Pills Of Happiness - Interativa

10 Capítulo 2 - Welcome to William Penn! Parte II


Notas iniciais
"Eu posto o próximo amanhã". NO ANO SEGUINTE eu postei :s Me desculpem, mas quando eu fui terminar o capítulo tive um bloqueio daqueles, que nem GG, TW ou Glee conseguiram reverter :( De qualquer modo, aqui está a att, espero atender as expectativas haha, Feliz Natal filhinhos, e um Ano novo maravilhoso! Moreees, essa sexta sai o resultado da UFPR, e se eu não passar vou ter que parar maaaaais um torturante ano, então torçam por mim, pfvvv

Como de costume, a avó de Charlie a deixou bem cedo no colégio, sabia que a neta gostava de estar sempre adiantada, então lá por 7:48 a garota já estava na frente de seu armário, organizando seus livros para o novo semestre.

Já fazia cerca de um ano desde que Charlie começara a estudar na William Penn, por causa da mudança para a casa de sua avó, mas foi somente naqueles últimos meses que começaram a notar que Charlie precisava de ajuda para lidar com seu fatídico passado.

A ruiva não conseguia para de pensar em como seu pai, o homem que mais amava e confiava em todo o mundo, fora se transformar naquele tipo de monstro. Falar de problemas paternos com Charlie era quase uma piada, e por mais que o odiasse mais do que tudo, não podia negar as suas raízes. Sua única esperança ainda pairava no possível resultado que o grupo de apoio poderia trazer.

Charlie suspirou um pouco alto demais quando notou que sua primeira aula seria Química I, ela era com certeza uma pessoa de humanas. Exatas e biológicas nunca lhe agradaram muito, cursava algumas para ter mais chances de entrar para a faculdade.

Caminhando lenta e desanimadamente para sua aula, a garota olha de soslaio o mural de avisos, várias coisas passaram por sua cabeça, principalmente a imagem da sua avó quase implorando para que a neta se inscrevesse no GAPS&D. Quase que sucumbindo ao estresse e principalmente a vontade de sua avó, Charlie caminha bufando até o mural.

–-

Há poucos meses, lá pelas 7 da manhã, Erik corria para o mar junto ao seu pai, em busca da onda perfeita. Hoje, o rapaz está no metrô, com Lithium do Nirvana no volume máximo em seu fone de ouvido. Ainda era muito difícil para Erik, ir do paraíso havaiano até a gelada Filadélfia, além da mudança brusca de temperatura, seu humor vivia em uma oscilação assustadora que o fazia ir de I Hate Myself and Want to Die do Nirvana para Happy do Pharell .

Desde sempre o garoto se parecia com o seu pai no quesito humor, era um grande piadista, mas desde que chegou na Filadélfia esse seu lado parecia estar morrendo aos poucos, assim como seu afeto.

Sua tia faz de tudo para que Erik se sentisse em casa, e por mais que o garoto queira demonstrar a ela sua gratidão, entrando no tal grupo de apoio, ele não se sente confortável com a situação. É como se a sua alma estivesse morrendo, junto com a sua família. Um sentimento inexplicável surgiu dentro de Erik durante as semanas seguintes do enterro de seu pai, era uma mistura de melancolia com solidão e provavelmente muito ódio. A cada dia, esse sentimento esquisito só aumentava, e por mais que soubesse que seria muito melhor se pudesse falar sobre isso com alguém, Erik simplesmente não conseguia.

Era como se tentasse falar em baixo da agua, as palavras até saiam, mas não havia coerência entre elas.

Quando finalmente chegou em sua estação, Erik resolveu considerar o grupo de apoio. Ora, vai que escutando sobre os problemas dos outros não torne mais fácil para o garoto poder expressar os seus próprios?

E mesmo indo contra os seus princípios, Erik decidiu que na primeira oportunidade iria se inscrever no grupo. Não porque ele queria, mas porque era o mais sensato a se fazer.

–-

Lá pelos 16,17 anos é bem comum a maioria dos adolescentes terem arrumado algum tipo de emprego, Avery começou bem mais cedo do que isso, e no ramo que segue se dá muito bem. Se sustenta desde que tem 15 anos, comprou e reformou o próprio carro, um Impala 67 preto, além de se tornar a maior traficante do distrito com menos de 18 anos.

Cerca das 5 da manhã, Avery já estava acordada, se arrumando para sair correndo fazer uma pequena entrega antes da aula. Raramente ela vestia alguma coisa colorida, usava tons de cinza e principalmente preto, de colorido já lhe bastava o cabelo. Legging, jaqueta de couro, touca, coturno, e luvas todos pretos, davam um contraste deslumbrante aos cabelos que atualmente estavam azuis e verde.

A garota se esquivou de seu quarto sem fazer nenhum barulho, deixou uma nota de 10 dólares na bancada da cozinha, para que a vagabunda de sua mãe pudesse comprar alguma coisa para comer.

Pegou o molho de chaves com o maior cuidado, já que qualquer tipo de barulho podia acordar a sua mãe. Ao encaixar a chave da porta para a garagem na fechadura, Avery escutou um rangido, olhou para a porta da cozinha com receio, e lá estava Sharon com a nota de 10 nas mãos encarando a filha.

– Não sei se 10 paus vão servir hoje.

– Vai ter que servir. – A garota respondeu puxando a porta bruscamente. – É tão engraçada essa nossa situação não é?

– Não vejo o porque disso ser engraçado.

– Mas é claro que é, acompanhe a minha linha de raciocínio. – Avery exclama com um sorriso debochado nos lábios. – Quem devia trabalhar para cuidar da casa e da filha, deveria ser você enquanto eu pediria dinheiro para o almoço.

– Somos uma família moderna. – Sharon contestou acendendo um cigarro e colocando os 10 dólares no balcão novamente.

– Então aproveite essa coisa de família moderna, porque vai acabar logo. – A garota teve vontade de gritar. – Quando o ano terminar, e eu finalmente for para a faculdade...

Antes mesmo que Avery pudesse terminar a frase Sharon começa a rir de modo assustador, e notando a expressão de confusão no rosto da filha, parou por um instante.

– Nós somos as Pierce minha querida, o máximo que você vai fazer na faculdade é vender para universitários, porque você nunca vai ser uma.

– Não duvide de mim. – Avery falou com tal ódio em sua voz que pareciam espinhos atingindo sua mãe. – Eu vou sair desse lixo até o fim do ano, e então voce vai estar sozinha pra sempre, a não ser por parte dos seus... Companheiros.

– Você é tão mal agradecida por eu ainda estar aqui! – Sharon berrou se aproximando da filha. – Se ao menos soubesse como é o outro lado da sua suposta família, teria orgulho de onde veio!

– Cala a sua boca! Você nem sabe quem é o meu pai! Deve ter dado para toda a Filadélfia. – Avery jogou sua mochila dentro do carro. – Sei que aquele dinheiro que depositam na minha poupança não vem dele, é de só um idiota riquinho que você chantageou.

– Mas é claro que eu sei quem é o seu pai! – Sharon continuou gritando com a filha. – É por isso que eu falo que você está melhor aqui, comigo.

Aborrecida, e completamente desgastada Avery simplesmente entrou no carro, e enquanto o portão da garagem abria, gritou para sua mãe:

– Não é bem você que deveria decidir isso.

–-

Alex acordou preparado para a volta as aulas, geralmente levanta lá pelas 6 horas, entretanto hoje ele havia levantado mais cedo, iria se encontrar com uma amiga para tomar café. Como de costume, tinha comprado uma camiseta de banda nova para usar na volta as aulas, a escolhida desse semestre foi May Blitz, a sua banda de Heavy Rock britânica favorita.

Deixou um bilhete para o seu pai, avisando que não tomaria café em casa e entrou em seu carro, um Maverick azul claro enferrujado, que um dia fora o sonho de consumo da versão adolescente da sua mãe, ou era pelo menos o que seu pai havia lhe falado.

Dirigiu um pouco ansioso até o Starbucks em Riverfront, um pouco mais afastado da escola por motivos de possíveis flagrantes. Estacionou o Maverick na rua, vestiu sua jaqueta imensa e caminhou um pouco nervoso para dentro do Starbucks.

Foi extremamente fácil encontrar quem procurava lá dentro, afinal, ela era a única pessoa com um visual bem peculiar como aquele.

A garota de cabelo azul e verde levantou a cabeça e esboçou um sorriso com o canto dos lábios, e apontou para a cadeira na sua frente.

– Piper, escolheu um lugar bastante diferente desta vez. – Alex exclamou se sentando. – O que tem para a minha pessoa hoje?

–Que tipo de amiga eu seria se não lhe comprasse um moccacino e alguns donuts para viagem? – A garota lhe estendeu um pacote.

Alex encarou os olhos azuis acinzentados da garota e sorriu, pegando o pacote e espiando o que havia dentro dele. De fato, tinha um mocaccino grande e uma caixinha com 3 donuts, e é claro, um plástico com aproximadamente 40g de maconha.

O garoto tirou algumas notas da carteira, a mesma quantidade que sempre pagava e entregou para ela.

– Sempre bom te ver no café, Alex. – Ela falou se levantando sorrindo para ele. – Infelizmente tenho que ir correndo para a aula, esse semestre é tudo ou nada certo?

– Claro. – Ele retribuiu o sorriso. – Te ligo para combinar o nosso próximo café ok?

– Quando quiser. – A garota riu saindo do café.

Alex a acompanhou com o olhar, viu ela entrar em seu carro, um antigo e preto e esperou mais alguns minutos para sair do café e voltar ao seu carro.

Colocou o mocaccino no porta copos e abriu a caixinha de donuts, tirando de lá o pacote com maconha, e com cuidado enrolou algumas gramas em um pedaço qualquer de papel e o acendeu. Nada daquilo era para o deixar chapado, apenas o suficiente para ver o lado bom de entrar para o tal grupo de apoio, e quem sabe chegar mais animado na volta as aulas.

–-

Erik já havia se inscrito no tal grupo de apoio, e correu para sua aula de biologia I, não queria começar seu primeiro dia de aula em uma escola nova se atrasando. Sentou no penúltimo par de carteiras, a única completamente vaga, jogou sua mochila no chão e tirou o livro de Biologia, enquanto batia os pés na carteira da frente ao ritmo de Walk do Foo Fighters .

– Cara, pode parar com isso? – Um garoto todo tatuado se virou para trás um pouco irritado.

Erik tirou os fones de ouvido e tirou o pé da cadeira.

– Foo Fighters? Já escutei coisa pior. – O garoto riu. – Sou Noah, e você é o novato certo?

– Erik. – O garoto corrigiu sem achar graça em nenhuma palavra que Noah disse. – O que acha do colégio?

– Desse inferno? Bem, já vi piores para falar a verdade. – Noah responde virando a cadeira para o lado. – O segredo para se dar bem aqui é aprender a diferença entre popular e popular por associação, sabendo isso já é meio caminho andado.

– E qual é a diferença? – Erik questionou rolando os olhos.

– Você pode até falar com alguém popular, mas só por esse fator você é popular por associação, o que na verdade significa que você ainda é um João ninguém. – Noah sorriu. – Você só é popular se fizer por merecer, acredite em mim quando eu digo, que nesse colégio é quase impossível.

– E você se considera popular por acaso? – Erik bufou.

– Se eu fosse popular, não estaria falando com você agora. – Noah sorri novamente. – Jesus! Parece que alguém está nervosinho, quer alguma coisa para se acalmar?

– Não sou muito de maconha, acho que ela só deixa as pessoas mais lesadas do que já são. – Erik disparou enquanto o professor entra na sala. – Não leve para o lado pessoal.

Noah encarou o garoto como se não entendesse a referencia, arrumou novamente a sua cadeira e soltou uma risada debochada.

– Má escolha cara.

–-

Cerca das 9 horas da manhã, Jean Royce, a psicóloga do William Penn e responsável pelo grupo de apoio, passou pelo mural de avisos analisando a lista de inscrições. Era um total de oito assinaturas, o maior número que o colégio conseguiu em cerca de 17 anos.

A história do programa é muito antiga, o William Penn foi uma das primeiras instituições da Filadélfia que aderiu ao Grupo de Apoio, por motivos de saúde mental.

Na década de 80/90, era cada vez mais comum ter conhecimento sobre jovens adeptos ao suicídio e a depressão, em 1994 particularmente foi um ano alarmante principalmente por causa do suicídio de Kurt Cobain.

Até mais ou menos 1998, William Penn era reconhecido em todo o país como uma das melhores instituições para o auxilio de jovens na reintegração a sociedade. Muitos psicólogos e profissionais atuavam no programa, trazendo conforto e uma sensação de segurança aos pais.

Porém, em outubro de 1998, foram descobertas várias irregularidades quanto ao programa, bem como um comportamento diferente dos alunos. Primeiro foi uma chacina dentro do antigo prédio, feito exclusivamente para o programa, onde uma garota chamada Harmony O’Connor assassinou a sangue frio outros seis colegas que também faziam parte do grupo de apoio. Após a investigação da polícia, foram descobertos objetos de tortura dentro do prédio, como o desfibrilador e camisas de força.

O prédio que servia de sede para o Grupo de Apoio era usado como um manicômio com alguns alunos, logo a polícia sugeriu que esta era a razão de tal eficácia do grupo de William Penn, embora os psicólogos que trabalhavam lá negassem que essa era a razão da eficácia, nada foi comprovado. E o William Penn voltou à penumbra, sendo criticado sempre que possível.

Atualmente, o prédio que ladeava o edifício principal, está sendo transformado em uma piscina, e o projeto do Grupo de Apoio foi perdendo sua importância ao passar dos anos, poucos eram encaminhados para lá, apenas com ordem da justiça ou muita pressão familiar.

Jean analisou a lista por alguns segundos e pegou seu celular, digitou alguns números rapidamente e se aprontou:

– Por enquanto são 8, duvido muito que alguém mais se inscreva, mas já vá preparando tudo para mim, e se mais alguém ficar sabendo, vá preparando o enterro.

Notas finais
O que acharam??? Mais uma vez, me desculpem pela demora, sei o quanto isso é ruim hahaha Xoxo