boca e senta e deixa eu fazer um curativo nisso, ou eu troco a água oxigenada por vinagre e sal pra colocar na ferida.

Morosamente, a mulher caminhou até o sofá e sentou-se de lado para a xerife, estendendo-lhe o braço.

– Hum. Sorte que foi mais superficial. Não vou ter que te obrigar a ser simpática com as enfermeiras. — riu discretamente, tirando sarro de Vi.

– "Bla, bla, bla"; e eu ainda vou ter que te agradecer. — resmungou.

– Olha que você ainda está me devendo uma por segunda...

– Pelo céus; afinal, o que eu te prometi pra segunda?!

A xerife, inesperadamente, caiu na gargalhada, deixando Vi nervosa.

– Caitlyn, para de graça, fala logo!

– Hahahahahaha! Nada! Você não me prometeu nada pra segunda, só quis fazer uma brincadeira... Mas você caiu tão bem que eu decidi seguir adiante, e ia deixar ir até segunda-feira se você não perguntasse! Haha...

A mulher de cabelo rosa ficou de queixo caído, mas logo fechou a cara, fuzilando a xerife com os olhos, mas tentando evitar rir também.

– Quando eu sair da condicional, eu te mato.

Caitlyn terminou de enfaixar a região do corte, prendendo bem o curativo com esparadrapo, diminuiu o riso aos poucos e ficou então parada, com a maletinha de "primeiros socorros" em mãos. Suspirou.

– Valeu.

A xerife levantou o olhar. O que Vi tinha dito?

– Hey, eu disse "valeu". Tá acordada? Não vou repetir...

A protetora de Piltover puxou o canto da boca num meio-sorriso incrédulo, divertida e surpresa com a reação de Vi.

– Calma, pode repetir só mais uma vez? Eu preciso gravar isso...

A rebelde riu e deu uma olhada no curativo. Nada mal.

– Vai, vamos voltar pra delegacia. — disse a xerife, empurrando o ombro da "pobre ferida indefesa".

~¨~

– Então... Por que estamos aqui? — perguntava Jayce, mais uma vez na ultimamente tão frequentada sala de reuniões da delegacia, junto de quatro dos outros oficiais de elite, mais Caitlyn e Vi.

– É sobre o caso dos cristais e... Onde está o Johan?

– Voltando do almoço. Ele saiu mais ou menos na mesma hora que vocês, mas ainda não retornou.

Decidiram esperar mais um pouco até que o veterano chegasse, minutos depois, para que a informação fosse passada.

– Bom, vamos às explicações então. — Jayce dizia, já voltando-se para a xerife.

– Acredito que Vi é quem pode melhor explicar-nos; a ocorrência foi por parte dela.

No momento em que a xerife disse aquilo, todos, surpresos — inclusive a própria Vi — voltaram-se para a mulher silenciosamente sentada no sofá, separada da mesa de reunião.

– Como assim? — pelo menos três vozes, uma delas sendo de Vi, proferiram a mesma frase em uníssono.

– Oras, é o procedimento padrão. A ocorrência foi com ela, logo ela tem os detalhes do que aconteceu.

– E você não estava junto no momento, Caitlyn?!

– Estava sim, mas não fui eu quem pegou o sujeito.

– Calma, tem certeza de que é isso que você quer? — Vi perguntou, levantando do sofá e lançando um olhar a Caitlyn, e depois apontando a mesa, indicando que aquilo ali poderia se tornar um problema dependendo de algu... todos. A xerife apenas inclinou levemente a cabeça para o lado e ergueu as sobrancelhas, indicando que fosse em frente, tranquilamente. — Ok... — sem saber ao certo como começar, Vi deu uma volta em torno da mesa de reuniões, indo parar ao lado do quadro onde montavam as operações. Olhou ao redor as expressões frias que a encaravam. — Bem, um integrante da gangue de Dohran foi visto hoje na cidade.

– É, estava na lanchonete hoje no almoço, enchendo o bucho. — alguém sussurrou, debochado, para outro alguém. Vi seguiu o som de risos até a origem, com o olhar bravo de quem tenta dizer algo importante, mas não é levado a sério. Ofegava levemente.

– O homem foi visto passando pela Avenida Sunset, do outro lado da lanchonete, andando disfarçado pela rua, mas ainda assim parecia tranquilo, acreditando que não seria reconhecido. Azar o dele, pois eu estava ali e o vi: trata-se de Novak, um dos "surrupiadores" de Dohran.

– "Surrupiadores"? — alguém inquiriu. Vi pegou então a caneta e começou a desenhar um esquema na lousa.

– Éramos sete pessoas na gangue: dois "enforcers", eu e Dohran, que abríamos caminho à força na hora dos ataques; dois "surrupiadores", Novak e um outro, pessoas muito ágeis e rápidas, com uma destreza incrível, usados geralmente para infiltrações silenciosas ou trânsito de informação; e três atiradores, que incluíam o Wally... — de repente, lembrou-se da imagem do amigo, morto, explodido, coberto de sangue, poeira e pedras; o cheiro de carne e gordura humana queimadas na mina ruindo... Um arrepio percorreu-lhe a espinha, mas pôde manter a postura. — Enfim, eu o persegui e até consegui pegá-lo, mas ele fugiu antes que eu pudesse tirar qualquer coisa dele.

– Por "qualquer coisa" você quer dizer "informação".

– Sim. É preocupante que um surrupiador estivesse andando pela cidade, já que significa que ele veio transmitir ou coletar informações. Significa também que Dohran pode estar nas redondezas planejando um novo ataque. Em todos esses casos, seria importante que eu conseguisse interceptar a informação, barrá-lo, sei lá. Mas ele fugiu quando...

– Você chegou a pegar ele?

– Sim, mas...

– E você pôde ver e constatar que era ele? — outra pessoa perguntou.

– Pude, só que...

– E ele fugiu, mesmo tendo-o pego?

– Não extraiu nada do informante?

– Como pôde deixá-lo escapar?!

As perguntas começaram a bombardear Vi por todos os lados, fechando o cerco em volta da mulher e preocupando-se mais com o fato dela, uma ex-integrante da gangue, ter entrado em contato com outro que age como informante, do que na informação que ela substancialmente passava. O relato tinha começado bem, mas Caitlyn percebeu que a situação começava a se complicar...

Vi, visivelmente inquietando-se, sentia que o cerco se fechava ao redor dela, pressionada contra um muro de sarças enquanto seus algozes vinham com as pedras em mãos... Fora sempre assim, sempre assim! Como se iludira pensando que, um dia, a polícia pudesse parar, ouvir e ajudar gente como ela? No seu mecanismo de reação natural às adversidades, desenvolvido ao longo dos contatos com a polícia e outros "valentões" durante sua vida, seu corpo começava primeiro a preparar-se para fugir, reflexo de seu hábito auto-protetor de infância. Mas, logo em seguida, o próprio organismo parecia rejeitar esta ideia, mudando de estratégia e retesando os músculos, concentrando suas forças nos braços, o tronco colocando-se em postura de resistência e as mãos, involuntariamente, apertando-se, fechadas em punho. Se alguém levantasse naquele momento, provavelmente seria o primeiro a tomar um belo soco inadvertido e cair desmaiado.

Contudo, ela não era um animal. Não era uma besta descontrolada, em frenesi; muito ao contrário: Vi era a única que podia mandar em Vi, e isso ela fazia muito bem. Aprendera a domar aquela força, liberando-a no momento e forma corretos para dilacerar o inimigo.

A xerife percebia a mudança gradual nos trejeitos dela e preocupava-se, lutando mentalmente para decidir se era melhor levantar-se e intervir naquilo de alguma forma... Agitada com o zumbido infernal daquelas vozes ecoando em sua cabeça, Vi sentia-se de alguma forma perdida, em vertigem em meio àquele mar frenético de rostos e vozes no qual só fazia afogar-se, aparentemente apenas engolindo mais água salobra à medida em que tentava apenas nadar para sobreviver. Não aguentava, parecia que sua cabeça ia explodir e...

– CALEM A BOCA! — verdadeiramente berrou, vermelha e nervosa, de forma que todos, alertas do perigo que a jovem poderia representar, obedeceram ao grito e puseram-se estáticos e atônitos em seus lugares. Olhou ao redor. — Céus, querem calar a merda da boca e me escutar?! Estou tentando dizer que um informante fugiu, que pode estar ainda nas redondezas, que devemos procurá-lo... Vocês não entendem?!

– Há de se convencionar... — Jayce começou a lançar a ideia. — ...que é "estranho" você ter sido a única a vê-lo, interceptá-lo e deixá-lo fugir... Digo, qual é a garantia de que não foi você a trocar informações com ele? Afinal, dos possíveis integrantes da gangue aptos a se infiltrarem na polícia, você inesperadamente foi a mais bem sucedida...

Vi ouviu aquilo de boca aberta, perplexa. Levou alguns segundos até que conseguisse articular os lábios para dizer qualquer coisa.

– Olha aqui, herói...

– Hey, hey, tempo! — a xerife interveio quase tardiamente. Mas também era difícil dizer algo frente ao que Jayce acabava de propor.

De fato, quem teria garantia de que aquela mulher não estava ali de forma mal intencionada? Quem asseguraria que, de uma hora para outra, aquela força irrefreável não se viraria contra eles, dizimando a todos e acabando com a corporação de dentro para fora? ...Ela. Ela podia garantir aquilo. A xerife era a única que conseguia enxergar algo em Vi que os outros ou se negavam a admitir, ou eram cegos; e não lhe perguntem o que era, mas era o suficiente para fazer que colocasse a mão no fogo por aquela certeza, como de fato fez ao recrutar e se responsabilizar pela moça. Mas, obviamente, não podia simplesmente dizer isso. Em seu mundo, tudo precisava de provas concretas.

– Jayce, eu estive acompanhando-a todo o tempo desde que assinamos a condicional, é difícil que tenha entrado em contato com algum outro integrante da gangue sem que eu tivesse pelo menos ciência do fato...

– Difícil, mas não impossível, xerife. Hoje mesmo, no meio-tempo em que ela encontrou-se sozinha com o fugitivo, este poderia ter-lhe informado um lugar para um próximo encontro, para trocarem informações, documentos... Sei lá. Poderia ter-lhe informado o local de um próximo ataque, pra onde ela deveria levar os agentes da polícia...

Um burburinho começou a ser ouvido na sala. Em pé ao lado da lousa, Vi respirava em movimentos curtos e apressados, o coração acelerado diante da impotência frente à força da lei. Era este um jogo de cachorros velhos em que ela entrava como uma jovem pouco versada. Estava no tabuleiro deles, jogando com as regras deles. E a primeira regra era que ela, ali, era café-com-leite.

Johan, que havia chego mais tarde e pouco se pronunciara, aproveitou-se daquele instante de silêncio que se formou e pôs-se de pé.

– Com licença, todos, mas preciso voltar à minha sala e cuidar de meu trabalho... — deu um aceno singelo com a cabeça e saiu.

– Ok, o que vamos fazer a partir disso, então? — uma dos oficiais presentes finalmente colocou na mesa a questão principal, quebrando um pouco da tensão acumulada na sala de reuniões.

– Teríamos que lançar uma busca... Atrás do homem, atrás dos outros nos arredores da cidade... — com os cotovelos na mesa e as mãos se segurando, a xerife falava num tom pensativo, não tão certa de que atitude deveria tomar. — Mas isso, basicamente já está sendo feito há semanas. — tirando os olhos da mesa, direcionou-os para Vi, ainda se questionando. — A investigação já está em curso... — suspirou.

Vi, sentindo-se menos que lixo, simplesmente saiu da sala, silenciosa e ligeira, e foi para algum outro lugar na delegacia. Caitlyn afundou o rosto nas mãos.

– ...deixe que assumimos daqui, Caitlyn... — a mulher que havia abordado a questão, percebendo como o clima da reunião esquentadíssima subitamente despencava abaixo de zero, sugeriu ao ver o estado da xerife. Mas não. Caitlyn tinha que manter-se firme.

– Não, eu vou ficar junto para... coordenar a investigação.

– Bem, acho que a reunião está encerrada então. — dizendo isso, Jayce levantou-se e saiu.

O resto da tarde foi passado pela xerife intrinsecamente concentrada em todos os aspectos do caso Dohran, averiguando cada mínimo detalhe para assegurar que não houvessem erros ou omissões, mas principalmente usando-os para tentar abstrair a mente de tudo o que se revolvia nela internamente.

~¨~

O telefone tocou diversas vezes naquele lugar em que ninguém ia, sem que qualquer alma surgisse para atendê-lo. Tocava insistentemente, deixando um homem nervoso.

– Caralho, mas não tem ninguém pra atender essa porra?!!! — praguejava em voz alta, sabendo que alguém o ouviria. Os outros não estavam distantes, mas estavam mais longe do aparelho do que o homem que gritava. Sendo assim, ele atendeu.

– Dohran?

– Hum, chefia... Mas que deleite poder ouvir sua voz, já estava começando a imaginar que tinha esquecido do nosso trato... — com o cigarro na boca, Dohran falava em seu timbre rouco, tom preguiçoso e malandro, e segundas intenções preocupantes.

– Não, eu não esqueci... Mas onde estão os cristais? — a voz do outro lado da linha soava impaciente.

– "Além do arco-íris", bem guardadinhos e prontos pra começar a funcionar...

– Ótimo! Por que eu vou precisar deles o quanto antes para...

– Uou, uou, uou, calma aí! A minha parte do trato eu sei que tá feita, mas e desse lado? Hein?! Ainda não vi uma merda sequer de um esforço da sua parte pra cumprir com o que eu quero. Cadê a porra da xerife fora do meu caminho?!! — agora o homem começava a revelar sua verdadeira face, num tom crescente de fúria e ameaça.

A voz do outro lado da linha ficou muda por um tempo, como se pensasse.

– Olha, Dohran, eu... Não dá. Não posso fazer isso. Mas quem sabe a gente não possa negociar uma porcentagem em relação aos cristais e...

– CALA A BOCA, PORRA! — a voz do outro lado da linha de repente sumiu com a explosão de raiva sensível do outro lado do telefone. — Já ouviu aquela "o combinado não sai caro"? Deixa eu te ensinar agora uma coisa: o combinado começa a sair caro SE VOCÊ NÃO COMEÇA A CUMPRIR. Eu fui bem claro na ocasião: te ajudaria com os cristais e te deixaria com eles se a FILHA DA PUTA, VADIA, CACHORRA DO INFERNO DAQUELA XERIFE FOSSE TIRADA DO MEU CAMINHO, DE UM JEITO OU DE OUTRO. ACHEI QUE JÁ TAVA NO PAPO; CADÊ A CABEÇA DESSA VACA QUE EU AINDA NÃO VI?!! — depois do surto, a respiração ofegante de Dohran podia ser ouvida com clareza do outro lado da linha. Ele tirou o cigarro da boca, jogou-o no chão e pisou nele, apagando-o. Passou a mão pelos cabelos, andando em pequenos círculos enquanto se acalmava. — Olha o que você precisa entender: foda-se o lucro do roubo. Dinheiro? Pff! Eu posso ter a hora que eu quiser. Mas a questão quando você chega no lago dos peixes grandes não é mais dinheiro... Se trata de poder. Quem controla o tráfico. Quem controla o crime organizado. Quem controla a cidade. Mas a vida tem estado muito... "irritante" pra mim e pros meus amigos desde que essa putinha enxerida da xerife tem se metido na história. Agora, se você tirar ela do meu caminho como prometido... — Dohran sorriu. — Haha, todo mundo fica feliz! — fez um pequeno festejo em seu esconderijo, jogando papéis que estavam em cima da mesa do telefone para cima. — Não era o que você também queria quando fechamos o acordo? Você fica com os cristais, eu fico com o poder sobre Piltover...

A voz do outro lado da linha era quem ofegava agora.

– ...não existe uma alternativa, Doh...

– NÃO EXISTE NENHUMA PORRA DE ALTERNATIVA!!!! — atirou o vaso que estava em cima da mesa do telefone, despedaçando-o contra a parede em frente. — Ou você faz a sua parte, ou eu mesmo dou conta da xerife... e de você.

O criminoso ia bater o telefone no gancho, quando ouviu um apelo derrotado e desesperado.

– Tá bom, tá bom... Só... Não entregue os cristais pra ninguém mais.

Antes de desligar o telefone, Dohran sorriu...

Notas finais
Os planos de Dohran para os cristais parecem ser infinitamente mais preocupantes do que se esperava... Matar a xerife e apoderar-se da cidade?! Pior que isso é apenas o fato de que o perigo está muito mais perto de Caitlyn do que se pode imaginar. Quem iria traí-la de forma tão baixa? E por que motivo? Cristais? Dinheiro? Poder? Vingança? ...ao mesmo tempo, a xerife sente suas forças sendo rapidamente drenadas. Deuses, esse pesadelo pode piorar? *techmaturgia: tecnologia que mistura mecânica e ciências comuns com magia. "Hextech" também pode ser usado nos mesmo termos.