Pig Pink

2 Pessoas em Aeroportos são Estranhas


À sua esquerda, nos longos bancos de madeira, sentados, aguardando sabe-se lá o quê, um coco dividia espaço com um zumbi.

Bom, quase isso. O sujeito pálido com sorriso de formol, talvez um mochileiro, havia acabado de pousar a comprida mala de camping no chão, deixando pra cima da altura do banco apenas o suficiente para lhe servir de travesseiro, enquanto esticava o resto de si sobre o banco e dane-se quem pretendesse sentar. Ele dormiu tranquilamente, deixando não mais que o espaço de uma nádega, uma magra nádega, para o pobre sujeito de camisa floral verde e cabeça de coco (parecia ser um corte tigelinha, tinha quase certeza, mas ainda podia ser um chapéu). Aquilo parece não tê-lo incomodado, porque o sujeito decidiu que testaria quanto tempo conseguiria ficar na posição de sentado sem ter algo real para apoiar-se.

Claro que ela só soube que era isso que ele estava fazendo porque o rapaz o anunciara em alta voz, fazendo alguns outros perdidos se achegarem pra fazer apostas e tirar fotos.

Pessoas fazem coisas estranhas em aeroportos...

Decidiu continuar andando.

Os guinchados causados pela borracha de seus tênis novos a estavam deixando nervosa. Parou para olhar em volta no barulhento, cheio e acinzentado saguão do aeroporto pela milésima vez, à procura da tonta da sua irmã. Infelizmente, tudo o que via eram estranhos, mais estranhos e muito estranhos e as incômodas paredes brancas, combinando com o encerado chão cinza claro.

Oras, era dezembro! Pleno Vinte e cinco de dezembro: Natal! Onde estavam as guirlandas e papais noéis... noéus... enfim!

Qualquer coisa colorida servia...

Querendo ou não o único alívio para seus olhos sedentos por cor eram os anúncios e propagandas. Mas mesmo assim, eram meio sem graça, com não mais que um ocasional vermelho pra destacar as palavras na frente daquela gente sorrindo. Os melhores eram os de comida... Pro seu azar, justo estes foram reduzidos às paredes de seus respectivos quiosques. Algo a ver com a poluição visual. Eles não percebiam que "sujeira" é cinza? Por que banir logo as outras cores, o que elas fizeram de errado?!

Nossa, pensou consigo mesma... sua mente ia tão longe quando ficava nervosa.

Bufou, coçando o nariz com a manga do moletom marrom. Afinal, onde é que ela foi?! A loira insistira em "ir até ali", tomar um café antes de seguirem até o ponto de encontro e nunca mais voltou. Sentiu falta do som dos passos guinchados. Percebeu que gostava de ouvir os tênis novos cantando, pois os comprara especialmente para aquele dia.

Decidiu voltar a andar pra não passar mal de nervosismo. Não que houvesse tanta necessidade de alarde... era só um aeroporto... cheio pessoas que ela não conhecia... grande demais para avistar aquela cabeleira loira disfarçada de gente em qualquer parte.

E ela estava agora... sozinha.

De novo: Pessoas fazem coisas estranhas em aeroportos...

Pessoas em aeroportos são estranhas.

Tinha aquela faxineira novinha (pelo menos da sua idade) que não fizera nada além de mexer no celular apoiada naquele cestão de rodinhas. A vassoura e o esfregão novinhos estavam intactos. De dois em dois minutos alguém anunciava a necessidade de limpeza no corredor Y, poça de água da chuva no saguão Z, mas lá estava ela, inabalada, mudando de posição bem ocasionalmente, só quando precisava ajeitar os óculos sobre o rosto, mandando mensagens com a seriedade de, bom... de alguém sério.

Não conhecia muita gente séria. Não gostava de gente assim.

Ah! E tinha aquele pedinte! O pedinte era ótimo. Não era um mendigo porque não parecia ser de rua, mas usava roupas desleixadas, tênis velhos, tudo coberto por um lençol desgastado que o rapaz arrastava de lanchonete em lanchonete, sacudindo o cabelo loiro e arrepiado de tempo em tempo, feito criança que overdose de açúcar. E ele pedia um lanche pra cada indivíduo que se aproximasse do quiosque. Quando não tinha ninguém, ainda fazia questão de atormentar a menina dos lanches com sua fome interminável. Ela o mandava vazar, mas depois se arrependia e deixava um prato com um salgado no canto, atraindo-o como se atrai um cão perdido.

Cão.

Tinha um enorme lá, em algum lugar. Não sabia bem onde estava, se dentro ou fora do aeroporto, se preso ou solto, mas o bicho latia que fazia o teto tremer. Inclusive, quando chegaram, antes de sua irmã desaparecer, elas viram um cara lindo, de blazer cinza bem ajustado, blusa preta, jeans escuro e all-stars pretos (Ino o achara lindo. Ela achara muito... monocromático) ralhando com um outro sujeito, um rapaz moreno de moletom marrom GAP (olha, era igual ao dela! Quase. As letras do dela eram rosa. As do dele... não.) a respeito do bicho, dizendo qualquer coisa como não poderem entrar por culpa dele. Dele, o dono, ou dele, o cachorro, não importava. Talvez a culpa fosse dos dois.

Pegou seu celular pra conferir as horas. Faltava pouco. Seu coração disparou e ainda não estava nem perto do ponto de encontro!

E se perdesse a chance? Talvez devesse pegar um carrinho pra pôr as malas e esperar na fila do check-in que nem a maioria, mas aquilo seria meio inútil sem a bagagem da mais nova... Digo, e se a fila anda e chega na vez dela e a atendente pergunta algo que ela não saiba responder e...

"Atenção! Atenção, por favor! A Hokage Airlines anuncia a partida do vôo..." e o resto não a interessava mais. A voz feminina dos auto-falantes logo terminou de dar seu recado, fazendo-a soltar todo o ar de uma vez, aliviada. Por um instante pensara que perdera a hora. Resolveu andar mais rápido.

Ajeitou o capuz por sobre a cabeça, tentando mantê-lo próximo às bochechas. Era frio lá dentro, muito mais do que havia imaginado meses antes, quando resolveram aceitar a proposta do Kei.Bii.

"K.Bee!" Corrigiria Ino se estivesse por perto, ainda que a pronúncia fosse exatamente a mesma. "De Killer Bee! Vamos fazer collab com o astro, e você nem pra saber pronunciar o nome!"

"Ah, vai chafurdar, Porca!"

E porque sua mochila estava tão pesada?! O que Ino colocara ali?

Uma menina passou em disparada na sua frente, deslizando pelo restante do corredor até marcar o chão durante uns três metros. A tal faxineira soltou um palavrão tão feio que a criança virou o rosto e arregalou os grandes olhos perolados em slowmotion. Foi engraçado. Assim que os pais chegaram, a zangada moça finalmente guarda o celular, põe a redinha no cabelo ruivo e começa a limpar freneticamente o chão, como se fosse a faxineira mais eficiente do mundo e ninguém pudesse dizer o contrário. Espantados olhos rosados no ton dos cabelos, se escondiam atrás dos óculos. Parecia até que estava com medo dos pais da menina.

Outro anuncio pipocou dos auto-falantes. Dessa vez o susto a fizera dar um pulinho. Outra voz feminina informando algo que não a interessava.

Faltava menos de cinco minutos.

Café.

Precisava de um café. Agora.

Caminhou até a lanchonete mais próxima de si (e a mais afastada do loiro mendiguento). Pediu um café com leite grande, arrependendo-se segundos depois, quando abriu a carteira e teve que dar o tudo o que estava dentro em troca do elixir sagrado. Agora estava nervosa em dobro. Nervosa de ansiosa e nervosa de brava. Não gostava de sentir o dinheiro sair. Dinheiro devia entrar e ficar, que nem tinta de cabelo. Porque a tinta sai?!

O despertador que programara no celular o fez vibrar. Seu tempo acabara. Ela teria que ir, Deus a perdoe, sem a Ino. Talvez fosse sensato escrever um testamento antes.

Mas primeiro... informações.

"Com licença, mas onde fica a Bomboniere?"

A moça da lanchonete arregalou o par de olhos perolados e parou estática, abrindo e fechando a boca sem nada dizer, como se ela tivesse acabado de perguntar "Isso é um assalto, pode passar a grana?"

"Ah,não se preocupe, é só tinta..." disse, abaixando o capuz e sorrindo reconfortantemente. "Todos acham que é natural, mas é que eu escolho a cor muito bem."

"O que te faz pensar que ela se assustou com a cor do seu..." então um monocromático rapaz (ou melhor, O rapaz, aquele de blazer cinza, blusa preta e jeans escuro que Ino achara gato), sentado ali ao lado, se virou e arregalou os olhos. "...cabelo... rosa."

"Muito rosa..."

"Muito rosa." concordou e lhe estendendo a mão quase branca. Não conseguia evitar pensar que aquele cabelo liso e arrepiado atrás ficaria tão melhor de vermelho, ou azul ou... bom, qualquer coisa menos preto. "Primeira vez no aeroporto... ahn...?"

"Sakura."

"Prazer. Uchiha. Sasuke Uchiha." e os olhos eram mais pretos ainda! E a pele branca! Como pode uma única pessoa viva ver tão sem graça?!

"Sim, primeira vez no... ahn... aeroporto." depois de uma breve pausa, perguntou "Você é alguém importante? Ou filho de alguém importante?"

"Mais ou menos. Por quê?"

"Você me deu primeiro o sobrenome. Só gente que se acha importante faz isso por aqui."

"Ok... você já deixou claro que não sou importante. Tudo bem, eu respeito isso..." e ele riu "Sem ressentimentos."

Era até simpático. Pra um... monocromático. Mal podia esperar pra ver a cara da Ino quando ela ouvisse que...que...

Que som era aquele...?

No matter if you're right

No matter if you're downI'll be by your side"

Música.

Os tectectec das plaquetas cessavam. O barulho de digitação e conversa do check-in diminuía. O volume foi aumentando, permitindo uma batida ecoar por todo o saguão. Sakura e Sasuke se levantaram e até as meninas das lanchonetes saíram para ver. E bem ali no meio do liso chão, uma moça bonita, de pele clara, longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, a franja cobrindo uma testa tão grande quanto a de Sakura e olhos azuis (os olhos salvavam ela) dançava em pleno aeroporto.

"Crazy love, crazy you

Hold me like you never doTake me easy, take me slowDon't you ever let me go"

Era alta, com uns vinte anos, e a cada passo de dança, brincava com suas roupas. Retirou a mochila, jogando-a para debaixo dos bancos de madeira. Depois a echarpe, girando o comprido tecido ao redor do corpo feito uma ginasta. Então a jogou pra longe que nem a mochila, dando passos de um lado pro outro, ambas as mãos na cabeça e rebolando, os cabelos voando ao movimento.

"Crazy love, crazy you

Hold me like you never doTake me easy, take me slowDon't you ever let me go"

Dois seguranças apareceram, pedindo aos passageiros que abrissem caminho. A garota jogava os braços para cima, mexendo os quadris com a batida, girando e mexendo os longos cabelos de um lado pro outro a cada "Low, low, low, low" cantado. Os dois fizeram menção de tocá-la no ombro quando...

Dum... dum... dum... dum... a música pára, muda...

"If this was the last dance of the night

Will you join me 'til the morning light?Dance the night away cause it feels rightYou can't stop me, no-o-o"

"If this was the last dance of the night

Will you join me til the morning light?Dance the night away cause it feels rightYou can't stop me, no-o-o"

E os braços dos três: doida dançante e seguranças começam a se mexer como ondas ao som, começando do meio da menina e viajando por seus braços, até passar ás mãos dos seguranças, o resto deles. Então, Dum!

Os três erguem os braços e marcham pelo saguão, jogando o punho pra direita, pra esquerda, ajoelhando e tocando no chão, então levantando, agitando braços e pernas, cada movimento tão sincronizado que poucos ali acreditariam que não haviam treinado juntos.

Só havia uma explicação para aquilo.

Flashmob.

Ou melhor... FlashmoBee!

Sakura pegou seu celular e começou a filmar. Sasuke fez o mesmo. A maioria que não correra pra pegar o próximo vôo já batia palmas e gritava/cantava enquanto umas vinte pessoas, muitas no meio, outras espalhadas pelo saguão e entre os cidadãos comuns, dançavam frenética e sincronizadamente.

Os comuns começavam a abrir caminho e a puxar seus pertences para mais perto de si. Qualquer um podia ser parte daquilo. Havia uma movimentação vinda das filas do check-in e das lanchonetes. As luzes de lá piscavam com as palmas, como na balada e em quem eles tocavam, fosse velho, novo, bem vestido ou discreto, começava a dançar a coreografia como se aquilo fosse mais um dia de férias: Acordar, tomar o café, dançar no aeroporto e seguir viagem.

A menininha que sujara o chão surgiu correndo e pegou a redinha de cabelo da faxineira que a perseguiu por metade do saguão enquanto a criança fuigia. O cara com cabeça de coco começou a ficar sem atenção para seu recorde de quase dez minutos na posição de sentado sem ter banco pra se apoiar. Então ele descruzou os braços e começou a balançar a cabeça. Ele socou os pés do mochileiro zumbi para fora do banco, acordando-o, e se levantou, andando na direção da moça dançante e dos seguranças. A menininha e a faxineira estavam se aproximando rápido. O mochileiro foi até ele irritado, prestes a socá-lo quando, Bum! A música mudava, entrando em slowmotion, assim como todos ali, dançarinos, turista, mochileiro, menina e faxineira, todos balançando todo o corpo para trás, pegando impulso e acelerando com o retorno do ritmo, todos os que estavam dançando jogaram a onda para frente, fazendo os quatro estressados pularem pra trás como se tivessem recebido um impacto e então...

"Rock you body..."

Cada um parou em uma pose diferente, mas todos estalavam os dedos. Andando e desviando dos dançarinos como Sakura desviava de sua mobília em casa, o pedinte loiro seguiu tranquilamente até o meio do saguão, onde a menina se mantinha de braços cruzados, na pose de gangster. Pegando seu lençol e jogando em cima dela, ele estala os dedos e os seguranças que haviam dançado com ela retiram-na de lá. Na segunda frase, a maioria das pessoas do centro se abaixou, deixando não mais que o loiro, o coco, o abacaxi, um gorducho e cara do moletom GAP igual ao dela.

"Everybody

Rock your body right..."

"Ah, não...!" resmungou Sasuke.

"Ahhh, siim!" Sakura começou a soltar aqueles gritos agudos, imitando as mulheres do andar de cima, que assistiam a tudo de camarote.

"Backstreet's back alright!"

E num salto, todos os dançarinos se colocaram de pé, e mais uma dúzia de pessoas que estavam misturadas com os civis entraram para a coreografia, marchando onde estavam com o punho direito no meio da testa. Lá no saguão, três garotas e dois homens começam a se mexer, seguindo os mesmos movimentos dos seguranças. Eles chegam dançando até o meio, de hora em hora mexendo os braços em onda e tocando em alguém aleatório, fazendo-o começar a se mexer até entrar na coreografia.

Já estava na casa das centenas a quantidade de dançarinos ali disfarçados e eles começavam a fazer a coreografia nas escadas, o que indicava que logo, logo, o andar de cima seria o próximo.

"Ahh, que nervoso!" exclamou uma moça perto de Sasuke. "A gente nunca sabe quem vai começar a dançar, não é querido?!"

E o homem ao lado dela ri alto, ajeitando o terno e passando a mão pela juba branca que mantinha presa em um rabo de cavalo.

"Sabe o que mais, querida? Às vezes a gente sabe."

E o sujeito começou a dançar, arrancando gritos histéricos da mulher e de suas amigas, ensurdecendo-os do lado esquerdo. Sakura também as imitou ensurdecendo o lado direito. O tal Uchiha deu um salto com o susto. Ela riu. Onde quer que esteja uma Fangirl gritando histéricamente, lá estará a Haruno imitando-a pelo puro prazer de ser capaz de gritar mais alto e mais agudo. O homem de juba branca estende a mão para a menina do quiosque, a que Sakura assustou, e logo ficou claro o porquê dela não saber responder perguntas sobre o aeroporto... todos os outros também formavam duplas.

"Jirayaaaa!!!" gritavam as mulheres enquanto todos os dançarinos se dividiam em duplas, prosseguindo com a dança agora um de frente pro outro.

E cada dupla completava os movimentos um do outro à medida que o remix intensificava, revelando a próxima trilha. Quando se pensava que iam ouvir "Backstreet's back, alright!" uma última vez a música muda para , da Rihanna e, muito convenientemente, sem querer, mas também bem aliviada, Sakura avistou uma Ino acenando freneticamente pra ela do andar de cima.

"I've been everywhere, man

Looking for someoneSomeone who can please meLove me all night longI've been everywhere, manLooking for you, babyLooking for you, babySearching for you, baby"

"Ei, me faz um favor?" pediu Sakura entregando o celular para o monocromático. "...filma pra mim?"

"Where have you been?"

"Claro, por quê?"

"'Cause I never see you out

Are you hiding from me, yeah?"

"Oras..." riu a Haruno. "Porque eu faço parte do flash!"

"Somewhere in the crowd"

E a Haruno arregaçou as mangas, puxando o capuz para cima dos cabelos róseos com um giro dos ombros e entrando na coreografia com a facilidade de quem completa a frase do professor do jardim. Era talvez a parte mais legal do Flash, com muitos movimentos em bem pouco tempo. Sakura abriu os braços e afastou a perna direita, girou o tronco e as mãos por cima da cabeça encapuzada, dobrou e esticou braços e perna várias vezes ao ritmo e tudo com seu novo amigo filmando bem de perto.

"Where have you been?

All my life, all my li-i-i-i-ife..."

"Ótimo!" e eis que o Uchiha se aproximava. Diferente dos outros, que se afastaram para lhe dar espaço quando ela começou, ele chegava mais perto, e, depois de filmar um pouco com ambas as câmeras, as guardou no bolso do blazer e o entregou para alguém, pedindo para que guardasse. "Eu também."

E ambos giraram o braço por sobre a cabeça, batendo o calcanhar no chão ao som de música, gritos e muitas, muitas pessoas dançando junto. Jogaram ambos os braços para a esquerda duas vezes, depois por cima da cabeça enquanto se abaixavam, também duas vezes, e chegando ao chão, afastaram perna e braço direitos, trouxeram de volta, depois perna e braço esquerdos, Deus, aquela era sua parte favorita, se levantaram, duas palmas jogando o quadril pra direita, duas jogando pra esquerda, rebolar enquanto erguem os braços, poses, e então iam pra frente, empurrando os braços e sacudindo os joelhos. Ela fizera aquilo tantas vezes com Ino que quase enlouquecera. Ela e sua irmã tinham facilidade, sim. Mas o Uchiha tinha mais. A diferença entre ligeiras crianças como elas, que sabem completar as frases, o Uchiha, dançando com a facilidade de um professor que larga uma frase para as criancinhas.

E enquanto as pessoas, riam, tiravam fotos, filmavam e se atrasavam e a batida continuava...

"Hey, yo, homens e mulheres prestes, ou não, a embarcaaar!" gritava a voz masculina nos auto-falantes sem abalar os dançarinos "Hoje, 25 de dezembro, o Konoha International Airport orgulhosamente lhes presenteia com FlashmoBee! O Evento surpresa tradição desta querida cidade, perita em atrapalhar seu dia a dia com tanto estilo que você gosta! Yooooo!

E todos começaram a aplaudir, mas ainda não havia acabado.

"Vamos ver se nossos dançarinos fizeram bom proveito de seu tempo pra treinar suas equipes! Com vocês...Os líderes!"

E enquanto a maioria se abaixava por todo o saguão, sacudindo as mãos acima da cabeça numa reverência, não permanecendo mais que dez pessoas de pé, posando para fotos como os próprios Redfoo e SkyBlu no videoclipe. Sakura reconheceu a menina que dançou primeiro, Fuun dos Hime, O velho executivo, Jiraya, dos V.E. (Velhos Executivos, sim é ridículo, mas muito autêntico) e mais à frente, próximo à tal Bomboniere, dançando com bochechas tão ou mais rosas que seu próprio cabelo, a garota dos Ko.Yotes (Konoha Yotes. Não, ninguém sabe o que são "yotes"). Porque ela sempre pulava tanto?

Eram também os mesmos passos do clipe, mas quando começaram a cantar "Girl, look at that body", caixas de papelão foram passadas de mão em mão até chegar a cada um deles, que as colocaram nas cabeças. Havia um rosto diferente pintado em cada caixa. A líder dos Ko.Yotes com "XD", Jiraya com um infame ">3<" e Fuun com um típico "¬¬" de quem não gosta de esconder o rosto.

Aquilo só faria sentido pra quem conhecesse os clipes... pra todos os outros, era só engraçado mesmo.

Não reconheceu os outros e não encontrou alguns que queria ver. Podiam estar momentâneamente fora de sua vista lá no primeiro andar. Não dava pra ver se Ino estava de pé dançando. Seria muita ousadia dela se considerar a líder, mas se uma das duas tivesse que representa-las naquela hora, Sakura realmente preferia que fosse sua irmã.

E se tivesse que haver qualquer carinha na caixa de papelão dela... seria um focinho de porco.

A mixagem passou rapidamente para a batida de de Madonna. E todos os caras restantes de abaixaram e todas as garotas ficaram de pé.

"E com muito orgulho... EEEEELAS!!"

"Hey-ey-ey, hey-ey-ey-ey

Like a girl gone wildA good girl gone wildI'm like

Hey-ey-ey, hey-ey-ey-ey

Like a girl gone wildA good girl gone wild"

Aquela era, para Sakura, a parte mais chatinha de se fazer. Eram os passos mais simples de se decorar. A seu ver era só rebolar e andar como se fosse uma supermodelo. Chato. Preferia mil vezes fazer a parte dos rapazes. Que por um acaso era agora, enquanto a música mudava para de Super Júnior. As mulheres todas se abaixaram, deixando os caras fazerem a partes deles.

"E com um pouco menos entusiasmo da minha parte, mas igualmente importantes... ELES!"

"Nae-ga sarang-han S. P. Y. Keunyeoreul chocha day and night

Jabhil -deut jabhiji anha keurimjacheoreom butjimanNae-ga sarang-han S. P. Y. Keunyeoreul chocha day and nightSumi teok kkeut-kkaji cha wah keunyeoreul kyeonun geu sunkan"

Era também simples, mas muito mais daora. Percebeu que o gordinho que dançou Backstreet Boys com o mendigo loiro era perfeito, exatamente como Shin Dong do SuJu. Mandou muito bem a coreografia toda.

Por fim...

"Nós da FlashmoBee, agradecemos todos no aeroporto pelo seu tempo e avisamos às pessoas de que não devem fazer isso sem o prévio consentimento, do contrário..."

E os "seguranças" surgiram, rebolando ao som de "We are the Mob" do Step Up 4, girando algemas entre os dedos. Não fizeram mais que dois movimentos quando chegaram os verdadeiros seguranças e os removeram, arrastando-os até a saída. Todos os cidadãos comuns que permaneceram até o fim aplaudiram. Todos os dançarinos agradeceram.

Aquela fora fora sua primeira vez num Flashmob...

...e num aeroporto.

***

FATO 1: Hinata pula muito.

***

Sudesta de Konoha, um mês antes do Natal

Estava tudo preparado para aquele fim de ano, até mesmo os três primeiros meses do ano seguinte estavam anotados junto com todas as expectativas que ela possuía para o grupo. "Ganhar a competição" estava no topo checklist, ainda sem o pequeno "check". Logo abaixo lia-se "Pelo menos estar apto a participar", seguido por "Tentar com muito, muito esforço" e "Melhor sorte na próxima" depois desse. Ela sabia que seria difícil alcançar o nível dos grandes, mas quem sabe... Passara o maior nervoso com a inscrição para o FlashmoBee daquele ano, pois as exigências não paravam de crescer. Tinha que atualizar o cadastro dos membros do grupo, enviar o vídeo classificatório, responder os questionários, implorar para seu namorado responder os dele, amarrar o Naruto para que não respondesse os dos outros e, enfim, enviar tudo e esperar por uma resposta. Se continuasse como no ano anterior, os classificados receberiam um pacote com tudo o que precisariam aprender até o evento, sendo o local a última coisa a ser revelada, também por correspondência.

A Hyuuga tinha certeza de que mereciam pelo menos a classificação.

Mas... eram tantos grupos... Era quase o triplo de inscrições que o ano anterior e isso só quando ela foi se inscrever. Só Deus sabe quantos ainda entraram nos dias seguintes.

Não! Eles passariam! Uma coisa era certa, não faltavam exemplos de esforço e superação naquele grupo, a começar por ela própria! A tímida e acovardada bailarina que decide enfrentar o molejo e a atitude do Hip Hop! E tinha todos os outros "Yotes", cada um com uma história mais louca possível. A origem do apelido era louco, tudo começou quando...

Falando em nome... Os outros grupos, os principais rivais, também enfrentaram superações. Há dois anos surgiram aquelas... aquelas... bom, ela não lembrava o nome agora, mas eram boas e viraram populares muito rápido. QUAL ERA O NOME?!

Um grito ecoou pela mansão e antes que a Hyuuga saísse de seu masoquismo mental no sofá da sala, resmungando consigo própria, Hiashi-sama, o esplendoroso, mundialmente famoso e reconhecido bailarino (papai), escancara a porta com uma mão, uma grande caixa de papelão debaixo do outro braço, enquanto grita:

— CHEGOU!!!

Uma hora depois estavam todos sentados ao redor do esperado pacote, ela, à sua esquerda, seu pai, sua irmã-enxerida-que-chantageou-emocionalmente-o-pai-pra-participar-do-evento, e os Yotes: Naruto, Chouji, Lee, Sai, Kiba, o "maskoyote" Akamaru (piada ruim é sempre coisa do Kiba. O problema é que pega e fica) e, fechando o circulo sentando a sua direita, Uchiha Sasuke, seu namorado.

Abriram a caixa. Como no ano anterior, havia as listas de músicas, a ordem e os vídeos com ninguém menos, senão o próprio K.Bee, demonstrando as coreografias. Junto aos DVDs, um envelope grande, pardo que nem a caixa, o nome Ko.Yotes impresso no adesivo que o lacrava. Hinata abriu o envelope e, pra sua surpresa, diferentemente do ano anterior, havia lá dentro envelopes menores, com os nomes de cada um dos membros. Aquilo não podia ser boa coisa... Hinata colocou o DVD (ou Blu-ray, ela não se importava) e esperou que o conhecido rosto pardo e flexível de K.Bee explicasse o significado daquilo.

Quase na mesma hora, no leste da cidade, e em uma casa quase tão grande quanto a dos Hyuuga, Fuun assiste ao vídeo, soltando gritinhos histéricos de alegria pela notícia do envelope com o seu nome. Ela lera tudo o que estava escrito nos envelopes dos outros membros e não podia estar mais satisfeita com seu papel naquele flash. Então seus gritinhos são cortados pela voz do anfitrião e sua mais nova ideia de competição e substituídos pelo mais longo e alto e agudo grito de indignação soltado por um humano.

"Hey, yo, Competidores e competidoraaaaas! Espero que tenham ido bem na escola, faculdade, trabalho, gandaia, ou o que quer que façam, porque precisarão de cada minuto para treinarem se quiserem ter chance contra meu fabuloso ser e meu grupo nas finais, porque os vídeos que mandaram para classificação eram na verdade suas entradas para as preliminares, então quem não o levou tão a sério foi, efetivamente, desclassificado. Perdeeeeeeeu! O Ranking provisório é de..."

Mal sabiam eles que não muito longe dali, no movimentado centro de Konoha, um semelhante embrulho chegava ao humilde sobrado de duas irmãs.

E o nome delas fora citado no vídeo, sem identidades reveladas.

"...Ko.Yotes! Em terceiro lugar, V.E.! Temos Hime e N.dD. empatados em segundo e, finalmente, em primeiro lugar, com a maioria massacrante de votos, a dupla PigPink!! É pessoal, é melhor vocês ralarem nas próximas provas, por que o resultado provisório pode se concretizar!"

PigPink, pensou a Hyuuga... O nome era esse.

Notas finais
;) Tenham uma boa noite. bjs...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.