Piloto - 1 Temporada
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1 -
- O que é? Você invade minha casa, no meio da noite, e espera que eu caia na estrada com você?
- Você não me ouviu, Sammy? Papai sumiu. Preciso de ajuda.
- Você se lembra do poltergeist em Amherst? Da Porta do Diabo em Clifton? Ele sumiu lá também. Ele sempre some e sempre está bem.
- Não por tanto tempo. Você vem ou não? – perguntou se virando para o irmão mais novo, assim que chegaram ao pé da escada que dava para uma sala escura.
- Eu não vou.
- Por quê?
- Jurei que não ia mais caçar.
- Ahh, por favor. Não era fácil, mas também não era ruim. – fez cara de deboche e voltou a andar em direção ao corredor que daria acesso à garagem, onde estava estacionado o Impala.
- É? Quando contei ao papai que tinha medo ele me deu uma arma.
- E o que queria que ele fizesse? – perguntou se virando para o irmão, que já estava ao seu lado prestes a entrar na garagem.
- Dean, eu tinha nove anos. Ele deveria ter dito para eu não ter medo do escuro.
- Não ter medo do escuro? – perguntou – Você deveria ter medo do escuro. Sabe o que tem lá.
- É, eu sei. Mas o jeito como ele nos criou depois que a mamãe morreu. A obsessão dele em achar o que a matou. E nunca encontramos essa coisa maldita, daí matamos qualquer coisa ruim que encontramos.
- Tem muita gente que faz o mesmo.
Foi instalado um silêncio tenso, que durou apenas alguns segundos.
- Acha que mamãe ia querer isso para nós?
Dean revoltou-se e abriu o portão, indo em direção ao seu carro.
- Treino com armas? Derreter prata para fazer balas? Olha Dean, fomos criados como guerreiros.
- OK, e o que você vai fazer? Querer uma vidinha normal, é isso?! – perguntou se virando para o irmão.
- Não, Dean. Normal, não. Segura – disse seguro de suas palavras.
- Foi por isso que você fugiu?
- Eu me mudei para estudar. Papai disse que se eu fosse, que não voltasse. – Disse para o irmão que tinha um semblante de raiva. – É o que eu estou fazendo.
- É, mas dessa vez, nosso pai tá em perigo, se é que já não está morto. Eu sinto. – falou controlando a voz. Formou-se mais um momento tenso – Não posso ir sozinho.
- Você pode sim – falou o mais novo, com cara de quem estava lendo seus pensamentos.
- É, eu posso. Mas não quero – disse virando o rosto e deixando seu olhar vago.
Sam inspirou profundamente e logo em seguida soltou todo o ar.
- O que ele estava caçando? – Perguntou, alcançando o olhar do irmão.
Dean abriu o porta-malas e a garota saiu do banco traseiro, onde estava deitada ouvindo a conversa.
- Olá – falou ela.
- Hmm, oi – disse Sam questionador.
- Sam, essa é a Michelle. Estava caçando comigo e com o papai. – falou apresentando a garota morena e com belos olhos castanhos.
- Você é caçadora?
- Pois é. O que posso fazer?! – perguntou rindo
- Ok. Onde eu coloquei aquilo? – Dean perguntou para si mesmo, mudando notavelmente de assunto.
- Quando papai saiu, não te deixou ir com ele?
- Eu estava em outro trabalho. Um vodu em New Orleans. – falou distraído, procurando o que tanto queria, causando um pequeno riso em Sam.
- Papai te deixou caçar sozinho? – perguntou risonho, causando risos na garota e atraindo um olhar espantado do irmão.
- Tenho 26 anos, OK?! – respondeu se virando para o carro
- Mas, tem mentalidade de 17. Sabe, adolescentes com hormônios a flor da pele. – alfinetou Michelle rindo e provocando mais risos no mais novo. Dean lhe lançou um olhar matador.
Mais alguns segundos e Dean encontrou um papel amarelo.
- Achei – falou orgulhoso – Papai estava investigando uma estrada em Jericho, Califórnia. Há um mês, este cara desapareceu – falou entregando o papel com a foto do rapaz – Acharam o carro, sem ele.
- Quem sabe ele foi sequestrado.
- É, outro em Abril, Dezembro, 2004, 2003, 1998, 1992...
- Dez, nos últimos vinte anos – completou a garota – Todos homens, num trecho de 8km de estrada.
- Começou a acontecer cada vez mais e papai resolveu investigar – continuo o mais velho, enquanto Sam e Michelle o observavam mexer no porta-malas. – Isso tem umas três semanas. Não deu mais notícias, o que é ruim. Então, ontem, recebi essa mensagem de voz. – falou ligando o gravador, todos prestavam atenção na voz de John:
Dean. Alguma coisa. Acontecendo. Acho que é grave. Preciso descobrir o que é. É preciso, muito cuidado. Todos corremos perigo.
- Descobriu algo nela? – Disse, lançando um olhar para o irmão.
- Nada mal, Sam. Não perdeu o jeito – respondeu risonho, provocando risos na garota. – Eu diminui a rotação e processei a fita. Tirei o ruído e veja só o que achei – continuo olhando o irmão mais novo.
Não posso mais ir para casa.
- Não pode mais voltar para casa. – repetiu Sam, erguendo as costas, enquanto Dean e Michelle fechavam o porta-malas.
- Em quase dois anos, nunca te pedi nada. Nada – falou se sentando meio encostado no capô.
Sam arfou por mais duas ou três vezes, olhou para a escada e disse:
- Tudo bem, eu vou. Vou te ajudar. Mas preciso voltar até segunda. Espere aqui.
- Por que segunda? – Perguntou Michelle.
- Tenho uma entrevista...
- Emprego? Falta – falou Dean, interrompendo o irmão.
- Pra faculdade de direito. É meu futuro.
- Direito? – Perguntou Dean debochado
- Combinado, ou não?
Dean engoliu a seco.
- Sim – respondeu Michelle sorrindo.
Sam guardava uma mini foice quando foi surpreendido por Jessica:
- Espera. Vai viajar? É o seu pai? Ele está bem?
- Sim, só um drama familiar. – respondeu sorrindo enquanto pegava mais coisas no armário.
- Seu irmão disse que ele saiu para caçar. – disse a garota enquanto se sentava próxima a mochila de Sam.
- Foi caçar veados, deve ter levado algumas garrafas, e agora está lá bêbado. Só vamos trazer ele de volta.
- E a sua entrevista? – Questionou a loira, atraindo o olhar de Sam.
- Eu vou à entrevista. Isso leva poucos dias – disse pegando a mochila e a depositando em outra mesinha.
- Sam! Olha, por favor. Para um pouco – disse exaltada, seguindo o namorado. – Você tá bem, mesmo?
- Eu to bem – falou rindo.
- É que... Você nunca fala da sua família e de repente sai no meio da noite para passar o fim de semana com eles... E segunda-feira você tem algo importante
- Vai ficar tudo bem. Não se preocupe. Eu volto a tempo, eu prometo.
Sam beijou a bochecha da namorada e saiu
- Pelo menos me diz aonde vai.
Notas finais
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