Piltover's Finest

5 Capítulo 5 - "Parte do seu mundo" I


Notas iniciais
"And, honey, I'm the world's forgotten boy; the one who's searching, searching to destroy." - Search and Destroy, de Iggy Pop and The Stooges Altamente recomendada a versão da música pela banda Skunk Anansie para acompanhar as cenas de ação de Vi: http://www.youtube.com/watch?v=uKudhesReWY

Abriu os olhos devagar, acostumando-se novamente com a luz do dia que entrava pela janela. Uma brisa leve movia as cortinas, tudo estava em silêncio. Respirou fundo e espreguiçou-se lentamente enquanto bocejava, esticando-se e fazendo o belo corpo aos poucos despertar. Há tempos não descansava assim!

Pôs-se sentada na cama e olhou ao redor. O relógio marcava AH NÃO, TO ATRASADA! A xerife prontamente pulou da cama e correu, pegando algo para vestir, calçando as botas, escovando os dentes... De repente, reparou de novo no silêncio... Calmo demais...

A fugitiva!

Terminou de se arrumar na velocidade de um tiro, escancarou a porta do quarto e... A fugitiva apenas olhou na direção da porta, com uma chave de fenda segurada na boca enquanto mexia nas luvas de ferro. Voltou a concentrar-se em sua tarefa. A xerife suspirou aliviada. Podia jurar que a outra tinha fugido no meio da noite, mas enganou-se. Ainda bem. Atravessou a sala e foi para o balcão da cozinha.

– Bom dia. — falou, apressada, quando passou pela sala, e ia já pegando as chaves do carro e a bolsa com algum dinheiro. — Temos que voar para a delegacia, já estamos quase atrasadas...

– Deixa eu perguntar: lá tem equipamento de solda?

– Hum... Provavelmente.

Vi checou mais uma vez o parafuso da articulação lateral na altura do pulso da luva. Sentira-o solto umas boas vezes, o que dificultava o manuseio da manopla, que às vezes saía do lugar. Tinha feito aquelas conexões tão rápido na mina que não teve tempo de prestar atenção nestas imperfeições incômodas. Agora podia percebê-las e estava determinada a corrigir e melhorar seu novo item do arsenal de guerra. Trancaram a casa, entraram no carro e seguiram para a delegacia.

Era 8:01 no relógio da delegacia de Piltover quando a xerife e a fugitiva em condicional atravessaram a porta de entrada. Jayce estava no corredor e não conseguiu disfarçar a expressão surpresa em ver que Vi ainda estava ali... E sem maiores problemas... Vi percebeu aquilo.

– Garotas: um, policiais: zero! — sussurrou mostrando o "placar" nos dedos quando passou por ele, divertindo-se.

– Desculpe o atraso.

– Sem problemas, Caitlyn. Não é como se tivéssemos despachado uma viatura pra sua casa para ver se estava tudo bem...

– O que temos para hoje?

– Tudo sob controle até o momento, então estamos bem calmos por aqui... Talvez você queira fazer uma visita ao Hatz.

– Claro. Meu deus, aquele rapaz merece uma bonificação pelo que fez.

– E um pedido de desculpa da parte das duas.

Vi de repente voltou-se para Jayce, depois revirou os olhos, desinteressada. Caitlyn torceu o nariz com a represália.

– Ok, estamos indo!

Hatz estava na enfermaria do Hospital Central de Piltover. Passara a tarde e a noite anteriores lá, mas provavelmente teria alta ainda hoje, podendo voltar para casa para recuperar-se. A saúde estava boa, salvo pelo olho roxo, uma costela e um braço quebrados... Entraram no quarto e Caitlyn puxou uma cadeira para o lado da cama.

– Bom dia, oficial!

– Ai!... Xerife?

– Sim, viemos fazer uma visita. O senhor demonstrou grande valentia e serviço à Justiça tomando parte nesta missão.

– Ah, bem... Muito obrigado! — disse o oficial, encabulado. Ia continuar, quando viu Vi entrar pela porta. — Eu apenas AH NÃO, ESSA MULHER, AQUI, NÃO!

Vi reparou a exaltação repentina do homem e olhou para ele, logo assimilando as consequências da quase-luta do dia anterior. O oficial devia estar dolorido...

– Ouch, cara!... — fez uma careta de dor. — Sério, me desculpe! Não foi a intenção...

– Foi. — o homem retrucou, sério.

– Olha, foi, naquela hora. Mas agora que eu sei quem você é, não foi mais.

Percebendo que o oficial começava a se inquietar, a xerife repousou uma mão sobre seu ombro e falou em tom calmo.

– Não precisa se preocupar, oficial; ela estar aqui é a prova de que nosso plano deu certo! Vi está agora ajudando a polícia de Piltover no caso Dohran.

– "A melhor de Piltover"! — Vi piscou um olho, sorrindo, e fez um sinal de "positivo" com o polegar da luva gigante.

– Bem, eu não vou esquecer tão cedo esse nosso "encontrinho", ugh! — colocou uma mão sobre a atadura na costela. — Mas, se ela está do nosso lado... Ok, então.

De volta à delegacia, Caitlyn dirigiu-se para sua sala para iniciar seu trabalho, dando continuidade ao estudo de outros casos ainda em andamento. Vi não quis ficar que nem criança, sentada num sofá e sendo vigiada. Caralho, ela era competente pra caramba e tinha o bom senso de não socar um policial dentro de uma delegacia!

– ...vou buscar café.

Saiu do escritório da xerife e olhou em volta. Hum... Quem poderia...?

– Jayce! — ele passou por ela no corredor. — Acho que você vai dar um jeito: tem alguma oficina aqui dentro da delegacia, ou uma ferramentaria, algo do gênero?

– E pra que você quer isso, Vi?

– As luvas... Desde que peguei na mina, estão uma sucata. Sem contar que tá um tédio isso aqui; vocês tinham me prometido ação!

– Acho que o termo correto é "trabalho".

– Tanto faz. A questão é: to sem nada pra fazer. Nesse meio-tempo, eu poderia trabalhar melhorando as luvas...

O homem parou e analisou a situação por um momento. Aquilo significaria deixá-la sozinha com um monte de ferramentas fazendo aquelas duas marretas em forma de luva funcionarem!

– Olha, Vi... — ele tentou começar a explicar as razões pelas quais devia dizer a ela "não".

– Ah, qual é! Deixa de ser frouxo, Jayce! — farejando a resposta dele antes mesmo do oficial mencioná-la, pressionou-o da maneira mais simples e eficaz possível.

O homem ficou sem palavras.

– Quer saber? Ok. Tem a oficina lá nos fundos, descendo a escada da direita. Mas você não vai ficar sozinha lá, vou colocar alguém na supervisão. Se você tentar fugir: bala. Se brigar com alguém: bala. Se fizer qualquer coisa estúpida...

– Nossa, oficial, assim eu vou ficar com cárie! — riu, falando num tom jocoso. — Valeu, Jayce; eu sabia que você não era um idiota!

Ela saiu sorridente para os fundos da delegacia. Jayce bufou, nervoso, e então designou dois policiais para acompanharem a mulher. Sentou em seu escritório e voltou a lidar com seus casos. Fez uma pausa e percebeu que não havia prestado atenção numa palavra sequer do que acabara de ler; ainda estava nervoso com o jeito da rebelde do cabelo rosa. Analisou de novo a situação e pensou naquela mulher, por um lado tão comum, por outro com a força de um rinoceronte e o humor de um apresentador de talk-show barato. "Humpf, deixa... Uma hora passa." Suspirou e relaxou os ombros. "Vamos voltar ao trabalho.".

A xerife fez uma pausa e olhou o relógio. Já estava há um bom tempo absorta no estudo de suas investigações, e via-se já bem perto de solucionar um dos casos. Sentiu sede. Hum... Vi não tinha saído pra buscar café? Mas isso já fazia quase uma hora! O que era aquilo, tinha ido fazer o café? ...saiu para ver onde ela estava.

Nada no corredor. Não estava ali parada, conversando. Foi até a copa. Vazia... Estranho... Alguém teria percebido se ela tivesse deixado a delegacia. Fez o caminho de volta e aproveitou para perguntar se alguém a havia visto.

– Ela tava falando com o Jayce aqui no corredor faz um tempo...

Bateu na porta do escritório de Jayce.

– Jayce, você sabe onde a Vi está?

– Não é problema meu... — respondeu propositalmente desatento, ainda olhando seus papéis, esganando mentalmente Caitlyn por não ficar de olho naquele monstrinho que veio lhe trazer problemas.

– Jayce, é sério...

– Oficina.

Seguiu prontamente para os fundos da delegacia e desceu as escadas. Na metade dos degraus, pôde já notar a única luz acesa no vasto aposento dividido em saletas de vidro acrílico. Viu um policial segurando um dos dedos da luva enquanto Vi mexia numa articulação. Ela falou algo e o policial soltou o dedo. Este começou a mover-se lenta e entruncadamente. Vi fez com que ele parasse e o policial segurou o dedo da luva novamente. Ela voltou a mexer na articulação, na falange, mas então faíscas saltaram, como num curto-circuito, e a luva começou a mover-se freneticamente, quase lançando o policial longe e derrubando a mesa! Vi imediatamente tirou o cristal da luva e praguejou algo. Era comicamente fácil perceber aquilo. Socou a mesa e voltou a desparafusar a peça, visivelmente incomodada.

A xerife entrou na saleta em silêncio e liberou os guardas de sua tarefa de vigia, dizendo que se encarregaria daquilo. Aproximou-se de onde Vi trabalhava concentrada e observou o que ela fazia.

– Problemas com a luva?

Vi desviou o olhar dos circuitos por um minuto, observando que era a xerife que estava ali agora. Deu uma olhada do outro lado e viu que os policiais tinham ido embora.

– As falanges estavam muito lentas, meio travadas, que nem o movimento de um robô velho. Troquei o pistão e mexi nas articulações, mas parece que eu não consigo acertar a tensão nesse circuito! — ela falava como quem estudava uma jogada complicada num jogo de xadrez.

Caitlyn segurou o dedo da luva no lugar como tinha visto o outro policial fazer, imaginando que Vi precisaria daquela simples ajuda. A mulher pediu a chave inglesa. Caitlyn passou para ela.

– ...talvez o problema não seja o circuito em si, mas a fonte de energia...

Vi parou de apertar o parafuso enorme e concentrou-se na xerife.

– Você não está falando isso porque entende de mecânica... É o cristal, não é?

A xerife ficou em silêncio.

– Eu percebi isso... Geralmente essas máquinas usam cristais lapidados pra potencializar a energia, como num laser, mas a fonte energética em si é externa. Aqui, não. Parece que o cristal é a própria fonte de energia! Por isso eu estranhei aquele mecha na mina... Ele não tinha nenhuma fonte externa, mas o cristal por si só ativou as manoplas, mesmo separadas de qualquer circuito. E funciona assim; com cristal: liga, sem cristal: apaga.

– É por isso que precisamos encontrar aqueles marginais o quanto antes. Com duas gemas e um par de luvas de ferro já foi possível detonar muralhas de pedra, imagine o que não fariam com a quantidade de cristais roubados?

Vi soltou um riso incrédulo e calou-se. Fechou a cara e continuou trabalhando. Só então Caitlyn percebeu que talvez tivesse usado uma combinação inapropriada de palavras.

– É, tem razão. Somos todos farinha do mesmo saco, sem um pingo de dignidade. É só dar um osso e colocar a coleira. Pra que confiar, não é? Afinal, eu sou um batalhão de demolição e não tô nem na polícia...

– Eu não quis dizer isso...

– Caitlyn! Precisamos de você lá em cima! — avisou um oficial do topo da escada.

A xerife virou-se em direção à voz, depois voltou para Vi.

– Vai lá, xerife. Não preciso de ajuda.

Caitlyn mordeu o lábio inferior, pensando em algo pra dizer, mas então saiu e foi atender ao que tinham lhe solicitado. Na sala de reuniões, um oficial explicava qual a ocorrência que acabara de chegar na delegacia.

– ...aparentemente, são cinco, e eles fizeram vários civis de reféns. O mais provável é que tenha sido um arrastão ao mercado central que não foi bem sucedido e o grupo acabou ficando encurralado, agora estão usando os reféns como moeda de troca. É um grupo de ladrõezinhos que já vêm causando pequenos problemas faz tempo.

– Precisamos então coordenar uma ação de neutralização...

– Para isso contávamos com a sua equipe, xerife.

– Ok... Vamos todos pensar numa forma de fazer isso rápido e com o menor risco possível para os civis.

Vi continuava trabalhando nas luvas. Ainda não estavam do jeito que ela queria, mas já estavam bem melhores agora. Entretanto, aquele assunto ainda martelava em sua cabeça, deixando-a inquieta.

Pff! Por que é que tinha mergulhado nessa bosta; ela não era da polícia! Nem mesmo fazia parte dos "mocinhos", a quem estava enganando? E depois que aquilo acabasse, o que iriam fazer com ela? Hein? Dar um pé-na-bunda pra longe da delegacia? Prendê-la? Estava nervosa, pensando em ir embora dali e sumir. As manoplas estavam ali, era só "fazer" uma porta na parede e sair... Um oficial apareceu.

– Senhorita Vi, estão solicitando sua presença na sala de reuniões. Queira me acompanhar...

Vestiu as luvas e o policial conduziu-a até a sala, sem deixar de, de tempos em tempos, dar uma olhadela para trás, para as luvas gigantes de ferro, espantado.

– Ok, tô aqui. — disse, cruzando os braços e recostando-se no batente da porta.

– Bom. Nós temos uma ocorrência, um assalto que acabou virando uma espécie de sequestro com reféns no mercado central, para resumir. — a xerife ia conduzindo o caso. — Bolamos uma operação de neutralização em que você está incluída. O plano é...

– Plano? Hah! Eu não preciso de um plano; vamos pegar a viatura e pular pra parte legal...

– Vi! ...você se lembra bem dos termos da condicional, não me obrigue...

– Tá, tá, vai, continua.

– Retomando... — a xerife suspirou. — O esquema é o seguinte: um grupo de policiais já isolou o perímetro e tirou todos os civis não-reféns de lá. Johan irá juntar-se a eles para conduzir as negociações com os assaltantes. As viaturas estão ao lado da fonte central, em frente a uma fileira de tendas de mercadores. Enquanto isso, Vi e Jayce vão com suas equipes aproximar-se da gangue pelas entradas laterais do mercado, posicionando-se ao lado do bloco onde os reféns estão, e vão esperar o sinal de Johan para neutralizar os bandidos quando os reféns já tiverem sido liberados. Eu subo com uma equipe de atiradores no segundo andar do bloco em frente e me posiciono para dar cobertura para o grupo durante a operação.

– Nossa bunda vai pra brasa e você, só no espeto...

– Essa foi uma estratégia pensada em conjunto por uma equipe preparada para lidar com este tipo de situação, então, se eu fosse você, me calava e obedecia... — a xerife fazia valer seu distintivo, falando com firmeza e autoridade diante de seus oficiais.

Vi soltou um leve riso.

– Tá, vamos logo então...

Chegando ao mercado, Johan desejou sorte aos colegas e foi assumir sua posição imediatamente. Caitlyn dava instruções sobre o local a seu grupo de atiradores e Jayce falava com os homens que iriam seguir a ele e a Vi pelas laterais para neutralizar a ameaça. Vi, encostada num canto, estava impaciente... Caitlyn percebeu aquilo com o canto do olho e foi ter com ela.

– Vi, você entendeu o plano, não é? Você...

– Sim, sim, não precisa repetir.

– Eu peço, então, que você se atenha a ele. Ouviu? Logo vamos começar.

– "Sim, senhora"... — ela falava, ajeitando as manoplas e com o olhar fixo num ponto irreconhecível à frente. Sua cabeça registrava um outro plano... "...Eu tô fazendo isso do meu jeito.".

De repente, os comunicadores começaram a chamar a atenção dos oficiais.

– Xerife, os bandidos estão liberando normalmente os reféns e saindo do prédio; rápido! — Johan avisava, desesperado.

– Mas o que...?!

Como assim?! Os caras simplesmente estavam liberando os reféns e os oficiais ainda nem estavam em posição?!

– VÃO, VÃO, VÃO!!! — a xerife ordenou, dando um início apressado à operação.

Nesse instante, Vi viu a oportunidade perfeita. Dane-se a porcaria do plano!

– Vamos quebrar TUDO!

Ela riu e começou a atravessar o mercado de fora a fora como uma bola de demolição! Caitlyn, que corria para assumir seu posto no segundo andar, viu que, naquele momento, o plano ia pelo ralo.

– NÃO!

Deu a volta e seguiu Vi, uma tarefa difícil visto que, por onde ela passava, voavam pedaços de concreto e paredes estraçalhadas. Além disso, ela conseguia um impulso inimaginável lançando aquelas luvas para frente e...

Caitlyn estancou de repente, escondendo-se de um lado da fonte. Reparou num brilho vindo do topo de um dos prédios que circundavam o mercado. Ela reconhecia o que era aquilo.

Os bandidos ouviram ao longe o som de algo se quebrando, depois mais perto, mais perto, mais perto e...

POF!

Dois deles foram atingidos, indo parar colados quase no teto de um dos prédios, no mesmo instante em que algo gigante girava e acertava um terceiro. Estes mal viram o que os atingiu, mas os outros dois que correram para fora do bloco viram muito bem. Era ela! E estava mais letal do que nunca!

– Como assim, saindo à francesa?!

Ela projetou o punho em direção aos dois, gritando, e acertou um deles em cheio, apagando-o na hora, enquanto o outro, aparentemente o líder do grupo, conseguiu desvencilhar-se por muito pouco e gritou.

– FOOOOGOOOO!!!

A xerife, usando a fonte como barricada, tratou de sacar seu rifle de estimação o mais rápido possível e mirou no ponto onde havia avistado o reflexo de luz, confirmando sua suspeita no mesmo instante: não havia apenas os cinco assaltantes no grupo, havia também atiradores.

Era uma armadilha!

Vi ouviu o homem que fugiu gritar e agarrou-o pelo pescoço, pronta para atirá-lo para o alto, quando algo passou raspando por ela, fazendo um estalo metálico ao colidir com sua ombreira, no mesmo instante em que um outro disparo, vindo da direção oposta, derrubou um homem de cima de um dos prédios laterais. De repente, uma chuva de tiros começou a precipitar-se sobre ela, vindos de todos os lados. Enterrou a cabeça do homem no chão e começou a tentar esquivar-se.

– ATIRADORES, AMEAÇA NOS TELHADOS À FRENTE! — Caitlyn comunicou, agitada, enquanto abatia um dos alvo e já tinha a mira em outro. Um tiro, um abate. — JAYCE, JOHAN, RECUEM!

Vi corria para dificultar a mira dos atiradores inimigos, tentando encontrar algum acesso, alguma escada que a permitisse alcançar o telhado e transformar o crânio daqueles desgraçados em pó! Mas os tiros, vindos de todas as direções, impediam-na sequer de movimentar-se direito; tinha que usar as luvas gigantes para evitar que fosse atingida. De repente, observou que eles caíam, e logo os tiros começaram a vir de um lado só. ...a xerife!

Caitlyn já havia derrubado dois deles... Três agora. Mas então o lugar em que se encontrava não lhe dava mais visão para atirar. Seu grupo de atiradores via-se também em pequena desvantagem, três andares mais abaixo da posição dos atiradores inimigos. A xerife então tomou fôlego e saiu de trás da fonte, procurando uma posição melhor de onde pudesse atirar. No caminho, um projétil instalou-se no chão, muito próximo de onde ela pisava para correr. Mudou de direção e viu Vi correndo para um canto que aparentemente lhe serviria. Decidiu seguí-la.

A demolidora de cabelo rosa viu a xerife correr para o mesmo ponto que ela, atrás de uma das tendas. Usou uma das luvas gigantes para proteger a xerife, como um escudo, aparando por sorte um tiro que poderia tê-la atingido. Jogaram-se atrás da tenda, finalmente protegidas por uma barricada. Os atiradores da polícia abateram mais dois dos bandidos e certo silêncio se fez. As duas ofegavam, agitadas; a xerife cerrando os dentes com fúria.

– Atira, desgraçado... Eu sei que tem mais um, vai, se mostra! — resmungava entredentes. Olhou para a Vi e pensou em algo.

Do telhado, o atirador inimigo esperava, nervoso, algum sinal para poder atirar. De repente, viu aquela mão gigante de ferro aparecer de trás de uma tenda e atirou imediatamente, fazendo apenas a bala ricochetear num dos grandes dedos. No instante seguinte, surgiu a xerife escondendo-se atrás da mão gigante para atirar. BANG!

– Headshot. — Caitlyn falou, retornando para trás da tenda e recostando-se de olhos fechados, esperando a respiração se acalmar. Vi fazia o mesmo, mas desencostou-se da parede e fitou a xerife.

– ...a gente vai conversar sobre isso, viu? — a xerife falou, acusatória, abrindo apenas um olho para focar Vi, dando a certeza de que era com ela o assunto.

Os batimentos se estabilizavam.

– Por que... Por que você se meteu no meio de um tiroteio... Pra me ajudar?

– Você definitivamente não é uma policial... Mas você tá na minha equipe.. E, na minha equipe, eu não costumo deixar ninguém pra trás. — ela abriu os olhos. Silêncio. — ...além disso, é o meu dever.

O comunicador soou.

– Xerife Caitlyn! Xerife! Está tudo bem? Responda!

Ela pegou o comunicador, cansada; olhou para ele... Depois respondeu.

– Ok, está tudo certo... Preciso dos peritos aqui. Chame-os e vamos esperar que cheguem, depois vamos todos embora.

CONTINUA

Notas finais
"Trabalho em grupo" funciona de forma bem diferente para as gangues que ameaçam Piltover e para a polícia que a protege. A regra das ruas é clara: cada um por si, mas todos juntos quando a questão envolve dinheiro, poder ou outras intenções das partes relacionadas. Quem não consegue se garantir é deixado para trás e leva a pior, como uma otária aí que se meteu numa mina caindo aos pedaços enquanto sua gangue fugia com o produto do roubo... A louvável polícia da cidade prima por sua organização e trabalho em equipe, registrando sempre o menor número de adversidades possível entre as missões. Agora, a veterana do crime e a arauto da justiça de Piltover terão que cooperar para que esta nova parceria funcione... ou tudo voltará às cinzas novamente. Céus, ideias a mil aqui, espero conseguir colocar tudo no papel da forma que eu imagino as cenas da história! (rs) Este capítulo, ao final, ficou muito longo, portanto dividi-o em duas partes, de forma que quem estiver lendo não se canse ou não disponha de tempo para terminá-lo. A boa notícia: duas postagens essa semana!