Pieces of Love

1 Capítulo 1 - A Hole Love


Notas iniciais
Olá,
Eu não esperava que a fanfiction ficasse tão grande, então dividi em duas partes. A classificação ficou +16 porque há insinuação a estupro e tortura, sem descrição de fato. Não sei se estou errada.
E não tenho localização temporal pra fanfiction, acho que é pós-apocalipse, não tenho certeza.

Quando Dean o olhou sabia que tinha algo diferente.

Pra começar, ele não estava tão perto como deveria, os olhos estava perdidos e ele não dera seu cumprimento de sempre. Não era Castiel que conhecia, parecia mais um boneco. Uma marionete.

- Onde diabos você esteve? – perguntou um pouco irritado, pois não podia esquecer que foram abandonados.

Estavam em uma caçada quando encontraram um bando de demônios fazendo arruaça naquela cidade, planejaram algo para acabar com todos eles, mas foram surpreendidos. Ficaram encurralados em um bar e quase morreram, pediram a ajuda do anjo, mas ele não apareceu. Por sorte e algumas estratégias, os Winchesters conseguiram sair com vida com local. Haviam combinado com o ser celestial ajuda e ele prometera que estaria lá. Mas não esteve. E agora, só aparecia um dia depois do incidente. O loiro não tinha como não ficar irritado.

- Me desculpe... Fiquei preso – a voz rouca e distante, as safiras encararam os dois humanos, mas pareciam partidas. Não reluziam brilho algum, na verdade, até mesmo o azul parecia apagado.

- Cas... Você está bem? – o Winchester mais velho perguntou, levantando-se da cama e aproximando-se do anjo. Notou que ele queria recuar com seu avanço, mas fez muito esforço para permanecer no mesmo lugar.

- Estou... Bem – Cas pareceu usar de suas últimas forças para poder formulador simples palavras.

- Não parece... – Dean declarou sério e preocupado – Ficou preso? Como assim? – os minutos em silêncio agoniavam os dois Winchesters. Sam não continha sua expressão preocupada e confusa.

- Alguns demônios me prenderam... Ouvi seus chamados, mas não pude atendê-los. Me desculpe – o loiro queria muito pegar aquele ser celestial e colocá-lo em seus braços, apertando fortemente contra o peito para confortá-lo. Tinha algo de muito errado com aquele anjo.

- Não tem problemas... Eles te machucaram? – um silêncio profundo vindo de Castiel. Ele não se mexia e muito menos parecia respirar. Na verdade, parecia ter entrado em choque ali mesmo. O loiro se aproximou suavemente, pousando uma mão no ombro dele – Cas... – conseguiu atenção daquele mar azul – Eles te machucaram? – de repente não havia mais azul. Só negro. “Não. Você não pode.”. Cas piscou lentamente, livrando-se com delicadeza da mão em seu ombro.

- Não... Só me prenderam mesmo – estava claro para Dean que ele mentia, queria protestar mais fora impedido – Vim para saber de vocês. Estão bem? – o loiro pareceu pensar sobre o assunto. Foi Sam que respondeu.

- Estamos sim, Cas, não precisa se preocupar... Tem que ser muito mais do que um bando de demônios para nos derrubar – o mais novo esboçou um sorriso para o moreno angelical, confirmando que estava tudo bem.

- Certo... Vocês vão continuar caçando? – o moreno mais alto respondeu positivamente com a cabeça – Vão precisar da minha ajuda? – Samuel ponderou.

- Não... Ficar preso com os demônios deve ter sido cansativo, então aproveite para descansar, okay? – o anjo acenou e sumiu. O Winchester mais novo suspirou e voltou sua atenção ao notebook. Dean que pareceu morto na conversa, reviveu cheio de energia.

- O que você fez? – ele parecia irritado, Sam nem tirou os olhos do notebook.

- O que você deveria fazer. – declarou sério.

- Ah, jura, senhor sabichão?

- Juro – e dessa vez o mais novo olhou para o irmão – Sabe-se lá o que aconteceu com ele preso, mas estava claro que ele não ia falar agora. Estava evitando o assunto da mesma forma que você quando voltou do inferno, respeite o espaço dele – o loiro pensou um pouco. O irmão estava certo, só havia ficado chocado com o que vira.

Cas estava completamente abalado. O rosto estava impassível, mas ele não estava ali, a curiosidade que conhecia, a inocência, o brilho questionador. A melhor descrição para o estado dele, é que parecia morto por dentro. Não era como o Winchester mais velho, que estava com a alma quebrada. O anjo parecia ter tido a alma arrancada do corpo. Tremeu ao pensamento, resolvendo voltar a deitar e deixar que alguns dias se passassem. Depois, quem sabe, com um pouco de jeito, conseguisse o que queria.

Até porque conseguiria se ocupar muito bem com as suas caçadas, com seus problemas. Precisavam continuar fazendo o trabalho da família, ajudando das pessoas, cruzando o país. E sem querer, colocou o anjo em segundo plano. Apagou um pouco de suas preocupações por ele, já que o mesmo não fazia questão de aparecer. Somente quando conseguiu uma “folga”, deixou as memórias fluírem e recordou-se do acontecido. Havia se passado duas semanas, achara que já dera tempo suficiente.

- Cas... Pode vir aqui um pouquinho? – aproveitaria também porque Sam tinha saído para beber um pouco – Quero te ver – declarou sincero. Esperou alguns segundos até o som de farfalhar de asas ser ouvido atrás de si.

- Olá, Dean – dessa vez a voz estava mais firme. Estava mais parecida com a que conhecia e as safiras pareciam ter conseguido reconquistar parte do brilho que tinha se perdido. Dean soltou um sorriso mais aliviado por aquelas serem apenas memórias, agora.

- Senta aqui... – Cas obedeceu, sentando-se ao lado do protegido – Você esteve sumido... O que andou fazendo? – foi quando o brilho quase se apagou e a expressão do ser celestial quase chegou a apreensão.

- Fazendo meu trabalho. – declarou rápido. Numa óbvia mentira – Eu não sou mais um grande anjo, então está meio difícil – havia um pingo de sinceridade da frase. Dean pegou a mão dele e entrelaçou a sua, enquanto elevava a outra até o rosto dele, acariciando calmamente.

- Eu posso ver, Cas... Você não sabe mentir – um flash de medo passou por aquele azul – E você nem precisa. Eu sei que está mudado desde daquele ataque dos demônios... Eles te torturaram, não foi? – Cas desviou o olhar, ainda sem se mover.

- Um... Pouco... – fraco. Todo o corpo fraco. Tudo fraco.

- Eu sabia... – o loiro envolveu o ser celestial em seus braços, num abraço quente e aconchegante. Castiel não se afastou, na verdade, aproveitou-se para sentir o calor do protegido – Não se preocupe, Cas... Já passou, eles não vão mais tocar você – nesse momento, os braços do anjo se movimentaram, subiram até as mãos tocarem os antebraços do loiro, começando apertá-los fortemente.

Era uma força sobre-humana. Era a força divina. O Winchester nem pensou em reclamar, na verdade, conteve qualquer escapatória de como aquele contato estava doendo. De alguma forma, sabia que aquilo era uma forma que seu protetor estava encontrando para falar sobre o acontecido, como estava lidando com aquilo. Fez mais, mesmo com a dor, beijou suavemente os fios escuros, como se dissesse mais forte “Tudo bem, tudo bem”. Segundos depois, a dor cessou e as mãos saíram do seu corpo indo para o colchão em que estava sentado. Sabia que mesmo com a jaqueta, aquele toque havia deixado marcas. Tudo ficou quieto por longos minutos, até Cas, com gentileza, se livrar do abraço e encarar seu protegido.

- Obrigado, Dean... – havia sinceridade naquelas palavras. Dean podia ver também que aqueles azuis mudaram de tonalidade, estavam um pouco melhores.

O loiro sorriu e estava prestes a responder “De nada”, quando foi surpreendido pelos lábios angelicais sobre os seus. Surpreendido porque fora muito rápido, não por ter sido beijado, já que era algo comum entre eles agora. Havia alguns meses que o Winchester tinha se declarado, então era normal, os beijos, os toques, os abraços. A mão de Cas veio para sua bochecha guiando o beijo enquanto colocava a língua dentro da boca do outro, estava apressada e ansiosa. Dean não se recusou em responder, enroscando-se na língua dele, segurando sua cintura e trazendo para mais perto.

Estava tão afoito por contato.

E era o que precisava. O que achava que precisava. Os toques eram tão sutis e sempre traziam tanto calor, tanto bem-estar, que era quase certo. Uma das mãos do loiro, agitada, moveu-se para cintura do outro, chegando na camisa social branca e a puxando, para poder adentrá-la. Tocou a pele macia com cuidado, a cintura e foi subindo pelas laterais do corpo, era um toque suave, mas que se carregou de luxúria quando voltou a descer, arranhando com sutileza por onde passava. A mão desceu mais um pouco, chegando ao cós da calça, indo mais para baixo e tocando no membro, apertando-o levemente.

Ou talvez, nem tanto assim.

Castiel abriu os olhos, parando de movimentar a língua. Devido à parada, o humano também abriu os olhos e notou que as safiras, já não estavam na sua cor normal. Eram negras como daquela vez. Afastou-se do ser celestial um pouco, pronto para perguntar o que aconteceu, por que ele havia parado. Quando uma onda de energia rompeu dele, uma onda tão forte, que o empurrou contra a porta do banheiro alguns metros de distância da cama, como estava fechada, continuou no quarto. As costas de Dean doeram, mas ele se levantou, tentou se aproximar do anjo e falar alguma coisa, mas novamente outra onda de energia e dessa vez não parara. Jogara-lhe contra a porta, prendendo-o ali e o sufocando, provocando dor por ser esmagado.

Quanto mais olhava para Cas, menos o reconhecia. Na verdade, ele olhava para si, mas não parecia lhe encarar de forma alguma, estava imerso em memórias. O via apertar os lençóis, mas a expressão em seu rosto continuava a mesma, impassível, mas de alguma forma sabia que ele estava sentindo muita dor. Teve a certeza quando viu lágrimas despontarem daqueles olhos. As safiras estavam sangrando. No sentido literal da frase, pois o anjo liberava gotas de sangue. Pingava nos lençóis. Não eram poucas. Caíam sem parar. Jamais o vira chorar, quem dirá sangue.

- C-Cas... – disse lutando contra a barreira de força em seu peito – Ca-Castiel! Castiel! Acorda, cara! – conseguiu mais fôlego para falar, mas não parava. Havia uma cadeira perto da cama, ela pegou fogo. O relógio digital do criado-mudo começou a levitar, a televisão do lugar ligou e ficava chuviscando, saindo do ar. Preparou-se – Cas... Acorda! É o Dean! Você está comigo! Você está comigo... Meu anjo, você está comigo! – funcionou.

O fogo se apagou.

A televisão desligou.

O relógio despencou sobre o criado-mudo.

Dean caiu de volta ao chão, livrando-se do aperto. E Castiel tombou para o lado da cama, desmaiando. Correu até ele, o pegando nos braços e vendo que estava completamente desacordado, mas respirava. O rosto com os traços de sangue limpou com as mãos trêmulas. Percebeu que tremia, o abraçou ainda mais, liberando suas lágrimas. Duas gotas salgadas de pura dor, desespero e agonia. Sussurrou baixinho enquanto balançava a si e o corpo que abraçava.

- O que fizeram contigo, meu anjo? O que fizeram contigo?! – ficou assim até o Winchester mais novo voltar.

Quando Sam voltou tinha um meio-sorriso, que se apagou quando olhou a cena. Andou apressado até o irmão e notava que ele parecia está em estado de choque, abraçando o anjo e se balançando. Com cuidado, separou os dois e pôs o moreno deitado na cama, retirando os sapatos, sobretudo e o terno, o cobrindo em seguida, não sabia se precisava, mas era assim que se colocava alguém para dormir. Esse pensamento lhe assustou, porque anjos não precisavam dormir. Enquanto o irmão mais velho apenas ficou encarando, sem dizer qualquer palavra. Samuel pegou a mão dele e o arrastou para fora do hotel, levando-o para o estacionamento perto do Impala. Era tarde da noite, ninguém os veria, ou escutaria.

- O que aconteceu, Dean? – encarou o irmão, ele não respondeu. Pegou os ombros dele e o balançou com força – O que aconteceu, Dean Winchester?! – quase gritou.

- Tocaram no meu anjo, Sammy... Algum... – parecia que o loiro iria chorar, mas repentinamente sua expressão mudou para puro ódio – Algum filho da puta tocou no meu anjo! – o carro deles, que estava ao lado, sofreu todas as consequências da ira. Um dos vidros laterais fora quebrado com a força de um golpe.

- Você está querendo dizer...

- Isso mesmo, Samuel! Algum bastardo desgraçado estuprou o Castiel! – o moreno ficou chocado. Soltou os ombros do irmão – Se eu descobrir quem foi vai preferir o inferno a cruzar comigo! – o mais velho estava praticamente aos berros.

- Mas... Mas – tinha que acalmar o primogênito – Como você sabe? Ele te contou? – o viu começar a conter a fúria dele.

- Não. – declarou numa bufada raivosa – As coisas... Ficaram quentes entre nós e ele reagiu... Queimou uma cadeira, ligou a televisão, suspendeu o relógio e me prendeu contra a parede com os poderes dele – a voz estava mais calma, mas podia ver pelas esmeraldas o ódio puro sendo refinado.

- Por isso ele desmaiou – o mais novo falou obviamente.

- Sim. Ele entrou em estado de choque e depois que acordou, desmaiou... – a conversa morria – Vou voltar para dentro, Sam... Acho que ele não vai acordar agora, mas não quero que isso aconteça sem eu está lá – nem esperou o outro falar alguma coisa, girou os calcanhares e voltou para o quarto.

Samuel apenas ficou com seus pensamentos, encostando-se no Impala que agora tinha uma janela quebrada. Notou que algumas pontas do vidro possuíam gotas vermelhas, identificando rapidamente como sangue. Preferiu seguir o irmão, pois sabia que ele não cuidaria daquele machucado, provavelmente ainda nem havia reparado. Quando chegou ao quarto teve a certeza, pois o encontrou sentado na beirada da cama acariciando o rosto de Cas com tanto zelo e cuidado, que só se lembrava de tê-lo visto assim, quando a si ficou bem adoentado. Foi até a mochila e pegou algodão, um garrafa de álcool e gazes, ficando ao lado dele, pegando sua mão.

- Vamos encontrá-los, Dean... – sussurrou enquanto tirava cacos que restavam na mão.

- Vamos sim. E vou torturá-los cada um pessoalmente – o Winchester mais novo sentiu medo, pois sabia que com toda certeza que quem tivesse tocado em Castiel se arrependeria amargamente.

- Você tem alguma ideia? – perguntou enquanto passava as gazes.

- Os demônios daquela cidade, quando ele foi preso. Desde lá que esteve agindo estranho, tenho certeza que foram eles – finalizou com um pequeno nó. Ficou de pé encarando o mais velho.

- Mas sabe, se o Cas escapou... Será que ele não os matou? – Dean pensou um pouco.

- Pode ser... Mas pode ter sido que eles o deixaram após... Após tudo ter ocorrido – o mais alto concordou, colocando o restante da gaze e a garrafa na mochila – Cas só apareceu um dia depois que conseguirmos escapar – Sam suspirou.

- Terá que perguntar para o Cas... Sabe, mais informações – falou bem baixinho com um pouco de medo da reação do irmão.

- Não... Eu não posso fazer isso. Está mais do que claro que ele não consegue lidar com isso – Dean baixou a cabeça, voltando a acariciar o rosto do ser angelical. O irmão sentiu a dor do outro, era uma coisa muito grande para que passassem. Tocou no ombro dele e sorriu fraco.

- Durma na minha cama, fico na poltrona – perto da cama em que o anjo estava deitado havia uma poltrona de cor marrom.

- Não... Vou ficar aqui, Sammy... Me deixa ficar aqui – havia uma fragilidade nessas palavras. Sam retirou a mão do ombro do irmão e se afastou, entendendo. Indo para cama, também precisava dormir.

- Boa noite, Dean. – disse quando se arrumou para dormir.

- Boa noite, Sam... – e a última coisa que o mais novo viu foi o outro Winchester entrelaçar sua mão no ser angelical.

Notas finais
Só um último aviso, a fanfiction está sem betagem.